Se eu pudesse fazer um monte de coisas, seria mais feliz. Vai me dizer que você aí não queria ter o direito de mudar alguma coisa neste mundo... ah, pára....
Hoje, quinta-feira, eu queria que ninguém no mundo tivesse dentes. Sim, dentes. Se ninguém tivesse dentes, ninguém sentiria dor de dente. E se ninguém sentisse dor de dente, não precisaria haver dentistas. Tem noção de como isso seria perfeito? O mundo sem dentistas... meu sonho!
Daí, inclusive, o título do post. Se eu pudesse viver num mundo sem dentista, seria muito mais feliz. O caso é que pra que houvesse um mundo sem dentista, teríamos que viver num mundo de desdentados. Seria a única forma de não precisarmos dos dentistas.... dá pra entender minha linha de raciocínio?
E eu explico essa revolta contra os pobres profissionais que escolheram a única profissão mais errada que a minha.
Começando do começo... um maldito dente que tenho no céu da boca (e ta lá simplesmente porque temos dentes) doeu horrores esta noite. E eu nem consegui dormir. Aliás, não to conseguindo falar... tem noção disso? Eu, não conseguindo falar? Absurdo mesmo, eu sei.
Era tanta dor que rolei na cama a noite inteira e não consegui pregar os olhos. Saí para o trabalho e, assim que cheguei, arranjei o número do telefone de um consultório e liguei pra marcar um horário.
A menina que me atendeu estranhou o que ouviu, com certeza: "Preciso marcar um horário, o mais rápido possível, com uma dentista mulher, porque acho que as mãos da dentistas mulheres são menos agressivas, que vá me curar de uma dor infernal num dente que ta aqui na minha boca. Ah, e marque com aquela que faz os clientes sofrerem menos e que tenha pelo menos uma iniciação na área de Psicologia".
Foi exatamente isso o que eu disse. "Senhora, na área de Psicologia, receio que não haja ninguém".
"Então está bem, obrigada, vou ligar pra outro consultório".
E já ia mesmo desligar o telefone quando ouvi um risinho e a voz da "Juliana" de novo: "Vamos marcar um horário, aí a senhora vem, faz um orçamento e nem vai doer, eu garanto".
Claro que não... um orçamento não ia doer mesmo. O problema é que já ta doendo, tem é que parar de doer.
"Você não ta entendendo. O meu dente está doendo desde ontem e eu não conseguindo raciocinar. Você precisa marcar um horário, com uma dentista que não me faça sofrer e ela tem que curar essa minha dor hoje".
Outro risinho. Ai, ai... sorte dela que eu tava distante 40 quilômetros.
"Ta bom. Vamos marcar. Com a doutora Lola?"
Lola. Isso era nome ou apelido? Inacreditavelmente, me ouvi perguntar:
"Lola? Mas isso é nome ou apelido? Sim, porque eu preciso saber o nome dela...", justifiquei. E em pensamento: É, porque eu jamais abriria minha boca pra alguém com o nome Ermengarda, Juscelina... ou algo do tipo.
"É apelido. O nome dela é Dolores".
Plim!!!! Tocou a buzina da emergência na minha cabeça. "Dolores" lembra dor. Ai, ai, ai...
"E o nome da outra?"
"A outra não estará aqui à tarde, senhora. Só terá a doutora Lola mesmo".
Saco... nem vou ter por onde escapar. Eu me lasquei. E por que essa tonta me perguntou então: "Doutora Lola?". "Não, cabeçuda! Com você!". Aff....
Agora ta marcado. Falta menos de três horas.
E eu to sofrendo.
Ah, se eu pudesse viver sem ter dentes... pelo menos não teria que conhecer a doutora Dolores, cujo nome me dá calafrios.
Um comentário:
Se não tívessemos dentes e nem dentistas (obviamente) teríamos apenas gengivas então existiria os gentivistas? rsrsrs
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