quarta-feira, março 30, 2011

Animais Unidos Jamais Serão Vencidos

A animação conta a história de uma turma de animais que se desloca de diversas partes do mundo para fugir da devastação dos espaços em que vivem. Um galo francês que fugiu de ser levado pra panela, um canguru australiano que não quis morrer queimado num incêndio provocado por um caco de vidro jogado por um homem, um diabo da Tasmânia, uma fêmea de urso polar que não tinha mais onde viver devido ao derretimento das geleiras e um casal muito simpático de tartarugas idosas de Galápagos, que viram a água que circundava a ilha se 'transformar' em óleo, vão para a savana africana em busca de alimento, água e conforto para sobreviverem. O que eles encontram, porém, é o caos. Os animais que vivem na savana estão sem água, pois um resort construiu uma enorme barragem para abastecer suas acomodações, impedindo assim que a água chegue ao habitat dos animais. O pouco de água que restou por ali é motivo de briga entre búfalos e rinocerontes, que impedem animais menores, como os suricatos, de beberem aquela água. Em Animais Unidos os bichos literalmente se revoltam contra os seres humanos. Mas o roteiro adaptado da obra de Erich Kästner ultrapassa os limites o bom senso ao praticamente pintar a figura dos humanos como caçadores aborígenes munidos de armas e dinheiro com o único objetivo de destruição e lucro. Ao invés de mostrar, como sempre, o humano patético que se arrepende no final por suas maldades, a história não dá referência às crianças de que elas, como futuro da nação, podem mudar essa situação. A trama levanta sem problemas a aversão aos humanos, e não ensina que é preciso fazer diferente. O discurso da tartaruga centenária é praticamente uma maldição. O roteiro também parte de uma confusão ao mostrar grupos de animais em diferentes situações que se encontram em algum momento. A montagem não facilita a compreensão dos espaços. É muito confuso. E sim, eu tava prestando atenção, mesmo com aqueles óculos machucando a cabeça. Quando o roteiro dá ao suricato uma missão a ser realizada até o final do filme, a trama começa a se definir. Pra mim, porém, já é tarde. A missão poderia ter começado mais cedo... depois de uma hora de lenga-lega... aí, sim, começa a união dos animais à qual se refere o título. A partir daí, todos aqueles animais juntos enriquecem o filme (não muito, mas enriquecem sim). Mesmo com a dublagem nacional chata de sempre, que faz o original perder completamente a simpatia, o roteiro tem seu valor. Pelo menos um pouco. Quando a ação humana entra como a principal castradora da natureza de forma violenta, fica desagradável acompanhar o desfecho. O efeito 3D é pobre e só serviu para encarecer o ingresso. A trilha sonora é boazinha. Tem uma versão de Splish Splash que é bem legal. A fotografia é boa, mas por vezes sai um pouco dos trilhos. Pra mim, só valeu pela companhia da Thais com os irmãos Saulo e Davi No mais, posso mesmo dizer que foi entendiante.

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