sábado, janeiro 23, 2010

Somos solidários

Acho que por sermos gente. Sim. Solidariedade é um sentimento natural do ser humano. Só pode ser. É incrível a capacidade que o homem tem de ser solidário.
Nos últimos dias, depois que rádios, jornais e emissoras de televisão se cansaram de falar das vítimas fatais do terremoto no Haiti e descobriram que a notícia mais importante agora tem a ver com os vivos, os sobreviventes, a solidariedade é o gancho da maior parte das reportagens que estão veiculando por aí.
Tem todo tipo de solidariedade com aquele povo miserável, que está sofrendo com a destruição de sua capital, Porto Príncipe. Hoje eu vi em algum telejornal, crianças sendo levadas para países da Europa e da América do Norte para serem adotadas. Todas são recebidas com grandes festas, por pessoas que aumentam listas e listas de espera por crianças e adolescentes órfãos desde a tragédia.
Ontem à noite eu li sobre um show com grandes estrelas da música e do cinema americanos, cuja verba adquirida com ingressos será investida na reconstrução do país. Lá estavam Madonna, Morgan Freeman e George Clooney. Com certeza, milhares de dólares foram arrecadados.
Na semana passada eu fui a um supermercado e tinha uma equipe recolhendo doações de alimentos que serão enviadas ao Haiti. Também havia agasalhos.
Hoje eu vi uma propaganda da Coca Cola, com texto escrito e lido por uma voz masculina, informando que, por alguns dias, nós não vamos assistir a propagandas da empresa, porque a verba investida em publicidade por determinado período, foi revertida para ajuda ao Haiti. Ao final do texto, o anúncio do número de uma conta corrente para doações àquele povo.
Crianças Esperanças. Teletons. Telefonemas de entidades beneficentes solicitando doações. Abrigos, asilos, orfanatos. Cestas básicas, colchões, água potável, remédios.
Mas não é só isso. De jeito nenhum.
Quando não há terremoto no Haiti, centenas de outras tragédias em todo o mundo motivam doações, mensagens, ajuda, lágrimas.
Angra dos Reis. Santa Catarina. Petrópolis.São Paulo. Campos. Isso pra falar somente em chuva. E em Brasil.
Grandes tragédias acendem sentimentos de amizade, ajuda. Sentimentos de amor ao próximo, solidariedade. Medo. Sim, medo. Imagens chocantes de vítimas do terremoto no Haiti sendo salvas de escombros, depois de dias com toneladas de peso em cima, nos colocam uma sensação de vulnerabilidade, que colocam a prova aquele pensamento de segurança que temos em casa, nas ruas, no trabalho, na noite, no trânsito ou onde quer que seja.
Chega à dor. Uma dor que solidariedade nenhuma deste mundo pode aplacar.

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