Ta, eu não sabia, confesso. Mas alguma coisa me dizia que aquele restaurante não era bom...
A começar pela comida. Eu me irritava todos os dias que aparecia por lá e não encontrava uma carne simples pra compor meu prato de salada. É... num dia só tinha buchada de bode (que tem gente que insiste em dizer que substitui um pedaço de carne), rabada e costela de boi. Noutro dia, costelinha de porco, lombo e pernil. No terceiro dia da semana, rabada de novo, coxa e sobre coxa de frango e bife de fígado.
Cheguei a verbalizar várias vezes que eu queria só um bife de peito de frango . E podia ser grelhado! Ou ainda um bife de carne de boi... só que nunca mais eu fui atendida. Chegaram a me dizer por lá que carne simples, só aos sábados. Dá pra acreditar?
O caso é que este nem era o maior de todos os problemas...
Tinha também umas funcionárias tão bem treinadas, mas tão bem treinadas, que nem diziam oi. Sim, não estava no texto que eles tinham decorado. Todos os dias, a mesma coisa: "A senhora gostaria de algo para beber?". Eu nunca respondia direito. Num dia falava que queria cachaça. Noutro dia, que queria água da torneira ("só se for de graça ", fazia questão de acrescentar). E a minha intenção, não era chamar a atenção de ninguém, além da própria funcionária, que não tinha noção de nada.
E tinha também uma garotinha, de uns 4 anos que ficava enchendo a paciência de todos os seres humanos (acho que só, porque nunca mais "eu" encontrei lá dentro outra raça. E que fique bem claro que só estou me referindo a mim mesma) que estavam lá. Ô menininha chata. É, sério. Podem os meus três leitores falar o que quiserem sobre este meu sentimento 'para com ela', que não retiro! Não, não e não! E a quem acha que eu tenho que ser mais condescendente com as pobres criancinhas, sugiro dar um pulinho em Quatis pra conhecer a tal garotinha. Ela é baixinha (se encaixa bem no padrão de 4 anos, acho), da pele clara, cabelos ruins (sim, cabelos encaracolados, pra quem não sabe, são cabelos ruins) e vozinha irritantemente estridente. Só o nome dela eu não posso mencionar. Porque não sei, não por censura, que fique também claro isso.
Pois muito bem. O restaurante (o único da cidade, só pra registro), que foi recém comprado por um empresário que atua no mesmo ramo em outras cidades da região, como Resende e Porto Real e, aliás, restaurantes famosos, já tinha tudo isso de ruim na minha opinião e hoje eu soube que, após uma visita da Vigilância Sanitária por lá, feita anteontem, ele foi fechado. Segundo me disseram (as fontes securíssimas, digo de passagem), os técnicos da Vigilância encontraram um estado lamentável. De limpeza, outro registro. Tinha um pato na cozinha. Dá pra acreditar? Pra mim, não. É, minha cabeça, por mais fértil que seja (e meus três leitores sabem o quanto), não concebe a ideia de um pato dividir espaço com panelas, condimentos e cozinheiras. Não, definitivamente não dá. Sem falar que o pato derrubou também a minha teoria de que ser humano seria a única raça a frequentar o local.
E tinha também rato. Isso, meu bem, é imperdoável. De todas as maneiras possíveis e imagináveis.
Eu nem quis saber onde o rato (e tomara Deus que seja MESMO no singular) estava. Melhor imaginar que o bicho foi encontrado lá atrás do prédio, naquele local que não dá acesso à parte interna da cozinha e que foi visitado pelos homens da Vigilância Sanitária por puro protocolo.
Juro que a minha curiosidade sobre o estado do local terminou no rato. Imagina se encontram outra coisa? Eu que não quero saber!
Nem comer naquela cidade... vai que é do povo... sei lá...
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