Li essa entrevista do Arruda ao Jornal Correio Braziliense. É tanta informação truncada, é história com tantas pontas, que dá até vontade de rir...
Como sempre e não poderia deixar de ser, a entrevista foi extremamente bem conduzida. Coloquei só um trecho aqui e quem quiser ler a íntegra, é só clicar aqui.
Ah, em tempo... eu acompanhei em Brasília a época toda de Arruda pedindo perdão à população pela violação do painel do Senado, crime do qual ele foi acusado, junto com o então - vivo - senador Antônio Carlos Magalhães, estive presente no Senado quando ele discursou para a renúncia e estive perto também quando da campanha de 2006 para o Governo do Distrito Federal. E agora, mais essa... será que tem mais arrependimento?
Depois de tudo o que veio à tona, a operação da Polícia Federal, as acusações de corrupção e os vídeos, o senhor enxerga uma saída?
O problema é grave e ele tem que ser compreendido em três frentes distintas. A jurídica, a política e a mídia. Na questão jurídica, os meus advogados, Dr. Gerardo Grossi, Nabor Bulhões e (José Eduardo) Alckmin me tranquilizaram muito. Não há nos autos, ao que se conhece até agora, nada que possa me incriminar. Nenhuma ação minha que possa ser entendida como dolosa. Há duas questões fundamentais atribuídas a mim: na época do Natal de 2004 ou de 2005, aí eu não me recordo bem, houve a gravação dele (Durval) me entregando dinheiro.
Como explicar o vídeo em que o senhor aparece recebendo dinheiro do seu ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa?
Todo final de ano, eu faço programas sociais, visito creches, asilos, as periferias das cidades, levo cestas básicas, panetones, o que virou piada até, mas eu faço isso. E vários empresários doam também, o Carrefour doa, pessoas físicas e jurídicas. Ele me fez nesse dia uma doação de livre e espontânea vontade. Não fez apenas naquele ano, fez em outros anos também.
Por que gravou?
Não sei. Já com alguma má fé naquela época, talvez. Mais tarde fui alertado desses problemas, fiz um registro oficial ao Tribunal Regional Eleitoral não apenas com a doação dele, mas com a doação de todos aqueles que durante 10 anos de uma maneira ou de outra contribuíram nas minhas campanha sociais. Entendem os meus advogados que, embora a imagem seja forte, horrível, de qualquer maneira juridicamente eu estou coberto.
Numa escuta da PF, o senhor fala sobre dinheiro. Como explicar esse tipo de conversa?
No diálogo, eu não o (Durval) via há muito tempo e ele foi propor uma ajuda de R$ 1 milhão de um empresário amigo dele para a minha campanha. Eu disse que a minha campanha só seria no próximo ano, que não era hora ainda de buscar recursos, mas sugeri que ele ajudasse então aliados que já estão trabalhando politicamente e que insistentemente vinham pedindo apoio. Esta conversa está muito truncada, porque eu me lembro, por exemplo, que uma hora a gente falava de empregos, que um determinado deputado indicou 15 pessoas no governo e depois pediu mais 15 cargos e eu não dei. Mas isso foi misturado com a hora que se fala de recursos. Depois, consta dos autos que este aparelho de gravação teria dado um suposto defeito de aquecimento e que teria inclusive desconfigurado os dados. Os meus advogados acham isso muito esquisito. Será que ele não foi lá para me entregar uma mala de dinheiro e me pegar no flagrante? E se eu tivesse recebido, será que o aparelho teria falhado também?
Mas ele estava com uma mala de dinheiro?
Não. Mas ele estava com uma bolsa, uma pasta. Aliás, ele só anda com esta pasta. Mas vamos admitir a hipótese que eu tivesse feito uma coisa errada. Já que ele estava com os equipamentos da Polícia Federal poderiam ter me autuado. Outras horas eu admito que efetivamente sugeri a ele que já que o empresário queria ajudá-lo, que ajudasse campanha de aliados. Mas o que importa é que eu não recebi. Essas são as duas questões que efetivamente me atingiriam. E nessas duas questões eu estou muito tranquilo. Uma terceira questão que paradoxalmente me tranquiliza é que eu fiquei livre, livre de uma pessoa que com essas atitudes demonstra o seu caráter, que efetivamente me ajudou na campanha, fez acordos políticos importantes, foi um interlocutor interessante, porque eu não ganhei a campanha contra o Roriz, eu ganhei por dentro, então várias pessoas que eram do governo Roriz vieram me ajudar. Algumas pessoas maravilhosas, outras infelizmente com esse padrão de comportamento.
Uma coisa que chama a atenção é essa paradoxal relação com o Durval. Sempre se escutou que o Durval chantageava o governo, chantageava pessoas próximas ao senhor. Por que mantê-lo tão próximo, tão perto?
Primeiro, ele sempre foi muito distante. Durante os três anos de governo, eu o encontrei nas reuniões maiores e poucas vezes. Não era uma pessoa próxima a mim. Segundo lugar, quando eu ganhei a eleição, durante oito anos, ele foi presidente da Codeplan no governo Roriz, ele era gestor de um orçamento de R$ 500 milhões por ano em informática. Quando eu ganhei a eleição, ele queria continuar presidente da Codeplan. E aí, eu já informado que ele tinha processos em relação a ações no governo anterior, não permiti que ele fosse presidente da Codeplan. Atendendo às ótimas relações políticas que ele tinha, permiti que ele continuasse no governo, mas em uma área burocrática, sem orçamento, sem nada. Creio que começa aí essa raiva dele contra a gente.
Mas o fato de o senhor ter mantido o Durval na Secretaria de Relações Institucionais garantiu a ele o foro especial, que para ele era muito importante, porque ele tinha muitos processos. Isso não foi uma ajuda que o senhor deu para ele?
Eu não sei te dizer se foi ou se deixou de ser. O que eu sei é que tirei ele da Codeplan. E o que eu sei é que diminuí de R$ 500 milhões por ano para R$ 200 milhões por ano os gastos com informática. Eu diminuí R$ 300 milhões com essa área. Muitas empresas que faturavam R$ 30, 40 milhões por mês, hoje faturam zero. Outras que chegaram a faturar R$ 240 milhões por ano, caíram para 50, 60 (milhões). Todas essas empresas, sabe-se agora, eram ligadas a ele. Será que estão satisfeitas comigo? Será que ele ficou satisfeito de perder o poder que tinha na Codeplan e o poder de manipulação sobre as empresas de informática? Há uma questão-chave aí: sabe-se hoje que este senhor responde a 32 processos por atos eventualmente incorretos na área de informática. Não há um só desses processos que tenha sido no meu governo. Todos eles se referem aos oito anos do governo Roriz.
Governador, mas o motivo de o senhor ter mantido o Durval no governo foi uma chantagem de que ele divulgaria esse filme?
Nunca. Comigo sempre foi elegante e cordial e agora, há pouco tempo, quando alguém me disse que aumentaram os boatos e alguém me disse que ele teria exibido uma fita onde ele me entregou o dinheiro, eu o chamei e tive uma conversa com ele muito clara: ‘Dr. Durval, estão dizendo que o senhor gravou no Natal de não sei quando, quando o senhor me deu aquela ajuda para as ações sociais de final de ano. Eu não sei se é verdade ou não é verdade. Não quero discutir isso com o senhor. Até porque essa ação de gravar os outros é tão feia, tão sórdida que não quero nem te perguntar. Eu quero saber o seguinte, todos os outros que me doaram, estão aqui os recibos’. Mostrei pra ele os 100 recibos que tinha.
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