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sábado, novembro 01, 2008

Estudo de caso: Pollyanna - parte II

A primeira parte do Estudo de Caso da nossa querida Pollyanna está aqui.

NEGAÇÃO - OS FATOS

A negação é um mecanismo de defesa geralmente usado por aqueles que consideram desconfortável ter de confrontar-se com verdades dolorosas. Há muitos tipos de negação. Por um lado, ela pode ser um mecanismo de defesa utilizado por muitos de nós em ocasiões nas quais nos recusamos a encarar as conseqüências de algo que fazemos e quando não queremos assumir a responsabilidade por nossos atos. "Aconteceu!", é a exclamação mais comum. Em outros casos, a negação é quase um estado normal da mente, assim como é para Pollyanna, com seu otimismo fora do lugar. Em algumas famílias, por exemplo, um caso óbvio de alcoolismo ou vício em alguma droga, ou outro comportamento desadaptivo demonstrado por um de seus membros, pode ser negado ou minimizado pelo resto da família. Por outro lado, a negação pode estar relacionada a um incidente sério na vida de uma pessoa. Por exemplo, se alguém sofreu uma agressão, pode até reconhecer que o ataque aconteceu, mas negar seu imapacto.
Pollyanna usa a negação como blindagem emocional. Embora a Srta. Harrington não tenha feito qualquer esforço para receber a sobrinha, não demostrando bondade ou afeição, Pollyanna simplesmente se comporta como se a tia estivesse agindo e apoiando-a de maneira adequada. Ter perdido os pais e ir morar com um parente que não se preocupa com ela é simplesmente muito doloroso para Pollyanna aceitar, e então ela nega a dura realidade da situação.

PROGNÓSTICO

A negação é geralmente descrita como um mecanismo de defesa de uma mente imatura. Já que Pollyanna ainda não atingiu a maioridade, é possível que consiga se libertar do uso da negação como forma de enfrentamento. Embora o otimismo de Pollyanna possa estar sendo prejudicial em sua atual situação, já qe ela o usa de maneira indiscriminada, ela pode lhe ser útil a longo prazo. Pessoas pessimistas têm maior probabilidade de sofrer de doenças mentais e físicas do que aquelas que são mais positivas em sua forma de encarar o mundo. Entretanto, no futuro, Pollyanna precisará aprender a considerar os fatos de maneira mais objetiva e ser mais realista em suas expectativas, em vez de se apoiar em um otimismo cego.

TRATAMENTO

Pollyanna recebeu muito pouco apoio desde a morete do pai. Uma orientação em relação ao luto, portanto, seria útil para ajudá-la a lidar com a perda dos pais. Se possível, a tia de Pollyanna deveria participar de algumas sessões com a sobrinha, para que pudesse aprender a lidar com a menina de uma maneira mais branda e dócil.
A terapia familiar também pode ser uma opção. Tanto Pollyanna quanto a tia podem se beneficiar com isso. A Srta. Harrington, obviamente, tem suas próprias dificuldades, como ficou evidente em sua espantosa ausência de empatia, que pode muito bem ter se originado na infância. Além disso, o fato de repentinamente ter de cuidar de Pollyanna pode ter significado um grande peso emocional para ela. Portanto, uma terapia conjunta poderia ser útil para ensiná-las a conviver de uma maneira mais satisfatória para ambas.

COMO IDENTIFICAR ALGUÉM QUE SE UTILIZA DA NEGAÇÃO

Você conhece alguém que vê o mundo da mesma forma que Pollyanna? Essa pessoa...
( ) Parece minimizar os problemas em vez de encará-los?
( ) Ignora questões com as quais outras pessoas se preocupariam, como esconder uma fatura em vez de abri-la?
( ) Tenta escapar dos problemas de modo pouco saudável, como, por exemplo, usando drogas ou álcool?
( ) Mente sobre como estão as coisas em casa? Por exemplo, sustenta que seu casamento está muito feliz, quando está óbvio que há profundos problemas que precisam ser resolvidos?

segunda-feira, setembro 22, 2008

Lobo Mau no Divã

Lembra-se de todos aqueles personagens encantadores com os quais você passou a sua infância? Bem, chegou o momento de vê-los por outra perspectiva...
Imagine se Sininho tivesse feito psicoterapia para curar seu Transtorno de Personalidade Anti-Social, se a Bela tivesse reconhecido sua relação de co-dependência com a Fera e se o Mágico de Oz tivesse tratado seu Transtorno de Personalidade Narcisista. Teriam eles vivido felizes para sempre?
Em "O lobo mau no divã", Laura James desvenda os transtornos psicológicos dos nossos personagens infantis favoritos e, com isso, ajuda-nos a perceber as próprias fragilidades e lidar com elas.
Cinderela deveria mesmo ter se casado com um homem com quem se encontrou apenas duas vezes? Estaria ela sofrendo de algum transtorno psicológico subliminar?
Após questionar-se sobre o comportamento de Cinderela, Laura James percebeu que algo estava errado. Para uma criança ingênua e fascinada pelos contos de fadas, a tarefa de analisar seus personagens preferidos sob a ótica da psicologia seria, obviamente, impossível. Porém, ao reler as histórias para os filhos, a autora constatou que, além da princesa, Alice Ursinho Pooh, Peter Pan, Lobo Mau, entre outros personagens, apresentam distúrbios, neuroses e psicoses.
Cansada de vê-los sofrer, Laura James concluiu que faltava um livro que tratasse especificamente dos transtornos das princesas, heróis e vilões da ficção. Em Lobo Mau no Divã, há explicações técnicas muito divertidas sobre o que se passa na mente dos personagens de nossos contos infatis favoritos. Afinal, como o Tigrão poderia encontrar orientações para lidar com seu Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade? Quem poderia ajudá-lo?
Seja no Bosque dos Cem Acres ou no Reino Tão, Tão Distante, os habitantes do mundo encantado e os leitores da vida real vão aprender um pouco mais sobre distúrbios psicológicos, reconhecer seus sintomas e, quem sabe, descobrir a melhor maneira de lidar com as próprias questões.


E, aos meus três leitores: Aguardem... logo logo eu coloco aqui os personagens, seus distúrbios, estudos e os diagnósticos de cada um!