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terça-feira, dezembro 30, 2014

CONSELHOS PARA 2015*

Recebi de uma amiga e, mesmo achando clichê e com um leve toque de auto ajuda (que eu não sou fã e assumo), estou compartilhando. Vale uma olhada (e uma conscientizada).

#1
Não assuma compromissos do tipo “vou iniciar uma dieta”, “vou começar alguma atividade física”, “vou terminar o curso de inglês”. Esse tipo de coisa serve apenas para acumular culpa e frustração sobre os seus ombros.

#2
Não acredite nesse pessoal que diz que “sem meta você não vai a lugar nenhum”. Pergunte a eles por que, afinal de contas, você tem que ir a algum lugar. Trate esses “lugares futuros imaginários” apenas como referência para a maneira como você vive hoje – faça valer a caminhada: se você chegar lá, chegou, se não chegar, não terá do que se arrepender. A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai.

#3
Não faça nada que vá levar você para longe das suas amizades verdadeiras. Amizades levam um tempão para se consolidar e um tempinho para esfriar, pois assim como a proximidade gera intimidade, a distância gera esfriamento e fragiliza os vínculos.

#4
Não perca tempo discutindo religião, política e futebol. As paixões moram numa nuvem que os argumentos não alcançam.

#5
Não fique arrumando desculpas nem explicações para as suas transgressões. Quando cometer um pecado, assuma, e simplesmente diga “minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa” e “fiz sim, me perdoe”. Comece falando com Deus e não pare de falar até que tenha encontrado a última pessoa afetada pelo que você fez.

#6
Não faça nada que cause danos à sua consciência. Ouça todo mundo que você confia, tome as suas decisões, e assuma as responsabilidades. Não se importe em contrariar pessoas que você ama, pois as que também amam você detestariam que você fosse falso com elas ou se anulasse por causa delas.

#7
Não guarde dinheiro sem saber exatamente para que o está guardando. Dinheiro parado apodrece e faz a gente dormir mal. Transforme suas riquezas em benefícios para o maior número de pessoas. É melhor perder o dinheiro que ocupa seu coração, do que o coração que se ocupa do dinheiro.

#8
Não deixe de se olhar no espelho antes de dormir. Caso não goste do que vê, e isso se repita muitas vezes, não hesite em perder a noite de sono para planejar o que vai fazer na manhã seguinte. Ao se olhar no espelho ao amanhecer, lembre que com o sol chega também a misericórdia de Deus: a oportunidade de começar tudo de novo.

#9
Não leve mágoas, ressentimentos e amarguras para o ano que vem. Leve pessoas. Sendo necessário, perdoe ou peça perdão. Geralmente as duas coisas serão necessárias, pois ninguém está sempre e totalmente certo. Respeite as pessoas que não quiserem fazer a mesma viagem com você.

#10
Não deixe de se perguntar se existe um jeito diferente de viver. Não acredite facilmente que o jeito diferente de viver é necessariamente melhor do que o jeito como você está vivendo. Concentre mais energia em aprender a desfrutar o que tem do que em desejar o que não tem.

#11
Não deixe o trabalho e a religião atrapalharem sua vida. Cante sozinho. Leia poesias em voz alta. Participe de rodas de piada. Não tenha pressa de deixar a mesa após as refeições. Pegue crianças no colo. Ande sem relógio. Fuja dos beatos.

#12
Não enterre seus talentos. Nem que seu único tempo para usá-los seja da meia noite às seis. Ninguém deve passar a vida fazendo o que não gosta, se o preço é deixar de fazer o que sabe. Útil não é quem faz o que os outros acham importante que seja feito, mas quem cumpre sua vocação.

#13
Não crie caso com sua mulher. Nem com seu pai nem com sua mãe. Nem com seu irmão nem com sua irmã. Caso eles criem com você, faça amor, não faça a guerra. O resto se resolve.

#14
Não jogue fora a utopia. Ninguém consegue viver sem acreditar que outro mundo é possível. Faça o possível e o impossível para que esse outro mundo possível se torne realidade.

#15
Não deixe a monotonia tomar conta do seu pedaço. Ninguém consegue viver sem adrenalina. Preste bastante atenção naquilo que faz você levantar da cama na segunda-feira: se for bom apenas para você, jogue fora ou livre-se disso agora mesmo. Caso não queira levantar da cama na segunda-feira, grite por socorro.

#16
Jamais se esqueça que a pessoa mais importante do mundo é aquela que está na sua frente. Não a que está no Whats App, nem no Facebook, nem no Instagram.

#17
Não deixe de dar bom dia para Deus. Nem boa noite. Mesmo quando o dia não tiver sido bom. Com o tempo você vai descobrir que quem anda com Deus não tem dias ruins, apenas dias difíceis.

#18
Não negligencie o quarto secreto onde você se encontra com seu eu verdadeiro e com Deus – ou vice-versa. Aquele quarto é o centro do mundo – o mundo todo cabe lá dentro, pois na presença de Deus tudo está e tudo é.

#19
Não perca Jesus de vista. Não tente fazer trilhas novas, siga nos passos dEle. O caminho nem sempre será tão confortável e a vista tão agradável, mas os companheiros de viagem são incomparáveis.

#20
Não caia na minha conversa. Aliás, não caia na conversa de ninguém. Faça sua própria lista. Escolha bem seus mestres e suas referências. Examine tudo. Ouça seu coração – geralmente é ali que Deus fala. Misture tudo e leve ao forno.

#21
Não fique esperando que sua lista saia do papel. Coloque o pé na estrada. Caso não saiba por onde começar, não tem problema. O sábio disse ao caminhante que “não há caminho, faz-se caminho ao andar”.



sexta-feira, agosto 15, 2014

Meus voos com Campos*

Entre abril e junho, viajei com o candidato Eduardo Campos e seus assessores em inúmeras ocasiões. Passamos por várias cidades do país no jatinho da campanha, mas também em vans, carros e ônibus alugados.
O avião apertado, de apenas seis lugares, os bancos de couro cor de creme e o mobiliário de madeira escura com detalhes dourados davam a impressão de estarmos numa versão miniaturizada de Las Vegas. Eu brincava que já tinha andado em jatinhos melhores na vida – como o do cartola Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, ou o usado pelo pastor evangélico Silas Malafaia, que eu também havia perfilado em reportagens para a piauí. Campos respondia com humor: o seu Partido Socialista Brasileiro era tão coerente que até o avião tinha “um ar socialista”. Ao que parece, não era a mesma aeronave de doze lugares que caiu hoje pela manhã em Santos.  
Nas viagens de que participei estavam sempre o secretário particular, Rodrigo Molina (ausente do fatídico voo), o assessor de imprensa, Carlos Percol, e um dos principais assessores da campanha, o ex-deputado Pedro Valadares, a quem eu conhecia havia mais de vinte anos. Como Campos, os dois morreram na tragédia, ao lado do fotógrafo Alexandre Severo, do cinegrafista Marcelo Lyra e dos pilotos Marcos Martins e Geraldo da Cunha.
Desde a primeira viagem de campanha, Pedro Valadares colecionava fotos dos passageiros dormindo no avião. Mostrava, orgulhoso, os flagras constrangedores armazenados no celular. Um deles babando, outro com o botão da camisa desabotoado na altura do umbigo, um terceiro de boca aberta. Gravara, inclusive, alguns roncos dos viajantes. A ideia, ele dizia em tom jocoso, era produzir um vídeo com as melhores babadas da campanha. Ironicamente, ele era de todos o que mais dormia.
Com quase 1,90 de altura, Campos encurvava todo o corpo, mas quase sempre dava uma topada com a testa no teto do avião antes de se acomodar na primeira cadeira do lado esquerdo. Quando eu estava junto, ele pedia para eu me sentar à sua frente, de modo que pudéssemos nos ouvir melhor. Mas o espaço não era suficiente para os dois pares de pernas. Ele então se colocava na diagonal da cadeira, esparramando as próprias pernas pelo corredor estreito.
Sempre reclamava da comida a bordo. “De novo esse sanduíche safado? Quando é que esse partido vai melhorar e vai comprar pelo menos um micro-ondas para pôr nesse avião?”, dizia, fingindo indignação. Ir ao minúsculo banheiro, no fundo da aeronave, só em caso de muito aperto. A porta era fina como um papel. Rodrigo Molina viajou sentado na tampa do sanitário em uma ocasião para me ceder lugar no voo. O candidato usava as viagens para despachar, mas era também quando se transformava no centro das atenções. Comandava o arsenal de histórias e casos hilários, contados com picardia, e costumava brindar os passageiros com imitações de sotaques, tons de voz e expressões típicas do retratado. O de Dilma Rousseff era um must; o de Roberto Amaral, vice-presidente do PSB, outra  pérola. Mas a imitação de Lula mereceria um Oscar.
Uma vez, quando estávamos no quinto compromisso do dia, embarcando para Campina Grande, na Paraíba, ele me perguntou: “Tu tem gêmea?” Fiz cara de quem não havia entendido. “Porque para onde eu olho tem uma de tu me seguindo”, falou, emendando uma gargalhada muda com os enormes olhos azuis cor de piscina arregalados.
A equipe da campanha costumava ser muito bem-humorada. “Amiga, me passa o amendoim”, pedia Valadares a Percol, que devolvia com um “só se você pedir com amor, colega!” Seguia-se uma gaitada geral no avião.
Em uma ocasião, fiz uma foto de Campos enquanto ele ouvia, com o celular colado na orelha, o discurso de um vereador sergipano que falava abobrinhas, numa performance de humor involuntário. Seguiram-se mais quatro ou cinco vídeos com piadas. Aquele era um grupo que visivelmente se gostava. Pareciam todos genuinamente satisfeitos com que estavam fazendo.

Como Campos se benzia antes de levantar voo, perguntei certa vez se tinha medo de avião. “E quem não tem, oxe?”, respondeu, logo acrescentando que quem medrava de verdade era o “argentino”, referindo-se ao marqueteiro Diego Brandy. Durante as turbulências, quando todo mundo dava aquela ajeitada na cadeira e olhava para fora da janelinha, Campos se mantinha impassível.
Da última vez que nos vimos – durante a convenção que lançou sua candidatura à Presidência, no final de junho, em Brasília –, tenho viva a imagem de sua família na primeira fila do evento, ouvindo atenta o discurso do candidato. Os filhos – ainda tão jovens – comentavam entre eles as frases do pai, sorriam, aplaudiam e acenavam para os correligionários. Ao lado deles, sua mulher Renata, que segurava o caçula no colo, seguia vidrada na figura do marido.
Ontem à noite, troquei mensagens com Carlos Percol depois da entrevista que o candidato concedeu ao Jornal Nacional, da Globo. Comentei que Campos havia se saído bem. Na última das mensagens, Percol respondeu com a figurinha de um polegar em riste. Foi para o número dele que passei a ligar com insistência assim que começaram os boatos do acidente hoje pela manhã. Em seguida, tentei muitas vezes o celular de Valadares. Caíram todos na caixa postal.
*Por Daniela Pinheiro, Revista Piauí

segunda-feira, agosto 08, 2011

Eu copiei...

Trouxe este aqui lá do blog da Giovana Damaceno. Vale a pensa conferir...

Ser chique é não copiar e nem reenviar textos falsificados *

Pela enésima vez recebi uma mensagem por email, destas encaminhadas, que normalmente trazem um texto brilhante atribuído falsamente a algum autor muito conhecido. Desta vez foi o "Ser Chique", atribuído à Glória Kalil. Este texto já passou pela minha caixa de entrada muitas vezes, mas hoje fiquei realmente estarrecida com a quantidade de absurdos incluídos, que mesmo sem conhecer Glória Kalil é possível ter certeza que ela não diria tais bobagens.
Fui à caça da verdadeira autoria e cheguei ao Blog do Carleto, que aponta o erro, informando que a crônica original faz parte do livro "A quem interessar possa", de Gilka Maria. No blog, a própria Gilka faz um comentário e exibe sua crônica, a qual faço questão de trazer pra cá:


6 de julho de 2011 às 9:04
O texto acima foi modificado e atribuído a Gloria Kalil. Na verdade, é meu e foi publicado em meu livro, “A Quem Interessar Possa”. Segue abaixo o texto original com o meu pedido de correção na sua informação. Grata, Gilka Maria

Ser chique. Uma questão de atitude
Gilka Maria

Nunca o termo “chique” foi tão usado para qualificar pessoas como atualmente.
Basta abrir qualquer das revistas semanais especializadas em burburinhos para ver as mais diferentes figuras reduzidas à mesma tribo: a dos “absolutamente chiques”. Para isso, basta ter (ou parecer ter) uma gorda conta bancária, um apartamento projetado por um arquiteto específico e, claro, freqüentar as festas certas e os restaurantes da moda. É tiro e queda. Daí pra virar celebridade é um pulo. Celebridade “chique”, lógico. Mas a verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique, é preciso muito mais que um guarda-roupa recheado de grifes importadas. Muito mais que um belo carro alemão. O que faz alguém ser verdadeiramente chique não é quanto essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta.
Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção por suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes. Mas que, sem querer, atrai todos os olhares, porque tem brilho próprio. Chique mesmo é quem é discreto, não faz perguntas inoportunas, nem procura saber o que não é da conta. Chique mesmo é gostar de filosofia, enquanto todo mundo devora Paulo Coelho. Chique mesmo é parar na faixa de pedestre e abominar a mania de jogar lixo na rua. Chique mesmo é dar bom-dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar o aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder nunca. Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir. Nada mais feio que parecer uma vitrine ambulante. Chique mesmo é olhar no olho de seu interlocutor. É “desligar o radar” quando estiver sentado à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção à sua companhia. Chique mesmo é honrar sua palavra. É ser grato a quem lhe ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios. Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, mas ficar feliz ao ser prestigiado. Chique mesmo é conhecer a galinha ao molho pardo do Porto do Moreira e o steak tartar do Bar du Theatre, em Paris. Chique mesmo é ter boa conversa, cultura geral e um pretinho básico no armário.
Mas, pra ser chique, chique m-e-s-m-o, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre do quanto que a vida é breve e de que vamos todos pro mesmo lugar. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se cruzar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem. Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz!

*Do blog da Giovana Damaceno

terça-feira, agosto 02, 2011

Namore uma garota que lê*



Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas  garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim.  E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até  porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que  pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe  monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.


Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico
Tradução e adaptação – Gabriela Ventura

terça-feira, junho 28, 2011

A mentira dos impostos

Lucro Brasil faz o consumidor pagar o carro mais caro do mundo*

O Brasil tem o carro mais caro do mundo. Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o “alto valor da mão de obra”, mas os fabricantes não revelam quanto os salários – e os benefícios sociais - representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei.

A explicação dos fabricantes para vender no Brasil o carro mais caro do mundo é o chamado Custo Brasil, isto é, a alta carga tributária somada ao custo do capital, que onera a produção. Mas as histórias que você verá a seguir vão mostrar que o grande vilão dos preços é, sim, o Lucro Brasil. Em nenhum país do mundo onde a indústria automobilística tem um peso importante no PIB, o carro custa tão caro para o consumidor.
A indústria culpa também o que chama de Terceira Folha pelo aumento do custo de produção: gastos com funcionários, que deveriam ser papel do estado, mas que as empresas acabam tendo que assumir, como condução, assistência médica e outros benefícios trabalhistas.
Com um mercado interno de um milhão de unidades em 1978, as fábricas argumentavam que seria impossível produzir um carro barato. Era preciso aumentar a escala de produção para, assim, baratear os custos dos fornecedores e chegar a um preço final no nível dos demais países produtores.
Pois bem: o Brasil fechou 2010 como o quinto maior produtor de veículos do mundo e como o quarto maior mercado consumidor, com 3,5 milhões de unidades vendidas no mercado interno e uma produção de 3,638 milhões de unidades.
Três milhões e meio de carros não seria um volume suficiente para baratear o produto? Quanto será preciso produzir para que o consumidor brasileiro possa comprar um carro com preço equivalente ao dos demais países?
Segundo Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, “é verdade que a produção aumentou, mas agora ela está distribuída em mais de 20 empresas, de modo que a escala continua baixa”. Ele elegeu um novo patamar para que o volume possa propiciar uma redução do preço final: cinco milhões de carros.
 

sexta-feira, março 05, 2010

Mais um...

Tava andando aí pela internet hoje, meio p da vida, como to... e descobri um blog bem legal. Textos irreverentes, assuntos interessantes, bem bom mesmo. O nome dele é Calcinhas no Box. Sim, Calcinhas no Box. Vale a pena dar uma olhada. Só clicar aqui.
Olha o que eu achei por lá:

MULHER: SEXO FRÁGIL OU SEXO COVARDE?

Não quero mudar o mundo, nunca quis...
Não sou militante, não queimo sutiã em praça pública...
Levo a minha vida do meu jeito...
Faço apologia ao sexo consentido, às drogas para emagrecimento e ao consumo desenfreado de álcool. Ou seja, sou um péssimo exemplo.
Sou nordestina, mulher, quase loira, sapatão, pobre, gorda e feia. Então seria humanamente impossível carregar tantas bandeiras, mas não carrego por isso, não as carrego por que não me interessa...

Não vou militar por nenhuma causa. Não quero, não me atrai. Quando me interessa me posiciono, quando me é conveniente eu debato, quando não vai adiantar falar eu me ausento... Sou exatamente assim, e esse “assim” alguns chamam de egoísta. Não me importo.
Sabem com o que me importo de verdade? Quando me chamam de sexo frágil.
Quando eu era menina e ainda brincava com bonecas (oi??) eu ouvia Erasmo Carlos.
“dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda” eu achava que as mulheres se quebravam e por isso eu recortei a caixa de copos nadir Figueiredo e coloquei aquela tacinha na porta do meu quarto... Eu queria que todos soubessem que eu também era frágil. Eu achava que tudo que é frágil deve ser tratado e manuseado com cuidado, tudo que é frágil se quebra. No meu mundo encantado a fragilidade feminina estava carregada de uma ternura e essa ternura deveria ser respeita sob qualquer circunstância.
Anos se passaram, as bonecas foram esquecidas, o Erasmo ficou praticamente careca e as mulheres deixaram de ser frágeis...
Na verdade nunca fomos frágeis, sempre fomos covardes...
Por que mesmo tendo total poder de decisão nunca mudamos nada.
Somos o maior número de eleitores e quantas mulheres nós elegemos?
Representamos um número expressivo no mercado de trabalho e mesmo assim ganhamos menos.
A maioria dos telespectadores brasileiros são mulheres e mesmo assim aplaudimos o Marcelo Dourado que segue no programa como forte candidato para ganhar 1 milhão e meio de reais. Dourado não respeita o “outro” e quando digo “outro” não estou falando em viados e sapatões, estou falando do outro ser humano.
Quando você escolhe o Dourado como seu mestre você diz para Maria da Penha: “bem feito, você merecia muito mais”. Dourado é o tipo de homem que acha que mulher que usa roupas curtas pede para ser violentada, que mulher serve para abrir as pernas, só isso. Os conceitos douradianos certamente incluem apedrejamento por adultério, obrigação conjugal, casamento arranjado... é notório a certeza que ele tem da superioridade masculina. Dourado bateria em uma mulher sim, não se enganem...
O Jean Wyllys disse no twitter: “Talvez a audiência feminina do BBB10 esteja sendo mais complacente com a violência de Dourado pelo fato de está se dirigir a uma lésbica.”
E querem saber? Eu espero sinceramente que seja esse o motivo... Neste caso eu tolero a ignorância da homofobia, mas não tolero o machismo que é a mãe de toda e qualquer forma de violência contra as mulheres.
E era só isso que eu tinha pra falar.


sexta-feira, fevereiro 26, 2010

O drama da moça e o azar da turma da Mega-Sena

Toda semana compro um pedaço de dez reais do bolão da Mega-Sena na loteria aqui perto de onde moro. Deixo nome e telefone. A japonesa que me atende até já sabe o que quero, nem preciso falar. Faço mais cinco jogos numa aposta individual, pego os bilhetes e entrego para a minha mulher. E esqueço o assunto. Nunca me ligaram da loteria, pois, do contrário, não estaria mais aqui escrevendo…
No dia seguinte ao sorteio, invariavelmente, a Mara vem me avisar logo cedo: “Não deu nada”. E ela já sabe o que vou responder: “Vamos ter que continuar trabalhando…”. Toda semana é assim, tudo sempre igual, como nos versos do Chico.
Deve ser esta a mesma rotina de milhões de brasileiros que trabalham para pagar suas contas no fim do mes e sabem que a loteria é a única esperança de poder ter uma vida tranquila em que não precisem mais se preocupar com o tal do dinheiro.
Não costumo sonhar e fazer planos para o dia em que ganhar a sorte grande. Jogo por jogar, mais por hábito do que por ganância. Nem gostaria de ganhar sozinho um premio fabuloso como o deste sábado, que deve passar dos 70 milhões de reais. Dinheiro demais dá problema, como já vimos em tantos outros casos de novos milionários.
Pior do que não ganhar, eu sei, é ganhar e não receber, como aconteceu esta semana com os 40 apostadores da cidade gaúcha de Novo Hamburgo, que acertaram o bolão de sábado passado, mas vão ter que continuar trabalhando porque o jogo não foi registrado pela lotérica. O prêmio estava acumulado em 53 milhões de reais e já dava um bom dinheiro para cada um levar uma vida mais tranquila, mas o destino não quis assim.
Logo entraram em cena os apostadores inconformados, delegados, advogados e todo mundo deve ter pensado, calro, numa maracutais dos donos da lotérica: eles pegavam o dinheiro do bolão e simplesmente não faziam o jogo. No Brasil, infelizmente, é assim: todo mundo é culpado até prova em contrário.
Pois as cenas que vi na televisão na noite desta quinta-feira me deram a certeza de que o dono da lotérica, José Paulo Abend, tinha razão ao falar que foi uma “falha humana”. As imagens do circuito interno da lotérica mostram o momento em que a moça encarregada de fazer o jogo volta à “cena do crime” no sábado à noite, abre a gaveta sob a máquina, desespera-se, põe a mão na cabeça e cai no choro.
Quando ficou sabendo que mais uma vez ninguém tinha acertado as seis dezenas e o premio acumulara de novo, ela estranhou porque aqueles números estavam no comprovante do bolão, que seu pai também tinha comprado. Quer dizer, a bela jovem Diane Samar da Silva, 21 anos, azarou a vida da sua própria família, além dos outros 40, que foram dormir ricos e acordaram pobres ou remediados do mesmo jeito de sempre.
Agora não adianta advogado colocar a roupa mais bonita para ir à televisão dizendo que vai processar a lotérica, a Caixa Economica Federal, o diabo a quatro. Aconteceu. Por tudo que vi e li, não houve má-fé, estelionato, nada disso. Foi mesmo uma falha humana a que todos estamos sujeitos e posso imaginar o drama que a moça Diane está vivendo neste momento sozinha em sua casa, sem poder andar nas ruas da bonita cidade de Novo Hamburgo. São coisas que acontecem, fazer o que? Jogar mais uma vez…

Do Balaio de Gato, do Ricardo Kotscho

segunda-feira, outubro 05, 2009

Ruídos Insones

Passando lá pelo blog da Giovana Damaceno, vi um post que me chamou muito a atenção. Ela escreveu sobre os ruídos que escuta à noite, lá pelos lados em que mora. Dentre os que ela citou - aliás, que escreveu durante uma noite de insônia, à mão - estão o vento na fresta da janela, as folhas do antúrio batendo no vidro do quarto dela, carros passando no estradão, o motor da geladeira, a televisão do vizinho, o choro do bebê do vizinho e a voz da mulher do vizinho (ow... chato esse vizinho, hein!?).
E eu achei tão curioso que me pus a pensar nos ruídos insones da minha vida.
Foi isso o que fiz ontem, quando me deitei pra dormir. Não fiz lista escrita como a que ela fez, fiz apenas uma mental e hoje, aqui, vou tentar me lembrar - pelo menos - dos principais.
A rua em que moro tem apenas residências, então, à noite, os barulhos mais comuns são os digamos, domésticos.
Não há nenhuma casa colada ao prédio no qual moro, o que torna um pouco mais difícil que ruídos cheguem até mim. Mesmo assim, há ruídos. Um deles, muito comum: o do "segurança" que passa de moto umas quatro vezes durante a noite, tocando uma buzininha que imita uma sirene. A função dele é assustar algum vagabundo que estiver tentando entrar em uma casa e ligar 190. Sim, se ele vir algum vagabundo, a função dele é avisar a PM via 190, claro.
Outro ruído que eu escuto é de carros. Muitos carros. Mesmo sendo uma rua de residências, muitos carros sobem por ela, normalmente em alta velocidade, para ter acesso a um comércio que há uns trezentos metros acima da minha casa. Comércio de que? Não sei, eu nunca fui lá, mas dizem que vendem carro importado.
Também escuto o barulho das folhas das árvores voando e batendo nas paredes do prédio; gritos dos morcegos que voam por lá também dá pra escutar.
De vez em quando, eu escuto tiros. Segundo a polícia, são disparos efetuados em virtude do fim da redução do IPI, assinado pelo presidente Lula, e que fez subir os preços dos carros importados que são vendidos nesse comércio que funciona lá perto de casa. Como nunca fui lá...
O que mais eu escuto? O motor da geladeira e do freezer não dá, eles ficam longe do meu quarto.
Deixa-me ver... ouço conversas na rua. Sim, isso há muito.
Há também, senão todas as noites, seis por semana, pagode. Tem uma família que mora umas oito casas distantes da minha, que insiste em fazer churrasco e tocar pagode - ao vivo - sempre. Este é o pior de todos. Deus me livre.
Os outros ruídos eu não escuto. Já devo ter dormido.

domingo, fevereiro 08, 2009

Se cachorro fosse professor...

Você aprenderia coisas assim:*


Quando alguém que você ama chega em casa, corra ao seu encontro.
Nunca perca uma oportunidade de ir passear.
Permita-se experimentar o ar fresco do vento no seu rosto.
Mostre aos outros que estão invadindo o seu território.
Tire uma sonequinha no meio do dia e espreguice antes de levantar.
Corra, pule e brinque todos os dias.
Tente se dar bem com o próximo e deixe as pessoas te tocarem.
Não morda quando um simples rosnado resolve a situação.
Em dias quentes, pare e role na grama, beba bastante líquidos e deite debaixo da sombra de uma árvore.
Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.
Não importa quantas vezes o outro te magoa, não se sinta culpado...volte e faça as pazes novamente.
Aproveite o prazer de uma longa caminhada.
Se alimente com gosto e entusiasmo.
Coma só o suficiente.
Seja leal.
Nunca pretenda ser o que você não é.
E o MAIS importante de tudo...
Quando alguém estiver nervoso ou triste, fique em silêncio, fique por perto e mostre que você está ali para confortar.
A amizade verdadeira não aceita imitações!!!

*Publicado originalmente na Flor de Liz da Thayra

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Os sete pecados*

Eis os sete pecados capitais e suas respectivas definições...

1) Gula: consiste em comer além do necessário e a toda hora;

2) Avareza: é a cobiça de bens materiais e dinheiro;

3) Inveja: desejar atributos, status, posse e habilidades de outra pessoa;

4) Ira: é a junção dos sentimentos de raiva, ódio, rancor que às vezes é incontrolável;

5) Soberba: é caracterizado pela falta de humildade de uma pessoa, alguém que se acha auto-
suficiente;

6) Luxúria: apego aos prazeres carnais;

7) Preguiça: aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço físico.




Prometo hora dessas me animar e postar aqui cada pecado que cometo, em cada categoria.

*Publicado originalmente lá no Palavras

terça-feira, fevereiro 03, 2009

sábado, janeiro 03, 2009

Receita de Ano Novo*

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.



*Lá do Sentido ~Giovana Damaceno

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Incrível como eu me identifiquei com este texto da Giovana Damaceno. Aliás, eu fiz a mesma promessa três anos atrás...

Sobre o Natal, de novo*

No final do ano passado prometi a mim mesma que em 2008 não escreveria mais nada sobre Natal. Isso porque fatalmente cairia na mesma mesmice de sempre, como o próprio Natal é. Mas não agüentei. Não dá para observar toda essa fúria consumista a minha volta e ficar quieta. E continuo sem entender o porquê de tanta agitação.
Em Volta Redonda, onde moro, já está difícil sair de carro em dias normais, devido à quantidade absurda de veículos nas ruas. Em dezembro, o melhor mesmo seria ficar em casa, bem quietinha, a espera de janeiro. Não se chega à Vila; não se circula na avenida Amaral Peixoto. Sem falar no único shopping da cidade – da região também – cujo estacionamento não comporta o movimento de compras natalinas. Enfim, uma roubada sem tamanho.
E tudo para celebrar o Natal, mas eu pergunto: que Natal? Que Natal é esse em que só se lembra do próximo em dezembro; que só se pensa em unir a família em dezembro; que só existe solidariedade com os mais carentes em dezembro; que só se presenteia a quem se ama em dezembro? O que há de errado com o nosso calendário, ou com a gente, que somente no Natal é que nos lembramos que podemos ser melhores?
“Já colocou o pernil no forno?”, “Esse arroz não vai dar”, “Fulana, você trouxe a sobremesa?”, “Tem que mandar assar mais um frango porque esses três não serão suficientes”, “Traz o outro isopor, que neste aqui não vão caber todas as cervejas!” Você, com certeza, em alguma comemoração de Natal, já ouviu alguma dessas frases, ou pelo menos algo parecido. É outra característica do que conhecemos como celebração natalina atualmente. Comida, comida, comida... e muita bebida. Jesus está lá, renascendo, e só se pensa em comer desarvoradamente e beber até perder a noção, “porque é Nataaal!”
Sinceramente, não vejo sentido em nada disso, e não participo e não me envolvo. Reúno-me com minha família, que comete de tudo um pouco desses exageros, mas não consigo entrar nesse clima de irrealidade, de um espírito natalino totalmente desvirtuado. Volto para casa de madrugada e ouço som de axé, pagode, forró, gritaria. Como se fosse um baile de carnaval, pra “beber, cair e levantar”.
Chega-se ao dia 26 com uma ressaca inominável, e toda a vida real chega junto. Irmãos que não se suportam; noras que odeiam as sogras; cunhado apaixonado pela cunhada; maridos que se lixam para as mulheres e vice-versa; maridos que espancam as mulheres; pais que espancam os filhos; filhos que desrespeitam os pais; chefes despóticos; políticos que metem a mão no dinheiro público; funcionário público que mete a mão no dinheiro do povo; criança se drogando na rua; cachorro abandonado pelo próprio dono e assassinado no Centro de Controle de Zoonoses; peixe morto envenenado no rio Paraíba; lixo no rio Brandão e por aí vai. Tudo volta ao ‘normal’, depois do Natal.

*Lá do Sentido ~ Giovana Damaceno

segunda-feira, novembro 17, 2008

Maldição sobre Jornalistas*

Contam os alfarrábios que quando Deus liberou para os homens o conhecimento sobre a informação, determinou que aquele 'privilégio' iria ficar restrito a um grupo muito pequeno de pessoas. Mas neste pequeno grupo, onde todos se acham 'semideuses', já havia aquele que iria trair as determinações divinas.

Aí aconteceu o pior! Deus, bravo com a traição, resolveu fazer valer alguns dos mandamentos do jornalista:

1º) Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.

2º) Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.

3º) Estarás condenado ao eterno cansaço físico e mental.

4º) Terás gastrite, se tiveres sorte. Se fores como a maioria, terás úlcera, pressão alta, princípios de enfarte, estresse e depressão. E, perto de se aposentar, terás câncer.

5º) A pressa será tua sombra e tuas refeições principais serão o lanche da padaria da esquina, a pizza do pescoção ou uma coxinha comprada no buteco mais próximo do local onde realizarás as reportagens.

6º) Teus cabelos ficarão brancos antes do tempo; se te sobrarem cabelos.

7º) Tua sanidade mental será posta em xeque antes de completares cinco anos de trabalho.

8º) Ganharás muito pouco, não terás promoção, não terás perspectiva de melhoria e não receberás elogios de seus superiores e leitores. Porém, as cobranças serão duras, cruéis e implacáveis.

9º) Trabalho será teu assunto preferido; talvez o único.

10º) A máquina de café será tua melhor colega de trabalho; a cafeína, porém, não fará mais efeito.

11º) Os butecos que ficam abertos de madrugada serão tua única diversão e somente neles poderás encontrar malucos iguais a ti.

12º) Terás pesadelos freqüentes com horários de fechamento, palavras escritas erradas, reclamações de leitores, matérias intermináveis, processos, gritos ao telefone... E, não raro, isso acontecerá durante o período de férias.

13º) Tuas olheiras e mau humor serão teus troféus de guerra.

14º) Por mais que sejas um profissional ético, serás visto na rua como um canalha.

15º) E, apesar de tudo isso, haverá uma legião de “focas” querendo ocupar o seu lugar.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Pela ética na TV*

"Televisão consciente para um Brasil diferente"

Em tempos de Isabelas e de Eloás, eis que sou apresentada à campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, criada para fiscalizar a programação de TV no Brasil, desde o entretenimento até o jornalismo. Trata-se, na prática, de um instrumento democrático que possibilita à população participar da construção de uma televisão cidadã. A campanha foi criada em novembro de 2002, por iniciativa da sociedade civil e da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.
Por telefone (0800 619 619) ou pelo
site da campanha, qualquer pessoa pode denunciar um programa ou algo que tenha visto na TV que o desagradou ou que julgou anti-ético.
O desrespeito aos direitos humanos pode ocorrer através de cenas e informações que ferem a dignidade. Os exemplos mais comuns são:
* Discriminação e preconceito racial, sexual, religioso e de pessoas com deficiência;
* Afronta à dignidade humana, que ridiculariza pessoas;
* Estímulo à erotização infantil;
* Exposição abusiva de crianças e adolescentes;
* Exploração sexual;
* Apologia ao crime;
* Divulgação de imagens de internos ou suspeitos;
* Imputação de crime sem provas ou condenação;
* Exploração da imagem de pessoas doentes ou com deficiências;
* Restrição da liberdade de expressão à sociedade em geral;
* Criminalização dos movimentos sociais.
As tvs brasileiras são concessões públicas, administradas por empresas ou grandes grupos empresariais que pensam que podem utilizar o espaço como bem entendem. Não podem.
A sociedade tem todo o direito de intervir e exigir uma programação de qualidade e a campanha pela ética na tv é um grande passo nesse sentido. Somos nós, milhões de brasileiros que devemos nos (re) unir para que a programação dos canais de televisão cumpram seu papel social de informar e entreter sem ferir a dignidade e os direitos humanos, sem Pânicos, Ratinhos, Zorras e Klebers (este já está fora, por força de ação do Ministério Público, amém).


*Da minha queridíssima Giovana Damaceno, de Sentido

segunda-feira, outubro 20, 2008

Concordando com a Rede*



O ator Pedro Cardoso, o Agostinho de "A Grande Família" fez um manifesto contra nudez de atores e atrizes na dramaturgia brasileira. No elenco de Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, de Domingos de Oliveira, Pedro Cardoso pediu para que o filme não contivesse cenas de nudez, apesar de ter o sexo como tema.
A atriz Cláudia Abreu, que integra o elenco do filme, apoiou o manifesto antinudez do colega Pedro Cardoso. Após o discurso do ator, no Cine Odeon, ela foi ao microfone e disse: "Queria dizer que sou atriz e endosso tudo o que ele falou. Passei por uma situação recentemente. Ele está completamente certo".
Pedro Cardoso publicou a íntegra do seu manifesto em um blog criado especialmente para isso. Foram mais de oito mil visitas em uma semana, com centenas de comentários. Além do texto lido no Cine Odeon, o ator publicou trechos do original, que foram retirados para que se discurso não ficasse muito longo.
Leia o manifesto aqui.


* Do Sentidos ~ Giovana Damaceno



Café com leite, pão com manteiga e bom humor*

Chego ao balcão da padaria e espero menos que 10 segundos. A atendente, lavando copos, me abre um sorriso do tamanhão do rosto dela: “Boa tarde, pode falar!” Já surpresa diante de tanta simpatia, peço um café pingado e um pão com manteiga. Tenho poucos minutos para driblar o apetite enquanto espero o horário da minha consulta no prédio ao lado. A padaria está cheia, como sempre. Ainda mais numa tarde fria, perfeita para um café bem quentinho e um pão fresco. E as meninas, as atendentes, numa felicidade que nunca presenciei.
Freqüentei essa mesma padaria um tempo atrás, quando trabalhava perto. Só tomava meu café ali porque o pão era (e ainda é) muito gostoso e eu estava sempre atrasada, portanto, era mais prático. Com o meu bom humor de sempre, chegava, dava aquele sonoro bom dia e o que eu recebia em troca era um olhar fulminante da balconista. Todos os dias. Em silêncio ela arrumava meu pão com manteiga, meu café com leite, colocava-os em cima do balcão e virava as costas. Ao sair, sempre me despedia e até hoje não sei se ela fingia que não escutava.
Em quase todos esses lugares é mais ou menos a mesma situação. Pessoas mal humoradas, tristes, mal pagas, mal tratadas pelos patrões, desrespeitadas de várias formas, acabam revelando suas dores e amarguras por meio de suas expressões (ou falta delas). Já vi das piores caras em diversos tipos de estabelecimentos, de supermercado a sorveteria, de manicure a floricultura, de loja de tintas a botequins, de clínicas médicas a restaurantes.
E eis que depois de muito tempo volto àquela mesma padaria e encontro um ambiente totalmente anormal, se comparado ao mau humor comum que reina no comércio e na prestação de serviços (salvo raríssimas exceções). Três balconistas sorridentes, conversando, cantando, brincando entre si e com os clientes, tratando as pessoas pelos nomes. Eu e uma mulher ao meu lado nos olhamos, sem acreditar no que víamos. “Nossa, gente, quanta felicidade nesse lugar”, ela disse. E lá de dentro veio esta: “É assim mesmo, trabalhamos sempre assim. Olha lá no caixa. A outra fica reclamando da gente, mas ela queria mesmo é estar aqui, rindo e cantando também, mas não pode”, brincou a balconista.
Saí da padaria rumo ao consultório médico tentando imaginar como seria a vida de cada uma daquelas mulheres. Com certeza, não muito diferente da vida de todas as outras e outros que são empregados neste tipo de estabelecimento. Madrugam para trabalhar, ajudam a família no sustento da casa, ou sustentam filhos sozinhos, fazem jornada tripla, ou quádrupla, ganham um salário daqueles que a gente praticamente paga pra trabalhar. Enfim, têm problemas como todo mundo e, por isso, teriam o direito a viver de cara feia, como todo mundo. Mas não. Fazem justamente o contrário e nem sei se têm consciência de que desta forma realmente conseguem tornar seus dias melhores. Só sei que conseguem.
Na verdade, naquele dia eu estava com um problemão na cabeça e foi extremamente reconfortante tomar aquele café com tanta alegria a minha volta. É isso aí. Nunca sabemos se quem está por perto precisa de uma palavra de carinho, apoio, sei lá. E ao sentir toda aquela energia positiva, concluí que nem tudo está perdido, mesmo. Seja qual for o motivo que possa me deixar de ‘bico’, a melhor solução, sempre, é encarar a vida com bom humor, já que cara feia não traz solução pra nada.

*Lá do Crônicos


O homem e a máquina*

Se a internet trouxe muitas facilidades para o dia a dia da comunicação ela também gerou alguns infortúnios que a sociedade ainda não sabe como lidar. Os exemplos são muitos: casos de pedofilia, golpes bancários, problemas com direito autoral, conspirações para planos de assassinato e até contato entre os presos via rede. Mas, existe um outro dano um pouco menos visível conseqüente desta comunicação virtual: a mudança nas relações humanas e no comportamento social. Por ser tão democrática e encurtar distâncias em questões de segundos, a internet tornou-se um mundo paralelo, onde se vale tudo e qualquer um pode jogar. Na rede, não há RG nem CPF. Você pode ser quem quiser e passar a vida à sombra de seus personagens.
Atualmente, é possível fazer quase tudo pela rede e às vezes me pergunto como o mundo funcionava antes de seu invento. Lembro-me das pesquisas de colégio feitas naquelas enormes enciclopédias, com linguajar quase indecifrável e que nem sempre encontrava tudo o que queria. Hoje, com uma única palavra no Google, podemos ter a ficha completa sobre qualquer assunto, mandar um copy/paste e o trabalho está completo. Lembro-me também do tempo em que escrevia cartas e cartas à mão para mandar notícias pra família durante meu ano na Austrália. Era o início da era virtual e foi quando fiz o meu primeiro e-mail. Desde então, nunca mais escrevi cartas.
Diante da tela do computador quebraram-se barreiras e a velocidade da informação nos bombardeou com milhares de novidades por minuto. Mas, esta facilidade tão grande promovida pela navegação vem transformando em muito os hábitos sociais. As pessoas num mesmo recinto se comunicam por chats. O diálogo passou a ser pelo teclado. As relações se limitaram às telas. Ao invés da conversa ao telefone, parabenizamos amigos por e-mail, resolvemos relações amorosas por messengers, e a conversa ao ouvido tem se tornado quase extinta. Eu mesma, na minha profissão de assessora, já fiz jornalistas amigos apenas pelas trocas do correio eletrônico. Nunca vi seus rostos, nunca escutei suas vozes, mas trocamos diariamente informações como se troca com alguém da família. E quando menos se espera a intimidade se fez ali, por um nome de remetente e um destinatário.
Confesso que adoro a tecnologia e a praticidade que a internet fornece, mas fico extremamente assustada quando vejo jogos como o Second Life fazendo tanto sucesso. Para quem não ouviu falar trata-se de um jogo de relacionamentos “interpessoais”, em que você adquire uma vida real no mundo virtual, com trabalho, renda, casa, etc. O jogo possui uma moeda própria, o Linden dollar (L$), que pode ser convertida em dólares verdadeiros, respeitando a sua cotação no dia corrente (a cotação atual é de aproximadamente 1 Dollar para 300 Linden Dollars). As possibilidades de enriquecimento são variadas. Pode-se construir objetos, comprar e vender terras, construir imóveis, desenvolver assessórios para avatares (este é o nome dado ao homem dentro do jogo), trabalhar para outros avatares e por aí vai.
Como o próprio nome do jogo sugere, entrar no Second Life é como viver uma outra vida, porém virtualmente. Desta forma, o sucesso obtido na sua carreira virtual influi diretamente na vida real. E assim, as pessoas vão se aprisionando cada vez mais neste mundo “fechado”, frio e ilusório. Um mundo em que os sonhos tornam-se facilmente reais, dando a falsa a impressão de que isso te realiza na mesma proporção. A sensação que tenho é que o homem criou as máquinas para lhe servir, mas agora quem as serve somos nós.

* Do Molhando as Palavras

quarta-feira, agosto 27, 2008

O país que cai de bunda e chora*

Sou tomado de profunda melancolia ao contemplar o desempenho do Brasil nas Olimpíadas... e constatar nossa colocação no quadro de medalhas... comparar nosso país com os países que estão à nossa frente.
Fico triste ao ver que na nossa seleção olímpica de futebol existem jogadores que ganham milhões e milhões de dólares, enquanto representantes do nosso judô choram e são humilhados por não ter dinheiro para pagar o exame de faixa preta.
Fico irado ao ver o Galvão Bueno, nas transmissões da Globo, enaltecer delirantemente 'o gênio mágico' do 'fenômeno' Phelps, nadador norte-americano... e não falar no mesmo tom do nosso nadador Cielo, este sim, um fenômeno. Fenômeno porque treinou seis horas por dia nos três últimos anos, numa cidade do interior dos EUA, sustentado pelos próprios pais e pela generosidade de alguns amigos, pois não recebe um auxílio oficial.
Fico depressivo ao contemplar na TV nossas minguadas medalhas de bronze.E fico pensando que, de cada mega-sena e outras loterias oficiais, o governo paga apenas 30 % do arrecado ao ganhador e propaga que os outros 70 % são destinados a isso ou aquilo, sem que a gente possa fiscalizar com nitidez essa aplicação.Estou por completar 66 anos. E desde pequenino tem sido assim. Lembro do Ademar Ferreira da Silva, nosso bicampeão olímpico do salto tríplice que foi competir tuberculoso!
E jamais me sairá da mente o olhar de estupor de Diego Hipólito caindo de bunda no chão no final da sua apresentação, quando por infelicidade e questão de dois segundos deixou de subir ao pódio. E de suas lágrimas pedindo desculpas, quando ele não tem culpa de nada. Das lágrimas de outros atletas brasileiras dizendo que não deu. Pedindo desculpas aos familiares e ao povo.
Meus Deus!
Será que vou morrer vendo um povo que só chora e pede desculpas?
Será que vou morrer num país que se estatela de bunda no chão, enquanto os políticos roubam descadaradamente e as CPIs não dão em nada?
Será que vou morrer num país que se contenta com o assistencialismo e o paternalismo oficiais, um povo que vende seu voto por bolsa-família e por receber um botijão de gás de esmola por mês?
Até quando, meu Deus?

*Por James Pizarro

Recebi este texto por e-mail de uma amiga e, buscando pela procedência do autor, encontrei seu blog... um professor universitário, que vale a pena ser lido!