sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Babel

Antes de qualquer outro comentário, Babel é um filme de tragédias. Ai, ai... há muito tempo eu não via tanta desgraça junto.

Só que isso não vem ao caso. O DVD tava aqui há um tempão e só ontem à noite eu me animei pra, finalmente, assistir.


No filme, um ônibus com turistas está atravessando uma região montanhosa do Marrocos, quando a personagem de Cate Blanchet, casada com Richard, vivido por Brad Pitt, é ferida por um tiro no ombro. O fato desencadeia uma série de conflitos sérios. Depois que a família de Richard e a embaixada americana são avisados, há a certeza do governo americano e da imprensa mundial de que Susan teria sido vítima de um ataque terrorista. Fato contradito pelos nativos, que garantem que não há mais terroristas naquela região.

Paralelamente a isso, outros personagens, ligados de alguma forma ao casal Susan e Richard, ou ao fato de ela ter sido ferida, vivem situações conflitantes e graves. Os filhos do casal viajam com a babá ao México, para o casamento do filho dela e, na volta aos Estados Unidos, ficam perdidos no deserto e a babá acaba presa pela polícia da fronteira.

O dono do rifle que feriu Susan é um japonês, que, depois do suicídio da mulher, parou de caçar e presenteou um guia marroquino com a arma. Ele, por sua vez, vende a arma a um homem pobre, que dá aos filhos meninos a função de cuidar das ovelhas da família, tendo o rifle como defesa. Um dos meninos é o responsável por, num teste de capacidade do rifle, ferir Susan.

E nem é só isso... há a filha surda-muda do japonês, que não consegue superar a morte da mãe e se sente rejeitada por todos, há conflitos econômicos, sociais, culturais, étnicos.

Tudo contado ao mesmo tempo. Tudo com uma urgência que não deixa tempo nem pra piscar. Sim, se piscar, um detalhe passa e o acontecimento seguinte fica sem fundamento.

Babel é bom pela história. Pela ligação entre os personagens que, em alguns casos, sequer vão saber da existência uns dos outros. O roteiro é quase bom, já que o irmão da babá das crianças, depois de fugir da polícia por estar dirigindo bêbado na volta aos Estados Unidos, fica desaparecido. Ninguém nunca mais ouve falar dele.


Babel é bom pela direção. Pela fotografia também. Há cenas nas quais as imagens de fundo nos fazem ficar sem fôlego. Japão, Marrocos, México. São culturas completamente diferentes, mostradas assim.

Babel vale pela confusão que apresenta. Vale mesmo.

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