O assunto está repercutindo. Essa semana, uma companheira jornalista Cristine Pires criou um blog para a exposição de opiniões, divergências e discussão da decisão do STF que suspende a necessidade do diploma de Jornalista para o exercício da profissão.
"A Cozinha do Gilmar" traz uma apresentação inteligentíssima e de ótimo gosto. Agora, lá será nosso espaço para expor aquilo que pensamos, aquilo que nos indigna. Lá, é o lugar para discussão. A conha do Gilmar, de verdade. Olha só o texto que 'ilustra" o banner:
A cozinha do Gilmar
Larguem as canetas, gravadores,
microfones. Peguem as panelas, colheres, aventais.Estão abertas as
vagas na cozinha do Gilmar!
O blog nasce um dia depois da derrubada do diploma de
Jornalista pelo STF, no triste 17 de junho de 2009.
A idéia surgiu durante troca de emails entre cozinheiros, digo, costureiiros… não… não… de jornalistas de todos os cantos do País, inconformados com esse grande ato de desrespeito com
os profissionais de imprensa.
Agora, a conversa segue aqui… na cozinha do Gilmar!
Vale conferir o espaço. E enquanto isso, eu continuo abrindo o brog para a exposição da opinião e rejeição dos companheiros de profissão.
As últimas:
"Por certo, nenhuma atividade existe na dependência exclusiva de um diploma, seja lá ele de que nível for. E isso vale também para o Jornalismo. Mas em países como o Brasil, onde o peso do poder econômico é imenso e imponderável, regras são necessárias. E essas regras foram, por força da decisão do STF, se não quebradas, ao menos, dificultadas.
Como na Intercom convivem diferentes posições a respeito da exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão, não cabe à entidade pronunciar-se a respeito. Mas a entidade expressa, sim, sua preocupação pelos termos e expressões utilizadas pelos Exmos. Srs. Integrantes do STF quando do julgamento da causa, assim como o aparente desconhecimento do que seja, de fato, a essência da atividade do Jornalismo, em qualquer lugar do mundo. Reduzi-lo à cozinha é, deveras, lamentável. Verificar que, para os integrantes do STF, a prática do jornalismo não é especialidade nem demanda conhecimento específico, é preocupante.
De qualquer modo, a INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação tem confiança na qualidade de ensino que vem sendo desenvolvida em nossas Universidades e, particularmente, em nossas Faculdades de Comunicação; na responsabilidade de nossos profissionais do jornalismo; no idealismo e na confiança dos estudantes de Comunicação Social, e, por isso, acredita que este debate pode ser revertido em prol da real liberdade, não apenas da expressão, tão mencionada pelo STF, quanto na verdadeira liberdade de informação, tão esquecida pelo mesmo tribunal", Direção da INTERCOM
“Os jornalistas brasileiros enfrentam, neste momento, uma das piores situações da história da profissão no Brasil”, afirmou a deputada estadual Ana Lucia (PT) na plenária da Assembléia Legislativa de Sergipe, nesta segunda-feira, 22. A parlamentar se posicionou contrária à decisão do Superior Tribunal Federal - STF -, que no último dia 17 acatou, por maioria, o voto do ministro Gilmar Mendes considerando inconstitucional o inciso V do artigo 4 do Decreto-Lei 972 de 1969, o qual fixa a exigência do diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista.
"A decisão do STF caracteriza um retrocesso institucional e somente favorece os interesses da elite brasileira e, neste caso, dos grandes proprietários dos meios de comunicação. Esta decisão atende apenas ao setor privado e ameaça as bases da própria democracia brasileira. A desregulamentação das atividades de imprensa no Brasil não atende aos princípios da liberdade de expressão e de imprensa nem aos interesses da sociedade”, explica Ana Lucia.
Não acredito nas “garantias” e no “compromisso” com os jornalistas formados em universidade que as grandes empresas de comunicação estão afirmando ter. Parece mais uma medida para tranquilizar estudantes em “ebulição”. Pode ser mais uma jogada para esfriar uma luta que se já esboça entre estudantes, sobretudo entre aqueles que nunca se envolveram nos movimentos estudantil e sindica e se viram agora na necessidade de se unir para se mobilizar por uma causal. Talvez tenham visto que a atitude do STF criou o “argumento” que os estudantes precisavam para se aproximar dessa luta, e de outras, do movimento sindical e de outros movimentos pela democratização da comunicação".
"No dia 17 de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou as conquistas de uma categoria e deu as costas para a sociedade brasileira.
Sob o argumento de que o jornalista não necessita de conhecimento científico, oito ministros votaram pelo fim da obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão.
É revoltante a postura da última instância nacional, que representa a lucidez da Justiça no país.
Na opinião do relator do processo, ministro Gilmar Mendes, a Constituição Federal de 1988, ao garantir a ampla liberdade de expressão, não recepcionou o decreto-lei 972/69, que exigia o diploma. O jornalista Lucídio Castelo Branco presidia a Federação dos Jornalistas (Fenaj) quando o Jornalismo foi regulamentado em 1969.
Na época, houve uma grande luta para criar uma lei que regesse a atividade. Castelo Branco, um dos maiores defensores da regulamentação, afirma que a profissão começou a existir efetivamente com o decreto-lei de 69: “Ganhamos qualidade e passamos a entender que a comunicação é um serviço que pode ajudar ou prejudicar o cidadão”.
O fim da exigência do diploma significa a degeneração da profissão, o aviltamento de salários e a redução de empregos.
Pelo visto, o ensino no Brasil não é levado a sério. A qualificação profissional é um mero instrumento de decoração. Após memorizar algumas expressões em latim, qualquer um pode ser ministro do STF. Se é para votar contra a educação e para ficar esbravejando “eu não sou um dos teus capangas” (episódio em que Mendes e Joaquim Barbosa discutiram em plena sessão), não sabemos para que serve esse “entulho” Judiciário.
É preciso não desanimar. Não é por causa de um golpe das entidades patronais, sustentado pelo o que é de mais “legítimo” na Justiça nacional, que vamos deixar a apatia tomar conta dos estudantes, dos professores e dos profissionais em Jornalismo. É o momento da categoria se unir e lutar por nossa bandeira. Nota Oficial - Uniceub, Centro Universitário de Brasília, aos seus alunos do curso de Jornalismo, e compartilhada por Carla Lisboa , jornalista (diplomada).
"O Colégio de Presidentes de Conselhos Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, por unanimidade, lamentou hoje (19) a decisão do Supremo Tribunal Federal que pôs fim ao diploma de jornalista, bem como ao registro profissional no Ministério do Trabalho.
Em sessão plenária dos 27 presidentes da OAB dos Estados e Distrito Federal, conduzida pelo presidente nacional da OAB, Cezar Britto, o Colégio expressou sua preocupação com as consequencias de
tal decisão para a sociedade brasileira, em seus aspectos técnicos e, sobretudo, éticos. " Colégio de Presidentes da OAB lamenta decisão do Supremo contra jornalistas
"Infelizmente, já não existe quem consiga dar o tratamento adequado ao Festival de Besteiras que Assola o País, como fazia seu heterônimo Stanislaw Ponte Preta.
Nem alguém capaz de transmitir fielmente o horror e o nojo que o Brasil oficial inspira nos homens civilizados, como o grande Glauber Rocha fez em Terra em Transe.
Reconhecendo de antemão não estar à altura da tarefa, tentarei cumpri-la assim mesmo. O pior é sempre a omissão.
Em tese, concordo plenamente com a avaliação feita há décadas pelo Paulo Francis: o jornalista precisa é de uma sólida formação cultural, principalmente nas áreas de história, sociologia, psicologia, política, antropologia, filosofia e artes.
Já para o aprendizado das técnicas jornalísticas, bastaria um mês (dois, no máximo, para os menos brilhantes) num liceu de artes e ofícios.
Só que a formação de cidadãos, no sentido maior do termo, há muito deixou de ser priorizada pelas universidades brasileiras. Ensinam-se, exatamente, as técnicas, as ferramentas, as ninharias.
Por quê? Pelo óbvio motivo de que ao capitalismo atual não interessa formar indivíduos com capacidade crítica e visão universalizante, aptos a refletir sobre o conteúdo e as conseqüências de sua atuação, mas, tão-somente, apertadores de parafusos que cumpram as tarefas que lhes são designadas sem as contestarem.
Então, não vejo o motivo de tanta obstinação da federação e dos sindicatos de jornalistas em defenderem diplomas que hoje são fornecidos a granel por instituições mercenárias", Celso Lungaretti, Jornalista (diplomado)
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