quarta-feira, junho 08, 2011

Os cálculos e eu

Sei que este assunto é polêmico, mas não resisti a ele, diante de tantos problemas encontrados nos livros de matemática distribuídos pelo MEC para crianças de todo o país.

Na verdade, criei coragem pra mencionar o assunto aqui porque, se até estudiosos e autores de livros de matemática e consultores do Ministério da Educação têm dúvidas na hora de fazer pequenos cálculos, por que eu não poderia ter?
Pois eu tive, sim. Aliás, se for olhar pra algumas contas de subtrair, ainda hoje eu teria problemas, mas com aquele sistema de “prova real” – que fui praticamente obrigada a aprender, tendo em vista minha dificuldade nas tais continhas de menos – e o advento da calculadora... fica difícil ter problemas.
E essa dificuldade tem razão de ser. E eu explico – disso eu entendo.
Ingressei na pré-escola com 3 anos de idade. É, meus pais até tentaram me fazer ‘cursar’ as sérias normais para a minha idade e me matricularam no jardim de infância (maternal, primeiro período... qualquer que seja o nome dado a esta fase), mas eu não me adaptei e, de tanto pedir para estudar com ‘lápis e papel’, fui colocada numa turma do pré-escolar em caráter experimental (se eu não me adaptasse...).
Até hoje, escolas públicas só aceitam crianças na pré-escola com 6 anos de idade. Isso porque, se ela passou por todas as etapas do processo de escolarização, 6 anos é a idade exata em que vai ingressar no pré. Como eu tinha uns meses menos que isso, fui levada a uma escola particular.
Ótimo. Eu me adaptei e cursei naquele colégio o pré, a primeira e a segunda séries. A partir da terceira serie, estudei em escola pública.
Os meus três leitores podem estar se perguntando o que é que isso pode ter a ver com os eventuais problemas que tive com as contas de subtrair. Calma, vai dar pra entender.
Todo mundo sabe que escolas públicas e privadas seguem métodos de ensino diferenciados. E aí é que mora o perigo.
Na particular, aprendi a fazer as continhas de subtrair de um jeito na segunda série. Na pública, na terceira série, de outro. Isso na teoria, claro, porque na prática, deu uma confusão e eu acabei não aprendendo de nenhum jeito.
Pra nenhuma outra pessoa no mundo, uma conta “armada”, de 52 menos 49 pode ser tão confusa quanto foi pra mim durante boa parte da minha infância e adolescência. Sei que existem duas formas de fazer essa subtração, mas quem disse que a minha cabeça aprendeu a separar uma da outra? É, é exatamente isso. Na conta armada, com unidade sob unidade, dezena sob dezena e tal, eu preciso tirar 9 de 2, certo? A resposta pode ser simples: pede emprestado. Toda criança de 7 anos de idade pede emprestado e resolve a conta. Para aquelas que estudam em escola particular, o empréstimo é feito pra um número da dezena. Pras de escola pública, pra outro. Numa dessas empreitadas aí, uma criança precisa devolver o que pegou emprestado e a outra não.
Resultado? Na hora de fazer a conta, eu pego emprestado com um, devolvo pro outro – isso quando devolvo – ou pego emprestado com o outro e devolvo sem precisar... uma loucura sem tamanho.
E este problema me perseguiu por muito tempo. Confesso que até hoje ele me persegue, mas hoje eu carrego uma calculadora na carteira, tenho uma na cabeceira da minha cama, uma na gaveta da minha mesa no trabalho e a do laptop, pra quando não estou em casa. E se estiver sem nenhuma dessas possibilidades ao meu alcance, apelo para a prova real. É, aquele sistema de conferência que a gente também aprende na escola, que, numa conta de subtrair, é só somar a segunda parcela (subtraendo) com o resultado da conta (resto ou diferença) pra obter a primeira parcela (minuendo), lembra? Pelo menos eu me lembro dos nomes dos números... e da prova real também.
Ela sempre me ajuda. Confesso também que muitas vezes eu preciso dar uma rasurada no resultado da conta de menos, porque percebo, com a prova real, que devolvi pra quem não precisava ou maloquei alguma dezena sem devolver.

Um comentário:

Giovana Damaceno disse...

Deus meu!
Eu não gosto disso, ou não me adapto a isso, não nasci pra isso!
Pensar matemática, pra mim, é como tentar falar Oruginatonamês!
Sacou?