Hoje, de novo, eu tava lá, me aprontando pra ir para o trabalho, com a televisão da copa ligada. Aliás, bem lembrado... a televisão tem feito parte constante da minha vida. Preciso rever essa minha necessidade de barulho enquanto me arrumo ou pesquiso coisas na internet ou leio ou durmo ou como ou falo ao telefone.
Eu estava distraida. Pelo menos até ouvir que o Governo ainda não deu explicações - aceitáveis - sobre o apagão da semana passada. Em "explicações" leia-se justificativas. É. De acordo com o que estava dizendo, ta todo mundo ávido por entender as causas de boa parte do país ter ficado às escuras por boa parte da noite.
Depois disso, fiquei pensando no assunto e constatei que eu não me importo nem um pouco com as causas do apagão. Pode ser que o governo se importe, afinal, é formado por homens do governo, mas eu, simples mortal, não quero saber o que causou o problema.
As pessoas podem até pensar e me julgar - mal ou bem, sei lá - e achar que eu to sendo muito pouco preocupada com questões importantes para o país, mas eu não me importo mesmo!
Aliás, muito mais que isso. Acho que, afora o Governo, o Ministério Público, o Operador Nacional do Sistema - que têm que se preocupar por serem quem são e se não se preocupassem não estariam desempenhando bem suas funções - e quem sofreu consequências graves devido ao apagão, ninguém mais precisa, de fato, se preocupar com isso.
E sabe por que? Eu digo. Porque somos um país que tem por princípio não se preocupar com coisas sérias, dessas que abalam as estruturas políticas, sociais, econômicas - ou o que quer que seja - do país.
Somos um país que não se importa em trabalhar - muito - para manter milhões de pessoas improdutivas, por meio de uma bolsa, a que chama bolsa-família. Melhor: somos um país que sequer pensa que trabalha para manter milhões de improdutivos mantidos pelo bolsa-família.
Somos um país sem memória histórica, econômica, cultural e tudo o mais que disser respeito à memória de um povo. Elegemos Collor pro Senado, não sabemos quem é Hildebrando Paschoal nem Jorgina de Freitas. Também não sabemos quem foi Mário Covas.
Não conhecemos livros. Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles ou José de Alencar. E se alguém sabe de Monteiro Lobato é, no máximo, que foi ele quem escreveu o Sítio do Pica-pau amarelo. E, sim, Paulo Coelho todo mundo conhece, mas quem liga?
Sabemos muito mal realizar as quatro operações e ler. Falar então... Deus nos livre. Somos um povo que não sabe falar. Vai ver, porque não lemos.
E tudo isso não é culpa nossa. Nascemos assim, crescemos assim e morreremos assim. Querem que sejamos assim e nos impõem esta forma de ser.
Mas há também partes boas. Somos um povo lindo, que ama a si mesmo e aos outros, que ama o país. Somos um povo que não cansa de ter esperança.
É... mas essa esperança não está em descobrir as causas do apagão, mas em mudar a realidade que nos foi imposta, sem que tivéssemos o direito de questionar.
2 comentários:
Quero saber quem inventou esse negócio de política...isso é que ferra o mundo! Fato! Existem duas raças...a humana e a dos políticos.
Acabei de comentar em outro blog que fazemos rasa ideia da dimensão da ignorância no nosso país. É triste.
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