terça-feira, março 06, 2012

A invenção de Hugo Cabret

Fascinante. Esta é a palavra. E a palavra com seu significado literal: o filme, em mim, exerceu fascínio.
É Paris em 1930. 
Depois da morte do seu pai relojoeiro, vivido por Jude Law, Hugo passa a viver na Gare du Nord, a majestosa estação de trem em Paris cujos relógios o órfão acerta diariamente. Como herança, Hugo ganhou não apenas o talento com engrenagens miúdas, mas também um misterioso autômato, que o garoto tenta remontar com peças que ele rouba de uma loja de brinquedos na estação. Transcorrem os anos 1930 e ninguém desconfia que o deprimido dono da loja é, na verdade, o velho cineasta Georges Méliès, mas isso Hugo logo descobre, quando o caminho dos dois se cruza.
Quem, como eu, não conhece quase nada de Méliès (1861-1938) terá em Hugo Cabret, antes de mais nada, uma tocante introdução aos filmes do diretor de Viagem à Lua (1902). Enquanto os irmãos Lumière, criadores do cinematógrafo, filmavam banalidades do cotidiano em seus curtas, Méliès, veterano do teatro de variedades, levou para o cinema seus espetáculos de ilusionismo. Com seus truques de montagem e encenação, o francês foi pioneiro não só nos efeitos visuais como originou, com sua produção de mais de 500 filmes, toda a ideia do cinema como uma fábrica de sonhos.


A produção não é apenas um espetáculo de imagens belas, mas um atestado da devoção de um dos maiores cineastas moderno à história da sétima arte, que se vê um pouco na figura inocente do personagem central, como um jovem espectador ao descobrir as ilusões e transformações mágicas que acontecem em uma sala cinematográfica quando as luzes se apagam. Mesmo que por vezes o filme caia um pouco em uma nostálgia cansativa, é um bela homenagem e aceitar o convite que um dos personagens faz para "seguir seus sonhos" é uma experiência surpreendente. 
A invenção de Hugo Cabret vale a pena. Muito. Pela fotografia plena, pela trilha sonora que embala aquelas imagens e pelo relojão, "dentro" do qual se passa a maior parte da história.
Pra mim só não valeu tanto a pena pela falta de companhia no cinema. Sim, eu tava sozinha...

Um comentário:

Giovana Damaceno disse...

Vi e quero ver de novo.
E não vi sozinha. Quem estava ao meu lado chorou o filme todo. Emoção pura para quem fez faculdade de cinema lá nos idos de 70 e se arrepiou ainda naquela época com as criações de Meliès. Imagina o papo depois do filme...