Além de estar preste a completar 30 anos e estar sofrendo este fato, essa semana eu descobri que, diferente do que imaginei a vida toda, meu pai passou a juventude muito preocupado em encontrar uma forma de alisar seus cabelos. Sim. E eu explico. Desde o começo, como me é peculiar...
Como meus três leitores sabem, alguns fatos nesta minha vida me fazem sofrer. Atualmente, o que mais me deprime é o fato de que muito em breve eu completarei 30 anos de vida. Ta, mas não é só isso. Existem outros fatos que mexem comigo também, como a dificuldade que eu tenho em manter meus cabelos calmos, serenos e tranquilos. Eles me odeiam! É simples. Parece que todos os dias eu os ouço cochichar, praticamente em coro, nos meus ouvidos: "Não estamos aqui para facilitar sua vida, baby!".
Desde que me conscientizei de que isso era um problema na minha vida até hoje, lá se vão quilos de cremes, tratamentos importados, onze escovas progressivas - com alguns litros de formol, claro e outras tantas coisas.
Embora meu pai não seja uma pessoa da pele muito clara, seus cabelos são, razoavelmente, lisos. Eu explico, de novo: Ele os usa sempre bem aparados e é por isso que eu sempre achei que não eram tããão ruins quanto os meus. Cresci acreditando nisso.
É. E talvez morresse acreditando nisso também, não fosse a Birinha na semana passada me contar a história que fez meu mundo desmoronar e eu sofrer ainda mais o que já vinha sofrendo pela proximidade da chegada dos meus 30.
Ela me contou que, logo depois que a Mônica nasceu - sim, lá se vão alguns anos - estavam ele, minha mãe e o bebê, dentro de um ônibus no Rio, onde moravam. Era noite. O ônibus estava vazio. Em determinado lugar, entraram várias pessoas. Pelo jeito, um grupo de pessoas que vinha de uma festa, porque uma criança carregava um balão, uma dessas bolas que enfeitam as festas infantis.
Até aí, tudo bem, certo? Sim, certo. O único problema foi o menininho ter deixado escapar de sua mãozinha o barbante que prendia a bexiga. Tudo poderia ter terminado bem e eu nem estaria com este sentimento ardendo dentro do meu peito, se o pai do bendito menininho, tivesse agido rapidamente, utilizando-se de um mínimo reflexo que eu nem tenho, e recuperado a bola do filhinho, antes dela sair do seu alcance.
Ele não pegou e a Lei de Murph a levou exatamente para pousar no último lugar no qual ela deveria ter tentado parar (sobrevivendo, obviamente): a cabeça do meu pai. Sim, a bola veio direto para a cabeça dele e dou um doce para quem conseguir adivinhar o que foi que aconteceu. Ah, não... não vale!
É, a bola estourou. A criança chorou, xingou meu pai de "bobo e feio" e fez todas as pessoas irromperem um riso que deve estar rolando até hoje. Meu pai, minha mãe e a Mônica saltaram logo depois, mas a história sobreviveu! Sobreviveu e veio até mim esta semana, com a única função de assombro. Ela veio me assombrar, não há como dizer o contrário.
Agora eu estou consciente de que meu cabelo tem sim, de onde vir.... é genético e pronto. De nada adiantou minha mãe ser loura dos olhos verdes, com uma família de arianos....
To sofrendo. Muito. Agora, além de estar às vésperas de ter 30 anos, estou consciente de que isso que eu carrego pregado no meu couro cabeludo é de natureza.
Oh, vida cruel!
Nenhum comentário:
Postar um comentário