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terça-feira, julho 14, 2015

Absurdo dos absurdos

Essa nota está sendo repercutida por jornalistas de todo o estado, que tomaram conhecimento do fato ontem. É a profissão, que chegou ao fundo do poço e está cavando!
Em pensar que muitas outras empresas mantém a mesma postura...

InterTV obriga jornalista a dirigir carro de reportagem*

Só faltava essa: os jornalistas da InterTV – a Rede Globo do Interior do Estado – são obrigados a exercer dupla função. São profissionais de Imprensa e, ao mesmo tempo, profissionais do volante. A ordem na empresa é não contratar motoristas. Uma economia que a InterTV faz explorando os jornalistas. E tem mais: os empregados estão sendo descontados nos salários de multas eventualmente recebidas.
Esse foi um dos pontos de discussão da reunião entre representantes do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio e da InterTV, realizada na última sexta-feira, dia 10. Questionada, a empresa, de forma arrogante, disse que não mudará a sua postura. O Sindicato vai acionar outras medidas de proteção dos jornalistas.
Outro assunto discutido foi a utilização inapropriada de celulares pessoais para cobertura de matérias jornalísticas. Em trabalho de rua, os jornalistas têm que passar flashes para a Redação a partir dos seus próprios celulares, sem ter qualquer compensação sobre despesas pessoais.  A InterTV ficou de avaliar a situação, com possibilidade de rever o procedimento.
A empresa também se comprometeu em vistoriar algumas instalações de trabalho que, segundo jornalistas, apresentam fiação solta, o que coloca os profissionais sob risco constante de uma queda ou mesmo de sofrer um choque elétrico.
Nesta terça-feira, dia 14, haverá uma negociação geral entre os jornalistas e o Sindicato das Empresas de Rádio e TV do Estado.

*Por Fernando Paulino - Diretor Jurídico do SJPERJ

terça-feira, abril 07, 2015

Ser jornalista...



Não, não existe fórmula mágica. Jornalista, ou a pessoa é ou não é. "Como em qualquer outra profissão", alguém pode dizer, mas não é como em qualquer outra profissão. No Jornalismo, ou se é ou não se é, somente nele. Não há comparações. Não há como ser "um pouco" jornalista, como se pode ser um pouco qualquer outra coisa.
Ser jornalista é pra poucos. E não to falando em ser mero reprodutor de informações, simplesmente executor de pautas e repetidor de aspas de outros. To falando de trazer isso na alma. To falando de, como diria a primeira dupla de profissionais que conheci nessa minha saga, mais de 15 anos atrás - Luis Cláudio Hermógenes e Márcia Chaves -, ter sido mordido pela mosquinha azul do jornalismo. É mais que trazer na testa. É ter estampado no modo de ser, de falar com as pessoas, de questionar, de querer saber, de buscar respostas.
Mas como reconhecer um jornalista, sem ser um? É fácil, dou certeza. Jornalista que é jornalista gosta, antes de tudo, de ler. Lê tudo. Romance, biografia, revista científica, quadrinhos, panfletos, bula de remédio e as entrelinhas. Simples, pode parecer, mas não é. É ter na leitura a maior fonte de prazer e na escrita, a segunda maior fonte de prazer. Não, isso não é exagero algum. Escrever é a principal forma de se comunicar de um jornalista que é jornalista de verdade. E afirmo isso com conhecimento de causa. Conheço um sem-número de pessoas que cursaram a faculdade, têm o diploma e, tirando as que simplesmente abriram mão de exercer a profissão pelos mais diversos motivos, não sabem escrever. E são analfabetos funcionais. Não, não se espante. Isso existe e, muito pior, é mais comum do que se pensa.
Não preciso citar a nossa (sim, eu me incluo na categoria dos jornalistas de verdade) incrível capacidade de ter bons relacionamentos, de saber falar o que é certo na hora certa, de exagerar no que era pra ser dito e errar o tempo todo, de exemplificar, de comparar e de, mentalmente, criar títulos dignos de manchetes, chamadas que mereciam estar na escalada e de temperar qualquer fato com uma pitada de sensacionalismo. Mesmo que isso tudo fique só na mente.
Jornalista que é jornalista transforma uma frase em uma lauda sem dificuldade, escreve sobre gastronomia, esgrima, música, polícia, economia, comportamento e entrevista o presidente da república. Com o mesmo talento. E o mesmo jornalista transforma uma lauda em uma frase, enxugando o desnecessário, tirando, resumindo, "copidescando". Somos assim. E não há diploma que mude isso.
Jornalista que é jornalista, além de amar o que faz, preza cada vício da profissão. E quando o assunto é vício, cada um tem o seu. 
Há os viciados em falar mal do assessor de imprensa, mas, cá entre nós, não vivem sem as sugestões de pauta enviadas pelos "almofadinhas" da assessoria.
Há os que escrevem bem e são viciados na boa sensação que é saber que escreve bem, tipo eu. Sou assim mesmo e falo isso o tempo todo. Meus três leitores sabem. 
Há os viciados em não ler o que escrevem. Ai, ai, ai, eu de novo. Detesto reler meus textos... grande pecado. Na maioria das vezes, eles se vão com erros de digitação e até com palavras a mais e alguns errinhos de concordância. Confesso.
Há os viciados em cigarro, em cerveja e no happy hour que, muito em off, poderia ser todos os dias.
Há os eternos lutadores, que querem a todo custo a volta da necessidade do diploma, causa pela qual eu já lutei ferrenhamente, mas que de tempos pra cá, devido à consciência de que eu nunca usei aquele pedaço de papel que ta lá em casa e muita gente que não tem constrói textos muito melhores que boa parte dos que têm o diploma, deixei um pouco de lado.
Há também os viciados em criticar. Criticam os que assistem aos telejornais da Rede Globo, como se ela fosse a única emissora que manipula a informação e a cabeça do telespectador. Com a mesma intensidade, criticam os que leem a revista tal, pelo mesmo motivo. Dá até a impressão de que são jornalistas imparciais, como isso fosse possível. Criticam programas de televisão, de rádio e se esquecem - ou não sabem - que a linguagem da internet, assim como a escrita e a falada, passa por mudanças todos os dias. Faz parte da evolução da língua - por menos que se concorde com isso. Ah, mas criticar é uma delícia. Quem não gosta?
Há os que, embora ocupando editorias importantes, sabendo apurar uma pauta como ninguém, cavar uma boa entrevista e até tirar uma bela confissão de alguém, se confundem com a colocação das vírgulas, dos pontos, das aspas, e da cedilha, do j e do s. Isso acontece bastante, mesmo entre os que leem muito e sabem escrever.
Há os que transformam pautas de televisão em cinema - como eu fiz por alguns anos.
Há mais uma pá de vícios por aí.
A maior verdade é que o vício dos vícios é exercer essa maluquice que é o Jornalismo. E que nunca não nos faltem pautas, entrevistados, furos, amigos e, no meu caso, ocorrências policiais.
E no 7 de abril, a todos, os meus sinceros parabéns! Por cada pauta, cada perrengue, cada manchete, cada elogio, cada entrevista, cada salário suado - e bota suado nisso!


segunda-feira, novembro 17, 2014

A visão dos gringos sobre o Brasil*

Há muito tempo eu falo das meias que, inexplicavelmente, são esticadas até os joelhos de um sem-número de mulheres. Não consigo entender. Já tentei, mas não consigo. Pra mim, inclusive, é muito feio. Aí, zapeando pelas notícias hoje,encontrei essa.
Uma ideia genial: dez correspondentes estrangeiros, que vivem e trabalha, no Brasil, escreveram suas impressões sobre o país. Aí, alguém falou das benditas meias! E teve muito mais! E tudo está no livro “Palavra de gringo — Um olhar estrangeiro sobre o Brasil”, que acabou de ser lançado pela editora Língua Geral. Alguns trechos:


O meião das mulheres malhadoras

“Não conseguia perceber a razão daquelas meias de esqui, até o joelho, que as coelhinhas da academia combinavam com macacões elásticos e gritantemente coloridos. Quando se faz um esforço para coordenar a roupa de ginástica com a viseira, a garrafa de água e os tênis, por que estragar o visual com meias abomináveis?” (Jenny Barchfield, americana)



A churrascaria rodízio ‘Big pig’

“Uma noite, levei amigos alemães à churrascaria Porcão, a Big Pig, como costumo chamá-la. Sou vegetariana e há dez anos não botava o pé numa churrascaria, mas a Porcão mantinha-se exatamente igual, a mesma cortina de ar gorduroso e chamuscado, que nos saúda como um soco assim que cruzamos a porta (...) Perguntei se faziam um preço especial para vegetarianos que comessem apenas saladas. O gerente explicou que vegetarianos não têm desconto, mas se levassem um atestado médico comprovando a recente colocação de uma banda gástrica pagavam menos 30%. Essa eu arquivei na categoria ‘Só no Brasil’."  (Jenny Barchfield)

O brasileiro gosta de uma fila

“Comecei a prestar atenção a esse ‘gosto’ dos brasileiros por fazer filas quando fui a um bar com música sertaneja e, para minha surpresa, encontrei outra vez fila para entrar. O problema não é a fila em si. Chamou minha atenção o fato de ter que esperar mais de uma hora na fila, em pé, no frio. Um amigo que promovia bares e boates em São Paulo chegou a admitir que contratava pessoas, conhecidas como figurantes, para simularem que estavam na fila e, assim, atrair público.” (Waldheim Montoya, colombiano)

A ‘amizade’ com os porteiros
“É costume tratar bem os porteiros e os maîtres dos restaurantes. Precisamos deles para consertar o cano do banheiro, para conseguir a mesa do canto. Conhecemos essas pessoas há muitos anos, mas as conversas se restringem a brincadeiras sobre times de futebol, como se vivêssemos em países diferentes.” (Julia Michaels, americana)

sexta-feira, novembro 14, 2014

Absurdo? Não, nenhum.

Pra muitos, pode parecer absurdo. O título do texto a seguir pode, por si só, assustar e, exatamente por isso, o texto precisa ser lido. Cada palavra engolida e entendida. Cada frase dissecada. Cada sentido plenamente absorvido.
Por tamanha necessidade de reconhecimento e pela importância do que traz, compartilho a opinião do meu querido amigo Napoleão, Oficial da Polícia Militar do Distrito Federal. Faço minhas as suas palavras.



PARABÉNS AOS POLICIAIS QUE MATARAM 2212 PESSOAS EM CONFRONTO!

No intuito de elevarmos o espirito para o estado de reflexão sobre a divulgação das estatísticas do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e entender porque se parabeniza a todos os policiais pela morte dessas pessoas em confronto (ora tão criticado por Direitos Humanos, OAB e Imprensa), alimento a reflexão lembrando que no Brasil, tivemos somente no ano de 2012 , mais de 47.000 casos de homicídios dolosos contra a vida, ou seja, em um ano, pessoas que NÃO SÃO policiais, mataram INTENCIONALMENTE mais de 47 mil vidas e ainda dentro dessa estatística ressalto que só de assalto seguido de morte foram quase 2.000 pessoas inocentes, pais de família, filhos, irmãos e amigos mortos somente para terem seus celulares, seus carros, roupas ou dinheiro roubados. 
Vamos lá, essa é fácil de responder, num pais com quase 50 mil mortes (traduza por 50 mil homicidas pelas ruas) por ano, num país onde a justiça (inoperante) condena apenas 3% dos criminosos, nesse mesmo país onde não se investe em segurança, nesse mesmo estado chamado Brasil em que os presídios não suportam os poucos condenados, num país onde os presos comemoram seus indultos e lotam as rodoviárias com suas liberdades em massa pronto para cometer novos crimes e num país onde o mesmo Anuário apresentou o Brasil como o 7º mais violento do mundo por mortes que não foram da polícia e a POLICIA SÓ MATOU 2.212 pessoas em confronto? 
Incrivelmente é triste a forma como são manipuladas e divulgadas as estatísticas no Brasil, estampado em quase todos os jornais televisivos e impressos do país, as mortes pelas policias brasileira levam tom de tragédia reforçada ainda por sociólogos pseudo especialistas,treinados e especializados, não para dizer a verdade social e sim o que o jornal contratante ou convidante quer que diga.
Portanto, parabéns Policiais Brasileiros, vocês são heróis nacionais, com seus salários baixos, com a imprensa em desfavor, com a justiça contra e que ainda usam suas munições talvez não porque queiram, mas usam pela ineficiência quase total do Estado, da justiça e da nossa fraca legislação que faz com que todas essas falhas recaiam sobre sua decisão de atirar ou não em um curto espaço de tempo e seu retardo no raciocínio de decisão, pode levar a você (policial) pertencer a outra estatística, não tão valorizada que é a de 490 policiais mortos só no ano de 2013, já parou pensou o que são quase 500 corpos de policiais mortos, fardados, um do lado do outro em um ano?
Não ha com fugir, vivemos em um Estado extremamente violento e não há como uma polícia responder tamanha violência com amor e policiamento comunitário. Hipoteticamente, imagine a policia brasileira assumindo todo policiamento na Suíça, haveriam essas mortes? seja sincero e responda para si mesmo, num país de povo temente as leis e educados por natureza, a violência policial seria sufocada naturalmente pela cultura de civilidade daquele povo. 
Não quero "puxar sardinha" para o lado da polícia, mas enquanto acharmos que o problema da violência no Brasil é culpa das policias, o povo pagará um preço caro por isso, e na minha humilde opinião, acredito que se for para defender a sociedade justa e honesta dessa corja de bandidos e criminosos só tenho uma coisa a dizer: Lamento, mas que venham os próximos 2212 vagabundos!




Parabéns a cada um

Já faz 20 anos que o Sul Fluminense ganhou uma emissora com a programação voltada para o público evangélico. Parece que foi ontem que as pessoas só falavam nisso. Parece que não se passou tanto tempo. Mas passou
São duas décadas de muito trabalho para que hoje a Rádio 88FM chegasse a ocupar o primeiro lugar na audiência em todo o Sul Fluminense.
Não fiz parte de todo este trabalho... cheguei para compor esta equipe há um ano e meio, mas já dá uma satisfação danada estar aqui.
Parabéns a cada um, desde os que tiveram a oportunidade de colaborar com o crescimento da emissora lá no início, até os que estão chegando agora. Parabéns pelo trabalho e que Deus abençoe a todos.




E a festa de comemoração dos 20 anos será amanhã! Participe!


terça-feira, setembro 23, 2014

Cuidado: ‘por conta de’ é o novo ‘a nível de’*

A locução prepositiva “por conta de” não é um novo animal na floresta da língua. Faz alguns anos que professores de português, conselheiros gramaticais e outros profissionais encarregados de zelar por uma versão limpa e correta do português falado no Brasil vêm advertindo o público dos seus riscos. Não adiantou. A novidade que se anuncia aqui é que esse modismo besta está vencendo o jogo – e de goleada. Se “a nível de” é uma praga que, de tão ridicularizada, entrou em declínio, “por conta de” está em alta. Quem separar uns poucos minutos para folhear com atenção revistas e jornais, navegar na internet ou ouvir TV e rádio – sobretudo este – encontrará uma impressionante variedade de frases sintaticamente mancas, construções rebarbativas e outras bobagens com “por conta de” no meio.

Com esta manchete, que deveria trazer "por causa de", 
o Jornal O Globo virou notícia

Uma complicação adicional é que nem sempre essa locução agride a gramática e o bom senso, embora o desgaste provocado pela repetição excessiva torne cada vez mais difícil acomodá-la num texto de estilo apurado. Como costuma ocorrer com modismos linguísticos bem-sucedidos demais, os casos mais graves são aqueles em que a expressão fetichista, julgando-se todo-poderosa, transborda do nicho gramatical que lhe foi reservado e passa a atuar como predadora de outras espécies ao seu redor. Mais do que empobrecer o vocabulário em circulação na sociedade, esse espalhamento instaura um vale-tudo em que a muleta linguística faz o papel de curinga chamado a remendar às pressas raciocínios esfarrapados. É o momento em que a inteligência coletiva paga a conta.
Não se trata de exagero. Talvez os danos fossem menores, computados apenas no placar da elegância, se os ataques se restringissem às preposições simples e curtas – como com, contra, pore de – que são as primeiras vítimas de “por conta de”:
● “Corintianos fazem piada por conta da derrota do Santos” (com);
● “Atriz Y. está deprimida por conta de separação” (com);
● “Moradores protestam por conta da situação da estrada” (contra);
● “Escritor X. é processado por conta de plágio” (por);
● “Morreu por conta de câncer” (de).
Nos casos acima, a locução do momento comete um crime típico do bacharelismo brasileiro, a enrolação palavrosa – a mesma que já levou muita gente a acreditar que soava sofisticada ao proferir tolices como “passar mal a nível de estômago”. Diante do que vem depois, porém, isso pode ser considerado secundário. Fortalecido pelas primeiras vitórias, “por conta de” logo se aventura em regiões distantes de seu habitat natural, passando a exterminar e substituir espécies linguísticas com as quais não tem a mais pálida semelhança. É o caso da preposição “sobre”:
● “O craque analisou a equipe adversária, mas por conta da queda do treinador preferiu não fazer comentários.”
E de repente atingimos o ponto culminante na escala da falta de noção: “por conta de” aparece ocupando o lugar de um advérbio como “apesar”, numa construção concessiva como esta:
● “Mesmo por conta da epidemia de dengue, as pessoas continuam deixando recipientes com água no quintal.”
Onde estarão errando os opositores de “por conta de” para serem ignorados de tal forma, inclusive por falantes que, para todos os efeitos, incluem-se entre os praticantes da variedade culta da língua? Curiosamente, seu equívoco parece residir no excesso de rigor e não na leniência – extremos que, como bem sabe quem educa ou já educou filhos, podem produzir resultados igualmente negativos. Ao condenar indiscriminadamente como erro o uso dessa locução prepositiva com o sentido causal que dicionários de qualidade como Houaiss e Aulete (embora não o Aurélio) já reconhecem como um brasileirismo legítimo, tais críticos abrem o flanco a uma desmoralizante acusação de ultraconservadorismo. Qualquer um que, a esta altura dos estudos linguísticos, seja visto como defensor de um impossível imobilismo de idiomas vivos é excluído do jogo com facilidade.
O fato é que o sentido causal de “por conta de” está além da polêmica. Sua origem clara – e castiça – deve ser buscada em “à conta de”, locução prepositiva à prova de controvérsia, embora pouco usada hoje. “À conta de” quer dizer “por causa de, a pretexto de”, informa o Aurélio, dando como exemplo uma frase de Frei Vicente do Salvador (1564-1635), autor do clássico História do Brasil: “…à conta de defenderem a jurisdição de el-rei, totalmente extinguiam a da Igreja”. Para transformar “à conta de” em “por conta de”, basta uma troca de preposição tão simples quanto a que levou o para do início desta frase a suplantar por como indicador de efeito a atingir, numa das evoluções marcantes do português antigo para o moderno analisadas por Said Ali em seus estudos pioneiros de gramática histórica.
No entanto, isso passa longe de esgotar a questão. Enquanto a expressão “por conta de” puder ser trocada por “em razão de”, “em decorrência de” ou “devido a” (que também já foi malvista, mas hoje goza de boa reputação), estaremos diante de uma defensável escolha de estilo, ainda que irreverente se observada por um prisma tradicional. Mas quando, numa língua de cultura como o português, filha legítima do latim, uma peça polivalente qualquer começa a substituir grosseiramente mecanismos programados para estabelecer entre palavras uma malha intrincada de relações lógicas, espaciais e temporais, como são as preposições, vemo-nos no terreno daquele círculo vicioso para o qual o escritor inglês George Orwell chamava atenção ao afirmar que “se o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem também pode corromper o pensamento”. A epidemia do “por conta de” é um sintoma da falência educacional brasileira.

sexta-feira, maio 09, 2014

A melhor equipe

Nós somos lindos.  
E competentes. E simpáticos. 
E amigos. E queridos. E amados. 
E líderes de audiência, claro!




quarta-feira, outubro 24, 2012

Releases:um mal necessário*

Enviar informações e pautas por e-mail é considerado importante, mas, para os jornalistas brasileiros ainda há muito que melhorar. A afirmação é resultado de uma pesquisa realizada pelo Comunique-se, em parceria com a Deloitte. O levantamento, feito em agosto, aponta que apenas 7% da amostra aproveita a maior parte do material recebido.

Segundo os dados, a internet representa um avanço e é importante receber informações em tempo real, entretanto, 32% dos entrevistados ponderam que é preciso encontrar meios que ajudem o jornalista a filtrar melhor as informações recebidas. Em outro gráfico, ao serem questionados sobre a importância do envio de releases, 66% dos profissionais disseram que é necessário, porém muito material "inútil" chega às caixas de entrada. 

Alguns problemas ressaltados pelos entrevistados têm relação com o conteúdo - eles afirmam que geralmente recebem textos grandes e desinteressantes, e que fotos só deveriam ser enviados caso o jornalista solicite, pois pesam demais. Conhecer o veículo para o qual se encaminha a sugestão também figura entre os itens mais importantes, de acordo com os profissionais de comunicação.

Realizada de forma online de 13 a 31 de agosto, a pesquisa "Fala, Jornalista!" contou com 711 respondentes. Dentre eles, 50,4% e 48,4% correspondem ao sexo masculino e feminino, respectivamente. A média de idade dos participantes é 36 anos e profissionais de jornal impresso representam o maior percentual da amostra (28,8%), seguido por revista (20,5%) e internet (14,9%). Veja o estudo completo aqui.


*Fonte: Comunique-se

quarta-feira, abril 04, 2012

Ele Sobrevive

Kátia Zanvettor*

Mesmo com a queda da obrigatoriedade do diploma há quase três anos, o jornalismo sobreviveu à profecia de que seu fim estaria próximo, e mantém 70 mil estudantes matriculados em todo o país


Uma vida sem rotina, com certo glamour, presença garantida nos mais variados eventos, influência. Um pouquinho de fama, talvez. O trabalho frenético em algum grande jornal, revista ou emissora de TV, mas também um desejo uníssono de ajudar, de alguma forma, a mudar o mundo e o rumo dos acontecimentos. Esse é quase um retrato de muitos dos 70 mil estudantes matriculados nos cerca de 370 cursos de graduação em jornalismo, às vésperas de entrar ou no início da faculdade.
Claro que muito desse sonho inicial se esvai logo no início do curso. E pouco resta ao final dos quatro anos de universidade. Mas, mesmo com a queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, por meio de decisão do Superior Tribunal Federal (STF), em 2009, diferentemente do profetizado no impacto da decisão, a procura pela graduação em jornalismo se mantém firme e forte. E os sonhos e objetivos dos estudantes também.
Neste mês, em que se comemora o “Dia do Jornalista”, IMPRENSA ouviu estudantes de diversas partes do Brasil, bem como profissionais experimentados, buscando traçar o mercado vislumbrado por eles e as necessidades que este mesmo mercado acredita serem indispensáveis para que tenham uma boa atuação. Os veteranos concordam que o perfil dos jornalistas mudou e que os profissionais devem estar cada vez mais atentos às transformações do mundo, mas que os preceitos básicos da reportagem ainda organizam a atividade diária dos jornalistas.

PRIMEIROS PASSOS
“Era muito bom em redação” ou “sempre gostei de falar e me comunicar”, “sempre quis mostrar a verdade dos fatos” e “sempre gostei da ideia de ter um dever com a sociedade” são frases comuns de estudantes que acabaram de ingressar na faculdade, mas, para ser aquele que “faz a diferença”, é necessário muito mais que jogo de cintura, precisa ter uma dose muito grande de cultura e bom investimento em formação, além dos muros da faculdade.
“No 1º ano, quando entrei, não tinha muita noção do que ia encontrar aqui, mas percebi que é um curso muito teórico, com grande peso nessa parte. A gente vê as duas coisas: a prática, que são os laboratórios, e teorias, muitas que criticam o jornalismo também. Mas entrei pensando que sairia bem preparado para o mercado. A gente tem essa preparação, mas não tanto quanto eu achava. A gente tem que correr muito atrás, por conta própria”, diz Paulo Henrique Gadelha, 27 anos, estudante do 4º ano da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Rosiane Siqueira, aluna do 2º ano da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP), também justifica sua escolha. “Escolhi o jornalismo porque gosto muito das palavras, expressões e de como elas podem dizer mais do que acreditamos. Desde pequena estudei línguas e já achava a comunicação algo muito legal. No colégio, descobri que adorava escrever. Sou muito curiosa, tenho gostos dos mais variados, de futebol à religião, então escolhi o jornalismo por poder falar de tudo, de várias formas, e criar sensações e impressões nas pessoas”, diz.
No entanto, passado o primeiro ano de curso, a estudante reconhece que as percepções mudam. “Entrei sonhando com sala de redações imensas, em chegar a nomes como Willian Bonner ou Marcelo Rubens Paiva. A situação de trabalho do jornalista não é fácil, anda muito problemática quanto a direitos e legislações. Minha expectativa mudou quanto a isso, mas não se tornou inferior, apenas realista.”
*Com Denise Bonfim e Jéssica Oliveira

quarta-feira, março 28, 2012

Morre aos 88 anos no Rio o escritor Millôr Fernandes*

Escritor morreu em casa, em Ipanema, na Zona Sul do Rio.
Ele teve falência múltipla dos órgãos, segundo filho.

O escritor carioca Millôr Fernandes morreu aos 88 anos, às 21h de terça-feira (27), em casa, no bairro de Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo Ivan Fernandes, filho do escritor, ele teve falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca. Millôr era casado com Wanda Rubino Fernandes, e tinha dois filhos, Ivan e Paula, e um neto, Gabriel.



De acordo com a família, o velório está marcado para quinta-feira (29), das 10h às 15h, no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária. Em seguida, o corpo será cremado.
Em 2011, o escritor chegou a ser internado duas vezes na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul. Na época, a assessoria do hospital não detalhou o motivo da internação a pedido da família.
Escritor, jornalista, desenhista, dramaturgo e artista autodidata, Millôr começou a colaborar com a revista "O Cruzeiro" aos 14 anos, conciliando as tarefas de tradutor, jornalista e autor de teatro. No final dos anos 1960, tornou-se um dos fundadores do jornal "O Pasquim", reconhecido por seu papel de oposição ao regime militar.
Escreveu nos anos seguintes diversos tipos de peças e se tornou o principal tradutor das obras de William Shakespeare no país.
Atualmente ele mantinha um site pessoal em que escrevia textos de humor e cartuns, além de reunir seus trabalhos dos últimos 50 anos. Seu perfil no Twitter já contava com mais de 285 mil seguidores.

*Fonte: G1

sexta-feira, agosto 19, 2011

Corrupção

Eu sou daquelas que não acredita que todo político é corrupto e que boa parte da polícia está fora do antro que mete medo na maioria das pessoas. Ta, pode parecer romantismo da minha parte, entenda meu caro leitor como quiser, o caso é que eu sou assim. Aprendi que o princípio da acusação é simples: todo mundo é inocente até que se prove o contrário.

Tenho plena consciência da dificuldade que tenho de me manter dentro do grupo minúsculo de pessoas que ainda pensa assim. Mas tenho me esforçado diariamente, mesmo com a avalanche de denúncias que acompanhamos todos os dias nos jornais, na televisão e nos outros tantos meios de comunicação que nos "atualizam" por aí.

Confesso porém, que já fui mais otimista. Já acreditei mais nos políticos. Já defendi mais a polícia. Já discuti com maior frequência, especialmente com meu pai, sobre estes assuntos. Hoje, apenas ouço e penso. Não discuto e não discurso. Fico na minha.

Mais na minha ainda quando encontro algo com este que encontrei hoje no  Portal Terra:

 

O tamanho do rombo nos cofres públicos: R$ 5.850.000.000,00

Helicópteros, barras de ouro, lanchas e até ilhas no lugar de saúde, educação e investimentos. Dados oficiais de operações da Polícia Federal em 2011 apontam que quase R$ 6 bilhões sumiram das contas públicas - ou nunca chegaram até elas - nos 15 casos com maior volume de recursos desviados, conforme levantamento do Terra. Retirado de seu caminho legal, o dinheiro foi parar nos bolsos de dezenas de quadrilhas, a maioria delas com participação de servidores. Clique aqui para ver no gráfico e saber o que esse número de 10 dígitos poderia comprar.

segunda-feira, maio 23, 2011

Ê lem casa...

Rocinha expande negócio e vira embaixada do pó*
Bandidos da favela fornecem coca para todas as facções e mantêm laços com Beira-Mar


Rio - Três inquéritos em diferentes delegacias do Rio correm em sigilo e apontam, pela primeira vez, estreita relação comercial de fornecimento de cocaína entre facções rivais. O laboratório que explodiu e feriu cerca de 10 pessoas na Rocinha, dia 11, abastecia bocas de fumo muito além de São Conrado. Investigações da Polícia Civil revelam trama que teve início em meados de 2009 e une dois irmãos fornecedores de drogas daquela favela ao maior traficante do País, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Os primeiros são da Amigo dos Amigos (ADA); o último, preso, é chefe do Comando Vermelho (CV).
Uma prova dessa parceria foi obtida sábado, quando a PM apreendeu, na Gávea, 25 quilos de cocaína. A droga, avaliada em R$ 400 mil, estava escondida no painel de carro que saiu da Rocinha com destino ao Parque União, no Complexo da Maré. Nesta favela vive Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói, principal homem solto na hierarquia da quadrilha de Beira-Mar.

O plano foi idealizado por Saulo de Sá Silva, o Robinho, em meados de 2007. Na época, ele estava solto e seu irmão, Cristiano de Sá Silva, o Abelha, preso. Eles foram criados no Morro do Turano, no Rio Comprido, época em que integravam o Comando Vermelho. No ano seguinte, Saulo foi preso. Mas suas conexões já estavam estabelecidas. Carta de 2009, a qual O DIA teve acesso, apreendida pela Polícia Civil durante incursão na Rocinha em 2010, mostra que o elo entre facções estava sólido.
Beira-Mar não fala sobre atitudes criminosas. Mas demonstra carinho pelo pai de Saulo e Abelha, Jailame Jerônimo de Moura Silva, com quem esteve preso em 1992. Ali, o homem que era uma das principais lideranças do CV abria as portas para a conexão Rocinha e a facção Amigo dos Amigos (ADA).
Mas as portas se escancararam realmente no final do ano passado, quando Abelha fugiu da cadeia e passou a comandar pessoalmente as refinarias de cocaína montadas pelo irmão na Favela da Rocinha.
As investigações da Polícia Civil revelam que Abelha e seu braço-direito, Fábio Leite Ninho, vendem a droga para rivais do Mandela, Manguinhos e Jacaré — dominadas pelo CV —, e para Senador Camará, reduto do Terceiro Comando Puro (TCP). O negócio evoluiu tanto que havia até uma ‘representante comercial’: mulher levava provas semanais da droga para o chefão do TCP, Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, testar antes de comprar a mercadoria. A confiança cresceu a ponto de o filho dele frequentar bailes na Rocinha.

Traficante disfarçou letra

A carta de Beira-Mar para Saulo tem data de 27 de abril de 2009. Segundo três investigadores que durante anos devassaram a vida do megatraficante, o documento é autêntico: “É a forma de ele se expressar. E ainda fala do filho, na época em que foi preso. Minha dúvida é se ele ditou ou se tentou trocar a forma de escrever (costuma optar por letras de forma)”, explicou um agente. O criminoso remeteu a carta do presídio de Campo Grande (MS).

Boa notícia eletrônica...

Governo publica medida provisória que desonera tablets*

RIO - O governo federal publicou nesta segunda-feira a medida provisória nº 534, que zera os tributos PIS e Cofins cobrados sobre o valor de venda de tablets no Brasil. A medida inclui os dispositivos nos produtos beneficiados pela Lei nº 11.196/2005, que desonera equipamentos de informática. A alíquota de PIS e Cofins cobrada sobre tablets era de 9,25%.
Em entrevistas recentes, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que a medida vai reduzir em 36% o preço de tablets no país.
A desoneração abre caminho para a montagem de iPads e iPhones pela Foxconn no Brasil. A multinacional tinha condicionado o investimento na produção desses produtos à concessão de incentivos fiscais já existentes para outros equipamentos de informática.


* Fonte: O Globo

terça-feira, abril 26, 2011

Finalmente!

Governo anuncia concessão à iniciativa privada em aeroportos* 

O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, confirmou nesta terça-feira que a iniciativa privada poderá atuar, por meio de concessão, em obras e serviços previstos em aeroportos que, às vésperas da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, ainda apresentam diversos problemas de infraestrutura.
"Ontem a presidente definiu uma série de medidas que serão desenvolvidas, em particular o critério de concessão de serviços para Guarulhos, Viracopos e Brasília. Vamos ter obras em regime de concessão nos três principais aeroportos que necessitam de investimento", disse Palocci durante a reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES)".
Conforme o ministro, também está em estudo a possibilidade de incluir os terminais de Confins, em Minas Gerais, e do Galeão, no Rio de Janeiro, no mesmo projeto.

quinta-feira, março 03, 2011

Eu preciso!

Relatório da ONU defende uso médico de emagrecedores*

Relatório divulgado ontem pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes recomenda a restrição e o controle dos inibidores de apetite, mas defende o uso desses remédios em tratamentos médicos.
O documento vem em momento polêmico, quando a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estuda proibir a venda dos anorexígenos, que incluem a sibutramina e três derivados de anfetamina (anfepramona, femproporex e mazindol).
O relatório elaborado pela Jife (Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes) incentiva o Brasil a continuar adotando "todas as medidas necessárias para que os anorexígenos sejam utilizados unicamente para fins médicos, bem como para impedir que sejam utilizados de forma indevida e receitados indiscriminadamente".
"Por um lado, reconhece-se a necessidade de haver certos produtos no mercado para tratar problemas de saúde. Por outro lado, [há] a necessidade de controlar o acesso para assegurar que esses produtos sejam usados apenas por quem realmente precisa", disse Bo Mathiasen, representante para o Brasil do escritório da ONU.
Mathiasen, no entanto, afirmou que cada país é "soberano" para decidir sobre o acesso a anorexígenos.
O veto a inibidores de apetite tem gerado controvérsia na classe médica brasileira.
O endocrinologista Walmir Coutinho defende a manutenção dos remédios no mercado. "O abuso dos anorexígenos tem de ser combatido de forma mais eficiente para que os pacientes que precisam do medicamento não sejam penalizados."
Para Rosana Radominski, presidente da Abeso (associação de estudo da obesidade), os remédios devem ser usados de forma responsável. "Eles têm seu papel dentro do tratamento."

quarta-feira, janeiro 12, 2011

É dura a vida no Arizona
Jared Loughner é um desequilibrado, mas o problema da xenofobia está nos sadios
Está entendido que Jared Loughner, que matou seis pessoas e deu um tiro na cabeça da deputada Gabrielle Giffords, é um desequilibrado. A discussão de sua personalidade não leva longe. É mais instrutivo olhar para a política americana a partir das ações de governadores, deputados e senadores que nada têm de loucos.
Políticos republicanos de seis estados, entre os quais o Arizona, querem cassar a cidadania dos filhos americanos de imigrantes que entraram ilegalmente nos Estados Unidos. Só em 2008, nasceram 340 mil. A iniciativa é inconstitucional, mas para o Tea Party atrai votos. A Constituição americana, como a brasileira, dá a cidadania a quem nasce na terra.
Numa nação de imigrantes, a intolerância de uma parte da sociedade já perseguiu negros, católicos, irlandeses, chineses, coreanos e japoneses. A bola da vez, há tempo, são os latinos. Eles formam a maioria dos 12 milhões de estrangeiros que trabalham no país sem a devida documentação. (Talvez 700 mil sejam brasileiros.)
O chefe do setor de cirurgia onde Gabrielle Giffords foi operada, chama-se Peter Rhee e o delegado local, David Gonzalez. Ambos descendem de imigrantes vindos de regiões vistas com desprezo pelos nativistas radicais americanos.
O diretor da rede escolar pública de Tucson quer fechar os cursos de história e cultura latinas. Entre os livros que pretende tirar dos currículos está a “Pedagogia do oprimido”, de Paulo Freire. Cidadãos do estado organizam-se em milícias para patrulhar a fronteira com o México. Uma delas é filonazista. Gabrielle Giffords combateu a legislação xenófoba, apoiou propostas racionais para resolver o problema e elegeu-se três vezes, num distrito conservador. Jovem, atraente, casada com astronauta, ex-republicana, dona de uma pistola Glock 9mm., motociclista batalhadora pela revogação das leis que obrigam ao uso do capacete, é tão americana como a torta de maçã.
O desequilíbrio de Jared Loughner expôs a teatralidade e a violência da recente xenofobia americana. Ela acordou no 11 de setembro e ceva-se na Grande Recessão. Depois dos tiros de sábado, a cidade de Tucson e o Arizona atraíram para si a maldição que caiu no século passado sobre Dallas e o Texas, quando outro desequilibrado matou o presidente John Kennedy.

Por Elio Gaspari, no Blog do Noblat

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Partidos custarão R$ 418 milhões para os cofres públicos*

Democracia subsidiada. Além de destinar R$ 201 milhões para o Fundo Partidário, governo federal terá de abrir mão de R$ 217 milhões em receitas tributárias para compensar emissoras de rádio e televisão pela cessão de tempo para propaganda

Nas noites de 48 quintas-feiras do ano de 2011, líderes de 25 partidos vão ocupar redes nacionais de rádio e televisão para fazer propaganda de seus próprios feitos. Metade dessas legendas terá ainda direito a mais 40 aparições de 30 segundos em todas as emissoras do País.
Essas exibições custarão zero para os políticos e R$ 217 milhões para os conjunto dos contribuintes brasileiros.
Outros R$ 201 milhões em recursos públicos serão destinados para o custeio de despesas de partidos com viagens, aluguel de imóveis e pagamento de funcionários, entre outras.
No total, o financiamento público dos partidos - não confundir com o de campanhas, ainda um projeto em discussão - terá um impacto de R$ 418 milhões, o equivalente ao que o programa Bolsa-Família gasta, em média, para atender durante um ano a 430 mil famílias, ou mais de 1,6 milhão de pessoas.
Esse valor vai se multiplicar caso o futuro Congresso aprove, na discussão da reforma política, o financiamento público das campanhas eleitorais - uma bandeira do PT que encontra simpatizantes tanto entre governistas quanto em oposicionistas.
Atualmente, o custo total dos partidos não se mede apenas pelo que sai dos cofres públicos, mas também pelo que deixa de entrar. As emissoras de rádio e televisão, como compensação pelo tempo destinado à propaganda das legendas, têm um desconto em parte de seus impostos ao governo federal. Essa renúncia fiscal - que é maior em anos eleitorais - chegará a R$ 217 milhões em 2011, segundo o projeto do Orçamento Geral da União encaminhado ao Congresso.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Polícia prende criminoso do Alemão escondido na casa de PM*

Agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) do Rio de Janeiro prenderam na segunda-feira mais um foragido da quadrilha que controlava os complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade. Edson Ventapane da Silva, o Mãozinha, estava escondido na casa de um policial militar, que seria seu primo. O parente do acusado é lotado no gabinete do Comandante Geral da corporação, coronel Mario Sérgio Duarte.
O criminoso é irmão de Emerson Ventapane da Silva, o Mão, que na semana passada já havia sido preso por agentes da 21ª DP (Bonsucesso). Segundo a polícia, a dupla integrava um dos grupos de assaltantes de carros e cargas mais violentos do Rio. Eles são suspeitos de participar de dezenas de assassinatos de policiais.
Um casaco da Polícia Militar foi apreendido com Mãozinha, contra quem já havia um mandado de prisão expedido pela Justiça. O bandido será apresentado a partir das 10h desta terça-feira, na sede da DRF, em Pilares.

*Fonte: Portal Terra