sexta-feira, setembro 21, 2012

O que me emociona...


Cada um tem algo que o emociona. Pensa aí, rapidinho. O que te emociona? Um exemplo daqueles bem simples...
Com certeza cada um, se pensar direitinho, vai se lembrar de um fato, um momento, uma pessoa, um ato que o emociona.
A mim, há muitos. Alguns, simples. Outros, sem a menor explicação. Exemplo? A maritaca do Devan. Ele a encontrou recém saída do ovo, abandonada pela mãe, machucada porque caiu de uma altura de mais de 20 metros de onde tinha sido deixada pela mãe antes de nascer e, claro, feia. Isso já faz seis meses. Ele a trouxe pra casa, deu-lhe de comer com uma seringa durante semanas, aqueceu do frio, conversou com ela várias vezes, a deixou passear pelo chão escorregadio da casa várias vezes, até que ela cresceu. Hoje, quando ele chega, três andares abaixo, ela começa a cantar. Não, ela não se engana, ela sabe quando é ele abrindo o portão e entrando, sem que ele necessariamente a avise de que está subindo. É inacreditável. Ela canta com uma força, que qualquer um percebe que o sentimento nela é felicidade. Isso me emociona de um jeito... duvido que alguém que nunca viu isso, acredite, mas é a pura verdade. Todo mundo chega e entra pelo mesmo portão. Algumas pessoas até arriscam um assobio, para “enganá-la” e fazê-la cantar. E quem disse? Ela não se engana. Conhece o passo do Devan, ou o cheiro, ou a presença. E é isso que eu acho melhor, mais bonito. Eu vejo como gratidão. Não sei se bicho tem isso, mas pra mim, ela canta pra ele e só pra ele, porque lhe é grata por ele devolvido a ela a vida. É isso o que eu penso sempre que ela canta e eu me emociono. Bobo, né?



Não escondo de ninguém que sou a maior chorona da paróquia. Já escrevi sobre isso aqui no brog. Só que quando eu falo de emoção, não me refiro ao choro, mas àquele sentimento estranho que deixa sem palavra, sabe? Trava tudo...
E sem palavra eu fico quando presencio uma pessoa adulta, especialmente idosa, expressando emoção em ler pela primeira vez. Sim, aquelas pessoas às quais a vida negou a oportunidade de alfabetização e presenteou com a humilhação de viver por 40, 60, 80 anos sem escrever o próprio nome. Pra mim, nada é mais emocionante que ver uma pessoa que, depois de filhos, netos e até bisnetos criados, aprende a assinar, a ler o letreiro do ônibus, a escrever um bilhete ou simplesmente conhecer as letras. Isso me tira o fôlego, me deixa sem palavra, com uma bola na garganta, me impedindo de respirar. É assim que eu me sinto.
Minha avozinha linda estudou. Sabe escrever bem, ler e se orgulha de não precisar de ajuda pra assinar um documento. Mesmo assim eu fiquei com lágrimas nos olhos quando, no aniversário de uns anos atrás, ela me presenteou com uma Bíblia. Ela sabia que eu já tinha as minhas, que utilizou pra ler e estudar, mas fez questão de me dar outra. Com dedicatória. E a minha emoção inexplicável foi ler cada palavra que ela escreveu, demonstrando amor com letras meio tortas, um tanto disformes e com alguns errinhos, porém de uma sinceridade linda. Daquelas que emocionam realmente. Bem, pelo menos a mim.




Essas emoções mexem comigo. Quando acontece algo parecido, fico me lembrando por dias. A diferença é que depois daquele impacto causado no momento em que ocorre, em vez de lágrimas aos olhos, eu sempre me pego com um meio sorriso nos lábios.
Momentos que presencio com a Maria Eduarda e a Victória (a primeira, filhinha do Rony e da Daniela, convivo com muito maior regularidade que com a segunda, filha da Samantha) me deixam assim também. Aquelas horas em que braços de ninguém no mundo inteirinho saciam a vontade delas de estarem no colo da mãe. É como mágica. Qualquer enjoo, sono, irritação e afins se dissipam no momento exato em que as pequenas se aninham no colo das mães. É sublime. É lindo. É emocionante. Por vezes, inclusive, inacreditável. E me deixam daquele jeito...



E nem é só isso. A Mel e o Snoopy, o casal de labradores irmãos que eu dei de presente pra Mônica e o Douglas há 4 anos, e o Tolvy, o vira latas mais lindo do mundo inteirinho. Os três vivem me deixando emocionada com atitudes, gestos, travessuras, brincadeiras e, pasmem, sorrisos e lágrimas. Como quando papai ficou fora por um mês, para passar por uma cirurgia no coração. O Tolvy, para não ficar sozinho em casa, foi levado pra casa da Mônica. E ficou por lá até papai retornar do hospital para a casa na qual ele estava hospedado (papai precisava se recuperar e a indicação médica o levou para o sossego de Morro Azul). E o retorno, dizem os que presenciaram, foi cena digna de cinema. Papai operado, quase sem poder andar, com conselhos médicos para que não se emocionasse, saindo do carro e recebendo, aos solavancos, afagos do cãozinho. E se fossem só afagos, não seria tanta emoção. O curioso – e emocionante – foi o Tolvy agarrando a perna do homem que o vinha criando por 3 anos, e chorando. Com as lágrimas, urina desceu pelas suas pernas traseiras. Até hoje meu pai se emociona ao se lembrar dessa história e contar pra alguém. Hoje, de vez em quando, to Tolvy foge da casa da Mônica e fica por dias lá na loja do meu pai. Fica na varanda, no escuro, perto da cadeira... sempre velando a presença dele. É emocionante. 



Daquele jeito que faz a gente chorar...
Eu, chorona que sou... me emociono messsmo.

Um comentário:

Giovana Damaceno disse...

Quando você disse "Pensa aí, rapidinho", logo lembrei dos meus bichos, principalmente na Bernadete, a cadela 'irmã' do Caio, e na Flora, a minha gata.

A Flora é minha grande surpresa a cada dia. Acostumada a ouvir muita lenda em torno de felinos, não acreditava que eles pudessem se apegar a nós desta forma, do jeito que a Flora é apegada a mim. Corre pra me receber quando chego em casa, chora na porta do meu quarto de manhã, salta na janela quando a abro cedo, caminha ao meu lado pela casa toda, como um cão.
Já a cadela Bernadete sabe exatamente os horários em que o Caio chega em casa e fica de plantão no portão, faça chuva ou sol. Os dois são mesmo como irmãos; se entendem até pelo olhar.
Quem, com o mínimo de sensibilidade, não se emociona com isso?