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sábado, novembro 16, 2019

Atualizando

Um ano!

Sim, em menos de dois meses, meu recorde de sumiço daqui seria batido. Um ano. Um inacreditável ano! To aqui tentando me lembrar quando fiquei tanto tempo sem escrever.... e acredito que este tenha sido o maior. Mas estou resguardada pelo motivo mais real de todos: ser mãe de duas. Gente, isso não é para amadores! Mas deixo pra outra postagem - que, espero, não demore tanto. Cá estou eu, pra tentar, em algumas poucas linhas, atualizar geral!

Catherine

Da última vez que eu passei por aqui, foi pra falar do meu 2018. Três dias depois, Catherine completou um mês de vida. Pois bem, falando assim, fica mais assustador esse tempo todo que eu passei fora... rsrsrs. E se faz quase um ano, Catherine está com quase um ano! Coisa mais rica da minha vida... um pouco mais adiantada que a Aurora, tem dez dentes, praticamente anda e sorri pra todo mundo... não, não pra todo mundo. Pra maioria das pessoas. Ou talvez não... mas tudo bem. Esta foto foi feita em julho, quando ela tinha 7 meses. É ou não é linda essa minha filha 2?



Aurora

Bem, Aurora tinha virado outra criança com a chegada da Catherine e permaneceu sendo outra por alguns meses. Mais ou menos quando a irmã começou a interagir, ela voltou a ser ela mesma. Só que aí ela estava com três anos e, dizem, tem esta idade uma fase bem difícil (como se as anteriores não fossem). Aí, Aurora que já tinha voltado a ser Aurora, virou outra Aurora... autoritária, faladeira (não, ela já era antes disso), mandona, respondona... mas continuava linda. Continua, aliás. E estamos conseguindo contornar bem os desmandos dela. Na maior parte do tempo, confesso.



Vida

A vida por aqui continua difícil, obrigada. Aquela mesma história de sempre, que eu não me lembro, mas provavelmente já falei aqui. Muito frio (que, inclusive, começou junto com o outono), idioma, cultura... enfim. Tudo é diferente e isso torna tudo mais difícil. Já são três anos e, teoricamente, é tempo suficiente para estarmos completamente adaptados e felizes. Adaptados estamos, felizes também... mas não é só isso. Provavelmente vamos sentir pra sempre as diferenças.E seguimos preferindo estar aqui. Deus tem nos sustentado e estamos na dispensação do Pai.

Família


Pode parecer clichê, e talvez seja mesmo, mas o fato é que as dificuldades nos unem. Sempre. Sejam quais dificuldades forem. Clima, cultura, idioma, filhos, morte, doença.... e como estarmos num país que não é o nosso não é moleza, nossa família está sempre muito unida. Nós aqui, que moramos sob o mesmo teto, e nossos amados parentes, que estão a milhares de quilômetros de distância. Deus tem sido tão bom conosco, que, depois de os meus pais virem juntos em dezembro (ele voltou em janeiro pro Brasil e minha mãe ficou até março), minha mãe voltou pra cá em julho e ficou até o final de outubro. Quer coisa melhor? Só se eles pudessem ficar aqui sempre...


Frio

Sobre o bendito frio eu já falei outras vezes com certeza. Estamos numa região bem próxima do Canadá (só pros meus três leitores - que eu nem sei se ainda existem - terem uma noção geográfica) e aqui faz bastante frio. O outono começou em setembro, quando a primavera chegou no Brasil. E em outubro já estava fazendo frio. Estamos no dia 16 de novembro e tivemos neve há quatro dias por aqui. Ou seja, é friaca mesmo! E ela dura oito meses. Só veremos dias quentes novamente em junho. E eles vão se repetir até agosto. Depois, em setembro, cabô!

Trabalho

O meu de jornalista continua, com força total. Não, não com tanta força assim... mas continua. Mesmo longe, continuo fazendo trabalhos de revisão textual e produção de texto para sites e redes sociais. Consultorias não existem mais. Além disso, estou mais cozinheira que nunca! Empadão, pães de mel, bolos, biscoitos.... vamos que vamos!

Amizades

Eu sou o exemplo vivo de que a distância não diminui a amizade. Pelo menos as minhas amizades, não diminuiu. As mais próximas e verdadeiras, permaneceram. Algumas outras, também verdadeiras, ainda estão aqui, embora um pouco sumidas. O fato é que contatos são mantidos, outros se vão... mas o que é a vida, além de um grande vir e ir de pessoas?

Igreja

Já falei aqui e repito o quanto eu sou grata a Deus por nos colocar em uma comunidade evangélica tão sincera. Pessoas sinceras, pastores sinceros, Palavra de Deus sincera e necessária... irmãos de fé que se tornaram irmãos de verdade. Pessoas com as quais convivemos, contamos e as quais amamos grandiosamente. Deus continue nos abençoando.

segunda-feira, dezembro 31, 2018

Ano velho X Ano novo

Bem clichê, uma postagem sobre o dia de hoje, né? Todo mundo fazendo, falando, se desejando coisas boas, fazendo retrospectivas.... e isso chega a ser meio chato. Sério... não sou muito ligada a esses desejos, tão comuns para o Natal e o Ano Novo. No Natal, eu simplesmente acho que não tem muito sentido a gente desejar "feliz natal", quando a real comemoração é o nascimento daquele que nos amou primeiro. Por isso eu deixo passar e não uso esses desejos para a data. E para o ano novo, eu acredito, sinceramente, que Deus está no controle de tudo e como eu O busco diariamente e confio no poder que Ele tem sobre a minha vida, eu me preocupo em orar pelos meus e, quando respondo a algum desejo de alguém, eu sempre digo "Deus o abençoe no próximo ano". Penso que isso é o mais sincero que eu posso dizer.
O caso é que hoje eu acordei e li a mensagem de uma grande amiga, que passou por situações bem difíceis em 2018, em várias áreas da vida, E depois, outra mensagem, de um amigo que não vejo há alguns anos, e ele expressava o quanto estava feliz pelas conquistas que tiveram início em 2018 e irão se concretizar em 2019. Foram duas mensagens emocionantes, que me fizeram pensar no meu ano, que acaba em poucas horas....
Pra começo de conversa, o meu ano, provavelmente, foi um dos mais difíceis da vida, não por um acontecimento específico, mas pelo fato de eu estar vivendo longe dos meus pais, parentes aos quais eu sempre fui muito ligada e amigos - que amo tanto que chega a doer. Isso, com toda certeza, faz tudo ficar mais difícil. Ter um problema e não poder sentar com a minha mãe, receber uma boa notícia e não poder fazer um jantar pra anunciar aos amigos, não ter como abraçar meu pai após um conselho.... essas e outras são dificuldades pra mim. Pra muitos, com toda certeza, não é.
Só que o meu ano não foi só isso. Eu passei 2018 bem, buscando a Deus, amando-O sobre todas as coisas e aprendendo com Ele a buscar, primeiro, as coisas do Reino. 
O 2018 foi o ano da segunda filha. E, como a gravidez dura muito tempo, foi praticamente todo o ano de preparação para a segunda filha. Descobrimos Catherine nos dias de neve e ela chegou nos dias de neve... ou seja, tivemos bons meses para nos preparar. E ela chegou lindamente, mas tirando do eixo aquilo que já estava encaminhado (e isso é assunto pra outra postagem). E a chegada dela foi a parte mais linda que Deus nos reservou para todo o ano. A chegada de um filho é a parte mais linda na vida de qualquer pessoa.
O 2018 foi o ano do aprendizado. Aprendi muito.... inclusive que ainda falta muito a aprender. Aprendi a viver um dia de cada vez, não sofrer com o que está reservado pra outro dia. Aprendi a amar muito mais as pessoas que me cercam. Minha família, meus amigos - mesmo os que estão longe, meus irmãos em Cristo - pessoas excepcionais, que Deus escolheu a dedo pra colocar ao meu lado. Algumas coisas, ainda não aprendi.... estão no processo. Mas eu chego lá. Em 2018, comecei a colocar isso em prática. Pedir mais, ajudar mais, doar mais.
Em 2018, senti saudade. De quem está longe e de quem já se foi. Acho que a gravidez e a chegada da Catherine me fizeram sentir essa saudade, ainda maior do que eu já sentia. Minha irmã Mônica e minha avó Raquel. Quem conviveu com elas, sabe do quanto as duas amavam crianças. A Mônica, que viveu a vida sonhando em ser mãe - e acabou sendo indiretamente - e a minha avó, que sonhava em ver um bisneto. Este ano, as duas seriam muito felizes.... Aurora, Israel e Rachel crescendo lindos, muito espertos e cheios de amor, e Catherine chegando.... isso me emociona e deixa meu coração em pedaços.... mas tenho consolo no Senhor, que sabe de todas as coisas.
Em 2018, aprendi que a paciência é a maior virtude do ser humano. Inclusive biblicamente falando. Passei o ano buscando essa paciência e sendo testada. Posso dizer que perdi a linha algumas vezes - a última delas, inclusive, foi ontem -, mas na maior parte do tempo, consegui me manter de pé, pacientemente.
Este ano foi de conquistas. Financeiras também. E tenho certeza de que foi só uma preparação para o próximo ano, para o qual as metas já estão mentalmente traçadas e incluem outras conquistas. Como Deus continuará à frente, sei que será outro ano de muitas colheitas.
Em 2018, buscamos a Deus junto com irmãos incríveis, e direcionados por líderes que, com toda certeza, foram chamados e capacitados por Deus. Agradeço a Ele por nos dar pastores tão comprometidos com a verdade, compromissados com ensinamentos que só visam à nossa vida com Deus. Inclusive, com estes pastores, aprendi que o mais importante na vida é a busca de ser menos eu e mais Deus.
Ah, e este finalzinho nos trouxe meus pais. Minha mãe, que eu não via há um ano, e meu pai, que não via há dois. Foi a primeira vez que ele veio a este país... conheceu a Catherine e a Rachel e reviu a Aurora. Tem sido dias emocionantes e muito bons... e sou muito grata a Deus por ter nos proporcionado este encontro em terras distantes da nossa. É a realização de um sonho pessoal do meu pai e, consequentemente, meu também.
E eu posso resumir meu ano em uma palavra neste momento: gratidão. Gratidão por cada momento que vivi, pelo trabalho, pela vida, pela família, pelos amigos, pelas lutas. Gratidão a Deus, pelo amor incondicional, gratidão a este país, que nos acolheu e nos trata como filhos. Gratidão por tudo o que vivemos, por cada livramento, por cada problema - mesmo os sem solução.
Obrigada, Deus. Obrigada por cada um, por tudo.
E continue sendo o centro do meu viver em 2019, direcionando a minha vida e a minha família.

quinta-feira, outubro 18, 2018

18 de outubro

Sempre achei o dia 18 de outubro uma data muito bonita. Acho que porque a sonoridade de "18 de outubro" é bonita, combina... quase rima. Mas não só por isso. Quase todos os dezoitos de outubro da minha vida foram de comemoração ao aniversário da Mônica, minha irmã mais velha. Isso fazia do dia muito mais bonito, mesmo depois que ela se casou, mudou de cidade e parou de comemorar o próprio aniversário. Lembro-me de ligar pra ela logo cedo e, em vez de "alô", ouvir "irmããããã!".... era assim que ela atendia ao telefone quando eu ligava. E lembro também de que quando eu ligava de um número que ela não conhecia, ela dizia "pronto". Eu perguntava "pronto o que? Tem bolo pronto aí?". Ela ria.


Isso acontecia no aniversário dela, mas não só. Ela era assim, em qualquer dia, a qualquer hora, não importando como ela estivesse. Isso era bom, fazia bem. Não esqueço da saudade que eu sentia dela, quando morava em Brasília. Várias vezes eu telefonava e pedia pra ela cantar uma música que eu gostava muito. Uma não, duas. Eram duas músicas infantis, mas que eu gostava muito de ouvir quando ela cantava. E ela sempre cantava quando eu pedia. Até hoje, nunca consegui cantar as duas musiquinhas pra Aurora... não consigo. A garganta trava, os olhos enchem de lágrimas.... eu acabo deixando pra outro dia.
E isso passou a acontecer há cinco anos, 38 anos e dois meses depois do nascimento dela. No dia em que Deus a tirou do nosso convívio na terra. Desde então, o dia 18 de outubro ficou mais frio, mais escuro, menos bonito.... mais triste mesmo. A cada ano, coisas novas acontecem em nossas vidas, pessoas novas chegam, alegrias, novas tristezas, perdas, ganhos, trabalhos, sorrisos, lágrimas.... mas aquele sentimento de "não temos mais a Mônica", não nos deixa. Está aqui, sempre. Todos os dias, mas muito mais presente em alguns dias específicos. No aniversário dela, no Natal que ela sempre gostava de comemorar, quando ouço alguns hinos que ela cantava como ninguém e em alguns outros momentos.
Essa semana foi de lembranças. O desenvolvimento da Aurora, cada frase nova que ela forma, as sapequices, as músicas que ela canta.... me fazem sempre imaginar como a Mônica reagiria. Ela amava crianças e sonhava em ter filhos. Aurora e Rachel seriam a felicidade da vida dela. E agora, a Catherine.
Mas Deus sabe de todas as coisas. Ele tem nos sustentado, tem nos mantido de pé, firmes. E tem nos consolado a cada dia também. Aos nossos pais, nossas famílias. E tem nos ensinado também. 
Obrigada, Senhor. Em meio às adversidades, precisamos de serenidade e fé para perceber a vontade de Deus para as nossas vidas.

terça-feira, janeiro 09, 2018

Aqui é assim... compras

Se o assunto são compras, quaisquer que sejam elas, aí o assunto é bom. E se as compras forem nos Estados Unidos, aí o assunto é ainda melhor. Primeiro, porque a oferta de produtos é infinita, de todos os tipos. Depois, porque com moeda forte e impostos justos, comprar (ou pagar) não é sinônimo de sofrimento, como no Brasil.
Nos supermercados, a gente chega a ficar perdido. Sabores, marcas e produtos e sequer existem em outros lugares do mundo. Comida é barato. Frutas, legumes, leite, ovos. Nas lojas de roupa, faz-se enxovais inteiros, para adultos, crianças ou bebês, com relativamente pouco dinheiro.
Outro item do qual nós, brasileiros, chegamos a sonhar, é comum e muito acessível por aqui. Eletrodomésticos de última geração, que têm funções inacreditáveis (pelo menos para nós, meros mortais), televisões enormes, computadores, telefones celulares.... nada disso é luxo. Quem trabalha, pode comprar tranquilamente.
Produtos de marcas mundialmente famosas, que no Brasil precisam de anos de planejamento financeiro para serem adquiridos, nos Estados Unidos não chegam, jamais, a ser sonho de consumo. Exatamente por terem preços acessíveis. Um par de tênis “venerado” por jovens brasileiros, que pode custar 800 ou 1000 reais no Brasil, é facilmente comprado aqui por menos de 100 dólares. Convertendo, o que a gente aprende a não fazer mais, esse par de tênis custa 300, 320 reais...
E outra coisa... americano, ao contrário do que muita gente pensa, em sua maioria, não esbanja. Exemplo claro é uma rede de lojas chamada Dollar Tree. É como aquelas de 1,99 no Brasil, mas aqui, vendem absolutamente tudo por 1 dólar. E raramente a gente encontra uma loja dessas vazia. Produtos de limpeza, de festa, de escritório, beleza, alimentação, brinquedos, enfeite, doces, frios, ovos.... tem de tudo. Até camarão e salmão.


É o povo daqui, valorizando o próprio dinheiro. E sabendo onde e como gastar.

quarta-feira, janeiro 03, 2018

Carta para 2017

Pra começo de conversa, to atrasada. É, aqui com essa carta, que foi um meio que eu encontrei de conversar com o ano que acabou de acabar. Na verdade, quando tive a ideia e comecei a conceber esse texto, ainda faltava algum tempo para o 2017 acabar... só que a vida não ta fácil, e eu nunca mais consegui terminar. Aliás, consegui sim. Agora, três dias depois do limite. E como eu não me dou bem com limites, vou postar assim mesmo.
2017, querido, você foi difícil pra caramba. Não todo, mas pelo modo como começou e andou por alguns meses, te coloco no nível 9, numa escala que vai até 10. E como esses alguns meses difíceis foram, tipo, bem difíceis, o ano inteiro pode ficar como difícil.
A nossa adaptação, aqui nos Estados Unidos, foi, de longe, o maior problema que enfrentamos. Chegamos no começo do inverno e quando nos mudamos para a nossa casa, em janeiro, éramos só dificuldade. Sério. Sem exagero. Se você queria ser difícil, se superou. Aurora foi um desafio a cada hora. Desaprendeu a comer e a dormir. Visto que essas duas coisas eram as únicas que ela sabia fazer aos 9 meses.... voltamos à estaca zero. Cada hora, literalmente, era algo diferente pra gente vencer. E fomos vivendo cada hora. E elas foram passando, passando. E passaram. Ó, digo sem medo de errar, que foi uma das maiores provas da minha vida. E nós conseguimos. Aurora, hoje, está adaptada. E nós, consequentemente, também. Ela dorme bem, come, deixou de mamar no peito no dia em que completou 19 meses, sem que eu fizesse absolutamente nada. Pensando bem, querido 2017, você pode não ter sido tão cruel assim.... vou pensar melhor se mudo essa palavra.
E como você foi nosso primeiro ano fora do nosso país e longe dos nossos amigos e familiares, a saudade foi outro grande mal vivido em todos os seus meses. Saudade de tudo. De andar na rua e cumprimentar as pessoas, de ir à casa da vizinha que virou amiga, de levar a Aurora no parque da rua, de encontrar as amigas íntimas, de conversar - em português - com um desconhecido no supermercado e reclamar do preço da batata, de ter o vovô e a vovó da Aurora ali, a uma porta de distância, de dirigir meu próprio carro, de ir almoçar na Birinha e ficar por lá a tarde toda sem fazer nada e comendo os doces mais gostosos do mundo, de tomar banho de piscina piscina da Neguinha.....
Mas nem só de saudade você foi feito, 2017. Os seus dias foram de descobertas também. Boas e ruins. Descobri que me desafiar é sempre bom. Vencer desafios é ainda melhor. Descobri que o maior bem que a gente tem na vida chama-se Família. A que mora na casa com a gente e a que mora longe também. Descobri que ter paz é o melhor que se pode ter. Descobri que dinheiro é necessário pra gente viver, mas não é o mais importante (muitas vezes, antes de você, 2017, eu cheguei a trocar a ordem na escala da importância).
Descobri que trabalho é mais que necessário, é fundamental, mas que ele não pode ocupar um lugar que não pertence a ele. Isso significa que família, filhos, amigos, risos e mais um monte de outras coisas também precisam ter lugar cativo no nosso tempo. Descobri que faço o melhor empadão do mundo, que tenho a filha mais linda, que cada sorriso dela me traz lágrimas aos olhos, e que cada conquista que ela faz me deixa lotada de alegria.
Descobri que por mais frio que faça por dias seguidos, o sol volta a brilhar. E, por mais que demore, o verão chega, trazendo dias de alegria infinita, parques lotados, praias cheias de gente feliz, cabelos ao vento..... e, como não falar do verão com a vovó? Sim, minha mãe veio e ficou por aqui por seis dos seus doze meses, fazendo a alegria das duas netas mais lindas do mundo! Pena que o verão se foi e ela precisou voltar pro meu pai...
Descobri, em épocas diferentes do seu decorrer, que casar uma grande amiga e não estar perto quando outra grande amiga tem um bebê, são dois acontecimentos importantes e que eu daria um dedo - ou dois - para estar com elas....
E você, 2017, também me trouxe decepções. A maior delas foi aquela, da família que foi embora pro sol e deixou pra trás o chamado de Deus, a obrigação espiritual com os filhos dEle. Essa decepção nos afastou do Pai por um curto período de tempo. E Ele, em sua infinita misericórdia, nos mostrou o caminho a seguir e colocou pessoas comprometidas na nossa vida. Hoje, eu O louvo e agradeço, de coração, por todo cuidado que nos dispensou durante todos os seus 365 dias.
Alguns dias foram amargos. Descobrimos de uma forma bem ruim, como é ser vítima de fofoca. É... não vem ao caso os detalhes do caso, mas foi bem chato. A parte boa é que a gente aprendeu que, para se confiar em alguém, é preciso cautela. E se esse alguém for da nossa terra, cuidado redobrado.
Pensando bem, 2017, você não foi tão ruim como eu pensei no começo desta carta. Agora, após lembrar das - muitas - coisas boas que vivemos me faz repensar mesmo. Você foi um ano de aprendizados. Sim, lutas muitas, mas vencidas. 
E em vez de agradecer a você e aos seus 365 dias, eu agradeço a Deus e O louvo por cada momento, cada lágrima, cada vontade de ir embora, cada hora de busca, cada alegria, cada sorriso...... cada movimento feito em 2017 foi minuciosamente planejado por Deus. E tenho absoluta certeza de que estamos no caminho certo e que este 2018 será infinitamente melhor. Infinitamente mesmo.









Tchau, 2017... até nunca mais!

domingo, maio 08, 2016

Mães, não é exagero

Confesso que eu tinha mania de julgar "exagero"  muita coisa que eu ouvia na vida. Não, nem só as coisas ligadas à maternidade, mas tudo. Achava exagero as gentes que dão  importância desenfreada a algo que, ao meu ver, seria perfeitamente relevável, achava exagero gargalhadas e choros extremos, achava exagero roupas de frio tiradas do armário devido às chuvas de março, achava exagero festas de um ano homéricas e mais um monte de costume de pessoas por aí.
Agora, tudo mudou. Certamente tem a ver com o fato de que eu mudei depois que a Aurora chegou. Pra mim, hoje, nada mais é exagero. Ou talvez a colocação certa seja "eu, hoje, não julgo mais nada". É, é isso. Vai ver, muitas das situações continuam sendo exagero, mas agora não me importam mais.
E não me importam, porque vi que, nas questões ligadas à maternidade, nada é exagero. Nada mesmo. E nas outras questões da vida, cada um vive como quer, ninguém - leia-se "ninguém", tem nada a ver com isso. 
E, quando o assunto é a  maternidade, nada mais exagerado, pra começar, como o que sempre ouvi de todo mundo: esse negócio de amor além do entendimento. Talvez pelo fato de me considerar razoável com as palavras, sempre acreditei que as pessoas diziam que o amor por um filho é inexplicável, eram as pessoas que não tinham muita capacidade de definir algo. Tadinha de mim. Em dois meses e meio, eu constatei que é exatamente o que todo mundo sempre disse: não há palavras para explicar. E não há exagero nenhum nisso. Dá pra tentar chegar perto, mesmo tendo certeza de que ficará longe.
Palavra como "perfeito" é uma delas, mas tenho a sensação de que não exprime com exatidão esse amor que passou a arder no meu peito. Perfeito é pouco. É um sentimento que enche de alegria e, no momento seguinte, de temor. Alegria por existir e temor por algo que possa fazer essa pessoinha sofrer, ou chorar. É uma alegria tão grande que dá vontade de chorar. E eu faço isso. Faço quando olho pra ela e ela sorri. Faço quando sinto a cabecinha dela relaxar no meu braço. Faço quando ela está mamando e, me olhando, larga o peito e sorri. Faço isso quando ela chora por algo que eu ainda não compreendo. Faço quando levanto de madrugada para ver se ela ainda respira, e, no quarto dela, a encontro adormecida serena, com os dois bracinhos posicionados ao lado da cabeça. Choro quando escrevo sobre ela, como agora. Choro sem motivo, embora tenha a clara sensação de ter ficado mais forte desde que ela chegou.


Achava exagero ouvir uma mãe dizer: "meu filho é a minha vida". Imagina se isso seria possível.no meu julgamento! "Claro que esse negócio de maternidade é intenso, lindo e cheio de amor", mas "meu filho é a minha vida" é, obviamente, um exagero, dito apenas por quem não consegue colocar esse amor em palavras. Ah, que inocência a minha... esse negócio de "meu filho é a minha vida" é literal. Sem exagero. Dizer que a Aurora é a minha vida é bem comum pra mim. Digo isso a ela o tempo todo. E repito quando alguém pergunta "e aí? Como é ser mãe?". Repito, sem medo de as pessoas pensarem que é exagero. Ainda mais se essas pessoas não tiverem filhos. Eu já julguei exagero, então, deixo que me julguem. Não me importo. A Aurora é a minha vida. E nada do que não quero pra mim, quero pra ela. Aliás, aprendi que há, sim, alguém mais importante que eu nessa vida. Alguém que merece só coisas boas, mesmo que isso custe renúncias. Aprendi que o amor que a gente tem pelo nosso pai ou nossa mãe é imenso e igualmente inexplicável, mas é menor que o amor que temos por um filho, se é que isso é possível. Quem discordar, me julgue. Não ligo.
"O choro do meu filho dói em mim", Outro célebre exagero que cansei de ouvir por aí. Bem, exagero, até que a Aurora chorou pela primeira vez. Claro que no começo, os choros todos são complicados. E ficam assim, até que a gente aprenda - ou ache que aprendeu - a entender cada choro e eliminar as possibilidades de causa. Só que, mesmo entendendo um choro como fome, frio, calor ou cansaço, qualquer que seja o choro, dói mais em mim do que nela. Com toda a certeza. Dói mesmo, de verdade. Dói como se alguém me estivesse machucando. E se o choro for sentido, daqueles com beicinho, aí a dor é de cortar. Lembro que nos primeiros dias de vida da Aurora, uma vez, enquanto dormia - e eu velava seu sono, ela fez um beicinho e começou a chorar. Não havia nada de errado, mesmo assim ela continuou com aquele choro sentido, como se estivesse triste, mas dormindo. Eu fiz o que? Tirei do berço e a acordei. É, não precisava, eu sei, mas estamos falando de exagero, certo? Na minha cabeça,  naquele momento, se eu a acordasse, a tiraria daquele - qual? - sofrimento. E eu fiz, sem pensar. Ela acordou, resmungou por alguns segundos e voltou ao sono sereno. Pronto, eu consegui tirá-la daquele sofrimento. Qualquer que fosse. Se é que era mesmo.
E se alguém dizia que se arrependeu de ser mãe,  mas não de ter aquele filho? Pra mim,, além de exagero, aquele sentimento era, no mínimo, burro. Como assim alguém pode se arrepender de ser mãe, mas não de ter tido aquele filho? Hoje eu entendo que é perfeitamente aceitável ouvir essa loucura. É possível, sim, que alguém pode se arrepender de ter decidido - ou não - por ter um filho. Entendo que isso é, de fato, uma decisão muito séria, e que vai mudar pra sempre a vida de alguém. Mas se arrepender de ter tido aquele filho, não, não é possível. Confuso, né? Pois é. burro, eu disse. Não há meio de eu me arrepender de ter tido a Aurora. De forma alguma.
Certa vez, quando ainda estava grávida, uma amiga me disse que eu acordaria para dar de mamar de madrugada, cansada, querendo dormir e, logo que visse o rostinho da Aurora, ou que começasse a dar de mamar, eu esqueceria tudo e viveria aquele momento. Mais um exagero Pelo menos até que eu vivi isso. Aquele sono pesado, das 2 horas da manhã, despertado pelo choro do mamá, que se dissipa assim que eu abro o mosquiteiro do berço e vejo aquele sorriso banguela da Aurora, me olhando e pedindo mamá. No minuto seguinte, ela nos braços, sugando freneticamente e me olhando antes de fechar os olhos e voltar a dormir. É, sim, de esquecer tudo: o sono, o frio, os problemas, o mundo. Não há nada mais maternal que o momento de amamentar. Seja na mamadeira, no copinho, na chuquinha ou no seio. Aquele olhar de agradecimento me faz a pessoa mais feliz do mundo, com a certeza de que Deus não poderia ter criado nada mais perfeito que o ciclo da vida.
E quando o assunto é o sorriso de um filho? Ah, mas decididamente não há exagero nenhum nisso. O sorriso da Aurora me faz a pessoa mais feliz que pode haver no mundo. Cada sorrisinho dela é como se o tempo parasse, como se os planetas se alinhassem, o que quer que isso signifique. Pra mim, é como se o mundo inteiro estivesse contemplando a beleza do olhar dela, a serenidade do sorriso e toda a graça daquela boca banguela. E fazer ela sorrir é pelo que eu vivo hoje. Vê-la arreganhar aquela gargalhada é a cena mais linda que eu já presenciei e com toda a certeza, me faz sorrir só de pensar. Tem como não achar isso exagero? Duvido!
E esses exageros que deixaram de ser exageros passam também pela renúncia ao trabalho para viver a maternidade durante 100% do tempo, da forma como cada mulher lida com a gravidez, a escolha do tipo de parto, como cada mãe encara e vive a amamentação, como escolhe o que dar e o que não dar de comer ao bebê, o que vestir, o que ensinar, como o faz dormir, os argumentos para convencê-lo do que é certo e errado... e por aí vai. 
Todo exagero deixou de existir no exato momento em que eu passei a experimentar o quão linda e perfeita é a benção da maternidade. E nesse negócio de Dia das Mães, percebo que a maior verdade de todas é que cada uma de nós, com seu devido exagero, com seus julgamentos, com suas possibilidades e maneiras de criar seus filhos, vive a maternidade de forma intensa. Ou, pelo menos, deveria. Com talento, como a minha mãe, minha avó e minha sogra, essas duas últimas que já dormem no Senhor, ou sem talento, como eu achava que era - e devo ser mesmo. Ou como minha querida irmã Mônica, que nasceu para ser mãe, mas Deus a recolheu antes de realizar este sonho. Não importa a habilidade de cada uma, apenas o tamanho do amor dispensado em cada momento. E não, não é exagero querer mostrar ao mundo o tamanho desse amor, o quanto ele é sublime, o quanto ele é contagiante, emocionante, verdadeiro e, mais importante que isso, simplesmente puro.
Não ligo se dizem que isso ou aquilo é exagero ou errado. Não me importo que digam que eu não deveria fazer deste ou daquele jeito. Não quero saber o que pensam sobre a "minha maternidade", caso essa opinião não vá me acrescentar nada. Não quero ouvir o que têm a dizer sobre maternidade, se essa opinião é teórica. Quero, sim, saber o que outra mãe já viveu, já sentiu. Quero saber como dorme a mãe que perdeu um filho e o que ela vive na pele. Porque, com absoluta certeza, ela não sabe explicar a dor da perda. assim como eu não sei explicar o amor. Quero que as pessoas tentem definir este sentimento, se esforcem pra colocar em palavras algo tão sublime, tão perfeito, tão sem-palavra. E se não o fizerem, que vivam. De verdade. Intensamente. Sem julgamentos. E, de preferência, da forma mas exagerada possível.


Ah, à minha mãe, toda a minha gratidão, e o meu amor. Hoje eu entendo tudo! Nada era exagero!

quinta-feira, abril 14, 2016

As novidades

Muita coisa!

Desta vez, a minha justificativa plenamente aceitável, é muito simples: a vida ta bem corrida e a falta de habilidade pra lidar com tanta correria está me deixando bem ocupada. A vida com a Aurora é uma delícia, mas não é fácil. Por isso,depois de tanto tempo, cá estou eu, com meu já manjado Rápidas.

A outra mãe



Ainda não falei isso publicamente....  mas farei isso agora. Todos dizem que quando nasce um bebê, nasce uma mãe. Provavelmente meus três leitores já ouviram isso por aí. Aqui, aconteceu um fato curioso. Em mim, a mãe ta nascendo. Um pouquinho a cada dia. Mas isso não significa que a Aurora está "órfã" de mãe. Por que? Ora, simplesmente porque a mãe nasceu completa no Devan. Verdade, gente. Nunca vi um pai com tanto talento de mãe! Banho - de chuveiro!, fraldas, cólicas, unhas, combinação de roupas com laços, hora de dormir, cabelo, remédios, vacinas.... inacreditavelmente, o pai, que antes de Aurora não tinha coragem de pegar um bebê, teve um surto e agora é mãe também!


As visitas

A parte mais legal, envolvendo gente de fora, desse negócio de ter um bebê em casa é, sem dúvida nenhuma, as visitas. Gente que a gente ama, mas que fica algum tempo sem ver, porque todo mundo tem muito o que fazer, aparece! Desde que chegamos em casa, Aurora e eu estamos recebendo cada gente linda.... obrigada a todos e todas. Amamos muito vocês!


A rotina

A vida com a Aurora, como eu disse, ta uma delícia. Não tem nada mais perfeito neste mundo inteirinho. E a rotina, embora eu já esteja me acostumando, não é simples. Nos primeiros dias, ela dormia quase o tempo todo. Depois, passou a ficar mais tempo acordada. Agora, o tempo dela "ligadona" aumentou mais um pouquinho. E isso fez a mamãe aqui ficar meio doida no começo. Passou. Até as noites, com mamadas de duas em duas horas, em média, já estão na lista dos "costumes".


Falando nisso...

Ah, falei em mamada e me lembrei que não posso, de jeito nenhum, deixar de falar no assunto. Rapidamente, claro. Não há nada mais sublime na face da terra, quando o assunto é maternidade. É perfeito e agradeço a Deus todos os dias por me permitir ter essa sensação. Ter a Aurora nos meus braços, independentemente do meu cansaço, é a parte mais linda desse negócio de ser mãe. O olhar dela, fixo em mim, é de dar vontade de chorar. Saber que eu a estou alimentando, que ela é 100% dependente de mim e que dar o peito a ela é estreitar o vínculo entre nós duas, é de emocionar. De verdade.




Crescendo

E é tanto mamá que essa menina quer todos os dias, que ela está na casa dos cinco quilos. Deliciosamente fofa! Bochechas enormes parece que estão sendo sua marca registrada. E isso vem deixando todo mundo apaixonado!



Pés
Ela ta crescendo sim. Lindamente. De um jeito que deixa todo mundo boquiaberto. O único problema, que nem é tão problema assim, são os pés dela. Com 50 dias - a idade dela hoje, quase todos os bebês já usa sapato. A Aurora, não. E não tem nada a ver com ter ou não ter sapatos (ela tem 32 pares). Tem a ver com os pés delas serem muito magros e ficarem dançando dentro de todos os sapatos. Eu não vejo a hora de começar a usar aquelas maravilhas... tem verde, preto, lilás, rosa, de verniz, de flor, de laço, tênis, bota, sapatilha.... Ai, Deus!


Família

E nós, que antes éramos um casal, agora somos uma família. A sensação de que somos mais, é muito boa. E melhor ainda é sabermos que todos os nossos parentes estão nos ajudando nessa nova composição. Meus pais, a Aline - mesmo longe, minhas tias e primos, os irmãos do Devan, os sobrinhos.... todo mundo presente. E babando, claro. Nunca vida tanta gente boba junto, quando o assunto é um bebê. Obrigada a todos.


Cuidados

A Aurora ta linda. Vive cheirosa, sempre bela, usa brinco, pulseira personalizada e, claro, já tem nos lábios um sorriso que cativa a todos. Eu, em compensação, ando quase pedindo socorro. Os cabelos andam gritando por química, como nunca antes na história deste país. E pra evitar assustar as pessoas, especialmente a Aurora, essa crina encaracolada está sempre presa, por um elástico e muito gel. É, não tem outra forma de segurar a brabera dos fios. Que Deus nos ajude por mais alguns meses....


Saídas

Essa semana, depois de dois meses, eu voltei a dirigir. Não que eu estivesse esperando completar este tempo para voltar ao volante. O caso é que, como o Devan tirou férias em março, acabei não precisando dirigir, porque estava sempre com ele. E como ele já voltou ao batente, ou eu voltava, ou voltava. E voltei com força total! Já levei a Aurora pra conhecer as titias Celuta e Angela, pra ver as titias da escola Valdir Bedê, pra almoçar no restaurante da tia Birinha. Ela já foi à casinha da tia Eliete, à rádio... sempre muito comportada!



Amiguinhos

A Aurora nasceu no dia 23 de fevereiro, no mesmo dia do Logan, dos queridos padrinhos Rony e Daniela. Antes dela, vieram outros amiguinhos...vários. O Pedro da Gisa, a Melissa da Vivi, A Helena da Aline, o Francisco da Guiliane, o Marcelinho do Marcelo, a Letícia da Patty, a Valentina da Abinoã, o João Norton da Kenia, a Mariana do Leandro e mais alguns. Depois dela, vieram o Theo da Cris e do Betinho, e o Israel da Angélica. E estão chegando a Alice da Lohana, o Carlos Henrique da Jaque, a Rachel da minha Aline, o outro do Marcelo e o primeiro da Iza e mais outros vários. Daqui a alguns anos, vai ser difícil segurar essa galera!


Fotos

E meus três leitores sabem bem da minha paixão por fotos. Não, não estou falando de tirar fotos nem se sair em fotos. To falando de revelar fotos! Sim, aquela minha paixão que já me rendeu algumas centenas de fotos no papel. E agora que a Aurora nasceu, o negócio ficou mais sério! Essa semana, chegam pra mim 200 fotos reveladas, quase todas dela. Aliás, as que não têm ela, propriamente dita, têm ela na minha barriga e ela nas mãos do médico, na hora da cirurgia. Ai, que não to aguentando de curiosidade e expectativa. Prometo texto especial sobre isso!

quinta-feira, março 03, 2016

A escolha do nome

Nome é assunto complicado. E sempre foi na minha vida. Lembro-me de quando corrigia as pessoas que me chamavam de Fravia. Eu tinha 3 anos de idade. "Meu nome é Flavia, não Fravia". Até hoje, amigas da uma tia me chamam de Fravia, de tanto que achavam curiosa a minha correção. Embora eu já não faça mais isso... Era só uma fase (que, na verdade, nunca deve ter passado... olha aí o endereço do brog!).
Quando éramos crianças, minha mãe tinha mania de nos chamar de Valentina, pra que mostrássemos o quanto éramos valentes. "Comeu tudo, Valentina?", "assoe o nariz com força, Valentina", "que roupa linda, Valentina". E desde sempre achava lindo este nome. E ficou muito mais lindo, na minha opinião, quando, há mais de 20 anos, alguma atriz teve e uma filha linda e a chamou Valentina. Ouvi alguém dizer: "A Valentina dela é uma boneca!". Pronto, passei a associar beleza ao nome. Além de valentia, que aprendi na infância.
E desde sempre, minha filha seria Valentina.
Quando namorava, e o Devan falava em ter filhos, meus pais começaram a chamar o bebê que ainda estava muito longe de chegar, de Tininha. Ai, meu coração! Que decepção! Uma vontade imensa de chorar, cada vez que eu ouvia a "forma contrata" do meu nome preferido.
A essa tamanha decepção - e raiva por transformarem um nome tão lindo num apelido, somou-se, então, a febre que virou o nome Valentina de uns anos pra cá. Na minha vida, a priminha, a filha da manicure, a sobrinha do vizinho, a afilhada da colega de trabalho, o neném que ia nascer semana que vem, a filha da funcionária do meu pai.... De repente, toda menina que nascia no mundo era Valentina.
Foi suficiente. Desisti do nome muito antes da gravidez.
Com nomes de menino, foi mais fácil. O Devan queria Lorenzo. Eu não. Sempre quis nomes simples, brasileiros, pouco comuns. E só consegui convencê-lo de que Lorenzo não era uma boa opção, quando mostrei uma matéria mostrando que o nome estava entre os dez mais escolhidos. "Na pré escola, nosso filho vai ter cinco colegas com o mesmo nome". Meu outro argumento era de que o menino ia ser vítima de bullying, por ser mulatinho com nome italiano, embora este motivo nunca tenha surtido o efeito desejado no Devan.
Mas funcionou o outro. Ótimo.
A escolha de "Aurora" foi do Devan. A justificativa, em Provérbios 4:18: "A vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito". Escolha aceita. Para menino, paramos em algumas possibilidades, porque logo descobrimos que nosso bebê seria mesmo a Aurora.
E aí, nosso velho problema. Ta, "meu" velho problema: apelido. Meus pais começaram a chamar a pobrezinha de "Rorinha". Ai, Jesus! Vontade de chorar! Primeiro que, se o nome é Aurora, chamemos de Aurora. Nada de confundir a cabeça e a personalidade da criança. E se algum especialista disser que isso não confunde, mudo de argumento: nada de apelidos, porque o nome dela é Aurora.
E pra evitar que Rorinha virasse o nome da minha filha, antes mesmo de ela nascer, sentei e conversei. Pedi por favor, expliquei. E eles acabaram, meio a contragosto, aceitando. Mas cheguei até a ouvir deles que iriam chamá-la de Rorinha quando estivessem longe de mim. Hoje não falam mais. É Aurora e pronto.
Nada de apelidos. Aurora. Simples assim.


segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Ensaio

To falando deste ensaio fotográfico desde muito antes de ele acontecer. E tive motivos pra isso.
Primeiro, foram os planos. A ideia era fazer as fotos da barrigona aos 7 meses de gestação, para que, além da barrigona, não tivesse narigão, bração, pernão e todos os outros "ão" que pudesse ter mais tarde.
Aí, os planos nos colocaram os sábados de dezembro como opções. No primeiro não, porque tínhamos o chá da Aurora, sobre o qual já falei aqui. Nos outros, sim. Inclusive os sábados de dezembro e janeiro pós-festas: 26 e 2 de janeiro, que tradicionalmente são dias de preguiça. E se eu consegui convencer minha fotógrafa amiga oficial, Mary de Paula, o que mais eu precisaria? Dias lindos, ensolarados e talz.
E foi exatamente o que não aconteceu. Acho que nunca antes na história da minha cidade, os sábados de dezembro e janeiro foram tão chuvosos. É claro que isso não é de tudo ruim, afinal de contas, foram esses dias chuvosos que me ajudaram a passar pela gravidez sem sofrer muito o calor. Só que, em contrapartida, nunca mais consegui fazer o ensaio gestante.
E a chuva só deu trégua no final de janeiro. Precisamente dia 30, às vésperas dos nove meses de gravidez.
Resultado? Fotos lindas, claro, mas nariz inchado, peitos muito maiores que o normal, pernas mais gordas, braços enorrrmes, barrigona ampliada e, como não poderia deixar de ser, um cansaço que não faz parte da minha vida.
Mesmo assim, compartilhei no Facebook e no Instragram algumas das 300 fotos. E como prometido - com um pouco de atraso - cá estão algumas outras.
Adorei cada pose! E agora que a Aurora já está por aqui, é muito mais legal ver essas fotos!







segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Visitas? Ainda não....

Ah, sim, o assunto é delicado e, antes de eu decidir por dedicar uma postagem a ele, pensei muito. Muito mesmo. Tive dúvidas sobre a necessidade real de falar sobre o assunto, medo de não me fazer entender, receio de inimizades... Enfim, minha preocupação era de criar problemas que não existiriam, simplesmente se eu deixasse o assunto pra lá.
Só que eu não sou dessas. E agora, que falta bem pouquinho (mesmo) pra Aurora estar aqui a gente, decidi que era hora, sim, de tocar no assunto.
Desde antes da minha gravidez, sempre tive muito medo de tudo o que envolve a gestação. Engordar muito, controlar a pressão, o açúcar no sangue, o consumo de calorias vazias, os vasinhos que surgiriam nas pernas e na barriga, estrias, pressão alta, parto, dores, anestesia, pontos, recuperação, primeiro banho pós cirurgia, alta, escadas, cuidados com o bebê, perda de peso, amamentação... E se eu ficar aqui citando, não termino este texto. O fato é que eu sempre tive medo. E quando engravidei, somei aos meus medos anteriores, o de " como lidar com visitas na maternidade e nos primeiros dias de vida do bebê".
E com este medo novo, fiz o que sempre faço em situações que me trazem dúvidas: conversar com amigos que já passaram por algo parecido - no caso, o parto - e procurar opiniões de especialistas. Conversei então com meu obstetra, minhas amigas, mães há muito tempo, outras mais recentes, sites e blogs que falam da rotina de ser mãe, da gravidez....
E foi praticamente opinião unânime. Tanto das amigas, quanto das conhecidas. Assim como daquelas pessoas que eu nunca vi, do médico e de especialistas que escrevem por aí.
A dica principal e unânime que eu recebi foi: " peça aos seus amigos, com os quais tem mais afinidade, que deixem pra ir ver o bebê na sua casa. A maternidade não é o local mais indicado". E, pensando sobre isso, me lembrei das vezes em que dei uma 'passadinha' na maternidade, pra dar um oi a amigas que tinham acabado de parir. E, nesses pensamentos, de fato, me lembrei do quanto minhas amigas visitadas estavam prostradas. Nenhuma delas me falou um oi sequer. Acho que em todas as minhas visitas à maternidade, era o primeiro parto e, em todas, as novas mães estavam apreensivas com anestesia e amamentação. Concluí, então, que o hospital não é o melhor lugar pra receber visitas. Às amigas que visitei, minhas sinceras desculpas. Por favor, só levem em conta a visita seguinte, feita, com certeza, após alguns dias do nascimento do bebê.
Sim, porque se fui, digamos, inconveniente com a visita à amiga mãe na maternidade, nunca fui após a alta. Minhas visitas ao bebê sempre foram minimamente planejadas e jamais fiz antes de 15 dias de nascido. E diante do que ouvi das pessoas com as quais conversei, é tempo suficiente pras coisas estarem nos eixos: bebê mamando sem estresse, mãe um pouco mais acostumada à nova situação....
E esta postagem é exatamente pra isso: pedir aos meus queridos amigos que me deixem passar -sozinha - pelas turbulências dos primeiros dias em casa, tentando amamentar, procurando sentido pra cada choro ou resmungo, aprendendo a dividir meu tempo entre mamadas, banhos meus e da Aurora, pratos de comida....
E, como não sou cheia de mimimi, já adianto que as lembrancinhas pra que, vier são perfeitas e, mais importante que isso, vou A-M-A-R cada visita, cada sorriso, cada preocupação.
Então, como agora a Aurora ta chegando, espero vocês dentro de alguns Ah, e existem regras escritas por "especialistas".



sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Rápidas

Outro Rápidas?

Já justifiquei tantas postagens de notinhas num dos últimos. Tenho andado muito desanimada e contar tudo o que anda acontecendo, em textos pequenos, é mais fácil. Aí, acabo optando. Os outros, que falam de apenas um assunto, demoram muito mais pra ficarem prontos. E como estamos às vésperas de ter a Aurora por aqui, melhor eu me adiantar e optar pelo Rápidas mesmo.

Em casa

Desde a quarta-feira de cinzas, estamos em casa. Eu e a Aurora (como se fosse necessário dizer isso). O obstetra optou por me manter em casa por alguns motivos bem específicos. O primeiro deles é que, como esse neném não para (aliás, não sei a quem puxa essa menina), provavelmente as duas voltas do cordão umbilical no pescoço não se desfaçam até o parto. Ou seja, quanto mais paradinha eu ficar, melhor. E com essa escadaria da Penha que tem no prédio onde moro....

Data provável

Se tudo correr bem, como manda o figurino e a minha vontade, a Aurora chega no dia 23 de fevereiro, terça-feira da próxima semana. É claro que isso é apenas plano médico, com base no número de semanas de gestação, que estão chegando aos 10 meses (já falei disso, né?). Tudo pode mudar. Estamos à mercê desse pequeno ser, que já mudou tanto a nossa vida.  E ainda tem a tal mudança de lua no fim dessa semana. Ai, ai, ai!

Rotina

Esse negócio de ficar em casa me fez perceber o quanto a minha vida, com a gravidez, está resumida a alguns poucos afazeres. Claro que só neste final, porque até alguns dias, eu não estava tendo que fazer repouso. Pois bem. Uma semana de repouso aconselhado pelo médico e a minha vida se resume a acordar cedo pra fazer xixi, não conseguir dormir mais, comer, ler. Ficar deitada assistindo a um filme qualquer, pra dar um tempo na leitura, comer de novo. Ah, com duas paradas pra ir ao banheiro de novo. Dormir mais um pouco, dar uma olhada no que está rolando nos jornais do dia, comer, fazer xixi, ler mais um pouco. Aí anoiteceu. Um filme ou um telejornal, comer alguma coisa, deitar e demorar a encontrar uma posição pra dormir. E, ufa!, quando encontro, é hora de fazer xixi de novo. Tudo isso, com muito, mas muito calor mesmo. Haja ar condicionado, ventilador e banho frio!

Tudo pronto

Como disse na postagem anterior, a mala para a maternidade está pronta. Deu trabalho, mas esse negócio de ficar em casa acabou me animando a organizar logo tudo o que deveria levar para o hospital. Outra coisa que providenciei, com grande atraso, confesso também, foi a capa do carrinho de bebê e do bebê conforto. Os dois estavam comigo desde o começo da gestação, mas foi tanta coisa pra organizar, que acabei deixando pra depois. E agora não tive como evitar. As capas só ficam prontas na véspera da chegada da Aurora e prometo fotos!

Curiosidade

Minha irmãzinha Aline ta lá nos Estados Unidos, esperando um bebê também. Ela ta chegando ao quarto mês e ainda não sabe o sexo. A expectativa, porém, é grande. A curiosidade sobre o que anda acontecendo por aqui também. Enquanto isso, vou colocando tudo no lugar, finalizando os últimos detalhes, pra só então fazer um videozinho pra ela ver como está o quartinho da Aurora.

As fotos

Siiim! As fotos do ensaio já ficaram prontas e está comigo. Só não tive coragem de separar algumas pra colocar aqui. É que são tantas e elas ficaram tão tão lindas, que não consegui escolher três. Prometo fazer isso logo. Antes do nascimento da Aurora, claro. E se não der pra ser antes, prometo colocar depois.

Ainda mexe!


Logo no começo da gestação, falei aqui sobre a curiosidade das pessoas sobre os movimentos do bebê na barriga. Como disse, no começo, especialmente pelo fato de eu não ser uma pessoa magra na vida pré-gravidez, os movimentos demoram a ser sentidos. Aí, lá elas 15 semanas, comecei a sentir uns tremores e, um mês depois, os movimentos ficaram claros. Depois da 25ª semana, porém, o negócio ficou frenético. E é assim até hoje! Dá só uma olhada! É curtinho, mas assustador (e delicioso, vai....).






segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Malas prontas!

Esse negócio de ficar em casa, sem poder descer as escadas e ganhar a rua, me fez arrumar logo a mala da maternidade. Sei que não poderia demorar muito mesmo, afinal de contas, vai que a Aurora decida nascer na próxima virada da lua (é assim mesmo que os entendidos no assunto dizem?)...
Pois bem. Claro que no começo, foi difícil. E nem podia ser diferente. Ter um bebê nessa barrigona não me deu – espero que ainda – talento nem a mais vaga noção do que significa, de fato um bebê: tamanho do que veste, regularidade de trocas, necessidade de itens de higiene, enfim, o que a Aurora vai precisar enquanto ainda estivermos no hospital.
Foi aí que as amigas mamães entraram com aquela ajudinha. Foram tantos conselhos, que nem conseguiria enumerá-los e dizer quais botei em prática. Se bem que agora, com a mala arrumada, acho que tudo o que eu ouvi me foi útil, afinal de contas, parece que está tudo lá dentro.
O primeiro passo foi decidir que faria uma mala só, com as coisas da Aurora e as minhas. A contragosto do Devan. E eu explico: ele cismou que preciso levar ao hospital a bolsa da Aurora, que ganhamos da Moti e da tia Dulce. A bolsa é linda, tem o nome gravado e lindas corujinhas. E ele me fez, inclusive, prometer que vou levar a bolsa, mesmo não cabendo tudo do bebê lá dentro. Para esse papai babão, a Aurora tem que sair da maternidade com a bolsa dela, que tem o nome dela, mesmo que esteja só com uma coisinha dentro.
Ta, promessa feita, confesso. Aliás, preciso me lembrar de colocar a bolsa dentro da mala! 
E era hora de decidir o que iria entrar naquela mala. Fiz listinha e aquilo tudo me assustou. Era muito mais do que eu jamais poderia supor.
Mas não tinha escolha...
Separa daqui, ajeita dali. Depois, juntar as peças que formavam uma “muda” que, pra quem não sabe, é um conjunto completo de vestuário e calçado (no meu caso, digo, no da Aurora, um pagãozinho com calça comprida, um macacão, um cueiro e um sapatinho de lã). Em algumas dessas mudas, há até touquinha e, noutros, meias e luvas.
Cada conjuntinho de roupa foi devidamente acondicionado em saquinhos plásticos. As mães mais cheias de mimimi – o que, definitivamente não é o meu caso e meus três leitores sabem bem disso, não preciso fazer cerimônia – usam saquinhos de pano personalizados, com cheirinho, cores e motivos especiais. Eu, como to lutando pra não juntar coisas das quais precise me desfazer futuramente, usei saquinhos plásticos, que me custaram 3 reais.
E agora a mala da maternidade está devidamente pronta. Para a Aurora, há seis “mudas” de roupa com lindos macacões, sabonete glicerinado, fraldas, mantas e lenços umedecidos. E pra mim... bem, pra mim tem camisola e produtos de higiene pessoal. Só.
E agora é só esperar. Hoje fazemos 38 semanas e 1 dia, o que significa que estamos à mercê dessa pequena. Em princípio e, segundo nossos planos, o parto será na terça-feira da semana que vem, dia 23. A  não ser, claro, que esse negócio de mudança de lua realmente tenha força e, no fim de semana, Aurora venha à luz.

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Carta à Aurora

Chegou fevereiro. O seu mês. O mês do renascimento, do ressurgimento, o mês da Aurora.
Daqui a uns 20 dias, você vai estar aqui. É, não dá pra acreditar ainda, mas é assim que vai ser. E quando falo em “não dá pra acreditar”, não me refiro ao fato de os nove (ou dez) meses de gravidez terem passado voando, mas ao fato de a gravidez ter ocorrido. Só que isso não vem ao caso.
Os meses se passaram e agora estamos vivendo os últimos dias de barrigona, calor no último nível, cansaço, dores nas costas, câimbras, fome e sono. Estes dois últimos sempre existiram, mas foram potencializados puderam se tornar públicos. Nada disso é culpa sua. É culpa da natureza que, para compensar o peso que a barriga passou a carregar, sobrecarrega outras partes do corpo.
A parte boa é que ta quase acabando. Em muito pouco tempo você estará aqui, conosco, nos tirando o sono, nos dando preocupações, nos fazendo chorar com a sua dor, mas nos fazendo a família mais feliz do mundo.
Está tudo pronto, aguardando você. Roupinhas lavadas e passadas, carrinho, bebê conforto, mobiliário, cadeira de descanso e até de alimentação. Seu quarto ficou uma lindeza e o cheirinho de bebê pela casa é coisa de outro planeta! Parece até que você já está ali.
Só falta a gente ficar mais calmo com a sua chegada. É, porque a proximidade da data nos deixa ainda mais assustados. E de novo, não se preocupe. Você não tem culpa nisso também. A culpa é, de novo, da natureza. Não há mãe e pai no mundo inteirinho que não se assustem com a chegada de um (ou mais um) bebê na família. E o fato de sermos papais de primeira viagem ainda aumenta consideravelmente todo este medo. A parte boa é que, como todos dizem, vamos tirar de letra.
Tomara mesmo.
Em pouco tempo, você estará aqui. Repito isso, meio que pra acreditar, pra sacudir a cabeça até a ficha cair... parece que está funcionando.
E quando você estiver aqui, tudo vai estar mudado. As noites, os dias, o frio e o calor, as viagens, os planos, as finanças, a rotina, a vida. E tenho certeza de que pra muito melhor, afinal de contas, você vai estar, finalmente, entre nós. E se houver alguma dificuldade, vamos passar por ela, porque você estará conosco. Se chover ou fizer sol, tudo bem, você estará aqui. Se outra crise econômica surgir, se os amigos derem uma sumida, se outro algo de ruim acontecer, teremos você.
A sensação que tenho é de que tudo será melhor com a sua chegada. Eu escuto de pais e mães por aí que, de fato, tudo muda, mas todos falam em preocupações, gastos, dificuldades, noites sem dormir e mais uma quantidade enorme de mazelas. E eu sigo sentindo diferente. Acredito sim, que dificuldades virão, afinal, a vida é difícil e estou cansada de saber disso, mas tenho certeza de que tudo ficará mais leve, mais fácil de lidar. É assim que a vida funciona, quando há amor. E se se trata de amor incondicional então, aí não há o que ter dúvidas. E, pelo que estou sentindo, acho bem que se trata desse tal amor incondicional...
Você foi planejada. Pensamos em cada possibilidade, desde que começamos a falar em filho, antes do casamento, cerca de sete anos atrás. Cada cantinho da casa foi pensado para que houvesse um espacinho pras suas coisas. No quarto, na sala e até no banheiro. Lembro-me de uma amiga dizendo: “Não coloca um armário neste canto do Box, porque quando o bebê nascer, é aqui que você vai deixar a banheira”. E o espaço ficou lá pra isso. E, como previu a amiga, é lá que vamos deixar a banheira.
Um ano antes da gravidez, trocamos de carro, por um que tem um porta malas maior, porque, com um bebê, há que se ter espaço pro carrinho, pra bolsa, pro bebê conforto e tudo o mais.
E quando finalmente chegou a notícia de que você estava vindo, começamos a adaptar a casa. Tanta coisa pra fazer, paredes pra pintar, móveis, enxoval e tantas outras coisas! Agora, ta tudo pronto, só esperando sua chegada.
E é tanta, mas tanta expectativa, que não cabe dentro da gente. Seu pai chora quando você chuta o rosto dele, porque acredita, sinceramente, que seus movimentos são em resposta aos chamados dele: “Chuta aqui, do lado de cá, minha filha” ou “eu não to desse lado aí, to desse aqui, chuta aqui”. Pra ele, você entende perfeitamente o que ele diz e, para agradá-lo, vem chutar do lado em que ele está. E se de madrugada eu acordo com seus movimentos e digo: “Aurora, minha filha, mamãe tem que acordar daqui a pouco pra trabalhar, vamos dormir”, papai sai em sua defesa e me manda parar de brigar. Põe as mãos na barriga e diz: “Filha, pode mexer à vontade. Mamãe vai ficar quietinha agora”. E nada mais me resta a fazer. Só ficar quieta mesmo e deixar que você se mexa à vontade.
A barrigona me deixa, cada dia, mais indisposta, mas tenho mantido a rotina. Vou ao trabalho de carro, vou ao banco, ao médico e até ao mercado quando não há muito o que comprar. A diferença é que, de umas semanas pra cá, tenho perdido tempo olhando as coisinhas do quarto. Roupas, sapatinhos, móveis e tudo o mais. E me dedico a pensar em quem serão seus amiguinhos. E a lista me deixa feliz! Tem o Gabriel, o mais velho da turma, a Ana Lis, o Pedro, o Marcelinho, a Helena. Estes já chegaram. E tem os que ainda estão na fila: o Theo, o Logan e o baby-primo, que, como ainda não sabemos o sexo, não temos o nome.
Ta vendo? Hoje, há muitas dúvidas e expectativa de sobra. Mas daqui a pouco passa. Logo você vai estar por aqui, nos fazendo felizes, nos ensinando a ser pais, tomando nosso tempo e transformando tudo isso em realidade. E esta carta não é pra falar sobre as preocupações futuras. Segurança, educação, viagens, família, amores, vícios... nada disso está nos preocupando ainda, afinal de contas, pra tudo isso, temos Deus conosco.

Pelas contas, parece que teremos você aqui em 20 dias. Fica calma que ta chegando, viu?

sexta-feira, janeiro 29, 2016

Essa coisa de despedida

Sei que é clichê, mas sempre uso a frase: "na nossa vida, pessoas vão e pessoas vêm". É claro que, por mais clichê que seja, se encaixa, em algum momento, na vida de todo mundo, porque, de fato, gente chega e gente se vai. Alguns se vão e a gente nem se lembra mais, dois meses depois. Outros demoram um pouco mais pra serem esquecidos. Há os que deixam nossa memória no instante exato em que se ausentam.
E em meio a tanta gente que se vai, tem aquelas pessoas que simplesmente se vão, mas não se vão. Confuso? É, eu também acho. Mas explico.
Comigo está acontecendo exatamente isso. As circunstâncias estão levando pra longe o casal de melhores amigos, padrinhos e afilhados. Essa semana, meu querido Marcelo e a Ju estão deixando Resende e indo para Curitiba, cidade dos pais dela. E a primeira palavra que me vem à mente é "estranho". Porque, primeiro, é estranho. É estranho o fato de que eles não vão estar perto. É estranho imaginar que não vai dar pra sair de casa, almoçar com eles e voltar no fim da tarde. É estranho o fato de que só vamos "ver" o Marcelinho, pelo menos no começo, por fotos. É estranho pensar que não vai dar pra participar, de perto, dos próximos acontecimentos importantes na vida deles, na família. Enfim, é estranho. Tudo ainda está estranho. Pode ser que mude, mas por enquanto, é estranho.
E tem o fato de que neste caso, especificamente, o "pessoas vêm e pessoas vão" não é exatamente assim. Porque vai ser diferente. Não há como eles "irem". Simples assim. Eles vão, mas não vão. 
Não tem como ser assim.
E não tem como porque o amor que nos une é muito grande. A amizade é daquelas que resiste ao tempo. A união é como de família. A relação é como de irmãos. Os momentos juntos são sempre perfeitos, cheios de cumplicidade, de troca.
E agora, será será assim nas oportunidades que Deus nos proporcionar. Pelo menos pessoalmente. E, mesmo crendo que Deus é fiel e nos ama, o primeiro encontro deve demorar um pouquinho. Com essa quantidade de bebês, vai ser complicado pelo menos nos próximos dois anos. Mas Deus sabe exatamente o que faz, tem planos sobre os quais nada sabemos e sequer podemos sondar. E Ele sabe de todas as coisas.
O fato é que Marcelo, Ju e Marcelinho estão indo embora. E nos deixando. Já com saudade, claro.
Melhor para a conformidade é o fato de a tecnologia já ser presente aqui e lá e a gente vai conseguir levar a vida distante via whatsapp, telefone, internet e tudo o mais que surgir.
Por enquanto, só me resta torna público aqui todo o carinho que tenho por este casal. Como dizem por aí, é muito amor envolvido. Amor mesmo, fraternal. Amor de gente que esteve perto nos momentos mais difíceis da minha vida e nos mais felizes. Amor de amigo que participou de cada conquista e comemorou junto, chorou junto, sorriu e ficou feliz junto.
Tenho absoluta certeza de que o meu Deus, o nosso Deus, o autor e consumador da nossa fé vai estar com os dois nessa nova fase que, de nova não tem nada. É apenas outro recomeço, entre amigos, em família e, mais importante, com o Pai à frente, guiando cada decisão, mostrando cada trilha e amparando cada queda.
Marcelo e Ju, amo vocês como amo a minha família. E estou em oração para que Deus cumpra os planos dEle e faça de vocês dois cada vez mais, um. Sempre. Por todo o sempre. Enquanto estivermos nesta terra.