sexta-feira, setembro 09, 2011

Carta. De verdade!

Há muitos anos não acontecia na minha vida o que aconteceu ontem.
Quando cheguei em casa, entre as minhas correspondências de rotina (aquelas chatices todas de banco, cartão, lojas e afins), tinha uma carta. Sim, uma carta num envelope pardo, preenchido a caneta.
"Gente... que legal!", foi o que eu disse quando peguei o envelope.
Era de uma prima minha, que mora na região serrana do estado.
Dentro, duas folhas, com as quatro páginas totalmente manuscritas. O papel, cor-de-rosa com bonequinhas na parte inferior, tinha cheiro de papel. Sim, de papel de carta. Pode até parecer estranho, mas pra mim, papel de carta tem um cheiro específico, diferente de uma folha qualquer de papel A4, por exemplo.
Parei tudo e me sentei pra ler as notícias que vinham da prima que não vejo desde o carnaval. Ela falou do namorado novo, da sobrinha que vai nascer, das recentes aquisições que fez, da casa nova que está morando... e mais um monte de outras novidades.
Enquanto lia, era como se eu a estivesse ouvindo falar. Talvez pelo fato de ela escrever exatamente como fala, com vírgulas postas corretamente e aquelas pausas maiores pra suspiros e até, quando me convidou pra ir conhecer a sobrinha, um nervoso: "Calma, prima, ela ainda não nasceu!".
Ao final, ela disse: "minha irmã está aqui achando o máximo eu escrever pra você e manda mil beijinhos". Achei aquilo lindo! Minha outra prima estava perto e, tanto quanto eu, ao ler, achava o máximo ela estar escrevendo. De fato, é o máximo.
Essa prima da carta, mesmo, é adepta da internet, tem perfil nessas redes sociais todas aí, usa msn e tal. E quando precisou me contar as últimas novidades que julgou importantes, me escreveu uma carta!
Fiquei lisonjeada. É sério! Gostei tanto de receber a carta, que acho que vou deixar de lado um pouquinho os e-mails e voltar a falar com alguns amigos distantes por meio de cartas. 
Claro que a rapidez da informação e da resposta é o mais fascinante do mundo "on line", mas até a demora na chegada do envelope ao destino e a outra demora pra chegada da resposta tem seu charme... e isso é, assim como o "tempo real", delicioso!
Minha prima me cobrou uma resposta à carta dela. Fez questão de repetir, dentro do envelope, a caixa postal que ela utiliza, para que eu não cometa erros e a correspondência tenha problemas pra chegar ao destino ou até nem chegue.
Ainda não fiz isso, mas vou fazer. Talvez amanhã. Vou separar alguns minutos do meu dia para respondê-la.
E farei isso com uma satisfação incrível!
Ta me dando até um frio na barriga, um medo de não saber como começar a carta... mas vou conseguir. Tenho certeza. Já fiz isso tantas vezes e era tão bom... há de ser assim novamente!

2 comentários:

Giovana Damaceno disse...

Tenho trocado cartas - cartas mesmo - mas por email.

Andreza disse...

Eu adoro receber cartas, mas tenho preguiça de escrever... prefiro os e-mails mesmo!