terça-feira, maio 26, 2009

Alguém mate o Zaqueu!

Ligue o rádio aí agora. Pode ser o rádio AM ou FM que toca - com absoluta certeza - no seu aparelho de telefone celular. Ou o rádio portátil do seu quarto. Ou seu radinho de pilha. Ou qualquer outro aparelho que estiver ao alcance de suas mãos neste momento - e que a esta lista possivelmente não se inclua som de carro, por motivos óbvios. A única exigência é que transmita sinais de emissoras de rádio. Qualquer uma que seja.
Sintonizou? Identificou a música? Se você sintonizou uma rádio evangélica, vai pensar que esta música que você está ouvindo neste momento é apenas uma de um repertório e que o fato de ela estar tocando neste exato momento, é pura coincidência. E se você sintonizou em qualquer outra emissora, está escutando a mesma música que os crentes- em ritmos diferentes, claro, porque ela foi gravada num funk, num rap, num pagode e num forró, segundo eu soube no salão, enquanto fazia as unhas, na semana passada.
E, em rádio evangélica ou não, pode ter certeza: sim, o Zaqueu ao qual a música se refere é aquele da Bíblia, anão, que desejava ver Jesus e para isso subiu numa árvore que ficava numa das ruas pelas quais o Mestre passaria. Tolinho! Jesus o viu e mandou que descesse, porque naquela noite o Filho do Homem entraria em sua casa. A história termina com um Zaqueu arrependido, que distribuiu toda a sua riqueza aos pobres.
Pois muito bem, estas são frases do resumo do resumo do resumo da história de Zaqueu. Quase todo mundo conhece. Bem... na verdade, todo mundo conhece, depois da música que ganhou o país, as ruas, as esquinas, as praças, as igrejas, os grupos de louvor, as congregações, as boates, os bailes, os pagodes, as serestas e todos os outros eventos dos quais se tem notícia.
A música toca em todas as rádios. A letra é bonita. Mesmo. A melodia também. É até agradável!
Mas... na moral... tantas vezes, todas as horas, uma vez atrás da outra não, por favor.
Gosto da música. Confesso. Ou pelo menos gostava. Até ela virar essa febre e seu som passar a tocar em todos os lugares deste mundo.
E se os meus três leitores pensam que eu to exagerando, deem uma passadinha na Comunicação, num dia em que a Mary estiver, e esperem dois minutos - sim, dois minutos bastam - até que o telefone celular dela toque. É inacreditável, mas o som - ou ring tone, como todos dizem - é a Isabelly, filhinha dela, cantando "Como Zaqueu, eu quero subir... na na na naaaa... na na na na-a-a-a".
Por favor, alguém desligue o rádio do vizinho, ou o rádio do carro ao lado, ou o radinho de pilha do cara que ta malhando na minha frente aqui na academia... ou, melhor, matem o Zaqueu. Não que ele tenha culpa... absolutamente. Culpado é todo mundo que não deixa a febre da música passar.

Um comentário:

Palavras de "Preta" disse...

Moça, vc é ótima mesmo. Sempre dou uma lida no seu blog porque adoro suas histórias, mas não comento pelo nosso pouco contato. Mas esse texto não podia deixar passar em branco, porque ficou muitooo legal.
Bjka e tenha um ótimo final de semana