Essa é a pergunta que não quer calar. Só não pode ser feita, obviamente, pras pessoas que vão, com absoluta certeza, obter algum resultado interessante com essa empreitada.
É a pergunta que deve ser feita a nós, simples mortais, que vivemos um dia a dia corrido, levantamos cedo para o trabalho, enfrentamos trânsito, um dia todo cheio de coisas que nem dá tempo pra dar uma espiadinha na janela.
Simples mortais que almoçamos quando podemos parar e, quando não podemos, devoramos um sanduíche dentro de um carro - no caso de muitos dos meus amigos - de reportagem ou com a cara grudada nalgum monitor de computador. A tarde passa ainda mais rápido! Reuniões, agendas, matérias, notícias, mais reuniões, uma pessoa que não providenciou aquilo que a gente precisava para sobreviver, talefonemas chatos e necessários, recados e mais uma pilha de documentos e arquivos.
Como não bastasse, mais trânsito para voltar pra casa. Em muitos casos, a outros afazeres. De casa ou de mais trabalho. Sim, porque para tentar viver dignamente, a maioria de nós precisa conviver com dois ou três trabalhos diferentes, que toma o tempo que poderia ser disponível.
A nós, simples mortais que sequer tem condições de tirar um fim de semana de folga.
A estes mortais, nos perfis dos quais eu me encaixo, que esta pergunta deve ser dirigida.
Quem liga para as Olimpíadas de 2016 serem realizadas no Rio de Janeiro? Ou em qualquer outro lugar do planeta, na minha concepção. Não muda absolutamente nada.
Não muda as preocupações profissionais que eu tenho na minha cabeça. Não muda as minhas vontades, os meus gostos, os meus planos para o mês de julho do ano de 2016. Se bem que os meus planos talvez precisem ser mudados sim... se eu estivesse pensando em passar no Rio uma pequena temporada, terei que mudar.
Mas as Olimpíadas no Rio não mudam as minhas perspectivas quanto ao meu futuro, quanto aos meus sonhos.
Uma realização mundial que não muda meus pensamentos quanto à ideia que eu tenho de um lugar bom para se viver, modelo que tenho em mente para - nunca, infelizmente - apresentar aos meus filhos. Se é que poderei tê-los um dia, já que vivemos num país - ou mundo, para que a abrangência seja ainda maior - onde liberdade - em todos os sentidos - é palavra apenas dita, mas não vivida.
Nada mudou em mim desde a semana passada, quando foi anunciado o Rio como a sede dos Jogos Olímpicos do ano de 2016. Nada mudou na opinião que tenho sobre a realidade em que vivemos, a vida que somos obrigados a levar por causa de medidas político-sociais mesquinhas, tomadas por mentes que lutaram para trazer, finalmente, o grande evento esportivo mundial para a segunda cidade mais linda do mundo (o Rio à noite. A primeira é, sem dúvida, o Rio de dia).
Trouxeram. Está aí. Mas... o que isso muda na sua vida? Mais segurança? É, porque seria fundamentel que houvesse mais segurança. Mais segurança traria mais dignidade. E mais dignidade, mais cidadania. Mais cidadania, bem, o que mais se poderia querer? Todo o resto viria carregado, certamente.
O anúncio de que os Jogos Olímpicos de 2016 serão aqui no Rio não me fez mais feliz. Nem mais triste. Mais preocupada, talvez, com um tanto de gente que está achando isso lindo, dando a terceiros, quartos e quintos, o mérito da vitória. Gente, mas que mérito? Que vitóri? A Cidade Olímpica, construida para o Pan, está lá, com uma parte enorme por terminar, com um saldo tenebroso de desvio de verba, servindo para pouca coisa.
Como será em 2016? Impossível prever. Bilhões gastos em publicidade, construções, reformas, processos infinitamente burocráticos, para vender a imagem de um Rio perfeito, uma cidade, um estado, um país, um continente que precisava (e se precisava!) sediar uma edição dos Jogos Olímpicos. É... era necessário para a sobrevivência de países como o nosso.
Mas... necessário pra que?
Ainda não sei. Aliás, nem quero saber, sinceramente.
Uma coisa, eu confesso que a vinda dos Jogos de 2016 me fez pensar: em 2016 eu terei 37 anos! À beira da morte! Deus do céu... será que ainda estarei por aqui? Provavelmente não... a chegada da terceira idade, já batendo aqui na porta do quarto... por certo já não poderei fazer um monte de coisas!
2 comentários:
Rende matéria. Isso é que acontece!
Quem liga? Eu engrosso o coro... ninguém liga.
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