quarta-feira, abril 04, 2012

Ele Sobrevive

Kátia Zanvettor*

Mesmo com a queda da obrigatoriedade do diploma há quase três anos, o jornalismo sobreviveu à profecia de que seu fim estaria próximo, e mantém 70 mil estudantes matriculados em todo o país


Uma vida sem rotina, com certo glamour, presença garantida nos mais variados eventos, influência. Um pouquinho de fama, talvez. O trabalho frenético em algum grande jornal, revista ou emissora de TV, mas também um desejo uníssono de ajudar, de alguma forma, a mudar o mundo e o rumo dos acontecimentos. Esse é quase um retrato de muitos dos 70 mil estudantes matriculados nos cerca de 370 cursos de graduação em jornalismo, às vésperas de entrar ou no início da faculdade.
Claro que muito desse sonho inicial se esvai logo no início do curso. E pouco resta ao final dos quatro anos de universidade. Mas, mesmo com a queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, por meio de decisão do Superior Tribunal Federal (STF), em 2009, diferentemente do profetizado no impacto da decisão, a procura pela graduação em jornalismo se mantém firme e forte. E os sonhos e objetivos dos estudantes também.
Neste mês, em que se comemora o “Dia do Jornalista”, IMPRENSA ouviu estudantes de diversas partes do Brasil, bem como profissionais experimentados, buscando traçar o mercado vislumbrado por eles e as necessidades que este mesmo mercado acredita serem indispensáveis para que tenham uma boa atuação. Os veteranos concordam que o perfil dos jornalistas mudou e que os profissionais devem estar cada vez mais atentos às transformações do mundo, mas que os preceitos básicos da reportagem ainda organizam a atividade diária dos jornalistas.

PRIMEIROS PASSOS
“Era muito bom em redação” ou “sempre gostei de falar e me comunicar”, “sempre quis mostrar a verdade dos fatos” e “sempre gostei da ideia de ter um dever com a sociedade” são frases comuns de estudantes que acabaram de ingressar na faculdade, mas, para ser aquele que “faz a diferença”, é necessário muito mais que jogo de cintura, precisa ter uma dose muito grande de cultura e bom investimento em formação, além dos muros da faculdade.
“No 1º ano, quando entrei, não tinha muita noção do que ia encontrar aqui, mas percebi que é um curso muito teórico, com grande peso nessa parte. A gente vê as duas coisas: a prática, que são os laboratórios, e teorias, muitas que criticam o jornalismo também. Mas entrei pensando que sairia bem preparado para o mercado. A gente tem essa preparação, mas não tanto quanto eu achava. A gente tem que correr muito atrás, por conta própria”, diz Paulo Henrique Gadelha, 27 anos, estudante do 4º ano da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Rosiane Siqueira, aluna do 2º ano da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP), também justifica sua escolha. “Escolhi o jornalismo porque gosto muito das palavras, expressões e de como elas podem dizer mais do que acreditamos. Desde pequena estudei línguas e já achava a comunicação algo muito legal. No colégio, descobri que adorava escrever. Sou muito curiosa, tenho gostos dos mais variados, de futebol à religião, então escolhi o jornalismo por poder falar de tudo, de várias formas, e criar sensações e impressões nas pessoas”, diz.
No entanto, passado o primeiro ano de curso, a estudante reconhece que as percepções mudam. “Entrei sonhando com sala de redações imensas, em chegar a nomes como Willian Bonner ou Marcelo Rubens Paiva. A situação de trabalho do jornalista não é fácil, anda muito problemática quanto a direitos e legislações. Minha expectativa mudou quanto a isso, mas não se tornou inferior, apenas realista.”
*Com Denise Bonfim e Jéssica Oliveira

Um comentário:

Giovana Damaceno disse...

Flávia, o texto é da Katia Zanvetor, com colaboração da Denise e da Jéssica. Beijo.