Bem clichê, uma postagem sobre o dia de hoje, né? Todo mundo fazendo, falando, se desejando coisas boas, fazendo retrospectivas.... e isso chega a ser meio chato. Sério... não sou muito ligada a esses desejos, tão comuns para o Natal e o Ano Novo. No Natal, eu simplesmente acho que não tem muito sentido a gente desejar "feliz natal", quando a real comemoração é o nascimento daquele que nos amou primeiro. Por isso eu deixo passar e não uso esses desejos para a data. E para o ano novo, eu acredito, sinceramente, que Deus está no controle de tudo e como eu O busco diariamente e confio no poder que Ele tem sobre a minha vida, eu me preocupo em orar pelos meus e, quando respondo a algum desejo de alguém, eu sempre digo "Deus o abençoe no próximo ano". Penso que isso é o mais sincero que eu posso dizer.
O caso é que hoje eu acordei e li a mensagem de uma grande amiga, que passou por situações bem difíceis em 2018, em várias áreas da vida, E depois, outra mensagem, de um amigo que não vejo há alguns anos, e ele expressava o quanto estava feliz pelas conquistas que tiveram início em 2018 e irão se concretizar em 2019. Foram duas mensagens emocionantes, que me fizeram pensar no meu ano, que acaba em poucas horas....
Pra começo de conversa, o meu ano, provavelmente, foi um dos mais difíceis da vida, não por um acontecimento específico, mas pelo fato de eu estar vivendo longe dos meus pais, parentes aos quais eu sempre fui muito ligada e amigos - que amo tanto que chega a doer. Isso, com toda certeza, faz tudo ficar mais difícil. Ter um problema e não poder sentar com a minha mãe, receber uma boa notícia e não poder fazer um jantar pra anunciar aos amigos, não ter como abraçar meu pai após um conselho.... essas e outras são dificuldades pra mim. Pra muitos, com toda certeza, não é.
Só que o meu ano não foi só isso. Eu passei 2018 bem, buscando a Deus, amando-O sobre todas as coisas e aprendendo com Ele a buscar, primeiro, as coisas do Reino.
O 2018 foi o ano da segunda filha. E, como a gravidez dura muito tempo, foi praticamente todo o ano de preparação para a segunda filha. Descobrimos Catherine nos dias de neve e ela chegou nos dias de neve... ou seja, tivemos bons meses para nos preparar. E ela chegou lindamente, mas tirando do eixo aquilo que já estava encaminhado (e isso é assunto pra outra postagem). E a chegada dela foi a parte mais linda que Deus nos reservou para todo o ano. A chegada de um filho é a parte mais linda na vida de qualquer pessoa.
O 2018 foi o ano do aprendizado. Aprendi muito.... inclusive que ainda falta muito a aprender. Aprendi a viver um dia de cada vez, não sofrer com o que está reservado pra outro dia. Aprendi a amar muito mais as pessoas que me cercam. Minha família, meus amigos - mesmo os que estão longe, meus irmãos em Cristo - pessoas excepcionais, que Deus escolheu a dedo pra colocar ao meu lado. Algumas coisas, ainda não aprendi.... estão no processo. Mas eu chego lá. Em 2018, comecei a colocar isso em prática. Pedir mais, ajudar mais, doar mais.
Em 2018, senti saudade. De quem está longe e de quem já se foi. Acho que a gravidez e a chegada da Catherine me fizeram sentir essa saudade, ainda maior do que eu já sentia. Minha irmã Mônica e minha avó Raquel. Quem conviveu com elas, sabe do quanto as duas amavam crianças. A Mônica, que viveu a vida sonhando em ser mãe - e acabou sendo indiretamente - e a minha avó, que sonhava em ver um bisneto. Este ano, as duas seriam muito felizes.... Aurora, Israel e Rachel crescendo lindos, muito espertos e cheios de amor, e Catherine chegando.... isso me emociona e deixa meu coração em pedaços.... mas tenho consolo no Senhor, que sabe de todas as coisas.
Em 2018, aprendi que a paciência é a maior virtude do ser humano. Inclusive biblicamente falando. Passei o ano buscando essa paciência e sendo testada. Posso dizer que perdi a linha algumas vezes - a última delas, inclusive, foi ontem -, mas na maior parte do tempo, consegui me manter de pé, pacientemente.
Este ano foi de conquistas. Financeiras também. E tenho certeza de que foi só uma preparação para o próximo ano, para o qual as metas já estão mentalmente traçadas e incluem outras conquistas. Como Deus continuará à frente, sei que será outro ano de muitas colheitas.
Em 2018, buscamos a Deus junto com irmãos incríveis, e direcionados por líderes que, com toda certeza, foram chamados e capacitados por Deus. Agradeço a Ele por nos dar pastores tão comprometidos com a verdade, compromissados com ensinamentos que só visam à nossa vida com Deus. Inclusive, com estes pastores, aprendi que o mais importante na vida é a busca de ser menos eu e mais Deus.
Ah, e este finalzinho nos trouxe meus pais. Minha mãe, que eu não via há um ano, e meu pai, que não via há dois. Foi a primeira vez que ele veio a este país... conheceu a Catherine e a Rachel e reviu a Aurora. Tem sido dias emocionantes e muito bons... e sou muito grata a Deus por ter nos proporcionado este encontro em terras distantes da nossa. É a realização de um sonho pessoal do meu pai e, consequentemente, meu também.
E eu posso resumir meu ano em uma palavra neste momento: gratidão. Gratidão por cada momento que vivi, pelo trabalho, pela vida, pela família, pelos amigos, pelas lutas. Gratidão a Deus, pelo amor incondicional, gratidão a este país, que nos acolheu e nos trata como filhos. Gratidão por tudo o que vivemos, por cada livramento, por cada problema - mesmo os sem solução.
Obrigada, Deus. Obrigada por cada um, por tudo.
E continue sendo o centro do meu viver em 2019, direcionando a minha vida e a minha família.
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segunda-feira, dezembro 31, 2018
quarta-feira, janeiro 03, 2018
Carta para 2017
Pra começo de conversa, to atrasada. É, aqui com essa carta, que foi um meio que eu encontrei de conversar com o ano que acabou de acabar. Na verdade, quando tive a ideia e comecei a conceber esse texto, ainda faltava algum tempo para o 2017 acabar... só que a vida não ta fácil, e eu nunca mais consegui terminar. Aliás, consegui sim. Agora, três dias depois do limite. E como eu não me dou bem com limites, vou postar assim mesmo.
2017, querido, você foi difícil pra caramba. Não todo, mas pelo modo como começou e andou por alguns meses, te coloco no nível 9, numa escala que vai até 10. E como esses alguns meses difíceis foram, tipo, bem difíceis, o ano inteiro pode ficar como difícil.
A nossa adaptação, aqui nos Estados Unidos, foi, de longe, o maior problema que enfrentamos. Chegamos no começo do inverno e quando nos mudamos para a nossa casa, em janeiro, éramos só dificuldade. Sério. Sem exagero. Se você queria ser difícil, se superou. Aurora foi um desafio a cada hora. Desaprendeu a comer e a dormir. Visto que essas duas coisas eram as únicas que ela sabia fazer aos 9 meses.... voltamos à estaca zero. Cada hora, literalmente, era algo diferente pra gente vencer. E fomos vivendo cada hora. E elas foram passando, passando. E passaram. Ó, digo sem medo de errar, que foi uma das maiores provas da minha vida. E nós conseguimos. Aurora, hoje, está adaptada. E nós, consequentemente, também. Ela dorme bem, come, deixou de mamar no peito no dia em que completou 19 meses, sem que eu fizesse absolutamente nada. Pensando bem, querido 2017, você pode não ter sido tão cruel assim.... vou pensar melhor se mudo essa palavra.
E como você foi nosso primeiro ano fora do nosso país e longe dos nossos amigos e familiares, a saudade foi outro grande mal vivido em todos os seus meses. Saudade de tudo. De andar na rua e cumprimentar as pessoas, de ir à casa da vizinha que virou amiga, de levar a Aurora no parque da rua, de encontrar as amigas íntimas, de conversar - em português - com um desconhecido no supermercado e reclamar do preço da batata, de ter o vovô e a vovó da Aurora ali, a uma porta de distância, de dirigir meu próprio carro, de ir almoçar na Birinha e ficar por lá a tarde toda sem fazer nada e comendo os doces mais gostosos do mundo, de tomar banho de piscina piscina da Neguinha.....
Mas nem só de saudade você foi feito, 2017. Os seus dias foram de descobertas também. Boas e ruins. Descobri que me desafiar é sempre bom. Vencer desafios é ainda melhor. Descobri que o maior bem que a gente tem na vida chama-se Família. A que mora na casa com a gente e a que mora longe também. Descobri que ter paz é o melhor que se pode ter. Descobri que dinheiro é necessário pra gente viver, mas não é o mais importante (muitas vezes, antes de você, 2017, eu cheguei a trocar a ordem na escala da importância).
Descobri que trabalho é mais que necessário, é fundamental, mas que ele não pode ocupar um lugar que não pertence a ele. Isso significa que família, filhos, amigos, risos e mais um monte de outras coisas também precisam ter lugar cativo no nosso tempo. Descobri que faço o melhor empadão do mundo, que tenho a filha mais linda, que cada sorriso dela me traz lágrimas aos olhos, e que cada conquista que ela faz me deixa lotada de alegria.
Descobri que por mais frio que faça por dias seguidos, o sol volta a brilhar. E, por mais que demore, o verão chega, trazendo dias de alegria infinita, parques lotados, praias cheias de gente feliz, cabelos ao vento..... e, como não falar do verão com a vovó? Sim, minha mãe veio e ficou por aqui por seis dos seus doze meses, fazendo a alegria das duas netas mais lindas do mundo! Pena que o verão se foi e ela precisou voltar pro meu pai...
Descobri, em épocas diferentes do seu decorrer, que casar uma grande amiga e não estar perto quando outra grande amiga tem um bebê, são dois acontecimentos importantes e que eu daria um dedo - ou dois - para estar com elas....
E você, 2017, também me trouxe decepções. A maior delas foi aquela, da família que foi embora pro sol e deixou pra trás o chamado de Deus, a obrigação espiritual com os filhos dEle. Essa decepção nos afastou do Pai por um curto período de tempo. E Ele, em sua infinita misericórdia, nos mostrou o caminho a seguir e colocou pessoas comprometidas na nossa vida. Hoje, eu O louvo e agradeço, de coração, por todo cuidado que nos dispensou durante todos os seus 365 dias.
Alguns dias foram amargos. Descobrimos de uma forma bem ruim, como é ser vítima de fofoca. É... não vem ao caso os detalhes do caso, mas foi bem chato. A parte boa é que a gente aprendeu que, para se confiar em alguém, é preciso cautela. E se esse alguém for da nossa terra, cuidado redobrado.
Pensando bem, 2017, você não foi tão ruim como eu pensei no começo desta carta. Agora, após lembrar das - muitas - coisas boas que vivemos me faz repensar mesmo. Você foi um ano de aprendizados. Sim, lutas muitas, mas vencidas.
E em vez de agradecer a você e aos seus 365 dias, eu agradeço a Deus e O louvo por cada momento, cada lágrima, cada vontade de ir embora, cada hora de busca, cada alegria, cada sorriso...... cada movimento feito em 2017 foi minuciosamente planejado por Deus. E tenho absoluta certeza de que estamos no caminho certo e que este 2018 será infinitamente melhor. Infinitamente mesmo.
Tchau, 2017... até nunca mais!
2017, querido, você foi difícil pra caramba. Não todo, mas pelo modo como começou e andou por alguns meses, te coloco no nível 9, numa escala que vai até 10. E como esses alguns meses difíceis foram, tipo, bem difíceis, o ano inteiro pode ficar como difícil.
A nossa adaptação, aqui nos Estados Unidos, foi, de longe, o maior problema que enfrentamos. Chegamos no começo do inverno e quando nos mudamos para a nossa casa, em janeiro, éramos só dificuldade. Sério. Sem exagero. Se você queria ser difícil, se superou. Aurora foi um desafio a cada hora. Desaprendeu a comer e a dormir. Visto que essas duas coisas eram as únicas que ela sabia fazer aos 9 meses.... voltamos à estaca zero. Cada hora, literalmente, era algo diferente pra gente vencer. E fomos vivendo cada hora. E elas foram passando, passando. E passaram. Ó, digo sem medo de errar, que foi uma das maiores provas da minha vida. E nós conseguimos. Aurora, hoje, está adaptada. E nós, consequentemente, também. Ela dorme bem, come, deixou de mamar no peito no dia em que completou 19 meses, sem que eu fizesse absolutamente nada. Pensando bem, querido 2017, você pode não ter sido tão cruel assim.... vou pensar melhor se mudo essa palavra.
E como você foi nosso primeiro ano fora do nosso país e longe dos nossos amigos e familiares, a saudade foi outro grande mal vivido em todos os seus meses. Saudade de tudo. De andar na rua e cumprimentar as pessoas, de ir à casa da vizinha que virou amiga, de levar a Aurora no parque da rua, de encontrar as amigas íntimas, de conversar - em português - com um desconhecido no supermercado e reclamar do preço da batata, de ter o vovô e a vovó da Aurora ali, a uma porta de distância, de dirigir meu próprio carro, de ir almoçar na Birinha e ficar por lá a tarde toda sem fazer nada e comendo os doces mais gostosos do mundo, de tomar banho de piscina piscina da Neguinha.....
Mas nem só de saudade você foi feito, 2017. Os seus dias foram de descobertas também. Boas e ruins. Descobri que me desafiar é sempre bom. Vencer desafios é ainda melhor. Descobri que o maior bem que a gente tem na vida chama-se Família. A que mora na casa com a gente e a que mora longe também. Descobri que ter paz é o melhor que se pode ter. Descobri que dinheiro é necessário pra gente viver, mas não é o mais importante (muitas vezes, antes de você, 2017, eu cheguei a trocar a ordem na escala da importância).
Descobri que trabalho é mais que necessário, é fundamental, mas que ele não pode ocupar um lugar que não pertence a ele. Isso significa que família, filhos, amigos, risos e mais um monte de outras coisas também precisam ter lugar cativo no nosso tempo. Descobri que faço o melhor empadão do mundo, que tenho a filha mais linda, que cada sorriso dela me traz lágrimas aos olhos, e que cada conquista que ela faz me deixa lotada de alegria.
Descobri que por mais frio que faça por dias seguidos, o sol volta a brilhar. E, por mais que demore, o verão chega, trazendo dias de alegria infinita, parques lotados, praias cheias de gente feliz, cabelos ao vento..... e, como não falar do verão com a vovó? Sim, minha mãe veio e ficou por aqui por seis dos seus doze meses, fazendo a alegria das duas netas mais lindas do mundo! Pena que o verão se foi e ela precisou voltar pro meu pai...
Descobri, em épocas diferentes do seu decorrer, que casar uma grande amiga e não estar perto quando outra grande amiga tem um bebê, são dois acontecimentos importantes e que eu daria um dedo - ou dois - para estar com elas....
E você, 2017, também me trouxe decepções. A maior delas foi aquela, da família que foi embora pro sol e deixou pra trás o chamado de Deus, a obrigação espiritual com os filhos dEle. Essa decepção nos afastou do Pai por um curto período de tempo. E Ele, em sua infinita misericórdia, nos mostrou o caminho a seguir e colocou pessoas comprometidas na nossa vida. Hoje, eu O louvo e agradeço, de coração, por todo cuidado que nos dispensou durante todos os seus 365 dias.
Alguns dias foram amargos. Descobrimos de uma forma bem ruim, como é ser vítima de fofoca. É... não vem ao caso os detalhes do caso, mas foi bem chato. A parte boa é que a gente aprendeu que, para se confiar em alguém, é preciso cautela. E se esse alguém for da nossa terra, cuidado redobrado.
Pensando bem, 2017, você não foi tão ruim como eu pensei no começo desta carta. Agora, após lembrar das - muitas - coisas boas que vivemos me faz repensar mesmo. Você foi um ano de aprendizados. Sim, lutas muitas, mas vencidas.
E em vez de agradecer a você e aos seus 365 dias, eu agradeço a Deus e O louvo por cada momento, cada lágrima, cada vontade de ir embora, cada hora de busca, cada alegria, cada sorriso...... cada movimento feito em 2017 foi minuciosamente planejado por Deus. E tenho absoluta certeza de que estamos no caminho certo e que este 2018 será infinitamente melhor. Infinitamente mesmo.
Tchau, 2017... até nunca mais!
quinta-feira, março 03, 2016
A escolha do nome
Nome é assunto complicado. E sempre foi na minha vida. Lembro-me de quando corrigia as pessoas que me chamavam de Fravia. Eu tinha 3 anos de idade. "Meu nome é Flavia, não Fravia". Até hoje, amigas da uma tia me chamam de Fravia, de tanto que achavam curiosa a minha correção. Embora eu já não faça mais isso... Era só uma fase (que, na verdade, nunca deve ter passado... olha aí o endereço do brog!).
Quando éramos crianças, minha mãe tinha mania de nos chamar de Valentina, pra que mostrássemos o quanto éramos valentes. "Comeu tudo, Valentina?", "assoe o nariz com força, Valentina", "que roupa linda, Valentina". E desde sempre achava lindo este nome. E ficou muito mais lindo, na minha opinião, quando, há mais de 20 anos, alguma atriz teve e uma filha linda e a chamou Valentina. Ouvi alguém dizer: "A Valentina dela é uma boneca!". Pronto, passei a associar beleza ao nome. Além de valentia, que aprendi na infância.
E desde sempre, minha filha seria Valentina.
Quando namorava, e o Devan falava em ter filhos, meus pais começaram a chamar o bebê que ainda estava muito longe de chegar, de Tininha. Ai, meu coração! Que decepção! Uma vontade imensa de chorar, cada vez que eu ouvia a "forma contrata" do meu nome preferido.
A essa tamanha decepção - e raiva por transformarem um nome tão lindo num apelido, somou-se, então, a febre que virou o nome Valentina de uns anos pra cá. Na minha vida, a priminha, a filha da manicure, a sobrinha do vizinho, a afilhada da colega de trabalho, o neném que ia nascer semana que vem, a filha da funcionária do meu pai.... De repente, toda menina que nascia no mundo era Valentina.
Foi suficiente. Desisti do nome muito antes da gravidez.
Com nomes de menino, foi mais fácil. O Devan queria Lorenzo. Eu não. Sempre quis nomes simples, brasileiros, pouco comuns. E só consegui convencê-lo de que Lorenzo não era uma boa opção, quando mostrei uma matéria mostrando que o nome estava entre os dez mais escolhidos. "Na pré escola, nosso filho vai ter cinco colegas com o mesmo nome". Meu outro argumento era de que o menino ia ser vítima de bullying, por ser mulatinho com nome italiano, embora este motivo nunca tenha surtido o efeito desejado no Devan.
Mas funcionou o outro. Ótimo.
A escolha de "Aurora" foi do Devan. A justificativa, em Provérbios 4:18: "A vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito". Escolha aceita. Para menino, paramos em algumas possibilidades, porque logo descobrimos que nosso bebê seria mesmo a Aurora.
E aí, nosso velho problema. Ta, "meu" velho problema: apelido. Meus pais começaram a chamar a pobrezinha de "Rorinha". Ai, Jesus! Vontade de chorar! Primeiro que, se o nome é Aurora, chamemos de Aurora. Nada de confundir a cabeça e a personalidade da criança. E se algum especialista disser que isso não confunde, mudo de argumento: nada de apelidos, porque o nome dela é Aurora.
E pra evitar que Rorinha virasse o nome da minha filha, antes mesmo de ela nascer, sentei e conversei. Pedi por favor, expliquei. E eles acabaram, meio a contragosto, aceitando. Mas cheguei até a ouvir deles que iriam chamá-la de Rorinha quando estivessem longe de mim. Hoje não falam mais. É Aurora e pronto.
Nada de apelidos. Aurora. Simples assim.
sexta-feira, fevereiro 19, 2016
Rápidas
Outro Rápidas?
Já justifiquei tantas postagens de notinhas num dos últimos.
Tenho andado muito desanimada e contar tudo o que anda acontecendo, em textos
pequenos, é mais fácil. Aí, acabo optando. Os outros, que falam de apenas um
assunto, demoram muito mais pra ficarem prontos. E como estamos às vésperas de ter
a Aurora por aqui, melhor eu me adiantar e optar pelo Rápidas mesmo.
Em casa
Desde a quarta-feira de cinzas, estamos em casa. Eu e a
Aurora (como se fosse necessário dizer isso). O obstetra optou por me manter em
casa por alguns motivos bem específicos. O primeiro deles é que, como esse
neném não para (aliás, não sei a quem puxa essa menina), provavelmente as duas
voltas do cordão umbilical no pescoço não se desfaçam até o parto. Ou seja,
quanto mais paradinha eu ficar, melhor. E com essa escadaria da Penha que tem no prédio onde moro....
Data provável
Se tudo correr bem, como manda o figurino e a minha vontade,
a Aurora chega no dia 23 de fevereiro, terça-feira da próxima semana. É claro
que isso é apenas plano médico, com base no número de semanas de gestação, que
estão chegando aos 10 meses (já falei disso, né?). Tudo pode mudar. Estamos à
mercê desse pequeno ser, que já mudou tanto a nossa vida. E ainda tem a tal mudança de lua no fim dessa
semana. Ai, ai, ai!
Rotina
Esse negócio de ficar em casa me fez perceber o quanto a minha vida, com a gravidez, está resumida a alguns poucos afazeres. Claro que só neste final, porque até alguns dias, eu não estava tendo que fazer repouso. Pois bem. Uma semana de repouso aconselhado pelo médico e a minha vida se resume a acordar cedo pra fazer xixi, não conseguir dormir mais, comer, ler. Ficar deitada assistindo a um filme qualquer, pra dar um tempo na leitura, comer de novo. Ah, com duas paradas pra ir ao banheiro de novo. Dormir mais um pouco, dar uma olhada no que está rolando nos jornais do dia, comer, fazer xixi, ler mais um pouco. Aí anoiteceu. Um filme ou um telejornal, comer alguma coisa, deitar e demorar a encontrar uma posição pra dormir. E, ufa!, quando encontro, é hora de fazer xixi de novo. Tudo isso, com muito, mas muito calor mesmo. Haja ar condicionado, ventilador e banho frio!
Tudo pronto
Como disse na postagem anterior, a mala para a maternidade
está pronta. Deu trabalho, mas esse negócio de ficar em casa acabou me animando
a organizar logo tudo o que deveria levar para o hospital. Outra coisa que providenciei,
com grande atraso, confesso também, foi a capa do carrinho de bebê e do bebê
conforto. Os dois estavam comigo desde o começo da gestação, mas foi tanta
coisa pra organizar, que acabei deixando pra depois. E agora não tive como
evitar. As capas só ficam prontas na véspera da chegada da Aurora e prometo
fotos!
Curiosidade
Minha irmãzinha Aline ta lá nos Estados Unidos, esperando um
bebê também. Ela ta chegando ao quarto mês e ainda não sabe o sexo. A
expectativa, porém, é grande. A curiosidade sobre o que anda acontecendo por
aqui também. Enquanto isso, vou colocando tudo no lugar, finalizando os últimos
detalhes, pra só então fazer um videozinho pra ela ver como está o quartinho da
Aurora.
As fotos
Siiim! As fotos do ensaio já ficaram prontas e está comigo. Só não tive coragem de separar algumas pra colocar aqui. É que são tantas e elas ficaram tão tão lindas, que não consegui escolher três. Prometo fazer isso logo. Antes do nascimento da Aurora, claro. E se não der pra ser antes, prometo colocar depois.
Ainda mexe!
Logo no começo da gestação, falei aqui sobre a curiosidade
das pessoas sobre os movimentos do bebê na barriga. Como disse, no começo,
especialmente pelo fato de eu não ser uma pessoa magra na vida pré-gravidez, os
movimentos demoram a ser sentidos. Aí, lá elas 15 semanas, comecei a sentir uns
tremores e, um mês depois, os movimentos ficaram claros. Depois da 25ª semana,
porém, o negócio ficou frenético. E é assim até hoje! Dá só uma olhada! É curtinho, mas assustador (e delicioso, vai....).
terça-feira, fevereiro 02, 2016
Carta à Aurora
Chegou fevereiro. O seu mês. O mês do renascimento, do
ressurgimento, o mês da Aurora.
Daqui a uns 20 dias, você vai estar aqui. É, não dá pra
acreditar ainda, mas é assim que vai ser. E quando falo em “não dá pra
acreditar”, não me refiro ao fato de os nove (ou dez) meses de gravidez terem
passado voando, mas ao fato de a gravidez ter ocorrido. Só que isso não vem ao
caso.
Os meses se passaram e agora estamos vivendo os últimos dias
de barrigona, calor no último nível, cansaço, dores nas costas, câimbras, fome
e sono. Estes dois últimos sempre existiram, mas foram potencializados puderam
se tornar públicos. Nada disso é culpa sua. É culpa da natureza que, para
compensar o peso que a barriga passou a carregar, sobrecarrega outras partes do
corpo.
A parte boa é que ta quase acabando. Em muito pouco tempo
você estará aqui, conosco, nos tirando o sono, nos dando preocupações, nos
fazendo chorar com a sua dor, mas nos fazendo a família mais feliz do mundo.
Está tudo pronto, aguardando você. Roupinhas lavadas e
passadas, carrinho, bebê conforto, mobiliário, cadeira de descanso e até de
alimentação. Seu quarto ficou uma lindeza e o cheirinho de bebê pela casa é
coisa de outro planeta! Parece até que você já está ali.
Só falta a gente ficar mais calmo com a sua chegada. É,
porque a proximidade da data nos deixa ainda mais assustados. E de novo, não se
preocupe. Você não tem culpa nisso também. A culpa é, de novo, da natureza. Não
há mãe e pai no mundo inteirinho que não se assustem com a chegada de um (ou
mais um) bebê na família. E o fato de sermos papais de primeira viagem ainda
aumenta consideravelmente todo este medo. A parte boa é que, como todos dizem,
vamos tirar de letra.
Tomara mesmo.
Em pouco tempo, você estará aqui. Repito isso, meio que pra
acreditar, pra sacudir a cabeça até a ficha cair... parece que está
funcionando.
E quando você estiver aqui, tudo vai estar mudado. As
noites, os dias, o frio e o calor, as viagens, os planos, as finanças, a
rotina, a vida. E tenho certeza de que pra muito melhor, afinal de contas, você
vai estar, finalmente, entre nós. E se houver alguma dificuldade, vamos passar
por ela, porque você estará conosco. Se chover ou fizer sol, tudo bem, você
estará aqui. Se outra crise econômica surgir, se os amigos derem uma sumida, se
outro algo de ruim acontecer, teremos você.
A sensação que tenho é de que tudo será melhor com a sua
chegada. Eu escuto de pais e mães por aí que, de fato, tudo muda, mas todos
falam em preocupações, gastos, dificuldades, noites sem dormir e mais uma
quantidade enorme de mazelas. E eu sigo sentindo diferente. Acredito sim, que
dificuldades virão, afinal, a vida é difícil e estou cansada de saber disso,
mas tenho certeza de que tudo ficará mais leve, mais fácil de lidar. É assim
que a vida funciona, quando há amor. E se se trata de amor incondicional então,
aí não há o que ter dúvidas. E, pelo que estou sentindo, acho bem que se trata
desse tal amor incondicional...
Você foi planejada. Pensamos em cada possibilidade, desde
que começamos a falar em filho, antes do casamento, cerca de sete anos atrás.
Cada cantinho da casa foi pensado para que houvesse um espacinho pras suas
coisas. No quarto, na sala e até no banheiro. Lembro-me de uma amiga dizendo:
“Não coloca um armário neste canto do Box, porque quando o bebê nascer, é aqui
que você vai deixar a banheira”. E o espaço ficou lá pra isso. E, como previu a
amiga, é lá que vamos deixar a banheira.
Um ano antes da gravidez, trocamos de carro, por um que tem
um porta malas maior, porque, com um bebê, há que se ter espaço pro carrinho,
pra bolsa, pro bebê conforto e tudo o mais.
E quando finalmente chegou a notícia de que você estava
vindo, começamos a adaptar a casa. Tanta coisa pra fazer, paredes pra pintar,
móveis, enxoval e tantas outras coisas! Agora, ta tudo pronto, só esperando sua
chegada.
E é tanta, mas tanta expectativa, que não cabe dentro da
gente. Seu pai chora quando você chuta o rosto dele, porque acredita,
sinceramente, que seus movimentos são em resposta aos chamados dele: “Chuta
aqui, do lado de cá, minha filha” ou “eu não to desse lado aí, to desse aqui,
chuta aqui”. Pra ele, você entende perfeitamente o que ele diz e, para agradá-lo,
vem chutar do lado em que ele está. E se de madrugada eu acordo com seus
movimentos e digo: “Aurora, minha filha, mamãe tem que acordar daqui a pouco
pra trabalhar, vamos dormir”, papai sai em sua defesa e me manda parar de
brigar. Põe as mãos na barriga e diz: “Filha, pode mexer à vontade. Mamãe vai
ficar quietinha agora”. E nada mais me resta a fazer. Só ficar quieta mesmo e
deixar que você se mexa à vontade.
A barrigona me deixa, cada dia, mais indisposta, mas tenho
mantido a rotina. Vou ao trabalho de carro, vou ao banco, ao médico e até ao
mercado quando não há muito o que comprar. A diferença é que, de umas semanas
pra cá, tenho perdido tempo olhando as coisinhas do quarto. Roupas, sapatinhos,
móveis e tudo o mais. E me dedico a pensar em quem serão seus amiguinhos. E a
lista me deixa feliz! Tem o Gabriel, o mais velho da turma, a Ana Lis, o Pedro,
o Marcelinho, a Helena. Estes já chegaram. E tem os que ainda estão na fila: o
Theo, o Logan e o baby-primo, que, como ainda não sabemos o sexo, não temos o
nome.
Ta vendo? Hoje, há muitas dúvidas e expectativa de sobra.
Mas daqui a pouco passa. Logo você vai estar por aqui, nos fazendo felizes, nos
ensinando a ser pais, tomando nosso tempo e transformando tudo isso em
realidade. E esta carta não é pra falar sobre as preocupações futuras.
Segurança, educação, viagens, família, amores, vícios... nada disso está nos
preocupando ainda, afinal de contas, pra tudo isso, temos Deus conosco.
Pelas contas, parece que teremos você aqui em 20 dias. Fica
calma que ta chegando, viu?
segunda-feira, janeiro 11, 2016
A saga do enxoval
Todo site voltado para gravidez e maternidade tem listas de
itens que devem compor num enxoval, outros que seriam úteis e as eternas dicas,
do tipo: “não compre muito, o bebê perde tudo muito rápido”. Sim, eu vi listas
e esta dica específica em vinte páginas, mas, na prática, descobri a maior
dificuldade da gravidez: fazer o enxoval.
É, na vida real tudo é muito mais difícil.
A minha dificuldade não teve nada a ver com a quantidade de
itens a comprar, nem o tipo de roupa. Teve a ver com tudo. Isso mesmo. Tudo.
Quando decidi que era hora de começar a providenciar roupas
e acessórios que a Aurora vai usar nos primeiros meses, primeiro, fiz um
levantamento de tudo o que ela já tinha ganhado, para evitar comprar itens
repetidos. Isso já eliminou da minha lista sabonete em barra e líquido,
shampoo, perfume, lenços umedecidos, sapatinhos de lã, ursos de pelúcia, laços
e enfeites de cabeça, mamadeira e chuquinha, kits alimentação, chupeta, cobertor,
protetor de berço, carrinho e cadeirinha para carro, brinquedos para a
banheira, a banheira e o suporte. E, pelo menos em princípio, fraldas
descartáveis. Tudo isso ela ganhou dos nossos amigos no chá de fraldas.
E, depois de alguns cortes na lista, faltavam alguns,
digamos, primordiais. Conjuntos de pagãozinho, fraldas de pano, fraldas de
boca, cueiro, mosquiteiro, roupa de cama, macacões, mantas, bodies, calças com
e sem pezinho, pares de meia, chapéus e aqueles produtos de higiene: cotonet,
álcool, algodão, babador, fita adesiva, lixeira, termômetro e outros.
Só que aí veio a hora de comprar tudo. No começo, cogitamos
sair da cidade para comprar tudo com menores preços, mas, na dúvida sobre a
real economia que isso nos traria, decidimos ficar por aqui. E o nosso “por
aqui” foi Morro Azul – o antigo centro do mundo, lá na loja do pai.
E foi a compra mais difícil da minha vida. Primeiro, porque,
de fato, dá vontade de comprar tudo. Roupas, sapatos, conjuntos, macacões, velocípedes,
brinquedos, bonecas, quadros, jogos eletrônicos. Depois, porque escolher cores,
modelos e tipos é muito difícil.
Gastamos umas três horas decidindo quantos deste e quantos
daquele, este ou aquele modelo, esta ou aquela cor - porque não, não sou do
tipo que vai vestir a filha com rosa e lilás. E que sofrimento!
No fim, com gastos acima do previsto e três bolsas enormes,
voltamos pra casa. E, até o dia de lavar e passar tudo – que vai ganhar outra
postagem em breve -, perdi horas olhando tudo, revendo cada peça, babando nos
modelos e dando altas risadas diante da beleza das roupinhas e da criatividade
das mensagens dos bodies.
O fato é que agora ta tudo no lugar, tudo pronto. Limpo, passado, cheiroso. Dá um orgulho danado! E um medo maior ainda! ;D
quarta-feira, outubro 14, 2015
Eu queria mais...
É, eu sei que pode parecer egoísmo a frase. E talvez seja mesmo, afinal de contas, "querer mais", quando se está vivendo um dos momentos mais especiais da vida, deve ser mesmo uma pontada de egoísmo. Muito mais pra quem está de fora, sem viver todas essas novidades que estão acontecendo na minha vida.
Se é ou não, definitivamente esta não é a função desta postagem.
O fato é que eu queria uma coisinha a mais. Quando se trata de gravidez, todo mundo quer saúde, mais saúde, família unida, condições pra colocar tudo no lugar, paz pro novo integrante do clã, fotos e vídeos, conselhos e mais uma pá de coisas.
E eu quero, sim isso tudo. Mas queria algo mais. Uma coisinha.
Queria que outra pessoa ficasse feliz neste tempo. Sim, a família e os amigos estão comigo, vivendo cada momento e compartilhando as sensações e as novidades, mas há um vazio. Um espaço, que ninguém pode ocupar.
Porque tudo seria diferente se a Mônica estivesse por aqui. Ela era tão apaixonada por tudo que envolve gravidez e maternidade, que conduziria tudo de outra forma. Eu teria mera participação, por exemplo, na escolha da decoração do quarto. Tenho certeza de que seria por vontade própria que eu deixaria tudo por conta dela por confiar nos gostos e nos talentos que ela tinha e, principalmente, por querer vê-la feliz. E vê-la feliz, pelo fato de que o maior sonho da vida dela, o maior de todos, não foi realizado: o de ser mãe. E ela disse isso nos meses em que passou hospitalizada. Até fazia planos, mesmo sabendo da gravidade da doença e tendo consciência de que, possivelmente ser mãe não estava entre os planos de Deus para a vida dela.
A única pessoa com a qual eu convivi, que nutria este sonho profundo. Ela era assim. Nunca tive por perto uma pessoa que almejasse tanto a maternidade. Sim, ouvi de muita garota que "o maior sonho" era ser mãe, ou que "queria se casar para ser mãe" e mais um monte de coisas. Só que ter dentro de si o sonho, real, era coisa dela. Eu sempre disse que, se Deus colocou no mundo, pessoas com talento para a maternidade, a Mônica foi uma. Ela nasceu pra isso. E mostrava sempre que tinha uma criança por perto. Foi assim com o Netinho e o Júnior, filhos da querida e também saudosa Mirian, com o Leo e a Leslie, filhos da Irinéia, com o Lucas e o Leonardo, da Janaína, com a Thaisa, filha da Dê, com a Raquel da outra Janaína, com a outra Raquel, cunhadinha-emprestada dela, com as duas sobrinhas, Rebeca e Daniela, com as menininhas da grande amiga dela, Maria Paula. E com mais um montão de crianças que nasceram perto de nós ao longo dos anos. Crianças que hoje já são pais e mães, donas de casa e profissionais responsáveis.
Ela era assim. Tinha um amor profundo, uma vontade de estar perto, que pouca gente consegue imaginar. E com toda a certeza, se estivesse aqui, seria assim também com a Aurora. Eu já estaria, neste momento de 20 semanas, com a decoração do quarto definida e possivelmente pronta, as peças do enxoval bordadas, sapatinhos, casaquinhos e toucas tricotados, mantas devidamente personalizadas. Porque ela era assim. Carinhosa com todo mundo, mas com crianças era demais. Ela se entregava. Fazia planos. Vivia, participava, concretizava, criava. Fazia enfeites para os quartos, bordava nomes nas camisetas, pregava botões, recuperava peças dadas pelas mães como perdidas, costurava, customizava. De uma hora pra outra, uma camisetinha branca lisa, virava um lindo vestido, com corações rosas de renda e uma saia rodada que a Mônica criava. Um body azul claro virava tela pra uma super pintura. Aquele espelho retangular, sem borda, virava um espelho de filme, com laços incríveis. E os cabelos das meninas? Lisos, encaracolados ou pixaim. Ela nunca se importou, tinha talento pra todos. Todos mesmo. Em poucos minutos, estavam tão bem penteados que dava vontade de saber fazer igual.
Os alunos da pré-escola que o digam. Todas as ornamentações da sala de aula eram criadas por ela. Personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo, em tamanho real, eram fascinantes e surpreendiam a todos. Histórias bíblicas, contos de fadas. Ela criava qualquer coisa, qualquer cara, com qualquer papel, desde que fossem coloridos. E que dessem trabalho. Parece até que essa era sua principal exigência.
Lembro-me de um dia, em que estava em Brasília e bateu uma saudade danada dela. Mas não era saudade de conversar com ela, porque fazíamos isso quase todos os dias. Era saudade de ouvi-la cantando uma das músicas que ela ensinava às crianças. "Joguei meu anel no mar" e "Garibaldi foi cedinho à missa, galopando um cavalo sem espora...". Aí, era noite de plantão e eu liguei. Conversamos e ela inacreditavelmente cantou as músicas ao telefone. E eu me lembro, como se fosse hoje, que quando desliguei, falei pras pessoas que estavam perto de mim que quando tivesse um bebê, minha irmã iria ensiná-lo a cantar como ela, porque se dependesse de mim... eles só saberiam falar (muito).
Só que Deus não permitiu que fosse assim. Ele quis que tudo fosse diferente. E nós, como filhos, entendedores de que a vontade dEle é boa, perfeita e agradável, que tudo coopera para o bem daqueles que O amam, que não cai uma folha de uma árvore sem que Ele permita, que para tudo debaixo do céu há um propósito e que os planos dEle são insondáveis, vivemos. Sofremos, choramos, rimos com as lembranças, nos emocionamos com as fotos.
Neste momento que estou vivendo, com a gravidez despontando, descobrindo uma novidade a cada dia, sentindo o bebê mexer, tendo medo do que pode acontecer daqui a vinte anos, na semana que vem ou daqui a dois minutos, escolhendo roupas, ganhando presentes, imaginando o rosto da Aurora, pensando em como vai ser cada banho, ou pentear os cabelos.... e realizando uma vontade minha, muito recente, confesso, que foi o único e maior sonho dela, infelizmente não realizado, Neste momento, a saudade aumenta, eu penso nela em cada novidade. Em cada frio na barriga, em cada mexidinha, em cada notícia boa.
E vai ser assim. Sempre.
Se é ou não, definitivamente esta não é a função desta postagem.
O fato é que eu queria uma coisinha a mais. Quando se trata de gravidez, todo mundo quer saúde, mais saúde, família unida, condições pra colocar tudo no lugar, paz pro novo integrante do clã, fotos e vídeos, conselhos e mais uma pá de coisas.
E eu quero, sim isso tudo. Mas queria algo mais. Uma coisinha.
Queria que outra pessoa ficasse feliz neste tempo. Sim, a família e os amigos estão comigo, vivendo cada momento e compartilhando as sensações e as novidades, mas há um vazio. Um espaço, que ninguém pode ocupar.
Porque tudo seria diferente se a Mônica estivesse por aqui. Ela era tão apaixonada por tudo que envolve gravidez e maternidade, que conduziria tudo de outra forma. Eu teria mera participação, por exemplo, na escolha da decoração do quarto. Tenho certeza de que seria por vontade própria que eu deixaria tudo por conta dela por confiar nos gostos e nos talentos que ela tinha e, principalmente, por querer vê-la feliz. E vê-la feliz, pelo fato de que o maior sonho da vida dela, o maior de todos, não foi realizado: o de ser mãe. E ela disse isso nos meses em que passou hospitalizada. Até fazia planos, mesmo sabendo da gravidade da doença e tendo consciência de que, possivelmente ser mãe não estava entre os planos de Deus para a vida dela.A única pessoa com a qual eu convivi, que nutria este sonho profundo. Ela era assim. Nunca tive por perto uma pessoa que almejasse tanto a maternidade. Sim, ouvi de muita garota que "o maior sonho" era ser mãe, ou que "queria se casar para ser mãe" e mais um monte de coisas. Só que ter dentro de si o sonho, real, era coisa dela. Eu sempre disse que, se Deus colocou no mundo, pessoas com talento para a maternidade, a Mônica foi uma. Ela nasceu pra isso. E mostrava sempre que tinha uma criança por perto. Foi assim com o Netinho e o Júnior, filhos da querida e também saudosa Mirian, com o Leo e a Leslie, filhos da Irinéia, com o Lucas e o Leonardo, da Janaína, com a Thaisa, filha da Dê, com a Raquel da outra Janaína, com a outra Raquel, cunhadinha-emprestada dela, com as duas sobrinhas, Rebeca e Daniela, com as menininhas da grande amiga dela, Maria Paula. E com mais um montão de crianças que nasceram perto de nós ao longo dos anos. Crianças que hoje já são pais e mães, donas de casa e profissionais responsáveis.
Ela era assim. Tinha um amor profundo, uma vontade de estar perto, que pouca gente consegue imaginar. E com toda a certeza, se estivesse aqui, seria assim também com a Aurora. Eu já estaria, neste momento de 20 semanas, com a decoração do quarto definida e possivelmente pronta, as peças do enxoval bordadas, sapatinhos, casaquinhos e toucas tricotados, mantas devidamente personalizadas. Porque ela era assim. Carinhosa com todo mundo, mas com crianças era demais. Ela se entregava. Fazia planos. Vivia, participava, concretizava, criava. Fazia enfeites para os quartos, bordava nomes nas camisetas, pregava botões, recuperava peças dadas pelas mães como perdidas, costurava, customizava. De uma hora pra outra, uma camisetinha branca lisa, virava um lindo vestido, com corações rosas de renda e uma saia rodada que a Mônica criava. Um body azul claro virava tela pra uma super pintura. Aquele espelho retangular, sem borda, virava um espelho de filme, com laços incríveis. E os cabelos das meninas? Lisos, encaracolados ou pixaim. Ela nunca se importou, tinha talento pra todos. Todos mesmo. Em poucos minutos, estavam tão bem penteados que dava vontade de saber fazer igual.
Os alunos da pré-escola que o digam. Todas as ornamentações da sala de aula eram criadas por ela. Personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo, em tamanho real, eram fascinantes e surpreendiam a todos. Histórias bíblicas, contos de fadas. Ela criava qualquer coisa, qualquer cara, com qualquer papel, desde que fossem coloridos. E que dessem trabalho. Parece até que essa era sua principal exigência.
Lembro-me de um dia, em que estava em Brasília e bateu uma saudade danada dela. Mas não era saudade de conversar com ela, porque fazíamos isso quase todos os dias. Era saudade de ouvi-la cantando uma das músicas que ela ensinava às crianças. "Joguei meu anel no mar" e "Garibaldi foi cedinho à missa, galopando um cavalo sem espora...". Aí, era noite de plantão e eu liguei. Conversamos e ela inacreditavelmente cantou as músicas ao telefone. E eu me lembro, como se fosse hoje, que quando desliguei, falei pras pessoas que estavam perto de mim que quando tivesse um bebê, minha irmã iria ensiná-lo a cantar como ela, porque se dependesse de mim... eles só saberiam falar (muito).
Só que Deus não permitiu que fosse assim. Ele quis que tudo fosse diferente. E nós, como filhos, entendedores de que a vontade dEle é boa, perfeita e agradável, que tudo coopera para o bem daqueles que O amam, que não cai uma folha de uma árvore sem que Ele permita, que para tudo debaixo do céu há um propósito e que os planos dEle são insondáveis, vivemos. Sofremos, choramos, rimos com as lembranças, nos emocionamos com as fotos.
Neste momento que estou vivendo, com a gravidez despontando, descobrindo uma novidade a cada dia, sentindo o bebê mexer, tendo medo do que pode acontecer daqui a vinte anos, na semana que vem ou daqui a dois minutos, escolhendo roupas, ganhando presentes, imaginando o rosto da Aurora, pensando em como vai ser cada banho, ou pentear os cabelos.... e realizando uma vontade minha, muito recente, confesso, que foi o único e maior sonho dela, infelizmente não realizado, Neste momento, a saudade aumenta, eu penso nela em cada novidade. Em cada frio na barriga, em cada mexidinha, em cada notícia boa.
E vai ser assim. Sempre.
quinta-feira, janeiro 01, 2015
O ano novo chegou
A essa hora, depois da meia-noite, o ano já ta até velho. É, sou do tipo de gente que, além de não levar essa coisa de virada, festas, brindes e contagem regressiva muito a sério, também acha que passados dois minutos do novo dia, ele já envelheceu. E isso não tem nada a ver com meu estado de espírito ou com me enfurnar dentro de casa só porque é noite de 31 de dezembro. Eu, quase sempre, na hora da virada, estou em oração, normalmente na igreja, mas depois, janto e confraternizo com a família.
E se acho que as pessoas tinham que fazer em todos os dias do ano aquilo que fazem em épocas de festas, especialmente no Natal - com todas aquelas felicitações descabidas - e Ano Novo, nem acho que combina com o meu momento uma postagem com desejos aos meus amigos e parentes para o ano que acabou de chegar.
Só que, como sempre, cá estou. Mas pra desejos diferentes, mas muito mais realistas, motivados por tantos discursos piegas e chatos que estão pipocando pelos perfis nessas cada dia mais chatas redes sociais.
O que eu desejo, pra todo mundo, sem nenhuma exceção, é menos encheção de saco. Pra todo mundo, menos gente chata, falando sobre preconceitos que não existem (como aquela velha ladainha do meu marido ser preto e do meu filho que eu ainda nem tenho ser preto também). De gente chata e sem-noção o mundo ta cheio. E de gente que expõe suas ideias descabidas pela internet então, nem se fala.
Quero que todos os meus amigos, meus conhecidos e quem eu nunca vi na minha vida sejam menos hipócritas. Aos que não são, como eu, que não precisem conviver com tanta gente mesquinha, que faz da própria vida o eterno "faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço". Dessa raça eu tenho raiva. Asco profundo.
A toda a face da terra, um 2015 sem muito mimimi. Aliás, sem mimimi nenhum. Sobre o calor, o frio, o sol, a chuva, o verão, os resfriados e tudo o mais que for dispensável. Já dei minha opinião sobre isso, mas como to sucumbindo à postagem dos desejos pro ano novo, to no meu direito de repetir.
E já que to repetindo... quero muito muito muito que as pessoas se conscientizem da necessidade de verificarem a veracidade de uma foto, um desenho, uma informação ou o que quer que se queira compartilhar nas redes sociais. Pelas minhas contas, 90% do que aparece nas linhas do tempo não têm fonte confiável e, consequentemente, não deveriam ser repetidos.
Pra 2015 quero mais leituras pra toda a população existente sobre a face da terra. Isso, os meus três leitores hão de concordar comigo, melhorará consideravelmente o nível dos textos, das conversas e das críticas.
Pros que estão naquela campanha descabida de "Golpe Militar", "Intervenção Militar" e afins, meu eterno desprezo. Sim, quero que essas pessoas tenham um ano novo de livros, conhecimento e um pouco menos de ignorância. Não consigo sentir nada diferente por esse grupo. Ainda mais quando penso que cada um tem o governo que escolhe, que merece e blá-blá-blá.
Praquelas pessoas que devem dinheiro, compram e não pagam e insistem em posar para fotos em viagens e vender imagem de "gente de bem" e bem sucedida, um aviso: gente de bem compra e paga. Gente bem sucedida pode ganhar pouco, mas honra com os próprios compromissos. Gente que merece reconhecimento é aquele que anda na rua podendo olhar nos olhos de qualquer pessoa. Inclusive no ano passado e no ano que vem.
No mais, é redundante dizer que desejo coisas boas, dinheiro, saúde, paz, Deus, sorrisos, amigos e mais um montão de benefícios. Aliás, isso é passado, afinal de contas, o "ano novo" já passou há 15 minutos.
E se acho que as pessoas tinham que fazer em todos os dias do ano aquilo que fazem em épocas de festas, especialmente no Natal - com todas aquelas felicitações descabidas - e Ano Novo, nem acho que combina com o meu momento uma postagem com desejos aos meus amigos e parentes para o ano que acabou de chegar.
Só que, como sempre, cá estou. Mas pra desejos diferentes, mas muito mais realistas, motivados por tantos discursos piegas e chatos que estão pipocando pelos perfis nessas cada dia mais chatas redes sociais.
O que eu desejo, pra todo mundo, sem nenhuma exceção, é menos encheção de saco. Pra todo mundo, menos gente chata, falando sobre preconceitos que não existem (como aquela velha ladainha do meu marido ser preto e do meu filho que eu ainda nem tenho ser preto também). De gente chata e sem-noção o mundo ta cheio. E de gente que expõe suas ideias descabidas pela internet então, nem se fala.
Quero que todos os meus amigos, meus conhecidos e quem eu nunca vi na minha vida sejam menos hipócritas. Aos que não são, como eu, que não precisem conviver com tanta gente mesquinha, que faz da própria vida o eterno "faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço". Dessa raça eu tenho raiva. Asco profundo.
A toda a face da terra, um 2015 sem muito mimimi. Aliás, sem mimimi nenhum. Sobre o calor, o frio, o sol, a chuva, o verão, os resfriados e tudo o mais que for dispensável. Já dei minha opinião sobre isso, mas como to sucumbindo à postagem dos desejos pro ano novo, to no meu direito de repetir.
E já que to repetindo... quero muito muito muito que as pessoas se conscientizem da necessidade de verificarem a veracidade de uma foto, um desenho, uma informação ou o que quer que se queira compartilhar nas redes sociais. Pelas minhas contas, 90% do que aparece nas linhas do tempo não têm fonte confiável e, consequentemente, não deveriam ser repetidos.
Pra 2015 quero mais leituras pra toda a população existente sobre a face da terra. Isso, os meus três leitores hão de concordar comigo, melhorará consideravelmente o nível dos textos, das conversas e das críticas.
Pros que estão naquela campanha descabida de "Golpe Militar", "Intervenção Militar" e afins, meu eterno desprezo. Sim, quero que essas pessoas tenham um ano novo de livros, conhecimento e um pouco menos de ignorância. Não consigo sentir nada diferente por esse grupo. Ainda mais quando penso que cada um tem o governo que escolhe, que merece e blá-blá-blá.
Praquelas pessoas que devem dinheiro, compram e não pagam e insistem em posar para fotos em viagens e vender imagem de "gente de bem" e bem sucedida, um aviso: gente de bem compra e paga. Gente bem sucedida pode ganhar pouco, mas honra com os próprios compromissos. Gente que merece reconhecimento é aquele que anda na rua podendo olhar nos olhos de qualquer pessoa. Inclusive no ano passado e no ano que vem.
No mais, é redundante dizer que desejo coisas boas, dinheiro, saúde, paz, Deus, sorrisos, amigos e mais um montão de benefícios. Aliás, isso é passado, afinal de contas, o "ano novo" já passou há 15 minutos.
sexta-feira, dezembro 05, 2014
O um ano
O hoje é o um ano. O aniversário, o natal. O um ano de dor, o um ano de sofrimento, o um ano de falta, o um ano de ausência.
No ano passado, estávamos tendo o mais sombrio de todos os dias, quando Deus tirou de nós a pessoa mais linda que nos tinha dado a oportunidade de conhecer.
E desde então, vivemos na saudade. Na expectativa de a encontramos novamente. Se será logo, só Ele sabe, mas que será, será. Não temos dúvida. Vivemos essa esperança, todos os dias. Em qualquer momento.
E a dor ameniza, quando nos lembramos da promessa: "Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida" e que ela foi fiel até a morte. Sem dúvida nenhuma, sem mas, sem porém e sem talvez.
A nossa querida Mônica, que nos deixou no dia 5 de dezembro de 2013, após exatos seis meses de uma luta injusta contra o maldito câncer, manteve-se firme até quando sua consciência permitiu.
O hoje, pra nós, que estávamos perto, e para os amigos, que, mesmo longe a consideravam e a amavam, é um dia triste. Mais um dia de lembranças. Aos nossos pais, ainda mais, porque convivem com uma dor ininterrupta.
Que Deus permaneça conosco, nos fortalecendo, nos acompanhando em cada momento. E nos permitindo permanecer fieis.
P.S.: A foto é do meu casamento, em dezembro de 2011. Ela pediu pra Mary fotografar a "alegria" dela, em poder tirar os sapatos de salto pra calçar o chinelinho. Ela reclamava muito de ter perdido a "habilidade" que tinha, quando era solteira, com os sapatos altos e "chiques".
No ano passado, estávamos tendo o mais sombrio de todos os dias, quando Deus tirou de nós a pessoa mais linda que nos tinha dado a oportunidade de conhecer.
E desde então, vivemos na saudade. Na expectativa de a encontramos novamente. Se será logo, só Ele sabe, mas que será, será. Não temos dúvida. Vivemos essa esperança, todos os dias. Em qualquer momento.
E a dor ameniza, quando nos lembramos da promessa: "Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida" e que ela foi fiel até a morte. Sem dúvida nenhuma, sem mas, sem porém e sem talvez.
A nossa querida Mônica, que nos deixou no dia 5 de dezembro de 2013, após exatos seis meses de uma luta injusta contra o maldito câncer, manteve-se firme até quando sua consciência permitiu.
O hoje, pra nós, que estávamos perto, e para os amigos, que, mesmo longe a consideravam e a amavam, é um dia triste. Mais um dia de lembranças. Aos nossos pais, ainda mais, porque convivem com uma dor ininterrupta.
Que Deus permaneça conosco, nos fortalecendo, nos acompanhando em cada momento. E nos permitindo permanecer fieis.
P.S.: A foto é do meu casamento, em dezembro de 2011. Ela pediu pra Mary fotografar a "alegria" dela, em poder tirar os sapatos de salto pra calçar o chinelinho. Ela reclamava muito de ter perdido a "habilidade" que tinha, quando era solteira, com os sapatos altos e "chiques".
sábado, outubro 18, 2014
O 18 de outubro sem ela
Comecei a escrever este texto um mês atrás. Não por falta do que dizer, mas por sobra. Sim, como sempre houve muito a ser dito, decidi que começar bem antes me ajudaria a colocar as ideias em ordem. Um pouquinho cada dia, pra que tudo de importante fosse lembrado, mesmo surgindo importâncias a cada dia.
Confuso, eu sei.
No ano passado, ela voltou de São Paulo, pra reunir-se com os amigos. E foi o que fizemos. Acho que eu só vi tanta gente reunida em um aniversário dela, mais de 20 anos atrás, quando ela completou 15 anos.
Se soubéssemos que seria o último aniversário que a teríamos perto, talvez tivesse sido diferente. Ou não.
Menos de 50 dias depois ela nos deixou. Inacreditavelmente nos deixou.
E cada minuto depois disso foi difícil, arrastado, lento e sofrido. Como só Deus sabe. Mais doído pra uns, como nossos pais, nossa avó e os nossos amigos. Sim, os mais chegados ainda choram ao falar dela.
A partir daquele dia 5 de dezembro, tudo ficou mais complicado na minha vida. Era tão mais fácil viver quando ela estava por aqui, que hoje dá vontade de pedir ajuda pras pessoas, questionar como é que se vive quando alguém tão importante não está mais neste mundo.
Logo de cara eu demorei a entender que não precisava mais manter o apelido dela na agenda do celular e que não, eu nunca mais veria a chamada dela piscando e ouviria ela me dizer: "Irmããããa!".
E não demorei pra entender outro monte de coisas...
Tipo que eu não iria ter mais a quem pedir ajuda pra corrigir algum erro (qualquer erro, que fique claro), ou dicas de pratos diferentes, que me ajudassem a sair da "mesmice" em casa. Ou que o o meu aniversário deste ano não teria o bolo feito por ela, ou que a decoração da minha casa não iria mais contar com o toque e as ideias dela. Também que o 18 de outubro deste ano seria um dos dias mais difíceis dos últimos meses. Isso eu não tinha entendido até essa semana.
Tem coisas, que ainda não deu pra aceitar. E não to falando de entender o porquê das coisas acontecerem. To falando de muito mais simplicidade. Exemplos? Como é que eu vou fazer pra criar a minha filha ou filho, sem que ela esteja por perto, pra socorrer em cada dúvida. É, porque, embora ela nunca tenha tido filhos, sabia exatamente como agir, como se tivesse toda a experiência do mundo.
Como é que eu vou contar pra eles sobre a nossa adolescência, as músicas que criamos juntas e ainda pipocam na minha mente? E como é que eu vou explicar a calma que eu sentia quando ela cantava: "Perdi meu anel no mar..." ou "Garibaldi foi cedinho à missa, galopando um cavalo sem espora...". Não, não tem como entender. Vou ter que esperar pra saber como vai ser. O que eu vou sentir...
Não sei o que vou sentir quando voltar a Morro Azul. Não fiz isso de novo. Por medo, talvez. Não sei. Não sei como vou agir quando vir outras pessoas morando na casa que ela desenhou, calculou, cuidou de cada detalhe....
E quando vir o lugar que foi dela por tantos anos, ocupado por outra pessoa (não que isso importe de verdade), tenho certeza de que vai dar saudade de tudo o que a gente viveu, todos os problemas que a gente compartilhou, cada conversa que varou a noite, todas as alegrias, erros. Saudade, pra dizer o mínimo.
Por outro lado, consola-me saber que ela se foi sem ter absoluta certeza de que algumas pessoas que a cercavam não a queriam tão bem como nós. É, infelizmente. Pior pra nós, que ficamos aqui, constatarmos isso tão logo ela se foi...
Há ainda as situações com as quais eu nunca, jamais, em tempo algum, vou conseguir conviver. Como a dor dos nossos pais, que só se renova a cada dia. Ou a dor nos olhos de quem ouve o caso dela, mesmo sem nunca terem visto-na. Como conviver com as lembranças? E com a falta de conselhos? E com aqueles "tenho uma pra te contar...".
Não sei como vai ser.
Mas sei de uma coisa... que Deus está nos fortalecendo a cada dia, porque se não fosse Ele, já teríamos sucumbido. Sei também que Ele tem planos insondáveis, que não temos que entender, apenas viver.
E sei também que o hoje era pra ser todo dela. E não será.
Confuso, eu sei.
No ano passado, ela voltou de São Paulo, pra reunir-se com os amigos. E foi o que fizemos. Acho que eu só vi tanta gente reunida em um aniversário dela, mais de 20 anos atrás, quando ela completou 15 anos.
Se soubéssemos que seria o último aniversário que a teríamos perto, talvez tivesse sido diferente. Ou não.
Menos de 50 dias depois ela nos deixou. Inacreditavelmente nos deixou.
E cada minuto depois disso foi difícil, arrastado, lento e sofrido. Como só Deus sabe. Mais doído pra uns, como nossos pais, nossa avó e os nossos amigos. Sim, os mais chegados ainda choram ao falar dela.
A partir daquele dia 5 de dezembro, tudo ficou mais complicado na minha vida. Era tão mais fácil viver quando ela estava por aqui, que hoje dá vontade de pedir ajuda pras pessoas, questionar como é que se vive quando alguém tão importante não está mais neste mundo.
Logo de cara eu demorei a entender que não precisava mais manter o apelido dela na agenda do celular e que não, eu nunca mais veria a chamada dela piscando e ouviria ela me dizer: "Irmããããa!".
E não demorei pra entender outro monte de coisas...
Tipo que eu não iria ter mais a quem pedir ajuda pra corrigir algum erro (qualquer erro, que fique claro), ou dicas de pratos diferentes, que me ajudassem a sair da "mesmice" em casa. Ou que o o meu aniversário deste ano não teria o bolo feito por ela, ou que a decoração da minha casa não iria mais contar com o toque e as ideias dela. Também que o 18 de outubro deste ano seria um dos dias mais difíceis dos últimos meses. Isso eu não tinha entendido até essa semana.
Tem coisas, que ainda não deu pra aceitar. E não to falando de entender o porquê das coisas acontecerem. To falando de muito mais simplicidade. Exemplos? Como é que eu vou fazer pra criar a minha filha ou filho, sem que ela esteja por perto, pra socorrer em cada dúvida. É, porque, embora ela nunca tenha tido filhos, sabia exatamente como agir, como se tivesse toda a experiência do mundo.
Como é que eu vou contar pra eles sobre a nossa adolescência, as músicas que criamos juntas e ainda pipocam na minha mente? E como é que eu vou explicar a calma que eu sentia quando ela cantava: "Perdi meu anel no mar..." ou "Garibaldi foi cedinho à missa, galopando um cavalo sem espora...". Não, não tem como entender. Vou ter que esperar pra saber como vai ser. O que eu vou sentir...
Não sei o que vou sentir quando voltar a Morro Azul. Não fiz isso de novo. Por medo, talvez. Não sei. Não sei como vou agir quando vir outras pessoas morando na casa que ela desenhou, calculou, cuidou de cada detalhe....
E quando vir o lugar que foi dela por tantos anos, ocupado por outra pessoa (não que isso importe de verdade), tenho certeza de que vai dar saudade de tudo o que a gente viveu, todos os problemas que a gente compartilhou, cada conversa que varou a noite, todas as alegrias, erros. Saudade, pra dizer o mínimo.
Por outro lado, consola-me saber que ela se foi sem ter absoluta certeza de que algumas pessoas que a cercavam não a queriam tão bem como nós. É, infelizmente. Pior pra nós, que ficamos aqui, constatarmos isso tão logo ela se foi...
Há ainda as situações com as quais eu nunca, jamais, em tempo algum, vou conseguir conviver. Como a dor dos nossos pais, que só se renova a cada dia. Ou a dor nos olhos de quem ouve o caso dela, mesmo sem nunca terem visto-na. Como conviver com as lembranças? E com a falta de conselhos? E com aqueles "tenho uma pra te contar...".
Não sei como vai ser.
Mas sei de uma coisa... que Deus está nos fortalecendo a cada dia, porque se não fosse Ele, já teríamos sucumbido. Sei também que Ele tem planos insondáveis, que não temos que entender, apenas viver.
E sei também que o hoje era pra ser todo dela. E não será.
sexta-feira, julho 11, 2014
Rápidas
Eu e meu sumiço
Ta, eu sei. To sempre dizendo que não vou mais sumir, que minhas postagens serão mais regulares... mas na hora h, cadê que eu consigo? Sempre tenho uma desculpa justificativa... como essa desta postagem. Desta vez, foi a quantidade de trabalho que andou me ocupando demais. Não que hoje tenha diminuído, mas tirei um tempinho pra atualizar e, com o tradicional "Rápidas", colocar tudo em dia.
Cinema
Não, não ando sumida dos cinemas. Pelo contrário, tendo em vista a falta de tempo na minha vida, posso dizer até que tenho ido bastante. Fui com a Emilly, a Joana e a Moti, depois fui com o Devan e agora to ensaiando ir com a Emilly e o Átila e o Devan. Vamos ver se rola...
Sessão particular
Ah, sim, como não deu nem vai dar pra ver "Os homens são de Marte, é pra lá que eu vou", logo logo tem sessão particular do filme lá na Thais. Ela prometeu... não vai poder fugir.
Copa do Mundo
Eu me abstive de falar sobre o campeonato mundial de futebol no Brasil e não vou fazer isso agora. O caso é que não poderia passar em branco.... no fim de semana tem disputa do terceiro lugar, entre Brasil e Holanda e, no domingo, nossos queridos hermanos decidem quem é o melhor do mundo. Aguardando resultados....
Férias
O Devan ta de férias desde o começo do mês e as minhas começam no dia 19. Cada minuto tem se arrastado.... pelo menos parece. Viagem marcada, planos feitas e nada de chegar logo o dia do embarque. Enquanto não chega, eu morro de trabalhar, pra adiantar tudo o que tem que ser feito e nada ficar pra ser resolvido entre o dia 20 e 26 de julho.
Foz do Iguaçu
Ah, sim, a viagem das férias de 2014 serão pra Foz do Iguaçu. Está tudo marcado, só falta mesmo pegar as dicas dos amigos que conhecem a região. Passeios, compras, restaurantes, passeios, Argentina e Uruguai.... já pode ir?
Blog alheio
Depois de a Fernanda Gentil entrar ao vivo no programa da Fátima Bernardes, chorando pela eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo, fui apresentada ao blog pessoal dela (clique aqui). De um jeito muito descontraído, os textos dela sobre o dia a dia do casamento são hilários. Vale dar uma espiada.
Dieta
Ah, a dieta continua... com menos força, porque sou humana, mas continua. Já se foram 10 quilos... e prossegue! E vamos de boxe também. A Emilly e a Joana dão aquela força!
Bistrô Particular
Viramos figuras fáceis no Bistrô Particular, o espaço mais gostoso e aconchegante da cidade. O Bistrô, dos meus queridos Pauline e Lelin, atende a grupos fechados, previamente agendados e com cardápios definidos. Eu e grupos de amigos já passamos por lá algumas vezes... e nem dá pra saber o que foi mais gostoso! Esta foto foi tirada numa das nossas idas...
Arraiá do Bistrô
Neste sábado, é a gente de novo, desta vez curtindo o Arraiá do Bistrô Particular. Seremos o Dê e eu, a Thais e o Eduardo, a Flávia Resende, a Fernanda (também conhecida por Moti), a Vaninha, a Marcela, a Joana e a Paty (que eu ainda não conheço). Como a Emilly viajou, vai ter que esperar outra oportunidade pra experimentar a paçoca cremosa.
Arraiá do Fato
Depois do Arraiá do Bistrô Particular, vai ter o Arraiá do Fato Popular. Nós ainda não começamos a organizar, mas já estamos bem programados. Cada um vai preparar um quitute e vamos ser felizes no sábado que vem. Eu, ainda mais, porque já vou estar de férias.
E vem o Marcelinho!
Está confirmado. Quem está vindo por aí, é o Marcelinho. Meus queridos Ju e Marcelo estão que não se cabem de tanta felicidade. Parabéns! Amo vocês!!!terça-feira, abril 15, 2014
Eu sempre me esqueço...
Não adianta. Eu não tenho memória. Nenhuma. Tenho vaga
lembrança. E bota vaga nisso. Tão vaga que eu nem sei se ela, de fato, existe.
Esqueço rostos e nomes, esqueço de retornar telefonemas,
esqueço datas importantes, esqueço de comprar coisas que preciso e, pior,
esqueço coisas fundamentais, como o celular em uma gôndola de uma supermercado
(pela graça de Deus, ele não foi levado).
Esqueço a hora do salão, a hora de comer e a hora de
acordar. Sim, porque a hora de dormir eu não esqueço.... até porque não
consigo. O sono sempre é mais forte que eu.
Esqueço de fazer os credenciamentos de imprensa para eventos
dentro do prazo, esqueço de ir ao banco registrar uma senha para acesso à conta
pelo telefone, esqueço de, ao sair do trabalho, dar uma passadinha no mercado
ou na feira, para comprar todos os matos que ando precisando comer diariamente.
Em casa, esqueço de fechar as janelas antes de dormir e
nunca me lembro de abri-las ao acordar. Quase nunca me lembro de ativar o
despertador, por isso, inclusive, programei o telefone celular para despertar
todos os dias, sem necessidade de ligar todos os dias. Só que, na hora de
dormir, sempre me esqueço de manter o aparelho ligado... e, quando comprei o telefone,
esqueci de escolher um modelo que despertasse desligado.
Ao sair, esqueço uma das chaves em casa. Ou a da casa ou a
do carro. Esqueço de colocar relógio, brinco ou de passar perfume. Esqueço de
pegar uma coisa de comer para a próxima “refeição” e sempre tenho que
providenciar na rua. Só na rua me lembro de tudo... do celular ou do rádio, da
aliança....
Na rua, de ônibus, esqueço de separar o dinheiro da
passagem. E quando saio de casa de carro, nunca me lembro que não sou boa para
estacionar... e acabo me lascando, quase sempre. E esqueço de colocar o cinto
de segurança também.
No trabalho, edito os textos para o site, mas não me lembro
de enviar pra Joana, é ela a responsável por atualizar a página da rádio. Esqueço
sempre de imprimir o informativo das 13 horas, que é responsabilidade minha. No
outro trabalho, sempre esqueço dos horários das entrevistas para as matérias e,
invariavelmente, chego cedo. Ou tarde, o que é pior. No terceiro trabalho,
quase sempre atraso no envio do material para a gráfica. Por que? Ora,
adivinhe!
Com a minha mãe, sempre esqueço de contar as principais
novidades do dia. E quando me lembro, é madrugada e já está todo mundo
dormindo. Já com o Devan, sou campeã em esquecer os lugares onde as coisas
foram deixadas: bonés, cintos, carteira, cartão do banco, chaves do carro e boletos
são apenas alguns itens que sempre estão sendo procurados. Por mim, é claro.
Só que não me esqueço de tudo. Todos os dias eu agradeço a
Deus pelo dia, pelo ar e pela oportunidade da vida. Lembro-me de colocar em
prática o que a Bíblia me ensina, como amar a Deus sobre todas as coisas e ao
próximo como a mim mesma.
terça-feira, abril 01, 2014
O Dia 7
Querido diário, hoje é terça-feira, dia 1º de abril. Sim,
hoje faz oito dias que tudo começou. Na nossa conta, que começou no dia zero,
hoje é, então, o dia 7.
Estive pensando... pros meus três leitores, pode parecer que
esse tempo passou rápido, mas os últimos sete dias foram duros de aguentar. Só
Deus sabe. A parte boa é que to aqui, firme e forte ainda. Pelo menos por
enquanto. Se bem que esse negócio de “forte” não é muito comigo... pra mim,
forte é o Devan e o Teko, que puxam ferro todos os dias, correm e ficam por aí
exibindo braços e pernas. No caso do Devan, muito mais, afinal de contas, ele
me pegou no colo no casamento e me rodou, em plena Beira-Rio. E olha que eu não
estava 10 quilos mais magra, de jeito nenhum.
Só que o assunto aqui não é este. O fato aqui nesta postagem
é o fato de que, uma semana após a primeira consulta na Clínica Magrass, eu to
1,8kg abaixo do peso inicial. Isso mesmo, em sete dias de saladas, nada de
refrigerante, nada de massas, nada de pães, nada de arroz, nada de doce e nada
de alegria, cá estou eu, com 1,8 kg menos que no começo da jornada.
Não, as coisas não estão ficando melhores, se é que você
está pensando isso. De jeito nenhum. Aliás, pra usar sinceramente do meu
direito à palavra, está tudo piorando. Por que? Ora, porque não inventaram
ainda um jeito de uma pessoa perder 30 quilos em duas semanas. Sim, isso faria
a mim e a vários milhões de pessoas pesadas por este mundo de meu Deus, pessoas
muito mais felizes. Com doces, é claro.
E após a consulta de ontem, uma nova semana começou. Com
saladas, sementes, carnes magras e tudo o mais que não tenha açúcar,
carboidrato, farinha ou lactose.
E vamos nessa, porque a vida é boa demais, pra gente
reclamar, do que quer que seja.
segunda-feira, março 24, 2014
O Dia Zero
Querido diário,
Sei que é estranha essa contagem que eu
acabei de iniciar, mas depois que eu explicar, você vai entender. Em linhas
gerais, só pra te esclarecer a contagem, é o seguinte: após um desafio que me
foi feito na semana passada pela Clínica Magrass e o meu querido parceiro de
trabalho, Betinho, cá estou eu, a contar os dias, começando por hoje, de
alimentação balanceada - com restrição
de açúcares e de alegria, é claro -, exercícios físicos e um monte de
procedimentos. Que também começaram hoje.
A partir de hoje, segundo as previsões mais otimistas, são,
pra começar, 9 semanas. Isso mesmo. Nove semanas de tudo isso que eu citei no
parágrafo anterior.
O hoje não foi difícil. Até porque a metade do dia foi
destinada a exames, balanças, contas e os primeiros procedimentos que,
resumidamente, podem ser definidos como buracos pelo corpo e calor. Sim, isso
pra ser muito econômica com as palavras. Deixa-me permanecer assim, afinal de
contas, você é um simples diário e não está muito habituado a esse vocabulário
ou aos novos costumes.
Além de te contar as principais novidades do dia, que estão
marcando o início dessa luta triste (ah, sim, sem açúcar, só pode ser triste),
essa postagem inaugura também o novo marcador: Parceria Magrass. Desta forma,
eu mesma vou conseguir, com mais facilidade, acompanhar a minha evolução e juntar as postagens sobre este assunto. Até
pensei em colocar um marcador com outro nome, tipo “Palavras da Gorda” ou “Gorda
como uma paçoca” (lembra desse? Já falamos disso!), mas preferi “Parceria
Magrass”, por ter menor sonoridade e, claro, para prestigiar as super
profissionais da clínica que estão me ajudando nessa luta: a Cristina, a Karen,
a Carla e a outra que me furou e de quem eu preferi esquecer o nome. Sou
dessas, lembra?
Conforme os dias forem passando e sendo vencidos, outras
postagens virão!
quinta-feira, março 28, 2013
Páscoa, de novo
Querido Diário,
Toda vez chega tão rápido, que todos os anos eu digo que eu preferia que a Páscoa fosse de 4 em 4 anos. Seria muito melhor comer tanto chocolate só duas vezese meia em cada década.
Este ano está sendo diferente. Minha vida está tão louca que a ficha de que a Páscoa ta tão aí, que amanhã é sexta-feira santa, ainda não caiu.
E ta demorando tanto pra cair, que não tem anda aprontado pra "festa" ainda. Ontem a programação começou, com a casinha da mãe recheada de ingredientes da primeira bacalhoada do ano. Ê coisa boa...
Pra hoje, planos de passar pelo comércio e comprar chocolates para o único presentado da minha vida: o marido.
O problema é que, pela previsão da correria do dia, isso não será possível. E "em não sendo possível", a coisa vai complicar. Amanhã tem trabalho na rádio, evento depois e, em pleno feriado, a compra dos chocolates vai ter que esperar.
E depois vem sábado com comércio lotado, domingo com tudo fechado...
Ai, Querido Diário, acho que os chocolates da páscoa neste ano só chegarão no Dia das Mães.
Ufa!
Toda vez chega tão rápido, que todos os anos eu digo que eu preferia que a Páscoa fosse de 4 em 4 anos. Seria muito melhor comer tanto chocolate só duas vezes
Este ano está sendo diferente. Minha vida está tão louca que a ficha de que a Páscoa ta tão aí, que amanhã é sexta-feira santa, ainda não caiu.
E ta demorando tanto pra cair, que não tem anda aprontado pra "festa" ainda. Ontem a programação começou, com a casinha da mãe recheada de ingredientes da primeira bacalhoada do ano. Ê coisa boa...
Pra hoje, planos de passar pelo comércio e comprar chocolates para o único presentado da minha vida: o marido.
O problema é que, pela previsão da correria do dia, isso não será possível. E "em não sendo possível", a coisa vai complicar. Amanhã tem trabalho na rádio, evento depois e, em pleno feriado, a compra dos chocolates vai ter que esperar.
E depois vem sábado com comércio lotado, domingo com tudo fechado...
Ai, Querido Diário, acho que os chocolates da páscoa neste ano só chegarão no Dia das Mães.
Ufa!
sexta-feira, setembro 09, 2011
Carta. De verdade!
Há muitos anos não acontecia na minha vida o que aconteceu ontem.
Quando cheguei em casa, entre as minhas correspondências de rotina (aquelas chatices todas de banco, cartão, lojas e afins), tinha uma carta. Sim, uma carta num envelope pardo, preenchido a caneta.
"Gente... que legal!", foi o que eu disse quando peguei o envelope.
Era de uma prima minha, que mora na região serrana do estado.
Dentro, duas folhas, com as quatro páginas totalmente manuscritas. O papel, cor-de-rosa com bonequinhas na parte inferior, tinha cheiro de papel. Sim, de papel de carta. Pode até parecer estranho, mas pra mim, papel de carta tem um cheiro específico, diferente de uma folha qualquer de papel A4, por exemplo.
Parei tudo e me sentei pra ler as notícias que vinham da prima que não vejo desde o carnaval. Ela falou do namorado novo, da sobrinha que vai nascer, das recentes aquisições que fez, da casa nova que está morando... e mais um monte de outras novidades.
Enquanto lia, era como se eu a estivesse ouvindo falar. Talvez pelo fato de ela escrever exatamente como fala, com vírgulas postas corretamente e aquelas pausas maiores pra suspiros e até, quando me convidou pra ir conhecer a sobrinha, um nervoso: "Calma, prima, ela ainda não nasceu!".
Ao final, ela disse: "minha irmã está aqui achando o máximo eu escrever pra você e manda mil beijinhos". Achei aquilo lindo! Minha outra prima estava perto e, tanto quanto eu, ao ler, achava o máximo ela estar escrevendo. De fato, é o máximo.
Essa prima da carta, mesmo, é adepta da internet, tem perfil nessas redes sociais todas aí, usa msn e tal. E quando precisou me contar as últimas novidades que julgou importantes, me escreveu uma carta!
Fiquei lisonjeada. É sério! Gostei tanto de receber a carta, que acho que vou deixar de lado um pouquinho os e-mails e voltar a falar com alguns amigos distantes por meio de cartas.
Claro que a rapidez da informação e da resposta é o mais fascinante do mundo "on line", mas até a demora na chegada do envelope ao destino e a outra demora pra chegada da resposta tem seu charme... e isso é, assim como o "tempo real", delicioso!
Minha prima me cobrou uma resposta à carta dela. Fez questão de repetir, dentro do envelope, a caixa postal que ela utiliza, para que eu não cometa erros e a correspondência tenha problemas pra chegar ao destino ou até nem chegue.
Ainda não fiz isso, mas vou fazer. Talvez amanhã. Vou separar alguns minutos do meu dia para respondê-la.
E farei isso com uma satisfação incrível!
Ta me dando até um frio na barriga, um medo de não saber como começar a carta... mas vou conseguir. Tenho certeza. Já fiz isso tantas vezes e era tão bom... há de ser assim novamente!
quarta-feira, abril 06, 2011
A quarta
A quarta-feira chegou. Já. Com ela, mudanças. Devagar, mas mudando... Parece que logo tudo vai estar diferente. Mais colorido, mais divertido, mais prazeroso. Como segredos deixam de ser segredos quando outra pessoa, além de nós, fica sabendo, melhor esperar este poder deixar de ser segredo. Enquanto isso, no aguardo das mudanças. E elas estão vindo... firmes!
terça-feira, abril 05, 2011
Eu sofri Bullying
Só se fala nisso. Televisão, jornais, internet, rádio. Entrevistam psicólogos, psiquiatras, professores, pedagogos, vítimas e até autores desta nova modalidade de agressão.
Normalmente, crianças e adolescentes são as maiores vítimas. Talvez depois que crescem, este nome mude para assédio moral... sei lá.
Li alguma coisa essa semana, sobre a futura princesa da Inglaterra, que teria sido vítima de bullying porque era perfeita....
Com tanto sobre o assunto, eu fiquei pensando sobre mim, à época da escola. Muitos anos já, eu sei.
Quando tinha 7 anos e estava na 4ª série, usava um sobretudo e uma bota nos dias de frio. Todos diziam que eu era pra estar na pré escola e que aquele sobretudo era do meu pai.
Os "amigos" da sala de aula falavam que o meu agasalho era tão grande, que eu usava de manhã e meu pai usava à noite.
Quando eu tinha 8 anos, na quinta série, ganhei da minha tia meu primeiro sutiã. A camisa do colégio era muito fina e ela encasquetou que tinha alguma coisa que precisava ser tampada ali.
Pois eu fiquei toda boba e fui de sutiã pra escola. Todas as outras garotas da sala já usavam. Eu me sentava na primeira carteira, porque era baixinha.
Ta bom... eu ainda sou, mas agora eu não estou mais na quinta série, oras.
Cheguei de sutiã, sentei. O garoto que sentava atrás de mim era gente boa até mandar parar, sacana que só...
Pois ele chegou, se sentou.
Lembro-me que a sala já estava cheia, devia ser a hora de o professor entrar. E ele disse, em alto em bom som: "A Flávia nem tirou a fralda e colocou sutiã".
Eu queria morrer. Aliás, queria, primeiro, socar a cara dele e só depois morrer.
A turma inteira caiu na gargalhada.
E quando cessou, a minha vingança: "Ué, Fábio (sim, este era o nome dele. Deve ser ainda... rs), no seu planeta ainda não chegou o sutiã?".
A galera riu de novo, mas ninguém consegue imaginar como eu tremi ao dizer aquilo.
O que ele tinha me dito mexeu comigo.
Eu me senti a última das criaturas pequenas e gordas. Algumas pessoas passaram a me chamar de "peituda", e acho que isso acabou virando uma profecia cumprida na minha vida.
Brincadeiras à parte, pelo que estão dizendo por aí, nos programas de televisão, nas matérias em jornais e sites e em toda parte, bullying é isso.
Confesso que quando relatei em casa o que tinha acontecido, chamei de "tremenda sacanagem", mas se tão dizendo que o nome é bullying...
Normalmente, crianças e adolescentes são as maiores vítimas. Talvez depois que crescem, este nome mude para assédio moral... sei lá.
Li alguma coisa essa semana, sobre a futura princesa da Inglaterra, que teria sido vítima de bullying porque era perfeita....
Com tanto sobre o assunto, eu fiquei pensando sobre mim, à época da escola. Muitos anos já, eu sei.
Quando tinha 7 anos e estava na 4ª série, usava um sobretudo e uma bota nos dias de frio. Todos diziam que eu era pra estar na pré escola e que aquele sobretudo era do meu pai.
Os "amigos" da sala de aula falavam que o meu agasalho era tão grande, que eu usava de manhã e meu pai usava à noite.
Quando eu tinha 8 anos, na quinta série, ganhei da minha tia meu primeiro sutiã. A camisa do colégio era muito fina e ela encasquetou que tinha alguma coisa que precisava ser tampada ali.
Pois eu fiquei toda boba e fui de sutiã pra escola. Todas as outras garotas da sala já usavam. Eu me sentava na primeira carteira, porque era baixinha.
Ta bom... eu ainda sou, mas agora eu não estou mais na quinta série, oras.
Cheguei de sutiã, sentei. O garoto que sentava atrás de mim era gente boa até mandar parar, sacana que só...
Pois ele chegou, se sentou.
Lembro-me que a sala já estava cheia, devia ser a hora de o professor entrar. E ele disse, em alto em bom som: "A Flávia nem tirou a fralda e colocou sutiã".
Eu queria morrer. Aliás, queria, primeiro, socar a cara dele e só depois morrer.
A turma inteira caiu na gargalhada.
E quando cessou, a minha vingança: "Ué, Fábio (sim, este era o nome dele. Deve ser ainda... rs), no seu planeta ainda não chegou o sutiã?".
A galera riu de novo, mas ninguém consegue imaginar como eu tremi ao dizer aquilo.
O que ele tinha me dito mexeu comigo.
Eu me senti a última das criaturas pequenas e gordas. Algumas pessoas passaram a me chamar de "peituda", e acho que isso acabou virando uma profecia cumprida na minha vida.
Brincadeiras à parte, pelo que estão dizendo por aí, nos programas de televisão, nas matérias em jornais e sites e em toda parte, bullying é isso.
Confesso que quando relatei em casa o que tinha acontecido, chamei de "tremenda sacanagem", mas se tão dizendo que o nome é bullying...
quarta-feira, março 09, 2011
O pior Carnaval
O Carnaval acabou há poucos minutos. Sim, na teoria, ele termina mesmo ao meio-dia de hoje.
Obviamente, os festejos permanecem em cidades que têm tradição, como aquelas lá da região Nordeste, e praqueles que trabalham no serviço público, já que a maioria deles para até a próxima segunda-feira quando, pra muitos, o 2011 vai realmente começar.
Este não é o meu caso.... que fique claro.
Quem tinha que viajar, já viajou e muitos estão voltando.
Eu, de acordo com os planos que fiz, ficaria em casa descansando e indo a Quatis para os meus plantões. Lá, como a folia começa na sexta e só termina na terça e a programação é toda realizada pela Prefeitura, todos entram na escala de plantão, para que não falte um representante da administração municipal, caso haja algum problema ou a necessidade de alguém responder pela prefeitura.
Tudo corria bem, até que uma notícia muito ruim se abateu sobre a minha família.
O falecimento de uma tia, irmã do meu pai, com quem ele tinha muita afinidade.
Foi na noite de domingo, minutos antes de uma festa surpresa de aniversário que a igreja tinha organizado pro meu pai.
Nem preciso dizer como foi ruim.
E pior ainda foi chegar à cidade da família, onde a filha caçula da tia estava muito abalada.
Voltamos pra casa ontem, terça-feira. O sofrimento continua, muito maior, muito mais forte, muito mais presente.
Minha querida prima, assim como suas três irmãs, estão lá, esperando que a dor inenarrável que as está fazendo sofrerem tanto, diminua e se transforme na tal saudade... aquela eterna.
Foi, com absoluta certeza, o pior carnaval de toda a minha vida.
Obviamente, os festejos permanecem em cidades que têm tradição, como aquelas lá da região Nordeste, e praqueles que trabalham no serviço público, já que a maioria deles para até a próxima segunda-feira quando, pra muitos, o 2011 vai realmente começar.
Este não é o meu caso.... que fique claro.
Quem tinha que viajar, já viajou e muitos estão voltando.
Eu, de acordo com os planos que fiz, ficaria em casa descansando e indo a Quatis para os meus plantões. Lá, como a folia começa na sexta e só termina na terça e a programação é toda realizada pela Prefeitura, todos entram na escala de plantão, para que não falte um representante da administração municipal, caso haja algum problema ou a necessidade de alguém responder pela prefeitura.
Tudo corria bem, até que uma notícia muito ruim se abateu sobre a minha família.
O falecimento de uma tia, irmã do meu pai, com quem ele tinha muita afinidade.
Foi na noite de domingo, minutos antes de uma festa surpresa de aniversário que a igreja tinha organizado pro meu pai.
Nem preciso dizer como foi ruim.
E pior ainda foi chegar à cidade da família, onde a filha caçula da tia estava muito abalada.
Voltamos pra casa ontem, terça-feira. O sofrimento continua, muito maior, muito mais forte, muito mais presente.
Minha querida prima, assim como suas três irmãs, estão lá, esperando que a dor inenarrável que as está fazendo sofrerem tanto, diminua e se transforme na tal saudade... aquela eterna.
Foi, com absoluta certeza, o pior carnaval de toda a minha vida.
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