segunda-feira, janeiro 11, 2010

Logo cedo, não!

Faltavam 20 minutos pras 7 da manhã. Eu entrei no ônibus que me leva a Barra Mansa.
Estava tudo ótimo comigo. Ótimo humor - sim, eu tenho bom humor sempre, especialmente pela manhã. Ótimo trânsito - é, àquela hora o trânsito flui rapidamente pela Sávio Gama. Ótimo dia - estava um lindo dia. Ótimas perspectivas para o trabalho - são sempre ótimas, mais ainda quando eu tenho que tomar decisões importantes como hoje.
Tudo ótimo mesmo, o que impede a quem quer que seja de colocar a culpa no meu humor, ou na minha TPM, ou na chuva ou em qualquer outra coisa.
Pois bem. Notebook, bolsa, cartão, óculos de sol (na cara, claro... porque na mão eu nem daria conta) e eu. É, eu preciso ser carregada por mim mesma. Mas isso não vem ao caso.
Passei a roleta. Há tempos que eu reparo que aquela cobradora me olha muito mais que o necessário. Como acho que não é nada demais, dou "bom dia" e continuo a minha saga de atravessar o ônibus sem cair e sem derrubar nada nem ninugém.
Hoje, porém, ela disse: "Você é filha da Nilceia, né?". "Não", respondi, simplesmente.
"Não é possível, vocês são idênticas", ela insistiu, como se eu fosse, diante disso, mudar de ideia.
"Jura? Puxa... mas não sou filha dela não", insisti também, pra ela perceber que me convencer a trocar de mãe não seria tarefa fácil.
"É. São iguaizinhas. Você sabe de quem eu to falando". E não, ao final desta frase não tem um ponto de interrogação. Ela afirmou, sim, que eu sabia quem seria a tal Nilceia.
"Não, não sei", eu disse.
"Ah, confundi você com alguém, por conta de vocês serem muito parecidas", ela pode ter dito. Sim, pode ter dito, porque depois do "por conta" eu não ouvi mais nada. Meus ouvidos taparam. Eu perdi a noção do tempo e do espaço. Tive que me segurar pra não cair. Tive que firmar os pés, pra que eles não tomassem a direção contrária da qual deveriam tomar. Tive que forçar as mãos a segurarem a bolsa, o notebook e a mim mesma.
Foi demais pro meu colesterol. Às 6 da manhã.... as pessoas deveriam esperar um pouco mais antes de dizer essas pérolas nossas de todos os dias.
Ela disse, sim, que me confundiu com a outra pessoa lá, por conta da nossa semelhança. Gente, pelo amor de Deus! Por conta da nossa semelhança??? Por mil artigos indefinidos e 16 preposições! Como há alguém que, em sã consciência e sem estar sob tortura, usam essa construção ridícula e errada?
Deem-me os meus três leitores alguns minutos, pra eu me recuperar e eu volto daqui a pouco, pra explicar por quê o "por conta" é tão absurdo...

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