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quarta-feira, maio 27, 2015

Tudo o que vicia começa com "C"*

Há momentos na vida de um ser humano em que ele se vê sem nada realmente interessante pra fazer. Assim, sem companhia, computador ou iPod e com celular fora de serviço, numa viagem de ônibus para Cruz Alta, fui obrigado a me divertir com os meus próprios pensamentos.
Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.
Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C!De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.
Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.
Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também, adivinha, começa com a letra c.
Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum. Impressionante, hein?
E o chocolate? Este dispensa comentários.
 Vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.
Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada “créeeeeeu”. Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade cinco.
Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o “ato sexual”, e este é denominado coito.

Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos, pois a humanidade seria viciada em Cultura.

*Por Ricardo Mallet, embora andem dizendo por aí que o texto é de Veríssimo

segunda-feira, abril 20, 2015

Banco*

É impressionante como nos acostumamos às coisas e vamos dando como normais. Eu parei pra pensar e me dei conta de que vivemos num país onde você não pode mais ter acesso ao seu dinheiro depois das 22h. Até as 6h do dia seguinte, você não consegue movimentar a sua conta, nem pela internet. 
Olha que absurdo! O dinheiro é meu, mas eu só tenho poder real sobre ele por 16 horas. Durante 8 horas, o banco faz o "favor" de guardar o meu dinheiro sem me dar a possibilidade de usá­-lo. Alega o banco, que essa é uma medida preventiva, adotada por questões de segurança. Mas isso deveria ser opcional. Se eu, como cliente, quiser ter esse dispositivo para a minha conta, aciono esse mecanismo. 
É como se andar de carro fosse proibido à noite nas estradas porque é muito perigoso e tem muito acidente. Se eu achar perigoso viajar à noite, viajo de dia, simples assim. Ninguém me perguntou o que eu achava dessa medida. 
O que temos é a opção, em um caixa 24h (que me cobra por esse serviço), de tirar no máximo R$ 300 em um saque único por noite. É inacreditável. Eu tenho que ter pleno direito sobre o uso do meu dinheiro. E não é uma questão de "esse ou aquele" banco, são todos. 
O caso da internet, pra mim, é pior. Não pode pagar conta? Que ladrão malvadão é esse que rouba seu cartão e paga a sua conta do Visa à meia-­noite. Ele não tá me roubando, ele tá me fazendo um favor. E fora que, pro ladrão poder fazer qualquer pagamento, ele precisa da minha senha pessoal, da minha senha eletrônica, do mês do meu nascimento, do meu Tolkien... E ele só tem três tentativas, porque na terceira bloqueia tudo. Meu deus do céu, se o ladrão conseguir passar por tudo isso, acho que ele, inclusive, merece o meu dinheiro. 
E se tem tanta chateação para manter a segurança da sua conta para poder pagar uma mísera conta de luz, porque não se pode fazer isso de noite? De dia é a mesmíssima coisa. Qual o problema? À noite, os bandidos ficam mais espertos? Não consigo entender, de verdade, um banco anunciar no seu slogan que é 30 horas e funcionar metade disso. É propaganda enganosa. Será que podemos acionar o Procon? E pra fazer uma TED? Tem que ser até as 19h e após a saga das senhas, você tem que esperar uma pessoa do banco te ligar pra confirmar a transferência. Quer dizer, tudo aquilo, todo aquele procedimento de segurança foi em vão, se você não atender a moça pra dizer pra ela que era você mesmo fazendo a transação. 
Vamos eliminar todas as senhas e só deixar a coisa do telefonema? Facilitaria tanto a vida. A paranoia, o medo e a tensão nos fazem aceitar certas coisas que, se analisarmos com calma, não tem nem sentido. 
É uma pena termos que viver sob esse tipo de pressão, mas continuo achando que o dinheiro é meu e faço o que eu quiser com ele. 

*Por Fábio Porchat

quinta-feira, novembro 13, 2014

O que você mudaria em seu corpo?

Quem nunca foi questionado sobre isso por outras pessoas, certamente já se perguntou. Isso mesmo. Ninguém que chegou à fase adulta está nela sem ter se olhado no espelho, segurado uma ou outra ponta, levantado perna ou braço, apertado aqui, feito careta ali... e imaginado, ao fim de algum tempo de observação, que, sim, mudaria alguma coisa no próprio corpo. Essa mudança, que pra muita gente são mudanças, pode até não ser feita, por uma série de razões, mas que é desejada, ah, isso é.
Eu, quando era criança, queria ser mais alta, mais magra (jura?) e já chorei porque minhas orelhas eram de abano. Sim, elas eram. Hoje não são mais. Pelo menos não pra mim. Superei de tal forma essa visão que tinha delas, que nem me lembro que um dia elas foram meio "Dumbo".
E toda essa questão é tão vencida na minha vida (puxa! Que auto estima!), que eu nem penso muito nisso. Tenho metas pra daqui a cinco, seis anos... e por ainda faltar cinco, seis anos, não perco tempo com elas agora.
Aí, hoje, a querida Aline Franco compartilhou este vídeo. Sim, ele foi produzido e dirigido, mas é sensacional. Adultos e crianças foram perguntados sobre o que mudariam no próprio corpo? Testa, olhos, pés, orelhas, toda a pele foram citados pelos adultos. Gente comum, como eu e você, que pensa em mudar alguma coisinha. E, pior, pensa o tempo todo. Se olha no espelho, toma banho, dorme e acorda pensando. E por serem pensamentos tão comuns a todos, ninguém nem se vê exagerando. Não, eu também não.
Só que aí a gente ouve o que as crianças dizem. É tão ingênuo, tão fora da realidade e tão belo que chega a ser inacreditável. Primeiro, porque todas as crianças que participaram do vídeo, sem exceção, na hora de responderem à pergunta, pensam, pensam, pensam, fazem cara de "como assim, mudar alguma coisa?", até que começam as pérolas, ditas das formas mais lindas do mundo.
Uma quer ter orelhas super pontudas, outra, cauda de sereia. O menino lindo queria ter uma boca de tubarão para comer muita coisa. Poder de teletransporte, pernas de guepardo e asas. "Aí, com asas, eu poderia voar", diz uma daquelas belezas.
E, quase todas, ao final, dizem que estão satisfeitas, não querem mudar nada. A ruiva diz: "Não queria mudar nada, só ter a cauda de sereia".
É, é inacreditável a ingenuidade, a simplicidade e, mais importante, a verdade que existe nas respostas dadas por todas elas.
Sei que pode parecer demagogia... mas o vídeo mexeu comigo. Achei curioso, divertido e bonito. Por isso coloquei aqui, pra cada um poder ver e tirar sua conclusão.
E, claro, pensar sobre essa coisa de mudar aqui, mudar ali ou viver com o que está aí.



quarta-feira, outubro 01, 2014

A comida que não é comida*

Os pais de uma maneira geral encorajam seus filhos a ingerir sanduíches, salgadinhos, achocolatados, bebidas lácteas, balas, pirulitos, chocolates, de tal maneira, que são produtos regulares da lista de supermercado. Nas saídas, os fast foods são sempre prioridade. Colocam em suas geladeiras e prateleiras de armários e dispensas produtos que não conseguem entender 10% do que esta escrito no rótulo. Adotam como verdades apenas a tradição da marca e isto basta. Se é a N***t**e porque duvidar que é um leite bom para meu filho? Porque duvidar que esse industrializado é ruim para minha família? Porque duvidar se é o pediatra que está falando, e é claro, se ele falou é verdade, eu nem preciso ler e questionar.



Quando não se atribui o entupimento desses produtos ás marcas, atribui-se a comodidade. Está tudo pronto e isso é evolução da tecnologia. Porque vou ficar horas marinando um frango, se posso colocar aquele pozinho e ficar saboroso? Ah os pozinhos! Tem para arroz, feijão, carne, legumes, tem para o leite, para a pipoca, para o patê… pó para tudo e ninguém acha que esse pó é danoso e viciante, e achariam um exagero da minha parte falar que esses são tão iguais ou piores do que aquele pozinho branco… isso mesmo… a cocaína. Mas falar isso significa que estou sendo radical demais, quase uma desinformada e ultrapassada. Bom mesmo é dar sabor e cor em tudo que minha família consome, afinal, passamos a vida toda comendo, e aqui estamos.
Estamos mesmo! Estamos com pessoas com cada vez mais câncer no aparelho digestivo, pessoas com cada vez mais obesidade, morrendo aos 30/40 anos de problemas cardíacos, pessoas com problemas nos ossos, pessoas com distúrbios alimentares. Mas associar isso a qualidade da comida pronta que se compra lá no supermercado é ser radical demais. Muito melhor acreditar que é culpa do DNA, já estava lá escrito que seria assim e ponto final, e que venha o avanço da ciência para mudar essa realidade, enquanto isso, mais uma rodada de comida pronta, por favor! Assim a consciência fica tranquila, e podemos continuar nos prazeres da mesa, cheia de cores artificiais, sabores artificiais, com cheiros artificiais. Só de curiosidade, abre lá a porta do seu armário,pegue um produto bem colorido e cheio de sabor, como uma gelatina, e veja a ordem dos produtos, que são colocados da maior quantidade para a menor quantidade, e veja onde está o sabor natural do produto que você consome. Você ficará surpreso ao saber que é está entre os últimos ou que se quer existe.
Eu escolhi um caminho: informação + ação. Ainda que seja solitário, exija maior dedicação e persistência da minha parte, uma coisa é fato. A qualidade de vida do meu marido que é diabético melhorou e muito depois de todo o processo que passamos, que tem mais ou menos 3 anos. Meu filho já nasceu nesse nosso universo de qualidade alimentar, e por conta disso desconhece o que a maioria das crianças se entope por aí. Eu que não sou magra, venho ganhando qualidade de vida e harmonizando medidas. Mais importante do que a minha estética, o que carrego comigo hoje não tem preço: que é saber que estou cuidando da saúde futura do filho. Olhar para frente e saber que se continuarmos nesse caminho, ele aprenderá fazer boas escolhas, ainda que de quando em vez coma algumas bobagens, como nós (pai e eu) fazemos de quando em vez. Saber que se for o destino dele, poderá gozar de uma vida plena, sem sofrer bullyng por excesso de peso na infância, por não desenvolver problemas como anorexia, ou compulsão alimentar na adolescência e fase adulta e menos problemas como diabetes e outros em sua velhice.
Quando penso nisso, no futuro, e vejo pais entupindo seus filhos, fico pensando? Será que o futuro de seus filhos se resume apenas a carreira profissional e quanto de dinheiro vão ter?A saúde será um problema deles e com o legado provocado pelos pais em sua infância?
Estudados, com tantos vistos no passaporte, se vestem com as melhores marcas de roupa, e quanta ignorância em relação ao que comem e dão para os filhos. Por outro lado lego engano achar que porque não tem nada disso, pode então se declarar oficialmente a legitimidade de se comer mal e colocar dentro da sua casa produtos de baixa qualidade.
Uma coisa é fato, e tenho que admitir, apontar dedos para omissão de alguns cuidadores não é justo, até porque ao apontar esses dedos para frente alguns também se viram contra mim, mas não trazer essa reflexão, continuamos todos perdendo. Por outro lado, é inegável não reconhecer a suprema responsabilidade que o sistema tem sobre essa situação, de colocar a situação da má alimentação, como natural.
O sistema através de Leis de transgênicos, liberações irresponsáveis de aditivios alimentícios, como o glutamato, educlorantes, xarope de milho, sem falar da falta de  informações e esclarecimentos sobre os rótulos  A liberação de comidas não saudáveis nas cantinas escolares também é uma forma irresponsável da atuação do sistema na questão aqui trazida.
Ledo engano novamente ,em achar que por ter envolvimento do governo, a próxima rodada de comida pronta e cheia de aditivos está liberada. Na verdade, só mostra que a batalha pela qualidade de vida da sua família, pelo futuro dos seus filhos,  começa por você, na sua casa, principalmente nas suas opções e através da busca pela informação e no repasse de conhecimento na comunidade onde vive, seus filhos estudam,e assim por diante.

*Fonte: Vila Mamífera


sábado, setembro 27, 2014

Não sou feliz, mas tenho marido*

Gostei tanto, que precisava compartilhar.

Após uma palestra que dei no Rio de Janeiro, um casal veio conversar comigo. O marido disse: "Quando você falou da pirâmide da solidão e do mercado matrimonial onde sobram muitas mulheres, percebi que sou, aos 50 anos, um bem muito raro, valioso e disputado pelas brasileiras". Em tom jocoso, ele disse para a esposa: "Você tem que me tratar muito melhor agora porque descobri que falta homem no mercado na minha faixa etária". Ela, bastante sem graça, concordou: "É verdade, você é o meu capital marital".
Brincadeiras à parte, muitas brasileiras afirmam que sofrem preconceito por não serem casadas. Elas se sentem desvalorizadas ou até mesmo fracassadas por não terem o tal do "capital marital". Uma engenheira de 37 anos me contou:
"Viajo sozinha para todos os lugares do mundo, vou a teatros, shows, restaurantes e nunca me senti discriminada. Mas aqui no Brasil eu desisti de sair sozinha. Se vou a um restaurante chique, sou olhada como se fosse uma pobre coitada, especialmente pelas mulheres. Até os garçons me tratam de uma forma diferente. Chega a ser cruel."
Mesmo aquelas que preferem viver sozinhas relatam inúmeras situações de constrangimento, como uma dentista de 41 anos: "Quando vou ao cinema, tenho pavor de encontrar alguma cliente com o marido e ela me ver sozinha. Não consigo compreender por que tenho tanta vergonha, já que gosto de viver assim e nunca quis me casar. É como se eu tivesse fracassado como mulher."
Elas mostram que a aprovação dos outros é tão importante que muitas preferem continuar em casamentos infelizes a enfrentar o olhar preconceituoso que existe sobre as mulheres sozinhas.
Uma médica de 47 anos disse: "Eu me sinto muito mal quando preciso ir a festas, casamentos ou reuniões sociais. Minhas amigas podem estar insatisfeitas com seus casamentos, mas, pelo menos, têm um marido para essas situações. Vi uma peça com a Zezé Polessa que retrata bem essa realidade tacanha: 'Não sou feliz, mas tenho marido'."

Será que as mulheres brasileiras percebem que, ao acreditar que o marido é um capital, estão alimentando essa triste e preconceituosa mentalidade? E que, pior ainda, estão reproduzindo a lógica da dominação masculina e restringindo as escolhas femininas?

sexta-feira, setembro 26, 2014

Campanha Ficha Limpa Cidadão*

Você, que postou a foto da Marina abraçada ao Feliciano. Que nunca esqueceu o aperto de mãos entre Lula e Maluf ou a aliança entre Dilma e Sarney. Que mandou para um grupo de amigos o vídeo do Aécio playboy ostentação. Que flagrou com seu Instagram uma ciclofaixa atrapalhando um ponto de ônibus atrapalhando os motoqueiros que, por sua vez, atrapalhavam os ciclistas. Esse texto é pra você.
Eu já entendi. A mentira ofende a sua existência transparente de humilde trabalhador e cônjuge feliz. Você tem ojeriza a promessas utópicas, feitos maquiados e falsos intentos. Está obcecado por sua nova persona bacanuda (e extremamente assídua nas redes sociais): o porta-voz da demagogia alheia.
Quase tenho saudade da tua fase "piadinhas da Copa" ou "olha a milésima foto do meu filho engatinhando". Eu disse quase. Mas já que a luta é por uma campanha limpa, que tal começar pela sua? Pare agora com essas declarações "apaixonado mesmo depois de 20 anos de
casamento". A gente sabe que você sonha com a bunda da cunhadinha, a doce irmã temporã. A gente sabe que você adora viajar sozinho, porque quarto de hotel inspira devassidão, e que "vou ficar o dia todo em reunião, vai ser um saco pra você" é uma desculpa deslavada.
Chega de #omelhorfimdesemanadomundo com foto em Trancoso. A gente sabe que essa foto é antiga e que você passou o domingão na festinha merda do amiguinho do teu filho, num parquinho infantil de shopping. A gente sabe que doeu encontrar a Melissa na festa, a menina mais bonita da faculdade. Ela virou diretora enquanto você largou mais um curso. O marido dela, além de lindo, não fica dando aqueles arrotinhos em forma de assopro quando enche a lata de cerveja barata. Ele bebe pouco e bebe rosé. Eu sei, pra piorar, o mozão ainda brochou depois. Deve estar tenso porque, mesmo o gerente dizendo "melhor não", ele fez as contas dos juros das dívidas parceladas.
Cabou pezinho dadivoso, com unha francesinha (tu é brega) e tatuagem de estrelinha, relaxadona num retiro budista. Você escreve "eu e Deus", mas a gente sabe: você precisa transar. Ninguém coloca foto de pezinho sensualizante na internet se não está clamando por sacanagem. E ainda bota Deus no meio. Que feio.
De agora em diante eu quero ver sinceridade. Eu quero ver "risoto maravilhoso com redução de balsâmico... mas eu queria mesmo é que minha mulher fizesse redução de estômago".  Quero ver "cineminha, jantarzinho, musiquinha... e na hora que ele tirou a roupa também ficamos no diminutivo". Quero ver "festa da firma... essa é a Sandra da contabilidade que chupa geral e esse é o bosta do meu chefe que acha que R$ 300 é aumento".
Quero ver "partiu academia... ainda que eu faça apenas 20 minutos de esteire fique 45 minutos no vestiário só manjando meus camaradas".


Combinado gente?

quarta-feira, setembro 03, 2014

9 Sinais de que você encontrou o homem com o qual deve casar*

Ah, o amor! É de longe o sentimento mais bonito que nos cerca. É uma força que supera tudo. E que, com toda certeza, nos faz enxergar o mundo ao redor de uma forma totalmente diferente.
Estar nos braços de quem você ama é silenciar tudo ao seu redor. De repente só está você e ele. E você poderia ficar ali pra sempre que tudo estaria bem.
Mas como saber que tudo o que você está vivendo é real?
Aí vão noves sinais de que você encontrou o homem da sua vida:

1- Com ele você pode ser apenas você
Nos dias bons e ruins ele entende quem você é e não espera que você seja nada além disso. Aos olhos dele, você é especial apenas por ser você. Não precisa de fingimento.
Quando tudo o que você quer é estar descabelada, com aquela roupa manchada e cheia de furos, parecendo mais uma moradora de rua e sem vontade de falar muito, ele entende perfeitamente e está ali com você.
Então, não importando como você esteja, ele sempre vai enxergá-la da melhor forma possível.

2- Sua felicidade é a dele, e vice-versa

Ele quer o melhor pra você, mesmo que isso implique em algum custo para ele. O homem certo pra você fará dos seus interesses os interesses dele também, afinal, tudo o que ele quer é vê-la feliz. E você com certeza irá fazer o mesmo.

3- Mesmo depois de um dia ruim, tudo o que você quer é estar com ele
Não importa o quão ruim possa estar o seu humor, ele sempre irá melhorar quando você estiver ao lado da pessoa que ama. Ele irá escutá-la pacientemente e trazer a calmaria que você não sentiu durante um dia inteiro de estresse.

4- A atração entre vocês é notável
Vocês dois são compatíveis em todos os níveis. A química entre vocês é tão forte, que às vezes parece que nada mais além disso importa. Até fazer coisas simples como ir ao supermercado, parece mais especial quando ele está por perto. Vocês não conseguem manter suas mãos longe um do outro por muito tempo.

5- Você quer compartilhar todas as experiências com ele
Imaginar o seu futuro com ele ao seu lado é algo totalmente natural pra você. E pensar nisso traz  um conforto indescritível.
Quando alguma coisa engraçada acontece, ou quando você recebe uma boa notícia,  sua vontade é pegar o celular e compartilhá-la com ele imediatamente. Quando escuta uma canção de amor, ele é a primeira pessoa que lhe vem a cabeça.

6- Vocês têm o mesmo ideal de romance
Seja qual for sua ideia de romance – jantares íntimos, viagens românticas, amassos na cama – ele compartilha dela, e vai se esforçar para que tudo se torne melhor.
7- O seu amor é maior do que o impulso de brigar
Nunca parece ser uma boa ideia brigar, porque você se importa demais com ele para magoá-lo. O relacionamento parece ser sempre a melhor opção, pois vocês dois estão felizes. No final das contas, vocês realmente não conseguem ficar com raiva um do outro por muito tempo.

8- Ele não ouve só o que você diz, mas também o que você não diz
Ele é tão atencioso que não há necessidade de você dizer a ele o tempo todo o que está sentindo. Sim, ele a conhece muito bem!

9- Ele aceita você como você é
Não importa o quão confusa, tagarela e desastrada você seja, ele ama cada detalhe seu. Ele faz você se sentir bem até com as coisas que você não gosta em si mesma.

Vocês se completam. E, de repente, tudo se torna confortavelmente simples.

sexta-feira, agosto 15, 2014

Meus voos com Campos*

Entre abril e junho, viajei com o candidato Eduardo Campos e seus assessores em inúmeras ocasiões. Passamos por várias cidades do país no jatinho da campanha, mas também em vans, carros e ônibus alugados.
O avião apertado, de apenas seis lugares, os bancos de couro cor de creme e o mobiliário de madeira escura com detalhes dourados davam a impressão de estarmos numa versão miniaturizada de Las Vegas. Eu brincava que já tinha andado em jatinhos melhores na vida – como o do cartola Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, ou o usado pelo pastor evangélico Silas Malafaia, que eu também havia perfilado em reportagens para a piauí. Campos respondia com humor: o seu Partido Socialista Brasileiro era tão coerente que até o avião tinha “um ar socialista”. Ao que parece, não era a mesma aeronave de doze lugares que caiu hoje pela manhã em Santos.  
Nas viagens de que participei estavam sempre o secretário particular, Rodrigo Molina (ausente do fatídico voo), o assessor de imprensa, Carlos Percol, e um dos principais assessores da campanha, o ex-deputado Pedro Valadares, a quem eu conhecia havia mais de vinte anos. Como Campos, os dois morreram na tragédia, ao lado do fotógrafo Alexandre Severo, do cinegrafista Marcelo Lyra e dos pilotos Marcos Martins e Geraldo da Cunha.
Desde a primeira viagem de campanha, Pedro Valadares colecionava fotos dos passageiros dormindo no avião. Mostrava, orgulhoso, os flagras constrangedores armazenados no celular. Um deles babando, outro com o botão da camisa desabotoado na altura do umbigo, um terceiro de boca aberta. Gravara, inclusive, alguns roncos dos viajantes. A ideia, ele dizia em tom jocoso, era produzir um vídeo com as melhores babadas da campanha. Ironicamente, ele era de todos o que mais dormia.
Com quase 1,90 de altura, Campos encurvava todo o corpo, mas quase sempre dava uma topada com a testa no teto do avião antes de se acomodar na primeira cadeira do lado esquerdo. Quando eu estava junto, ele pedia para eu me sentar à sua frente, de modo que pudéssemos nos ouvir melhor. Mas o espaço não era suficiente para os dois pares de pernas. Ele então se colocava na diagonal da cadeira, esparramando as próprias pernas pelo corredor estreito.
Sempre reclamava da comida a bordo. “De novo esse sanduíche safado? Quando é que esse partido vai melhorar e vai comprar pelo menos um micro-ondas para pôr nesse avião?”, dizia, fingindo indignação. Ir ao minúsculo banheiro, no fundo da aeronave, só em caso de muito aperto. A porta era fina como um papel. Rodrigo Molina viajou sentado na tampa do sanitário em uma ocasião para me ceder lugar no voo. O candidato usava as viagens para despachar, mas era também quando se transformava no centro das atenções. Comandava o arsenal de histórias e casos hilários, contados com picardia, e costumava brindar os passageiros com imitações de sotaques, tons de voz e expressões típicas do retratado. O de Dilma Rousseff era um must; o de Roberto Amaral, vice-presidente do PSB, outra  pérola. Mas a imitação de Lula mereceria um Oscar.
Uma vez, quando estávamos no quinto compromisso do dia, embarcando para Campina Grande, na Paraíba, ele me perguntou: “Tu tem gêmea?” Fiz cara de quem não havia entendido. “Porque para onde eu olho tem uma de tu me seguindo”, falou, emendando uma gargalhada muda com os enormes olhos azuis cor de piscina arregalados.
A equipe da campanha costumava ser muito bem-humorada. “Amiga, me passa o amendoim”, pedia Valadares a Percol, que devolvia com um “só se você pedir com amor, colega!” Seguia-se uma gaitada geral no avião.
Em uma ocasião, fiz uma foto de Campos enquanto ele ouvia, com o celular colado na orelha, o discurso de um vereador sergipano que falava abobrinhas, numa performance de humor involuntário. Seguiram-se mais quatro ou cinco vídeos com piadas. Aquele era um grupo que visivelmente se gostava. Pareciam todos genuinamente satisfeitos com que estavam fazendo.

Como Campos se benzia antes de levantar voo, perguntei certa vez se tinha medo de avião. “E quem não tem, oxe?”, respondeu, logo acrescentando que quem medrava de verdade era o “argentino”, referindo-se ao marqueteiro Diego Brandy. Durante as turbulências, quando todo mundo dava aquela ajeitada na cadeira e olhava para fora da janelinha, Campos se mantinha impassível.
Da última vez que nos vimos – durante a convenção que lançou sua candidatura à Presidência, no final de junho, em Brasília –, tenho viva a imagem de sua família na primeira fila do evento, ouvindo atenta o discurso do candidato. Os filhos – ainda tão jovens – comentavam entre eles as frases do pai, sorriam, aplaudiam e acenavam para os correligionários. Ao lado deles, sua mulher Renata, que segurava o caçula no colo, seguia vidrada na figura do marido.
Ontem à noite, troquei mensagens com Carlos Percol depois da entrevista que o candidato concedeu ao Jornal Nacional, da Globo. Comentei que Campos havia se saído bem. Na última das mensagens, Percol respondeu com a figurinha de um polegar em riste. Foi para o número dele que passei a ligar com insistência assim que começaram os boatos do acidente hoje pela manhã. Em seguida, tentei muitas vezes o celular de Valadares. Caíram todos na caixa postal.
*Por Daniela Pinheiro, Revista Piauí

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Partiu, Royal?*

Cara, eu ontem fui pra balada. Eu não bebia desde 1854 quando tive meu Romi-Isetta apreendido por porte indevido de naftalina. E dancei black music. Eu não dançava black music desde o solstício de 1754, na finda Iugoslávia. Eu pedi "Britney" ao DJ. Eu não ficava assim na merda desde antes de Cristo, quando meus problemas com o elevador da escápula começaram.
E pensar que eu só queria ter ido até a drogaria Onofre comprar Omeprazol, um gel clareador de manchas (porque me nasceu um troço escroto que parece bigode) e água termal. Mas me convenceram a entrar.
E porque meu namorado tinha elegido sem consulta prévia um dia de "vou com os meus, vá com os seus", acho que embarquei nessa palhaçada de tentar ser feliz no último lugar onde se pode ser: uma balada de playboy. Também não se é feliz na Vila Madalena ou em festinhas de publicitários barra cineastas. Felicidade, seu nome fantasia é pijama –e sabemos disso desde que somos bebês. Não existe bem-aventurança pra fora de nossa casa. Mas balada de playboy é o apelido carinhoso do inferno.
Magros, de boa pele e sempre altivos na defesa de seus desinteresses, playboys são a confirmação mais bonita da inexistência de Deus. Com suas vozes de patos nasalados histericamente infelizes, eles incomodam mais do que o trânsito na Sumaré. No banheiro escutei a seguinte conversa: "Joãozinho é chato, mas tem casa na Toscana".
A meu lado jovens com pernas muito musculosas (essa geração toma alguma bosta pra ficar com essas pernas, não toma? Porque na minha época era lindo ter 20 anos mas ninguém tinha a perna do Vampeta) repetiam "partiu, Royal?". Eu ria e pensava "caraca, eles AINDA querem mais? Eu já tô que não aguento minha lombar!".
E eles circulavam e circulavam e circulavam como se andar em círculos fosse trazer algum acalanto para tão poucas e pobres perguntas. E eu bocejava, fechando meus olhos úmidos de pavor e pré-coma, e pensava: "não deu certo essa coisa de comprar um colchão Tempur. Gastei uma fortuna e meu problema de coluna piorou. Será que eles devolvem meu dinheiro? Tempur, vocês me prometeram uma coluna saudável mas eu viro um tatu bolinha durante a noite".
E eles se beijavam de enfiar a ponta da língua no infinito da jugular alheia e eu pensava: "papel higiênico, couve manteiga, shampoo sem sal, INSS da Julenice, visitar o filho da Ana, cortina na sala de jantar".
Uma garota passa chorando por mim. Dramática, intensa, arrasada. Deve ter brigado com o Joãozinho que, apesar de chato, tem casa não lembro mais onde. Um dia, meu amor, esse teu bracinho fino vai virar uma massa amorfa que, não importa quantas aulas de pilates você faça por semana, reterá todos os líquidos do seu corpo. Se você comer metadinha de uma torrada integral, saiba que todo esse veneno irá pro seu bracinho. Então, serzinho jovem e belo, não chore. Deixe pra se lamentar quando seu antebraço virar a arma ultrapassada de uma esquecida polenteira assassina.
Acordei no dia seguinte com minha cachorra tentando pegar o chiclete que eu colei na parede, atrás da minha cama. Ia dar risada quando percebi que da vértebra C1 até o cóccix doía tudo. Joãozinho, me leve pra Toscana, seu mala desgraçado. Mas, por favor, não pense que somos amigos.

*Tati Bernardi é escritora, redatora, roteirista de cinema e televisão e tem quatro livros publicados.


quinta-feira, setembro 12, 2013

Quando você namora 'chove na sua horta'? Isso tem explicação*

Parece um típico fundamento da Lei de Murphy: pessoas sozinhas, independentemente do sexo ou da faixa etária, passam um tempão buscando um amor. Só que quanto mais desejam um cobertor de orelha, mais difícil parece conseguir um. Mas basta encontrarem alguém, no entanto, para surgirem pretendentes de todos os cantos.


Estar bem em um relacionamento faz bem para a autoestima, e isso desperta o interesse alheio


Num irônico exercício de inversão de expectativas, tem início a temporada popularmente conhecida por "chover na horta", que parece uma espécie de pegadinha do destino, mas, segundo especialistas em comp
ortamento humano, tem tudo a ver com autoestima.
Você sente que mais pessoas te paqueram quando você está namorando?
Segundo a psiquiatra e psicanalista Helena Masseo de Castro, o que ocorre é que muita gente, enquanto está solteira, costuma se sentir mal porque ninguém as "escolhe". E aí começam a questionar os próprios atrativos.
"A tristeza em decorrência disso as deixa ainda mais desanimadas. Parece que perdem a graça, principalmente aquelas que não acreditam muito em si mesmas nem têm consciência do próprio valor", conta Helena.
A patrulha alheia também contribui para a autodepreciação. Em alguns casos, há uma cobrança muito grande para se relacionarem. E ela vem de todos os lados: da família, dos amigos (em especial, os comprometidos), dos colegas de trabalho. "A sensação de se sentir sobrando é incômoda e piora a autoestima e a autoimagem", fala a neuropsicanalista Priscila Gasparini Fernandes.
Ao se comparar com quem está por aí andando de mãos dadas, a pessoa se vê excluída, à parte. E baixo-astral, obviamente, não torna ninguém mais atraente. Mas há um detalhe importante: Isso acontece com maior frequência entre pessoas que dão muito valor à opinião alheia.

*Fonte: Mulher Uol

sexta-feira, agosto 30, 2013

Um zumbi na Casa do Espanto*

“Não acredito”, bradou aos céus o deputado Natan Donadon, caindo de joelhos em patética pantomima, quando viu no placar da Câmara 131 votos a favor, 41 abstenções e 108 bem-vindas ausências, que mantinham o seu mandato e o consagravam como o primeiro deputado-presidiário da nossa história. Que ronco das ruas que nada, eles não ouvem e não têm medo, e mais uma vez votaram, ou fugiram, em causa própria, porque também acumulam processos na Justiça e podem ser o Donadon de amanhã.
“Não a-cre-di-to” digo eu, dizemos nós, diante da cena inacreditável, mas quando se trata dos 300 picaretas que Luiz Inácio falou deve-se acreditar em tudo, porque de tudo eles são capazes. Nunca na história desse país houve um deputado-detento, mas Lula agora diz que fica puto quando falam mal de políticos.
Zoologicamente é fácil identifica-los: andam em bandos, têm pelagem acaju, negro graúna ou raposa prateada, alimentam-se de verbas públicas e são pacíficos e afáveis, condição necessária para seus golpes e tramoias, mas quando ameaçados podem se tornar hostis e violentos em defesa dos privilégios e impunidades do bando. Seu habitat natural é a Câmara dos Deputados.
Donadon é o simbolo máximo do ponto mais baixo de uma instituição que existe para dar voz e poder aos representantes dos eleitores, mas, unindo o espírito de corpo ao espírito de porco, não hesita em se solidarizar com um condenado pelo STF, que teve amplo direito de defesa e usou todos os recursos e chicanas para retardar o processo.
Aprendi com meu pai que é covardia tripudiar sobre os caídos, que a compaixão beneficia mais quem se compadece do que ao compadecido, que perdoar é mais leve do que carregar o saco do rancor e do ressentimento. Mas no caso desse picareta foram ele e seus colegas de trabalho que tripudiaram sobre todos os cidadãos honestos e as instituições democráticas.
E também sobre os presidiários. Reclamando da comida, da falta de água, das algemas, do camburão “escuro como um caixão”, viveu a realidade diária dos presos brasileiros, a maioria por crimes menores que os dele, que prejudicaram toda a sociedade.

* Por Nelson Motta, jornalista

quinta-feira, agosto 15, 2013

Como bate o coração de uma mulher*

Para entender como bate o coração de uma mulher é preciso ter sentido algum dia na vida um pássaro preso na mão.
Não há blues, não há jazz, não há bossa, não há rock.
Não há educação de ritmo que nos faça entender, a princípio, essa coisa toda.
Não há escola, livro bom ou picaretagem de auto-ajuda. Ou se convive loucamente ou nunca vai saber o que seja uma mulher na vida. Mesmo convivendo loucamente, sabe-se pouco ainda. Eis o mistério do planeta, baby.
O coração de uma mulher sequer é bebop, é um sopro autoral no coração dos iluminados vagabundos, sopro que nos mantém vivos entre uma sístole e uma diástole.
Elas vão notar, de cara, quando se trata apenas de um donzelo a decifrá-las, um cabaço, mas tá valendo, bom é que seja homem e tente.
“Vem, meu menino vadio…”
É mais fácil enganar a Deus e a Darwin juntos do que enganar uma fêmea.
Cada mulher sopra de um jeito. Pobre de quem tenta entender como gênero ou discurso amoroso uma rapariga. Há mulher Billie Holiday, há mulher Nina Simone, há mulher crente, há mulher desgostosa, há mulher e isso é o que interessa.
Uma cachorra de hoje, uma Anitta, por exemplo, pode ser tão significante quanto uma Simone de Beauvoir na laje. Tão revolucionária quanto. Com a vantagem de não ter aguentado o ser, a náusea, o Jean-Paul Sartre.
Não há coração vira-lata no peito de uma fêmea.
Só sei que nada sei, como me disseram os dois Sócrates da minha vida, o grecorintiano e o grego de fato, mas tudo que aprendi no mundo aprendi com os pobres corações dos pássaros.
Embora em pequena cadeia comercial de família, capturei, prendi, vendi, trafiquei, no varejo de uma cidade do interior do Nordeste brasileiro –o centro do universo-, aves, bichos, passarinhos. Infinitas contradições da trajetória: amava, estimava e com tais criaturas ganhava um troco para o xerém da existência.
É preciso ter prendido algum pássaro ou soltado algum dia no aquário um peixe vermelho, mesmo sem ser aqueles caras cinematograficamente charmosos e metidos do “Rumble Fish”(by Francis Ford Coppola), para saber como desliza para dentro da sua vida uma mulher.
É preciso ter cuidado com pássaros, peixes e mulheres, é preciso respirar os mesmos ares e oxigênios, mesmo morando em São Paulo, mesmo dentro de um aquário ou de uma gaiola sob o Minhocão aos domingos.
A primeira vez que eu vi seu rosto, agora peço ajuda ao bardo Johnny Cash, digo, a primeira vez que eu beijei sua boca, eu senti a Terra girar em minha mão como o coração trêmulo de um pássaro de cativeiro, aquilo estava ao meu comando, minha pequena, como no meu primeiro tráfico de pássaros.
Mal sabia que não há domínio sobre os mistérios sagrados. As aves se domesticam; os peixes se aquietam diante de luzes, algas e farelos; as mulheres criam escamas, asas, mesmo as que não desejam sair nunca do mesmo canto –ou reino- cometem seus belos deslizes.
As mulheres não se contentam nunca. Aí mora a lindeza danada delas.
Tal como os tremores do coração de uma ave em cativeiro, viejo Johnny Cash.
Tal, mas nunca qual!
Para segurar minimamente uma mulher não há segredo. É só tentar rezar todas as manhãs para Nossa Senhora das ~Belas Bucetas~ Impossíveis, amém.
Para entender como bate o coração de uma mulher é preciso ter sentido algum dia na vida um pássaro preso na mão. Liso como um peixe vermelho.

Por  Xico Sá

terça-feira, agosto 30, 2011

Derruba a mãe, Peão

Derruba a mãe, Peão*
Por Lilian Buzzetto

Poucas vezes na vida algome deixou tão revoltada quanto o peão de Barretos que quebrou a coluna de um bezerro. O bicho estatelado na arena, carregado por não conseguir levantar não vai sair da minha memória por muito tempo. (Pedi expressamente para não ilustrarem o texto com a foto do evento porque não quero nenhuma célula ou pixel daquela besta perto de mim)
Quando vejo coisas assim perco a vontade de salvar o planeta – sinto ganas de usar mais plástico, poluir, sujar, colaborar para que a obra divina seja o mais fodida possível. Para garantir, escrevo esse texto com o chuveiro ligado, gastando bastante água e energia. Por quê? Porque não tenho a menor vontade de deixar um mundo melhor para as próximas gerações… Aliás, sequer sei se uma próxima geração de gente é boa idéia. Gente como esse César Brosco e todos os espectadores pendurados em volta fazem com que eu queira a humanidade varrida da existência. Algumas outras espécies inocentes vão junto, claro, mas – venhamos e convenhamos – elas já estão bem ferradas por coabitar o planeta conosco pra começar. E, abrindo espaço, quem sabe evolua alguma forma de vida que preste para povoar a esfera azul. Aliás, falando em espécie, recuso-me terminantemente a acreditar que eu e essa peãozada fazemos parte da mesma. Prefiro ser chamada de vaca a compartilhar qualquer semelhança com essa raça de gente que usa fantasia de texano fora de festa temática. E me sentiria muito mais digna usando os chifres do que o chapéu.
Como bradei aos quatro ventos ao saber da notícia, o Código Penal me proíbe de ameaçar ou tomar a atitude que eu acho cabível com essa criatura e seus pares… ok. Mas não há nada na lei me tolhendo o direito de torcer que eles terminem suas vidas tão tetraplégicos quanto o bezerro na arena.
Desejar não é crime e eu desejo muito que essa gente se foda. De preferência, num acidente que envolva um chifre enfiado no reto levando o saco na ponta de lambuja. Sim, minha alma está enegrecida pelo ódio e muito provavelmente eu preciso aprender algo sobre compaixão e perdão. Talvez, eu devesse sentir pena desses ignóbeis. Mas eu não sou tão correta assim. Prefiro odiar irracionalmente, correr o risco de ser reprovada na vida e reencarnar como besouro rola bosta a voltar junto com a trupe do chapéu.
Preconceito? Não tem nada de pré nisso. É PÓS CONCEITO. Depois de tudo que já li, vi e ouvi sobre touradas, rodeios, brigas de galo e atividades de lazer que machucam os animais, desconfio que a humanidade tem muito mais psicopata enrustido do que a gente quer acreditar… E psicopata é o termo correto, na minha opinião, porque sentir prazer com o sofrimento de animais é parte da velha Tríade de McDonald que os psiquiatras usam para identificar a escória humana que não tem solução. [Sou capaz de apostar que a maioria deles mija na cama também] Nem mesmo quando ouço sobre crimes hediondos fico tão indignada. Assassinatos, estupros, gente botando fogo em filho… nada me revolta neste nível. Talvez porque, no fundo, mesmo quando há gente inocente sofrendo, é tudo parte da mesma raça e a humanidade que se entenda. Agora, os animais, menos evoluídos, não deveriam ter nada a ver com a parcela escrota da população que mata – não para comer, não para se defender, não para disputar algo necessário para a sobrevivência – mas para se divertir de alguma forma distorcida e sádica.
Se esses machões precisam demonstrar algum tipo de brutalidade para se sentirem bem, deveriam passar o resto da vida quebrando pedra na Sibéria (ou minerando a Patagônia, por proximidade) para mostrar a força. Ou tal corja poderia ser condenada a puxar carroça pesada no lugar do burro – o que serviria bem para exibir potentes músculos e, de quebra, para fazer algo que preste. Eu acho.
Não posso fazer muita coisa além de não compactuar e tornar público o quanto detesto esses esportes que envolvem a prática de maus-tratos com os animais e seus respectivos praticantes. Mas posso pedir encarecidamente para todos aqueles que souberem quem são os PATROCINADORES deste tipo de selvageria, que me avisem. Farei questão de nunca consumir um só produto que eles fabriquem – e fazer campanha contra. Não é muita coisa, principalmente sozinha, mas no mundo capitalista é o melhor jeito que conheço para agredir dentro do permitido.
E quanto à humanidade, termino com um recadinho para o superior hipotético me apropriando das palavras de George Carlin: “Se este é o melhor que você pode fazer,Deus, NÃO ESTOU IMPRESSIONADA”… Agora, deixa eu achar um site de astronomia para ver se consigo restaurar a fé em algum tipo de ser supremo onipotente e minimamente competente.
Ou torcer para que os cientistas tenham encontrado um asteróide do tamanho da Lua em rota de colisão com esta merda. E quem gosta de rodeio, pode continuar gostando. Mas não quero NENHUM contato e estou pouco me lixando para o que você pensa a meu respeito ou à minha opinião. Retribua se lixando para a minha e se afaste antes que eu vomite no tapete.

*Lá do Vira-lata

terça-feira, junho 28, 2011

A mentira dos impostos

Lucro Brasil faz o consumidor pagar o carro mais caro do mundo*

O Brasil tem o carro mais caro do mundo. Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o “alto valor da mão de obra”, mas os fabricantes não revelam quanto os salários – e os benefícios sociais - representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei.

A explicação dos fabricantes para vender no Brasil o carro mais caro do mundo é o chamado Custo Brasil, isto é, a alta carga tributária somada ao custo do capital, que onera a produção. Mas as histórias que você verá a seguir vão mostrar que o grande vilão dos preços é, sim, o Lucro Brasil. Em nenhum país do mundo onde a indústria automobilística tem um peso importante no PIB, o carro custa tão caro para o consumidor.
A indústria culpa também o que chama de Terceira Folha pelo aumento do custo de produção: gastos com funcionários, que deveriam ser papel do estado, mas que as empresas acabam tendo que assumir, como condução, assistência médica e outros benefícios trabalhistas.
Com um mercado interno de um milhão de unidades em 1978, as fábricas argumentavam que seria impossível produzir um carro barato. Era preciso aumentar a escala de produção para, assim, baratear os custos dos fornecedores e chegar a um preço final no nível dos demais países produtores.
Pois bem: o Brasil fechou 2010 como o quinto maior produtor de veículos do mundo e como o quarto maior mercado consumidor, com 3,5 milhões de unidades vendidas no mercado interno e uma produção de 3,638 milhões de unidades.
Três milhões e meio de carros não seria um volume suficiente para baratear o produto? Quanto será preciso produzir para que o consumidor brasileiro possa comprar um carro com preço equivalente ao dos demais países?
Segundo Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, “é verdade que a produção aumentou, mas agora ela está distribuída em mais de 20 empresas, de modo que a escala continua baixa”. Ele elegeu um novo patamar para que o volume possa propiciar uma redução do preço final: cinco milhões de carros.
 

quinta-feira, abril 28, 2011

Buuu*

Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.
– É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Esse caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior – tudo lotado. Um inferno. Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria essa confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como se fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este
país. Viver no Brasil ficou insuportável.
– A nova classe média nos descaracterizou?
– Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada...
– Buuu para o Lula, então?
– Buuu para o Lula!
– E buuu para o Fernando Henrique?
– Buuu para o... Como, “buuu para o Fernando Henrique”?!
– Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?
– Sim. Não. Quer dizer...
– Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.
– Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.
– Por quê?
– Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.
– Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?
–Acho, mas...
Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou.


Por Luis Fernando Veríssimo

quinta-feira, janeiro 13, 2011

As reações no Twitter

O assunto de hoje nos jornais, na televisão e, claro, na internet, são as chuvas que castigaram a região serrana do estado. Até agora, pouco antes das 2 da tarde, já passa de 350 o número de mortos em decorrência de deslizamentos e enxurradas.
Outro ano chegou, outro verão no país tropical mais lindo do mundo, que tem as praias mais belas deste planeta, as pessoas mais simpáticas, a comida mais saborosa, o melhor samba, o carnaval, mulata, um potencial incrível de crescimento e um poder público de fazer raiva em todo mortal que se preze.
Revolta. Esta palavra está presente na minha vida nestes dias. Aliás, há alguns dias já, quando postei aqui mesmo umas fotos e um
"bem vinda, temporada de chuvas". Presente esta semana e em janeiros de anos atrás. Vários. Todos dos quais posso me lembrar.
Pior ainda é ver reportagens que divulgam especialistas mostrando as soluções para o problema. De novo. Sim, no ano passado eu já tinha visto isso.
E as mortes. As famílias que acabaram...
Foi chocada que eu li as primeiras páginas dos principais jornais do estado do Rio hoje de manhã. Chocada e com um nó na garganta. Por vários motivos, dentre eles, o fato de haver, sim, solução, e pro fato, em si, estampado em papel jornal.
Durante todo o dia, no Twitter, as pessoas pedindo ajuda às vítimas, divulgando número de contas, endereços que estão sendo usados como QG para a chegada de produtos que podem ser enviados às cidades, expondo suas próprias revoltas com o descaso do poder público, mostrando que o povo que não é atingido pelas enchentes (ou que não é levado pela enxurrada ou tem um parente soterrado) sente, sim, pelas vítimas...
Aqui, um pouquinho do que as pessoas fazem, com uma dor infinita rasgando o peito.

@TiagoLeifert: Tragédia das chuvas atingindo niveis hollywoodianos. Vcs tao vendo o @JHoje? Meu Deus!!!

@ovascoemeu: Vasco arrecadará alimentos e roupas para vítimas das chuvas http://fb.me/FzfWQZ89

@BlogdoNoblat: Rio - Sérgio Cabral diz que é preciso coragem para remover casas das encostas - e critica prefeitos e deputados. http://glo.bo/eeOuTm

@BlogdoNoblat: Sobe para 381 o número de mortos na região serra do Rio.

@huckluciano: + 2 end p/ doações p/ as vitimas das chuvas: 1) Rua Voluntarios da Patria 120, Botafogo,RJ.2) Rua General Castrioto 589, Barreto, Niteroi.

@gidamaceno: Cruz Vermelha de Volta Redonda recolhe doações para as vítimas da região Serrana/RJ: Rua 40, n.º 13, na Vila Santa Cecília, 8h30min às 21 h.

@Viva_Cultura: Solidariedade >>>> Pra ajudar a Regiao Serrana segue a conta da Cruz Vermelha RJ: Banco Real / agencia 0201 /conta 1793928-5

@LeoJaime: O,6% da verba destinada à prevenção desta tragédias causadas pelas chuvas foram repassadas ao Estado do Rio. Quem vai para a cadeia?

@BlogdoNoblat: Resgate dramático, em vídeo http://glo.bo/dUyMGv

@edinhomiranda: Governo federal promete verbas para as vitimas da chuva, mas a verba nunca que chega!

@BlogdoNoblat: O mais recente número de mortos na região serrana do Rio: 356.

@diariodovale: Carros ficam soterrados e casas são interditadas em Barra Mansa http://migre.me/3C8bG

@gidamaceno: É isto: "Somos todos responsáveis; somos todos vítimas". http://t.co/Q2TUXxS

@f_anastacio: O poder público é responsável pela sucessão de catástrofes, mas eu também sou, porque jogo um papelzinho de bala pela janela do carro...

E daqui pra adiante, muitos outros serão postados. Que não sejam de mais mortes, mais deslizamentos e menos vontade política.
Em tempo: Alguns posts tem um link ao final. Vale a pena ver cada um deles.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

É dura a vida no Arizona
Jared Loughner é um desequilibrado, mas o problema da xenofobia está nos sadios
Está entendido que Jared Loughner, que matou seis pessoas e deu um tiro na cabeça da deputada Gabrielle Giffords, é um desequilibrado. A discussão de sua personalidade não leva longe. É mais instrutivo olhar para a política americana a partir das ações de governadores, deputados e senadores que nada têm de loucos.
Políticos republicanos de seis estados, entre os quais o Arizona, querem cassar a cidadania dos filhos americanos de imigrantes que entraram ilegalmente nos Estados Unidos. Só em 2008, nasceram 340 mil. A iniciativa é inconstitucional, mas para o Tea Party atrai votos. A Constituição americana, como a brasileira, dá a cidadania a quem nasce na terra.
Numa nação de imigrantes, a intolerância de uma parte da sociedade já perseguiu negros, católicos, irlandeses, chineses, coreanos e japoneses. A bola da vez, há tempo, são os latinos. Eles formam a maioria dos 12 milhões de estrangeiros que trabalham no país sem a devida documentação. (Talvez 700 mil sejam brasileiros.)
O chefe do setor de cirurgia onde Gabrielle Giffords foi operada, chama-se Peter Rhee e o delegado local, David Gonzalez. Ambos descendem de imigrantes vindos de regiões vistas com desprezo pelos nativistas radicais americanos.
O diretor da rede escolar pública de Tucson quer fechar os cursos de história e cultura latinas. Entre os livros que pretende tirar dos currículos está a “Pedagogia do oprimido”, de Paulo Freire. Cidadãos do estado organizam-se em milícias para patrulhar a fronteira com o México. Uma delas é filonazista. Gabrielle Giffords combateu a legislação xenófoba, apoiou propostas racionais para resolver o problema e elegeu-se três vezes, num distrito conservador. Jovem, atraente, casada com astronauta, ex-republicana, dona de uma pistola Glock 9mm., motociclista batalhadora pela revogação das leis que obrigam ao uso do capacete, é tão americana como a torta de maçã.
O desequilíbrio de Jared Loughner expôs a teatralidade e a violência da recente xenofobia americana. Ela acordou no 11 de setembro e ceva-se na Grande Recessão. Depois dos tiros de sábado, a cidade de Tucson e o Arizona atraíram para si a maldição que caiu no século passado sobre Dallas e o Texas, quando outro desequilibrado matou o presidente John Kennedy.

Por Elio Gaspari, no Blog do Noblat

sexta-feira, novembro 05, 2010

Nova CPMF: Você vai pagar calado?*

As 10h37 desta sexta feira tirei a foto do Impostômetro: só este ano já pagamos R$ 1,038 trilhão e uns quebrados em impostos. No Brasil, pagamos impostos diferentes ao governo Federal, Estadual e Municipal. Alguns exemplos:

Federal:

- Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS)
- Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)
- Contribuição ao PIS
- Imposto de Renda (IR)
- Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
- Imposto de Importação (II)
- Imposto sobre a Exportação (IE)
- Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR)
- Imposto sobre Operações Financeiras e assemelhados (IOF)

Estadual

- Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)
- Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)
- Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direito (ITCD)

Municipal

- Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS)
- Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU)
- Contribuição de Iluminação Pública (CIP ou COSIP)
- Taxa de Coleta de Lixo e de Limpeza Pública
- Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis e de Direitos a eles Relativos (ITBI)

Repito: são apenas exemplos. O Brasil é um dos países com maior carga tributária do mundo. Pagamos para nascer e para morrer. E tudo que acontece entre essas duas coisas. São mais de 70 tipos de impostos diferentes. Não tem muita lógica. Taxa-se a renda, taxa-se o faturamento, taxa-se a propriedade, taxa-se o consumo, taxa-se a importação, taxa-se a exportação… Ou seja, muitas vezes os impostos se somam ou se multiplicam numa mesma situação. Assim fica difícil identificarmos a carga tributária porque há uma corrente pra frente em cascata que morde o nosso suado dinheiro o tempo todo. Dinheiro = trabalho, é bom que fique claro. Trabalhamos já quase cinco meses do ano apenas para pagar impostos.
O que está acontecendo agora que acabou o debate eleitoral? Cogita-se a volta de mais um famigerado imposto: a CPMF, talvez com outro nome, para a gente não entender muito bem o que está acontecendo. A presidente eleita já empurrou o fardo da idéia para os governadores, que estão bancando a idéia que é muito simples.
Detalhe: o argumento é que esses recursos seriam aplicados na Saúde. Pura balela para amolecer o nosso coração e abrir a nossa carteira. Tal qual um fantasma, a CPMF já foi e voltou algumas vezes. Em nenhuma delas, os recursos foram direcionados exclusivamente para Saúde. Mas para matar a gula gastadora dos governos.
Os governos- veja bem, eu disse os governos- Federal, Estadual e Municipal, gastam muito mal essa montanha de dinheiro que despejamos em cima deles: falta de planejamento, inchaço da máquina, corrupção e pura incompetência mesmo. Portanto, mesmo com essa bufunfa toda, falta dinheiro para o que importa: educação, saúde, segurança, infra-estrutura, etc… Qual é o raciocínio: vamos criar mais um impostinho e pronto.
É como se o seu carro estivesse com o motor rateando e o tanque de gasolina com vazamento. Ao invés de consertar o vazamento e regular o motor, você para no posto e pede para colocar mais gasolina! Afinal, somos todos otários e vamos continuar pagando a conta sem reclamar.
Ou dessa vez vamos gritar bem alto?