terça-feira, abril 05, 2011

Eu sofri Bullying

Só se fala nisso. Televisão, jornais, internet, rádio. Entrevistam psicólogos, psiquiatras, professores, pedagogos, vítimas e até autores desta nova modalidade de agressão.
Normalmente, crianças e adolescentes são as maiores vítimas. Talvez depois que crescem, este nome mude para assédio moral... sei lá.
 Li alguma coisa essa semana, sobre a futura princesa da Inglaterra, que teria sido vítima de bullying porque era perfeita....
Com tanto sobre o assunto, eu fiquei pensando sobre mim, à época da escola. Muitos anos já, eu sei.
Quando tinha 7 anos e estava na 4ª série, usava um sobretudo e uma bota nos dias de frio. Todos diziam que eu era pra estar na pré escola e que aquele sobretudo era do meu pai.
Os "amigos" da sala de aula falavam que o meu agasalho era tão grande, que eu usava de manhã e meu pai usava à noite.
Quando eu tinha 8 anos, na quinta série, ganhei da minha tia meu primeiro sutiã. A camisa do colégio era muito fina e ela encasquetou que tinha alguma coisa que precisava ser tampada ali.
Pois eu fiquei toda boba e fui de sutiã pra escola. Todas as outras garotas da sala já usavam. Eu me sentava na primeira carteira, porque era baixinha.
Ta bom... eu ainda sou, mas agora eu não estou mais na quinta série, oras.
Cheguei de sutiã, sentei. O garoto que sentava atrás de mim era gente boa até mandar parar, sacana que só...
Pois ele chegou, se sentou.
Lembro-me que a sala já estava cheia, devia ser a hora de o professor entrar. E ele disse, em alto em bom som: "A Flávia nem tirou a fralda e colocou sutiã".
Eu queria morrer. Aliás, queria, primeiro, socar a cara dele e só depois morrer.
A turma inteira caiu na gargalhada.
E quando cessou, a minha vingança: "Ué, Fábio (sim, este era o nome dele. Deve ser ainda... rs), no seu planeta ainda não chegou o sutiã?".
A galera riu de novo, mas ninguém consegue imaginar como eu tremi ao dizer aquilo.
O que ele tinha me dito mexeu comigo.
Eu me senti a última das criaturas pequenas e gordas. Algumas pessoas passaram a me chamar de "peituda", e acho que isso acabou virando uma profecia cumprida na minha vida.
Brincadeiras à parte, pelo que estão dizendo por aí, nos programas de televisão, nas matérias em jornais e sites e em toda parte, bullying é isso.
Confesso que quando relatei em casa o que tinha acontecido, chamei de "tremenda sacanagem", mas se tão dizendo que o nome é bullying...

2 comentários:

Giovana Damaceno disse...

Você acabou de me inspirar a escrever uma crônica sobre isso, porque eu também sofri esse troço na escola. E eu apanhava, levava tapa na cara e era ameaçada "se contar pra professora apanha mais!" Passei a infância e a adolescência sob este jugo.

Thayra Azevedo ♥ disse...

Eu sofri covardias, agora denominados de bullying durante minha infância e juventude toda, acredito que até os 16 anos. Sempre fui cheinha e isso era motivo de apelidos, piadas e discriminação. Não gosto muito de falar disso, porque foram momentos muito difíceis. Mudei de escola umas três vezes, pois não aguentava as humilhações e piadas, principalmente por parte dos meninos. Realmente é chato e traumatizante para criança. Mas um fato que hoje rio é que no lugar do sutiã comigo foi a chupeta, juro, queria morrer. Rs