segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Só mais meia hora...

Sim, era exatamente este o tempo que eu precisava para convencer uma moça hoje a desistir de ingressar na faculdade de Jornalismo.
Os meus três leitores sabem que, embora eu ame a profissão que escolhi, sou plenamente consciente de que fiz a escolha errada. A mais errada de todas, talvez. Por isso, me dedico a argumentar a estudantes de Jornalismo - aliás, não só de Jornalismo, mas da Comunicação Social como um todo, à que são incluidas também os cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas.
Muitas pessoas discordam de mim. Tudo bem. Opiniões são divergentes. Cada pessoa pensa de um jeito.
Sobre Jornalismo, estou dentro dele há mais de 10 anos. Minha opinião pode ser, no mínimo, levada em consideração.
A moça à qual eu tentei dissuadir da ideia de fazer Jornalismo estava comigo na fila da matrícula, na secretaria geral da faculdade. Formada em história, ela - a quem eu fiquei tão empolgada em falar mal da área, que sequer perguntei-lhe o nome - dá aulas, adora o magistério, lida com crianças, adolescentes e jovens. Uma moça bonita, de boa conversa, bom humor, sem vícios.... com todas essas qualidades, fazer Jornalismo pra que?
Sonho? Ta. Pode ser, mas não precisa lustrar banco de faculdade por outros 4 anos, ralar, estudar, fazer trabalhos científicos, projetos, monografias... por um diploma que nem vale mais nada?
O meu ta aqui. De muito pouco me serviu. Pros empregos que eu tive até hoje, meu diploma só valeu na teoria, porque nunca nem o apresentei a empregador algum. É bonito o meu diploma. É, mesmo. Mas de que me adianta? Se até o ano passado, eu nunca o tinha apresentado a um empregador, numa busca por uma vaga, agora então, que ele nem é mais exigido... fica guardado entre 25 atlas geográficos pesadíssimos que tenho no meu armário.
A moça da fila, porém, tem um diploma que vale alguma coisa. Um emprego - ou trabalho ou ocupação ou como quer que ela queira nomear. Ninguém que nunca cursou uma faculdade de História vai poder dar aulas de história por aí. Com absoluta certeza não.
Vi a dúvida nascer nos olhos dela. Era disso o que eu precisava. E daria tempo.... a fila estava enorme. Eu seria atendida logo após ela, mas antes dela tinha uns 10 ainda. Dava tempo. E eu me dedicava ao trabalho de convencimento. Falar eu sei. Aliás, sei e gosto.
Depois da dúvida, foi a vez da descrença nos olhos dela. "Não é possível. Essa garota gorda como uma paçoca deve estar querendo me fazer desistir DA profissão. Só pode ser. Jornalismo não é tudo de tão ruim assim". Aposto um dedo que foi exatamente isso o que ela pensou.
Mas aí eu peguei na jugular dela: falei quanto eu ganho por mês no meu trabalho. Aí ela caiu, nocauteada. Já não tinha mais forças nem pra argumentar. E eu completei, como um golpe de misericórdia: "E este é o maior salário que eu já ganhei em 12 anos da minha carreira jornalística".
Pronto. Eu estava mais convencida do que ela de que Jornalismo é, de fato, a pior profissão que já existiu neste mundo desde o início da existência.
Mas daí a maré virou: "Próximo!". Era a menina do guichê chamando a próxima pessoa a ser atendida. E quem era? Ela. A moça da fila.
Ela se levantou cambaleando e foi. Caramba! Como aquela fila andou rápido!
Já era a vez da moça que nem sequer eu sei o nome.
Que coisa!
Só me restou balbuciar um "boa sorte" e a vir assinando a papelada da matrícula. Pronto. Ela se foi antes de mim. Devidamente matriculada na faculdade de Jornalismo.
Se lascou... não quis me ouvir!
Nem adianta reclamar depois... eu bem que tentei avisar, mas as pessoas parecem que têm por princípio não me ouvir...
Em pensar que eu só precisava de mais meia hora. Sim, em meia hora ela saia de lá matriculada no curso de Engenharia de Automação. Eu juro!

2 comentários:

Thaissa Costa disse...

Ela devia ter te ouvido. Fato!

Anônimo disse...

hahaha. Alguém poderia ter me convencido a não perder meu tempo com jornalismo, assim como vc fez com a garota.
Ainda bem que me desiludi a tempo de mudar de curso e universidade. Hoje, meus amigos dizem que mudei da água pro vinho, saí do jornalismo da Ubm para a arquitetura na ufrj! ;D