Só pode ser isso. Não há explicação. Essa semana isso ficou tão claro que eu decidi tornar público aos meus três leitores: Sim, eu sofro de dupla personalidade. Não é sempre que ela assume a dianteira da minha vida, mas acontece. Nunca tratei desse problema com ninguém, mas já andei lendo sobre o assunto e sei dar informações básicas sobre ele.
Na saúde, esse trem é chamado de Transtorno Dissociativo de Identidade. A característica essencial do problema é a presença de duas ou mais personalidades (Deus me livre ter mais de duas!), que assumem o controle do comportamento alternadamente. As causas disso são várias, segundo especialistas. A maioria dele concorda que pode ser uma repreensão grande, e que, para esquecê-la, a pessoa desenvolve outra pessoa.
Não sei se a origem da Laura (a outra eu) foi alguma repreensão que eu tenha sofrido. Não me lembro. Conforme alguns médicos que estudam o fenômeno, as identidades contrastam entre si. Uma é mais hostil, participativa e controladora em contraponto com a principal (a Frávia). Os médicos também dizem que as personalidades emergem em situações, muitas vezes diferentes em idade ou gênero e vocabulário.
Pronto. É aqui que a Laura é diagnosticada. É exatamente assim que acontece. Ela é extremamente hostil e eu não sou. Pelo menos não quando não quero, ao contrário da Laura.
A Laura é muito participativa. Insiste em participar das minhas conversas, dos meus pensamentos, das minhas respostas e dos meus questionamentos. E ela também é controladora. Aliás, muito mais que isso. É possessiva. Quando chega toma conta. Quer cuidar de tudo. Da minha vida, dos meus amigos e dos meus amores. Mesmo não cuidando muito bem, ela toma conta. Toma de assalto.
Há uma semana ela tomou conta de mim. Não há reza que a faça desistir de transformar tudo ao meu redor. A boca fica amarga. Dá vontade de gritar, de esmurrar o primeiro que aparece, de xingar o engraçadinho que fala bobagem na rua, de mandar o Mané que ta do meu lado no trânsito ir se lascar. Dá vontade de desligar os telefones celulares. Mais que isso. Dá vontade de jogá-los no Paraíba. É. Seria só mais um pouquinho de poluição nos dias do Endosulfan. Pelo menos eles não fariam barulho, não trariam mensagens de texto nem ligações entediantes (é, porque a Laura odeia telefone. E peixe também.).
Ah, como Laura, ‘eu’ faço questão de tratar todo mundo muito mal. Faço questão de deixar claro que não quero ninguém perto de mim por mais de um minuto e quarenta segundos. Como ela, eu quero sempre jogar o notebook pela janela, a televisão no chão, o quadro de fotos na rua e o sapato apertado na lua. Ah, quem disser ‘bom dia’, na escuridão do inferno.
Não, os meus três leitores não precisam se assustar. A Laura vem e vai. Ela não fica muito tempo. Fica, no máximo, alguns dias. Isso sim, quando eu não descubro, não venço a presença dela. Quando isso acontece, eu me esforço. De forma sobrenatural, venço a Laura. Venço mesmo.
Não é difícil. Eu dou conta. Depois que eu me apercebo da presença dela, é só uma questão de dedicação. Eu me dedico a tratar todo mundo bem, a me segurar pra não mandar ninguém se lascar, a sorrir pra todo mundo (com um pouco de esforço, já que normalmente faço isso sem perceber).
Eu dou conta. Pelo menos até o mês que vem.
E que venha a próxima TPM!
4 comentários:
Eu já conheço essa daí...
Eu já conheço essa daí...
Meu gineco me receitou remedim pros meus dias infernais. Acalmou...
Qualquer coisa que tire a Laura da parada!!!!! Pelo amor de Deussss....
Postar um comentário