quarta-feira, setembro 28, 2011

Pra que ser jornalista?


Eu já disse mil vezes que não faz muita diferença na minha vida o fato de o diploma de Jornalista estar cassado (sim, porque ele apenas “está”, é uma questão temporal). Na minha vida não faz mesmo. E aposto que na vida dos meus amigos jornalistas, diplomados, que escrevem com primazia, produzem com tanta riqueza de detalhes que “subprodutores” ou repórteres de rua sequer precisam queimar um neurônio para trabalhar aquela pauta, são solicitados para corrigirem um texto aqui e outro ali e, vez ou outra são elogiados em público, o fato de que o diploma, neste momento, não é mais necessário, pouco importa.
Claro que de vez em quando eu também entro na discussão e defendo a volta do diploma, da necessidade do curso de uma faculdade, mas isso não é pelo fato de que o diploma ou os quatro anos em uma instituição de ensino superior nos brinde com profissionais de belos textos e matérias de tirar o chapéu. Não. Mas não mesmo. Ao contrário disso, o que vemos é um monte incontável de jornalistas, que saíram da faculdade faz tempo, copiando textos alheios, emitindo opiniões já lidas em outras fontes de dezenas de milhares de pessoas, escrevendo matérias de conteúdo e estrutura risíveis.
Escrever bem ou expor claramente suas ideias num papel independe do curso de uma faculdade. Para se escrever bem, há muito se sabe o caminho: muita leitura é o primeiro passo. Quem não lê, não escreve. E não adianta tentar. O texto vai sair truncado, a informação, adversa, e, se bobear, o efeito pretendido será contrário. Alguém duvida?
Mas, então, pra que ser jornalista? Só pra sofrer de úlcera? Só pra correr muito na hora do fechamento? Só pra escrever bem? Não, pra informar, pra saborear o delicioso gosto do “informar com exatidão”. Pra amar loucamente o que faz. Pra apurar com maestria e escrever com desembaraço. Pra defender o que se pensa, mesmo não podendo colocar aquilo no papel jornal.
E, na minha opinião, pra não precisar ler tudo o que esse povo que se diz jornalista (ou se acha, ou é... vai saber!) escreve. Porque a cada dia o que eu tenho visto é um aumento absurdo no número de pessoas que copia um trecho dali e chama de dissertação, cita um trecho do Fulano e chama de redação, escreve a própria opinião e põe o nome de resenha, imagina o que Sicrano teria dito e nomina artigo... e assim vai.
Essa chuva de gentes escrevendo textos ruins, com vocabulário sofrível e nada do mínimo exigido em uma redação de quarta série primária, é cansativa. Dá vontade de mandar essa gente ler um pouco mais, antes de tentar escrever. Não pelo que escreve, mas como escreve.

2 comentários:

Giovana Damaceno disse...

Nooossa! Minha curiosidade jornalística está me pedindo nomes... hehe!

Corega Eh Ficse disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.