quarta-feira, dezembro 15, 2010

O tal do lixo no chão...

Tava uma chuva danada. Difícil andar. Na verdade, nesta época, mesmo sem chuva, é difícil andar pelas ruas, especialmente as ruas vizinhas aos grandes centros de compras. Com chuva é ainda pior. E bota pior nisso! Pra mim, então, a quem o desastrado mandou lembranças, nem se fala. Ontem eu passei no shopping pra comprar o presente do meu amigo secreto. Aí, dá pra imaginar a cena: chovendo, eu com a minha bolsa que nunca mais foi pequena, a sombrinha, a bolsa do presente e todos os desastres do mundo mandando lembranças. Se eu não triplicar a atenção, é tragédia na certa.
Pois muito bem. Nessa confusão toda, eu percebi que há, sim, um fator que piora todo o cenário da correria nas proximidades do fim do ano, nos arredores de centros comerciais: as ruas sujas. E ontem isso me chamou a atenção. As ruas estavam inacreditavelmente sujas. Depois que percebi isso, passei a prestar atenção. Vi de simples papéis de bala e latas de refrigerante a envelopes pardos e fraldas descartáveis. É verdade!
Eu estava nas ruas que ficam próximas ao principal shopping da cidade. Tudo lotado. Carro pra todo lado, buzina deixando todo mundo louco e lixo. Muito lixo.
E ia eu andando, fazendo praticamente um malabarismo pra me manter de pé sobre o salto, carregando bolsas e sombrinha até o carro, quando vi a cena. Uma menininha de uns 12 anos, de mão dada com uma mulher. Ela acabou de comer pipoca, amassou o saquinho de papel e jogou no chão. Eu estava uns 20 metros atrás das duas. Apressei o passo, peguei o saquinho de papel e me aproximei delas.
E travei um diálogo:
- Escuta, você perdeu isso aqui ali atrás.
Falei, sem me dirigir a uma delas especificamente.
- Não, eu não perdi, moça. Eu joguei. - Foi a menina em resposta ao meu comentário.
- Jogou? Nossa... que vergonha! Ah, mas tudo bem. Desculpa.
Neste momento, sem que eu tivesse calculado (até porque nem sou boa nessas coisas), tinha bem ao lado da mulher, uma lata de lixo presa ao poste.
- Com licença.
Passei na frente das duas e joguei o saquinho amassado dentro da lata.
- Viu, minha filha? É assim que tem que fazer. Mamãe já te ensinou isso.
Olhei as duas de soslaio, resmunguei um boa noite e segui meu caminho.
Elas ficaram conversando, sabe Deus sobre o que. Não fiquei pra ouvir.
O que eu percebi é que a vergonha que eu disse que tinha sentido, as duas também sentiram.
E a intenção nem era essa. Era somente de chamar a atenção da mãe dela para o fato de que se a filha não for ensinada, ela nunca vai utilizar uma lata de lixo.
E isso é fundamental.
Nesta época do ano, com toda correria que as festividades de natal e ano novo proporcionam, e no resto do ano também.

2 comentários:

Giovana Damaceno disse...

Você assistiu a uma criança jogando lixo no chão. Eu assisti a um jornalista abrir um chiclete e displicentemente dispensar o papelito ao vento. Putz!
Mas você fez melhor. Minha vergonha alheia foi tão grande que não consegui tomar qualquer atitude.
E no mesmo dia fiquei sabendo que a grande enchente que amanhaceu com a Vila cerca de uma semana atrás foi causada por entulho no rio Brandão.
Vai vendo...

c i n t i a disse...

Perfeito!