terça-feira, setembro 22, 2009

Sobre o meu computador

Não sei o que pensar. Não sei o que sentir. Pelo menos não claramente. Raiva eu to sentindo. Muita, posso dizer com certeza. Talvez seja raiva o que eu mais esteja sentindo desde ontem, quando eu percebi que meu computador portátil havia sido furtado.
Entre um acesso de raiva e outro, nos quais invariavelmente eu choro - claro, eu tento entender. É involuntário, eu não tenho controle sobre essa tentativa. Fico tentando esclarecer na minha cabeça os motivos que levam uma pessoa a arrombar uma porta, invadir uma sala, arrombar um arquivo de aço e levar um computador. Por certo a pessoa sabia que meu computador ficava ali.
Será que uma pessoa que se prestou a este papel ridículo e vergonhoso, se prestou a isso por que? Por que está desempregada e tem que sustentar um filho pequeno? Por que acha que eu sou uma pessoa fútil, que tem tudo na vida com facilidade? Por que estava sem fazer nada e queria ver o que tinha na sala da comunicação? Por que queria ver as fotos que eu guardava na memória? Ou os textos que eu coloco aqui no brog? Será que pensou arquitetou o plano de entrar e levar alguma coisa? Ou de levar especificamente o notebook?
Caramba! Queria ser apresentada pra esse cara ("cara" é só uma forma de me referir a pessoa. Pode ser que seja uma mulher... como saber?). Queria ter a chance de dizer a ele que a vida é difícil pra todo mundo e não só pra ele. Que tem milhões de pessoas desempregadas por este mundão de meu Deus e que filho pequeno pra sustentar não faz dessas pessoas criminosas. Aliás, o fato é que a cada dia, um sem-número de desempregados encontra formas honestas de sustentar suas famílias.
Queria ter a oportunidade de dizer a ele que tive que escrever muita matéria, mas muita mesmo, pra pagar aquele computador. Que inferno! Por que uma pessoa assim não se coloca, antes de tomar uma atitude desse nível, no lugar da outra? Seria simples e com absoluta certeza a atitude não seria a mesma.
To com uma raiva sem tamanho. Uma vontade quase incontrolável de chorar, de perguntar e de gritar ao mundo que eu sou como qualquer outra pessoa deste mundo: trabalho - muito - pra ter as coisas que quero. E olha que to muito longe de ter tudo o que quero nessa minha vida.
De tanta raiva, até mudei um pensamento que eu pensava ser imutável. Agora sou adepta à Pena de Morte. Sim, pelo menos pros ladrões de notebooks.

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