Eu sempre pergunto isso. Sempre mesmo. Em qualquer situação eu pergunto por que tem que ser assim. Pode ser engraçado, sério ou dramático. No começo, a pergunta tinha um questionamento sincero, e era feita buscando, de fato, uma explicação, mas hoje, confesso, ela sai naturalmente, como o "desculpa, to muito arrependida" ou o "como assim?", que já viraram mania entre os meus amigos.
Essa semana, eu separei uns DVDs do seriado americano Sex and the city, que eu tenho aqui faz um tempão e nunca tinha tido ânimo pra assistir. Como já tinha assistido a primeira temporada, assim que eu comprei toda a série, separei a segunda e terceira temporadas para, como diria meu querido amigo Luis Cláudio, pras horas difíceis.
E não foram poucas as horas difíceis na última semana. Muitos problemas, viagens e pessoas me tiraram o sono. Resultado? Era só ligar o DVD e já entrava lá, no ponto exato que eu havia deixado pra me dar uma estimulada a assistir (sim, aquelas introduções todas sempre me desanimam).
As horas difíceis passaram, assim como pela minha TV as duas temporadas do seriado inteiras. É... em três ou quatro noites insones e preocupadas eu assisti a segunda e terceira temporada completas. Nem viria ao caso, mas posso até incluir aqui que são 22 episódios cada uma, com uma média de 28 minutos cada um deles. Quem quiser, termine o seguinte cálculo: 22 em cada temporada, 44 episódios ao todo, multiplicado por 28 minutos... dá aí... ah, sei lá. To com preguiça e nem quero saber ao certo quantas horas de sono perdi.
Ta, mas o assunto deste post não tem nada a ver - pelo menos não é a intenção - com as colunas da minha agora querida Carrie Bradshaw. O assunto passou despercebido por mim muitas vezes, mas não desta. Chamou tanto a minha atenção uma das colunas "O Sexo e a Cidade", da simpática e neurótica personagem da Sarah Jessica Parker, que eu anotei o assunto no caderninho que tenho na cabeceira da minha cama. Por dois motivos: pra eu, no dia seguinte, saber se era mesmo um tema a ser questionado na minha vida e pra eu não esquecer, como faço com quase tudo o que penso.
Todo mundo já ouviu que "quando a esmola é muita, o santo desconfia". É... muita gente fala isso por aí. É um ditado empregado em diferentes situações. E foi isso o que me chamou a atenção.
Tava lá a Carrie no episódio chamado "Carma", em que ela passa por uma maré de azar depois de começar um romance com seu ex, o Senhor Big, agora casado. Talvez a pergunta nem coubesse, se não fosse o fato de que, na ocasião, ela estava namorando um homem lindo, que a amava, lhe dava tudo, a fazia feliz... enfim. Ela diz exatamente: "Se não é difícil, você não acredita que é verdade. Quando as coisas são fáceis demais, nós suspeitamos. Precisam ser complicadas para que acreditemos que são reais?".
Na semana passada, uma amiga me pegou de surpresa com uma pergunta sem o menor fundamento: "E se eu chegar lá e ele aparecer com a namorada dele?". A minha resposta: "Ele te convidou pra sair! Tudo o que ele não quer é que você descubra que ele tem uma namorada, não acha? Se é que ele tem uma". Aparentemente, ela aceitou o meu argumento e fechou a conversa: "Eu sou neurótica mesmo".
Talvez neurótica não seja a palavra, mas que não tem o menor cabimento alguém não acreditar num fato, só por estar fácil demais ou por não se achar merecedor, ah, isso não tem mesmo.
Dia desses eu me peguei numa situação. Nem cabe aqui detalhar, mas o que aconteceu foi que, por me julgar pouco merecedora, abri mão. Simplesmente abstrai-me da oportunidade.
E depois fiquei pensando.
Por que todo mundo insiste em se achar não merecedor? Por que pra ser verdade, tem que, necessariamente, ser difícil? Caramba! Não tinha que ser assim.
Se a esmola é demais, o santo que deixe essa preocupação pra outro beato qualquer e aproveite os benefícios que aquela esmola pode proporcionar (não literalmente, gente, pelo amor de Deus!).
Se ta difícil, que chato, vamos nos dedicar a trabalhar para que algo aconteça: mudança, melhoria... sei lá.
Mas se está fácil, temos que fazer diferente. Temos que viver, simplesmente. Não há motivos para se julgar "i"-merecedor. Não há nessa vida algo que nos faça não merecer algo bom.
Sou suficiente boa para ter aquilo de melhor que a vida tem pra me oferecer. E suficiente ruim para ter aquilo nem tão bom que ta me esperando por aí.
Só preciso me conscientizar disso. E esperar essa TPM passar!
Nenhum comentário:
Postar um comentário