Não gosto de novela. Nunca escondi isso de ninguém. Já até falei isso aqui no brog.
Aí, to em casa agora, fazendo umas pesquisas na internet, com a televisão ligada, tentando me decidir por assistir ao CQC ou ao filme Missão Impossível, que vem logo depois da novela.
Sim, a novela. Enquanto eu to aqui, pesquisando, a novela do Manoel Carlos ta rolando ali. Aliás, bem a cara do Manoel Carlos... alguma outra já pareceu tanto assim com ele?
É, mas isso não vem ao caso.
O que me chamou mesmo a atenção foi a cena entre as personagens de Lilia Cabral e Thais Araújo. A mãe da menina mimada, que nunca soube o preço de se conquistar nada na vida, cobrando da outra uma dívida que, com absoluta certeza, só é dela porque a história está na televisão e não na vida real.
Uma cena emocionante pra boa parte das pessoas que estão assistindo (e acompanhando) a trama, o que não é o meu caso. Ta, mas emocionante é a primeira palavra no dicionário do autor.
Os meus três leitores podem estar se perguntando o que é que me trouxe, então, a escrever sobre isso. E eu respondo (se é que alguém está, de fato se perguntando. É nisso que eu estou me baseando: na curiosidade das pessoas... rs). Respondo, sim.
Não estou julgando a atitude da mãe, que está com a filha recém diagnosticada tetraplética. Absolutamente. E por vários motivos. Dois deles: não sou mãe e nunca passei por nada semelhante com alguém próximo de mim. Sem julgar a atitude dela como mãe (porque não seria capaz), to me referindo à cena mesmo, ao diálogo, ao fato em si.
Pra começo de conversa, pra que aquela cara de sofrimento da Helena? Já não sou tãão fã da Thais Araújo, mas confesso que algumas cenas que vi com ela antes de hoje, me passaram a imagem de uma mulher de fibra, com vontade própria, princípios, firme, que fala o que pensa, que não deixa outra pessoa falar o que quer sem ouvir o que merece.... essas coisas.
Pois hoje eu vi que me enganei no julgamento quanto à personagem. Ela é nada disso. Ela é uma otária, boba, imbecil, pequena, sem personalidade, volúvel e qualquer outra característica ligada a uma 'pessoinha' que venha à sua mente neste momento.
Aonde já se viu, uma pessoa ouvir tudo aquilo, com tamanha arrogância, ironia e ira, e ficar quieta? E eu nem to falando em meter a mão na cara da mãe da menina mimada lá (que, aliás, deveria ter tido a boca tapada, quando soube que ia ficar tetraplégica. Naquele hospital não tem mais nenhum paciente? Ah, não tem não... pelo menos não tem vivo. Os gritos dela mataram todos de susto). To falando em revidar, conversar, falar, discutir e mostrar a mesma firmeza que ela teve com a menina mimada lá no estrangeiro, quando lascou aquele sonoro tapa na cara dela.
A Helena se ajoelhou para pedir perdão pra mãe da menina mimada. Pedir perdão de joelhos! Ah, faça-me o favor, ô garota.
Alguém tinha que ter dito a ela que não há culpados nessa história. Há fatalidades. Há destino, mão de Deus, pagamento de pecados... sei lá. Há alguma coisa que eu não sei, mas que há, há.
Ela até mereceu a bofetada que levou da mãe da menina mimada. Ela deu a face a ela, gente. Ajoelou-se, numa atitude sem explicação, como assumindo a culpa com uma frase do tipo: "Sim, eu poderia ter evitado, mas preferi que sua filha ficasse tetraplética". Ow... cala todo mundo a boca.
Depois de ajoelhar e dizer: "Sim, eu sou Deus e permiti que essa desgraça sobreviesse sobre sua família", ela mereceu o tapa. E mereceu também que a mãe da menina mimada não derramasse nenhuma lágrima e ainda descontasse o casamento. É, porque ela aproveitou pra descontar... rs.
E agora chega. To irritada com essa história.
Deixa eu ver Missão Impossível. Muito melhor que eu faço.
Um comentário:
Pra mim, Manoel Carlos escreve a mesma novela há anos. Tanto que já nem sei direito qual está sendo exibida. Agora, colocar a personagem pra pedir perdão de joelhos... dessa vez ele se superou no exagero!
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