terça-feira, julho 26, 2011

Na onda da reciclagem

Não sou de modismos. Não me deixo levar pelo que as pessoas dizem. Não costumo ir na onda da moda.
Visto o que gosto. Como o que quero. Vivo do jeito que acho certo. Sou amiga das pessoas das quais quero estar perto, admiro. Não tomo partido das opiniões da maioria das pessoas, costumo ter as minhas a respeito de quase todos os assuntos - pelo menos os quais conheço. Enfim. Vivo a minha vida, vendo o que os outros fazem, ouvindo o que dizem e gostando ou não de certas coisas e atitudes.
E tem uma coisa que andam dizendo, ouvindo e fazendo muito por aí ultimamente. Aliás, "por aí" é pouco. Caberia um "pelo mundo" logo depois de "por aí". Mas tudo bem... agora já ta escrito.
Sem mais delongas, deixa-me ir logo ao ponto.
Duvido que algum dos meus três leitores nunca ouviu ou leu algo sobre esse tal de reciclagem. No fundo, tudo tem a ver com uma tentativa desesperada de parte da humanidade em salvar o planeta. Sei que esse blá-blá-blá já cansou, mas é este o motivo deste post.
Voltemos, então.
Sempre disse que a pessoa ou empresa que inventasse uma forma eficaz de recolher o material reciclável produzido pelas pessoas e reciclar. Sem falar na necessidade de fazer as pessoas, antes de tudo, separarem, cada uma, seu lixo, dentro de casa.
No ano passado, na cidade onde trabalho, a prefeitura lançou o programa Recicla Quatis, que distribui sacos transparentes às famílias, duas vezes por semana e os recolhe com a mesma regularidade. Neste saco, só pode ser depositado lixo sólido: plástico, alumínio, papel e vidro. E isso, convenhamos, está longe de ser o que as pessoas mais produzem em suas casas. Isso, porém, não vem ao caso.
Em Quatis, uma cidade com pouco mais de 12 mil habitantes, o programa está só começando. As pessoas ainda não se educaram em fazer a separação do material que produzem em casa e, mais importante que isso, não se conscietizaram de que esta simples atitude é só o começo de um costume que, em 10 ou 15 anos, senão menos, será rotina, necessidade ou até obrigação.
E mesmo sendo um caminho difícil, a cidade está trilhando e, a cada dia, um número maior de famílias aderem à onda da reciclagem.
E é o que está acontecendo comigo.
Não, eu não tenho orgulho de ter demorado tanto a "sucumbir" a este costume, mas tenho argumentos que, por menos que justifiquem, explicam. Na cidade onde moro, eu só ouvia falar do recolhimento de material reciclável, nunca tinha lido nada a respeito.
Até que esta semana, saindo de casa bem cedinho, vi subir a minha rua dois caminhões que recolhem lixo. O primeiro, para minha surpresa, trazia a logo da coleta seletiva e o segundo era o que eu estava acostumada a ver, que pega todo o lixo que as pessoas deixam nas calçadas.
Pois eu parei pra ver como as pessoas que trabalhavam nos dois caminhões procederiam na hora de pegar o lixo comum e o material reciclável.
Foi aí que vi. O primeiro caminhão passa verificando onde há material reciclável separado do lixo comum e recolhe. Só então o segundo vem, tirando da frente das casas os sacos que o primeiro largou.
Cheguei a ver até as mulheres que trabalham com a coleta seletiva descerem da carroceria do primeiro caminhão para verificarem o que havia dentro de três caixas de papelão que estavam à beira da rua. Quando viram que lá dentro estava tudo misturado, elas deixaram por ali mesmo, para que o segundo caminhão levasse.
E naquele exato momento minha cara corou. É, gente... sério. Corou  mesmo. Não tinha ninguém ao meu lado ou por perto, mas eu senti vergonha. Senti vergonha de ainda não estar participando de uma atitude tão simples, tão fácil e tão importante para todos.
E a partir daquela manhã eu passei a separar o lixo na minha casa. Agora, além do recipiente onde colocamos aquilo que - ainda - é descartável, mantenho um saco transparente (para não deixar dúvidas àqueles que recolhem o material sólido) no qual depositamos alumínio, plástico, papel e vidro.
E posso contar um segredo? Cá entre nós... isso tem só três dias e o caminhão da coleta seletiva ainda nem levou um saco de material sólido da minha casa, mas já estou me sentindo orgulhosa. Orgulhosa por estar colaborando por uma causa muito maior.
Não é porque tem muita gente fazendo. É porque eu sei que eu estou fazendo a minha parte. Isso basta.

Um comentário:

Giovana Damaceno disse...

Surpresa maior é quando você descobre que recolhe três, quatro sacos de lixo reciclável por semana, enquanto o restante (orgânico) ocupa um saquinho pequenininho...