terça-feira, agosto 28, 2012

Esse negócio de campanha...

Não tem jeito... um dia todo mundo está em casa, fazendo alguma coisa que a obriga a ligar a televisão e acompanhar, por poucos minutos que seja, esse negócio de propaganda eleitoral.
Comigo foi assim. Na sala e num dos quartos, dá pra passar pelo horário, com a televisão ligada, assistindo a outro programa. No cômodo no qual eu estava, porém, era a propaganda política ou o silêncio. Nem preciso dizer o que eu escolhi...
Fiquei ali por quarenta minutos. Ou seja, assisti durante os trinta, utilizados pelos candidatos. Confesso que foram trinta minutos de susto. Um atrás do outro. Em alguns casos, tristeza. Em outros, desespero. Em outros ainda, preocupação. Muita.
Aí, quando terminou, eu fiquei pensando no objetivo real desta lei, que prevê que, durante uma hora por dia, dividida em dois blocos de meia hora, os eleitores tenham a oportunidade de conhecer os candidatos que buscam ocupar uma vaga na câmara legislativa dos municípios e, muito rapidamente, suas propostas de trabalho. Em alguns casos, todo mundo sabe, dá para, muito mal, ouvir apenas o nome do indivíduo. E, num tempo maior - dependendo dos partidos, é claro -, saber o que têm a dizer aqueles que querem ocupar a única vaga de chefe do executivo municipal.
Enquanto pensava nisso, eu me lembrei de coisas que ouvi a vida inteira e ainda ouço, especialmente nesta época, em que todas as emissoras de TV aberta do país estão veiculando essa tal propaganda eleitoral obrigatória. A principal lembrança foi uma que, além de ter ouvido desde a infância, andei lendo umas atualizações parecidas nessas redes sociais por aí.
"Ah, eu assisto ao horário político pra me divertir" ou "ah, aquilo é muito divertido" ou ainda "eu adoro... dou gargalhada do início ao fim". 
São sempre frases com o mesmo sentido: pessoas que veem graça nas pessoas que estão ali, pedindo votos dignamente. Sim, porque pode até ser engraçado, mas ninguém pode negar que quem ta ali, ta ali dignamente.
E, neste momento, o meu desespero foi tão grande que eu quase pulei do terceiro andar. Eu tinha acabado de assistir, por trinta minutos, pessoas sem a menor experiência (repito: experiência, não capacidade) com televisão, câmera e afins, lerem TPs escritos por outros (porque se elas mesmas tivessem escrito, jamais teriam gaguejado tanto), com mensagens fracas de conteúdo e, pior ainda, não transmitindo em momento algum, qualquer das características mínimas (teoricamente) exigidas dos políticos. E, nem de longe, eu tinha conseguido achar graça alguma. 
Alguma coisa está errada. 
Ou eu assisti a alguma propaganda política de outro planeta ou todas as pessoas que veem graça nessas propagandas, estão assistindo a outras. Não as que eu tinha acabado de ver.
As que eu tinha acabado de ver não tinham a menor graça. 
Não tinham, nem de longe, algo que transmitisse um mínimo de possibilidade de esboçar qualquer reação semelhante a riso. 
Ao contrário disso, as que eu tinha acabado de assistir me davam a sensação de que tem alguma coisa fora do lugar, alguma peça faltando neste quebra cabeça chamado "noção".
As que eu tinha acabado de assistir faziam com que eu me sentisse uma idiota, por me preocupar tanto com o fato de que "vivemos num país que ainda está engatinhando na Democracia.... tantos problemas políticos se devem ao fato de ainda não termos nos acostumado a decidir quem nos governa, quem tem que fazer este país andar". 
As que eu tinha acabado de ver jogavam por terra toda a minha teoria pregada ao meu pai, ser mais desiludido politicamente, de que políticos sérios, com mais vontade de fazer pelo povo do que propriamente carreira política, ainda existem por aí, aos montes. E são fáceis de encontrar... estão em toda esquina, toda câmara, toda prefeitura, toda assembleia, toda campanha eleitoral.
As que eu tinha acabado de ver ocupavam a minha mente com um sentimento vergonhoso. Vergonha. Sim, vergonha de ter tantos Joões do ovo, Marias da enfermagem, Josés da rua J, Franciscos da concessionária, Claras do picolé e mais um monte de gente que passou a vida vendendo galinha, atendendo pessoas em alguma repartição pública, rindo com amigos em algum bar, dirigindo ônibus, declarando impostos de renda da galera, agora querendo, baseados no que fizeram a vida inteira, abocanhar o meu voto.
Sim, vergonha de ver aqueles que mal sabiam ler, tentando decifrar as letras digitadas no TP.
Mais vergonha de ver alguns conhecidos, com os quais eu já esbarrei por aí.
Vergonha de ver que eleitores de cidades importantes estão tão sem opção.
Vergonha por não poder fazer nada, por ser só uma a não ver graça em tamanha baboseira. Em tamanha demagogia. Em tamanha lei que deveria nem existir. 
Bastaria sofrermos a poluição visual e sonora a que somos submetidos todos os dias. Das 7 horas da manhã às 10 da noite.

Um comentário:

Giovana Damaceno disse...

O pior é que isso é democracia.