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quarta-feira, maio 27, 2015

Tudo o que vicia começa com "C"*

Há momentos na vida de um ser humano em que ele se vê sem nada realmente interessante pra fazer. Assim, sem companhia, computador ou iPod e com celular fora de serviço, numa viagem de ônibus para Cruz Alta, fui obrigado a me divertir com os meus próprios pensamentos.
Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.
Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C!De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.
Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.
Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também, adivinha, começa com a letra c.
Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum. Impressionante, hein?
E o chocolate? Este dispensa comentários.
 Vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.
Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada “créeeeeeu”. Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade cinco.
Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o “ato sexual”, e este é denominado coito.

Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos, pois a humanidade seria viciada em Cultura.

*Por Ricardo Mallet, embora andem dizendo por aí que o texto é de Veríssimo

segunda-feira, março 09, 2015

A maldição da indicação


É praticamente uma maldição. Você conhece uma pessoa e aí, em algum momento, ela precisa de alguém para ajudá-la com os afazeres domésticos, com o transporte das crianças para a escola, para o comércio ou para qualquer outra coisa. E aí, você conhece outra pessoa, honesta, sincera, que precisa de trabalho e pronto. Une a vontade de agradar a uma e de ajudar a outra, e promove o encontro.
E aí você pode estar se perguntando cadê a maldição em ajudar uma pessoa e agradar outra. E é aí que ela - a maldição - entra, depois do encontro.
Digamos que a pessoa que você conhecia na primeira parte do texto, a que precisava de ajuda, não seja muito exigente com aquilo que quer que a segunda - a que precisava - faça. A primeira quer apenas uma companhia para a filha, ou uma limpeza na casa duas vezes por semana, enquanto se recupera de uma cirurgia, ou apenas uma cozinheira de pratos triviais, enfim. É apenas uma pessoa que, por um breve momento, precisa de ajuda. 
Foi assim comigo. Exatamente assim.
Cá está então, a maldição. O trabalho era simples, mas não necessariamente.
Só que a indicada faz exatamente o contrário do que quer que fosse. Você, no caso eu, acreditava piamente na honestidade, na competência e na sinceridade da pessoa, mas se enganou redondamente.
E além da desonestidade, incompetência e falsidade, a indicada ainda foi ingrata e não pensou, nem um segundo sequer, que tinha sido indicada por você - mim, no caso - e lascou tudo. 
Preguiçosa, mal humorada, doente quando quis, interesseira e, pra piorar tudo, desonesta no mais alto grau. Não, não é brincadeira.
E a sua indicação, que deveria ter ajudado a duas pessoas que precisavam, só atrapalhou. E atrapalhou com pressão.
A pessoa que precisava do favor fez contato, pra me aconselhar a não indicar a outra novamente. E a outra, que deve imaginar que eu sei do ocorrido - não, eu não falei com ela - não me cumprimentou ontem. Não que isso influencie a minha vida, porque não influencia, mas é mais um resultado de todo o problema.
Depois disso, fiquei pensando que esse lance de indicar alguém ou alguma coisa ou um lugar ou o que quer que seja é terreno delicado. O meu médico pode não ser um bom médico para outra pessoa. A carne daquele restaurante é a melhor do mundo para o meu pai, mas não pra mim. Uma viagem pro Centro-Oeste pode ser uma delícia para meu vizinho, jamais, porém, para uma amiga. Aquela flor que você acha o cheiro delicioso, ataca a minha rinite e lasca tudo. O celular que atende às minhas necessidades não passa nem perto do que aquela outra pessoa precisa. E por aí vai...
Cada um tem um gosto, uma necessidade, uma vida. E se meter nisso pode resultar em problemas.
No caso em que eu me meti, as consequências não foram as piores. Salvaram-se todos. Quase todos.
E agora? Agora, sem indicações. Juro!

sexta-feira, janeiro 16, 2015

Duas iniciativas que prolongam relacionamentos*

Milhares de casais se unem em matrimônio anualmente. No Brasil, o mês das noivas é maio, nos Estados Unidos, o mês mais popular para casamento é o mês de junho, onde em média 13.000 casais dizem “sim”.
Desses casais que decidem passar a vida juntos, muitos não conseguem levar o relacionamento por muito tempo. Se você parar agora e analisar quantos casais você conhece que se casaram e se divorciaram, certamente terá que anotar, ou perderá a conta.
Pensando nisso, que o psicólogo, John Gottman, juntamente com sua esposa também psicóloga, Julie Gottman, realizaram um estudo com casais para entender melhor o motivo do fracasso e do sucesso de seus relacionamentos.
A conclusão a que chegaram pode parecer óbvia demais, porém ao analisarmos os detalhes de nossos próprios relacionamentos, certamente identificaremos pontos que precisam de mais atenção.
Segundo o estudo dos Gottmans, as duas coisas básicas que movem um relacionamento até o fim da vida são generosidade e bondade.
John e Julie criaram o “The Lab Love” (O Laboratório do Amor), levaram 130 casais para seu laboratório do amor, onde passaram o dia realizando tarefas corriqueiras como comer, cozinhar, limpar, enquanto os cientistas sociais os analisavam. Ao fim das análises, os estudiosos classificaram os casais em dois grupos: mestres e desastres. Passaram-se seis anos e os casais foram chamados novamente. Os mestres permaneciam juntos e felizes.
Os casais que pertenciam ao grupo “desastres” ou não estavam mais casados ou permaneciam juntos, porém infelizes. Esse resultado levou os cientistas a conclusão de que a generosidade é fundamental para o relacionamento entre o casal. Atos simples como responder a perguntas rotineiras com agressividade ou com generosidade afeta o futuro e a qualidade do seu relacionamento.
Perguntas como: “Você viu aquele pássaro?” podem ser a deixa para a esposa demonstrar mais interesse pelos gostos do marido, agindo com generosidade e bondade, criando uma conexão entre os dois.
Respostas ríspidas, desinteressadas ou ignorar o apontamento do seu companheiro por indiferença, significam bem mais do que apenas cansaço, ocupação, falta de tempo. Mas sim, podem representar que tudo é mais importante do que as coisas bobas que ele ou ela apreciam.
O estudo apontou que temos duas respostas a escolher quando se trata das questões de nossos companheiros, podemos optar por respostas generosas que nos aproximam como casal ou respostas ríspidas que nos afastam um do outro.
Os “mestres” escolhiam respostas generosas, criavam uma conexão com o companheiro, demonstrando-lhe interesse em suas necessidades emocionais.
Pessoas que agem com bondade e generosidade, como os casais que pertenciam ao grupo de “mestres” preocupam-se em criar um ambiente de apreciação e gratidão pelo o que o companheiro faz, em contrapartida, casais “desastres” constroem um ambiente baseado na insatisfação, sempre apontando para os erros do outro, para o que ele deixou de fazer, esquecendo-se dos pontos positivos.
A pesquisa mostrou que em situações como, o atraso da esposa ao se preparar para um jantar pode ser encarado pelo marido de duas maneiras diferentes: com bondade e generosidade ou com agressividade, concentrando-se apenas no fato de que ela sempre se atrasa, nunca se apronta na hora combinada, desconsiderando que o atraso pode ter sido motivado pelo tempo que ela gastou preparando uma surpresa para ele.
Generosidade e bondade
Generosidade e bondade podem salvar seu relacionamento. Não estou dizendo que no dia de aniversário de casamento, uma vez ao ano, você fará aquela surpresa linda, e pronto. O que a pesquisa revelou implica na aplicação diária de doses de generosidade e bondade, seja relevando uma coisa aqui, sendo gentil em outra situação ali, evitando cobranças desnecessárias e sempre, sempre e sempre concentrar-se no que a outra pessoa fez e faz de positivo, não de negativo. Sua esposa foi ao supermercado e comprou só alimentos, esquecendo-se do creme dental? Você escolhe: seja agressivo e reclame do creme que ela esqueceu ou agradeça pela comida que comprou. Sua escolha dirá que tipo de relacionamento você está vivendo.
John e Julie Gottman, após estudarem os casais com eletrodos enquanto conversavam, concluíram que casais do grupo “desastres” ficavam fisicamente afetados ao dialogarem com seus companheiros, fisiologicamente eram como se estivessem em guerra ou enfrentando um leopardo. Os “mestres” apresentavam passividade, relaxamento e tranquildade ao conversarem.

E você? A qual grupo pertence?

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Rede social encoraja pessoas a trocarem gentilezas

A modelo e atriz britânica Lily Cole, de 27 anos, entrou para o time dos famosos que atuam no mercado de startups e que já inclui nomes como Ashton Kutcher e Jessica Biel.
Ela criou há um ano a rede social Impossible, que encoraja as pessoas a fazerem coisas umas pelas outras de graça.


Funciona assim: o usuário se cadastra na rede e indica quais habilidades pessoais possui, como escrever, ensinar matemática ou cantar. Depois, pode postar na rede seus desejos e as coisas que gostaria de aprender. Também pode oferecer o que sabe para quem precisa. Existem algumas exceções: dinheiro e conteúdo sexual ou violento são vetados na rede.
Quem ajuda outras pessoas recebe um “obrigado”, uma espécie de moeda virtual da rede. No perfil de cada pessoa é possível ver quantos “obrigados” ela já recebeu.  ”Um obrigado vale mais do que mil curtidas”, é um dos lemas do site.
Lily afirmou à BBC o que a motivou a criar a startup. “Na minha vida, as coisas que fiz de graça, por generosidade, foram algumas das experiências mais felizes que já tive”, explicou.
A rede social Impossible existe há um ano e possui usuários em 70 países. Além da versão para a web há também um aplicativo para o sistema iOS. Muitos brasileiros já estão usando o site. 
A Impossible quer ser uma alternativa ao Facebook e a outras redes sociais, por isso, Lily faz questão de frisar que o site é uma organização sem fins lucrativos e que não tem publicidade. Segundo a BBC, porém, um dos planos da startup é vender produtos no site.
Outras redes para aprender e trocar experiências de graça
O modelo da Impossible é semelhante ao de outras startups brasileiras, como  a premiada Bliive, criada pela jovem brasileira Lorrana Scarpioni, de 24 anos, apontada pela revista MIT Technology Review como uma das 10 jovens brasileiras mais inovadoras.
Na Bliive o usuário cadastra uma atividade da qual outras pessoas podem participar gratuitamente, como, por exemplo, uma hora de aula de desenho. Em troca, ganha uma moeda chamada TimeMoney, que pode ser usada como crédito para participação em outras atividades oferecidas na plataforma.
Outros sites têm como foco a educação, em um movimento chamado Crowdlearning (aqui). Um deles é o site Nos.vc, no qual as pessoas podem se cadastrar para organizar eventos sobre qualquer coisa. O encontro só acontece se alcançar um número mínimo de inscritos e pode ser gratuito ou não, de acordo com a vontade de quem organizou
Outro exemplo é o Cinese, que permite organizar encontros, como um passeio de bicicleta no centro da cidade, e aulas sobre variados assuntos. O site não cobra nada pelos eventos. O pagamento é opcional e a ideia é que as pessoas contribuam com o valor que desejarem para ajudar na manutenção do site.

*Fonte: Estadão


terça-feira, dezembro 30, 2014

CONSELHOS PARA 2015*

Recebi de uma amiga e, mesmo achando clichê e com um leve toque de auto ajuda (que eu não sou fã e assumo), estou compartilhando. Vale uma olhada (e uma conscientizada).

#1
Não assuma compromissos do tipo “vou iniciar uma dieta”, “vou começar alguma atividade física”, “vou terminar o curso de inglês”. Esse tipo de coisa serve apenas para acumular culpa e frustração sobre os seus ombros.

#2
Não acredite nesse pessoal que diz que “sem meta você não vai a lugar nenhum”. Pergunte a eles por que, afinal de contas, você tem que ir a algum lugar. Trate esses “lugares futuros imaginários” apenas como referência para a maneira como você vive hoje – faça valer a caminhada: se você chegar lá, chegou, se não chegar, não terá do que se arrepender. A felicidade não é um lugar aonde se chega, mas um jeito como se vai.

#3
Não faça nada que vá levar você para longe das suas amizades verdadeiras. Amizades levam um tempão para se consolidar e um tempinho para esfriar, pois assim como a proximidade gera intimidade, a distância gera esfriamento e fragiliza os vínculos.

#4
Não perca tempo discutindo religião, política e futebol. As paixões moram numa nuvem que os argumentos não alcançam.

#5
Não fique arrumando desculpas nem explicações para as suas transgressões. Quando cometer um pecado, assuma, e simplesmente diga “minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa” e “fiz sim, me perdoe”. Comece falando com Deus e não pare de falar até que tenha encontrado a última pessoa afetada pelo que você fez.

#6
Não faça nada que cause danos à sua consciência. Ouça todo mundo que você confia, tome as suas decisões, e assuma as responsabilidades. Não se importe em contrariar pessoas que você ama, pois as que também amam você detestariam que você fosse falso com elas ou se anulasse por causa delas.

#7
Não guarde dinheiro sem saber exatamente para que o está guardando. Dinheiro parado apodrece e faz a gente dormir mal. Transforme suas riquezas em benefícios para o maior número de pessoas. É melhor perder o dinheiro que ocupa seu coração, do que o coração que se ocupa do dinheiro.

#8
Não deixe de se olhar no espelho antes de dormir. Caso não goste do que vê, e isso se repita muitas vezes, não hesite em perder a noite de sono para planejar o que vai fazer na manhã seguinte. Ao se olhar no espelho ao amanhecer, lembre que com o sol chega também a misericórdia de Deus: a oportunidade de começar tudo de novo.

#9
Não leve mágoas, ressentimentos e amarguras para o ano que vem. Leve pessoas. Sendo necessário, perdoe ou peça perdão. Geralmente as duas coisas serão necessárias, pois ninguém está sempre e totalmente certo. Respeite as pessoas que não quiserem fazer a mesma viagem com você.

#10
Não deixe de se perguntar se existe um jeito diferente de viver. Não acredite facilmente que o jeito diferente de viver é necessariamente melhor do que o jeito como você está vivendo. Concentre mais energia em aprender a desfrutar o que tem do que em desejar o que não tem.

#11
Não deixe o trabalho e a religião atrapalharem sua vida. Cante sozinho. Leia poesias em voz alta. Participe de rodas de piada. Não tenha pressa de deixar a mesa após as refeições. Pegue crianças no colo. Ande sem relógio. Fuja dos beatos.

#12
Não enterre seus talentos. Nem que seu único tempo para usá-los seja da meia noite às seis. Ninguém deve passar a vida fazendo o que não gosta, se o preço é deixar de fazer o que sabe. Útil não é quem faz o que os outros acham importante que seja feito, mas quem cumpre sua vocação.

#13
Não crie caso com sua mulher. Nem com seu pai nem com sua mãe. Nem com seu irmão nem com sua irmã. Caso eles criem com você, faça amor, não faça a guerra. O resto se resolve.

#14
Não jogue fora a utopia. Ninguém consegue viver sem acreditar que outro mundo é possível. Faça o possível e o impossível para que esse outro mundo possível se torne realidade.

#15
Não deixe a monotonia tomar conta do seu pedaço. Ninguém consegue viver sem adrenalina. Preste bastante atenção naquilo que faz você levantar da cama na segunda-feira: se for bom apenas para você, jogue fora ou livre-se disso agora mesmo. Caso não queira levantar da cama na segunda-feira, grite por socorro.

#16
Jamais se esqueça que a pessoa mais importante do mundo é aquela que está na sua frente. Não a que está no Whats App, nem no Facebook, nem no Instagram.

#17
Não deixe de dar bom dia para Deus. Nem boa noite. Mesmo quando o dia não tiver sido bom. Com o tempo você vai descobrir que quem anda com Deus não tem dias ruins, apenas dias difíceis.

#18
Não negligencie o quarto secreto onde você se encontra com seu eu verdadeiro e com Deus – ou vice-versa. Aquele quarto é o centro do mundo – o mundo todo cabe lá dentro, pois na presença de Deus tudo está e tudo é.

#19
Não perca Jesus de vista. Não tente fazer trilhas novas, siga nos passos dEle. O caminho nem sempre será tão confortável e a vista tão agradável, mas os companheiros de viagem são incomparáveis.

#20
Não caia na minha conversa. Aliás, não caia na conversa de ninguém. Faça sua própria lista. Escolha bem seus mestres e suas referências. Examine tudo. Ouça seu coração – geralmente é ali que Deus fala. Misture tudo e leve ao forno.

#21
Não fique esperando que sua lista saia do papel. Coloque o pé na estrada. Caso não saiba por onde começar, não tem problema. O sábio disse ao caminhante que “não há caminho, faz-se caminho ao andar”.



segunda-feira, dezembro 08, 2014

A hora do presente

É chegar novembro que pipocam em todos os grupos, os primeiros sorteios das brincadeiras de amigo secreto. No trabalho, na faculdade, entre amigos e familiares. Não importam o número de pessoas, se há afinidade ou amizade. O que importa é cada um tirar um papel e, no dia marcado, a tão esperada troca de presentes.
A minha temporada começou na sexta-feira da semana passada, dia 5, com o grupo do Fato Popular. No sábado, dia 6, foi a vez do grupo de outro trabalho, na segunda, das Lulutosas (as amigas mais lindas do país) e no fim da semana, será a brincadeira de outro grupo de trabalho.
É claro que não vou falar sobre os presentes de cada uma das brincadeiras, o objetivo não é este. Até porque, dificilmente as brincadeiras não são divertidas. Aliás, na minha opinião, nunca são. 
Eu quero mesmo é falar dos presentes. E com exemplos! Sim, eu tenho. Ou conheço alguém que tem.
Teoricamente, os participantes estipulam um valor mínimo e máximo, para que não haja injustiças. Em geral, os valores variam pouco, também pra evitar injustiças. Este ano, os meus presentes custaram, quase todos, cerca de 50 reais. Exceto na brincadeira das amigas, que especificou o presente: sandálias havainas.
E é aí que entra a chateação das brincadeiras.
Já dei uma coleção de bonecas de pano e ganhei um palhacinho de isopor, já vi gente dar uma caixa de produtos de beleza e ganhar uma jarra de acrílico, conhece uma pessoa que deu um par de óculos e ganhou uma caixa de sabonete. E certeza que todo mundo conhece um caso assim. Um livro impresso em páginas de papel jornal, um desodorante, uma camisa pequena, uma garrafa térmica usada, uma saia puída ou um par de brincos.
É, isso acontece. E é comum. Eu juro!
E nem me venha com este papinho de que o que vale é participar. Não, eu posso estar sendo radical, mas não  importa "apenas" participar. Importa, sim, ganhar um presente legal. Mesmo que tenha custado menos do que o que eu dei, isso, de fato, não importa. Mas que precisa ser algo 'usável', ah, precisa.
Penso que até essa escolha por presentes específicos na brincadeira, já foi criada até para evitar esses pequenos transtornos.
Se sim ou não, o que vale mesmo é a velha e admirável noção. Sim, a velha noção mesmo... do dar aquilo que eu gostaria de ganhar.

quinta-feira, novembro 20, 2014

Pessoas que leem são mais legais

Eu sempre soube que as pessoas que têm livros como a principal companhia são mais legais. E esse conhecimento meu foi adquirido com base em mim, claro, e nos meus amigos, mais claro ainda. Perto de mim, há, sem dúvida, os que preferem outros passatempos e afazeres. Só que, não sei bem o motivo, atraio muita gente que gosta – e muito – de livros, revistas, jornais e afins.


Hoje, zapeando pelos canais internéticos, descobri uma pesquisa sobre isso. Exatamente. Uma pesquisa da Universidade de Washington e Lee, nos Estados Unidos, que constatou o efeito com um teste simples: voluntários leram uma história bem curtinha, e foram questionados para identificar o quanto cada um tinha curtido o que leu e aí derrubaram, sem querer querendo, um monte de canetas no chão. O estudo conta que, quanto mais “transportadas” para dentro da história as pessoas tinham sido, maiores eram as chances de levantarem o bumbum da cadeira para ajudar a recolher as canetas.
A explicação é que quando lemos algo que realmente mexe com a gente,  criamos  empatia  pelos personagens da história — e quanto maior essa empatia, mais propenso a gente fica a ser bacana com os outros na vida real. 
E você aí, anda lendo muito? Ou tem alguma dúvida a respeito desta constatação?
Eu não. Definitivamente. Aliás, a próxima postagem do brog vai ser sobre “o que ando lendo”.

terça-feira, novembro 18, 2014

Por que você deve pensar bem antes de comprar uma roupa irrealisticamente barata?*

Na última década, além de roupas baratas, tem nos sido vendido um mito: o de que comprar uma camisa por U$ 2 é um direito de nossos tempos. A verdade é que não há nada de democrático no princípio de comprar roupas por preços irrealistas. A equação é simples: se queremos que as coleções cheguem mais rápido às prateleiras, os produtores têm de trabalhar mais e mais rápido; se queremos que nossas roupas custem menos, então o custo da produção – e os salários – têm de ser menores.
Para atender ao que se tornou uma corrida global pela chamada “fast-fashion” (o fast-food da moda), marcas passaram a exigir a troca constante de novas coleções, os estoques são mantidos intencionalmente baixos para impulsionar as compras, e a rede de fornecedores têm de responder às últimas tendências, trocando a produção em questão de horas. Como resultado, as roupas estão mais baratas e perecíveis do que nunca, alimentando os ganhos da indústria de vestuário, de U$ 3 trilhões ao ano.
No ano passado, o colapso do prédio Rana Plaza, em Bangladesh, onde funcionava um complexo de fabriquetas – que produziam roupas para as mais populares marcas do Ocidente – deixou quase 1.200 trabalhadores mortos, no maior acidente industrial em 30 anos, e colocou em evidência os custos humanos da “fast-fashion”, um alerta para que o público começasse a fazer uma pergunta importante: quem está por trás das roupas que vestimos?


A resposta está frequentemente ligada a uma dinâmica complexa, um mecanismo de exploração que funciona na base da cadeia moderna de suprimentos, e que tem suas raízes na pobreza, negligência e, mais do que tudo, na corrupção, o combustível que abastece a escravidão moderna.
De acordo com a organização Walk Free, há pelo menos 30 milhões de pessoas escravizadas no mundo, o maior número na história. Infelizmente, o tráfico de pessoas é um negócio que cresce rapidamente e movimenta quase U$150 bilhões ao ano, mais do que o PIB da maioria dos países africanos e três vezes os lucros anuais da Apple.
Escravidão é um assunto global, que vai além da indústria da moda. Relatórios recentes destacam o apelo de nepaleses que trabalham na construção civil no Qatar por U$ 0,75 a hora em jornadas de 20 horas e de imigrantes burmaneses na Tailândia que são traficados, brutalmente espancados e escravizados para pescar em alto mar o  camarão que chega aos nossos pratos.
Hoje, se comparado o PIB de países com o lucro de corporações globais, percebe-se que estas são maiores e mais poderosas que muitos governos. No entanto, essas entidades transnacionais são pouco questionadas. As cadeias de suprimentos estão se tornando cada vez mais longas e complexas e frequentemente transferem sua responsabilidade à certificação de terceirizados que, na realidade, não garantem muita coisa. Mesmo quando as empresas querem fazer a coisa certa, muitas vezes não sabem o que se passa exatamente em suas cadeias de suprimentos.
E há a corrupção. Muitas das fábricas em Bangladesh, onde os trabalhadores mal pagos perderam suas vidas, assim como centenas de fábricas indianas, onde as meninas são vítimas de trabalho forçado, foram “eticamente auditadas”. Mas algumas destas auditorias não são nada mais do que negócios lucrativos e fraudulentos administrados por empresas impostoras locais contratadas por grandes multinacionais.
Segundo a ONU, tanto os governos como as empresas compartilham um princípio de responsabilidade. Em outras palavras, os Estados têm a obrigação de estabelecer salários mínimos legais justos e as empresas devem pagar os salários em conformidade. Mas a ONU também afirma claramente que, se os governos não conseguem garantir padrões salariais adequados, as empresas têm a obrigação de respeitar o direito humano a um salário mínimo e, portanto, devem estar prontas para tomar a iniciativa nesse sentido.
Uma economia cada vez mais global exige normas e regulamentos internacionais.
Temos normas rígidas e bem definidas de segurança e de regulamentação em toda a indústria da aviação, por que não deveríamos ter medidas universais para manter a escravidão fora das cadeias de abastecimento?
Mas a regulamentação global não é certamente a única resposta. Na verdade, se usarmos o mercado como uma força para o bem, poderíamos ver a mudança em um ritmo muito mais acelerado. Os governos podem levar anos para aprovar leis, e talvez nunca aplicá-las, enquanto as grandes empresas têm a capacidade de pagar preços de produção mais justos e realistas imediatamente, impactando todo o mercado e mudando a vida de milhões de indivíduos com  a decisão simples de retribuir de forma adequada seus trabalhadores.
Um salário digno é um direito humano e é fundamental que os consumidores estejam plenamente conscientes do poder em suas mãos. Nós estaremos no caminho certo somente quando olharmos para um vestido de U$ 8 como um alerta vermelho e não como um bom negócio.


quinta-feira, novembro 06, 2014

As soluções pro Escritório Central

Cada cidade tem pelo menos um “elefante branco”. Sim, aquele monumento, criado com algum fim, que, no decorrer do tempo, foi perdido.
Na cidade em que eu moro, há alguns. Um shopping com a arquitetura sofrível (e a administração ainda pior, mas isso) é um deles. O mais tradicional, porém, é chamado Escritório Central e, durante muitos anos, foi usado como o edifício que centralizava a administração da Companhia Siderúrgica Nacional, usina que produz aço e já foi a maior da América Latina. Alguns anos atrás, porém, a CSN levou seu “escritório central” para a capital e o prédio, que fica numa área nobre da cidade, foi abandonado.
Aí, meu querido amigo fotógrafo jornalista criativo André Sodré criou uma série de soluções para o tão tradicional e querido Escritório Central da CSN. As sugestões, devidamente ilustradas, para mostrar que não seriam soluções absurdas, foram publicadas no Facebook dele. E eu, como fã do trabalho dele e das possíveis soluções, compartilho com meus três leitores:

SOLUÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO ESCRITÓRIO CENTRAL DA CSN - 1

Apartamentos para 2500 famílias no programa 
Minha Casa Própria do próximo governo



SOLUÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO ESCRITÓRIO CENTRAL DA CSN - 2
Arrendar para a Al-Qaeda


.

SOLUÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO ESCRITÓRIO CENTRAL DA CSN - 3

Cenário pra indústria cinematográfica japonesa.




SOLUÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO ESCRITÓRIO CENTRAL DA CSN - 4

Cemitério vertical para High Society




SOLUÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO ESCRITÓRIO CENTRAL DA CSN - 5

Motel de alta rotatividade com suíte presidencial




SOLUÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO ESCRITÓRIO CENTRAL DA CSN - 6

Construção de um grande estacionamento para ônibus 

de romeiros em visita à estátua de Dom Waldyr



SOLUÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO ESCRITÓRIO CENTRAL DA CSN - 7

Um muro de pedra, para se lamentar





SOLUÇÕES PARA UTILIZAÇÃO DO ESCRITÓRIO CENTRAL DA CSN - 8

Um palácio suntuoso para uma princesa morta.



Vale ou não vale a pena pensar nas possibilidades?

terça-feira, novembro 04, 2014

Meta-se com a sua vida

O título é uma ordem. Isso mesmo. Uma ordem expressa. Uma frase simples, que contém uma ordem simples, fácil de ser obedecida e, mais importante, fundamental para a boa convivência no trabalho, em casa, entre os amigos.
É claro que os meus três leitores podem estar se perguntando o motivo repentino do assunto. Não, não existe um motivo específico. Há vários. Isso mesmo. Várias pessoas se metendo na vida das outras, sem a menor cerimônia, sem pudor algum. E presenciei alguns casos ultimamente. Uns deles comigo, confesso, mas não vou entrar em detalhes. Não preciso. Aliás, nem faria, mesmo que precisasse. Falta-me coragem, sobra em mim vergonha. É, vergonha, mas do que os outros fazem, do ‘contorcionismo’ moral para justificaram uma leve “se metida” na vida das outras pessoas. Exatamente. Das “outras” (!) pessoas.
Nem tudo o que as pessoas querem fazer, viver, opinar ou sentir a respeito do que as outras vivem pode significar, à primeira vista, intromissão. Mas é. Independe do que seja. Pode parecer inofensivo ou simples, mas não se iluda. É intromissão, é gente que não tem o que fazer, anda desocupada ou, simplesmente, quer constranger, falar mais do que deveria. Pode ser até, quem sabe, querendo se meter.
Vi gente falando da magreza e do cabelo de uma menina, ouvi uma mulher falando com outra ao telefone que o namorado da terceira andava num Fiat Uno velho, soube por uma conhecida que a moça que trabalha na loja de sapatos tem uma namorada e a mãe não aprovou o relacionamento. No salão, alguém comentou com as outras clientes que o marido da prima tinha viajado e deixado a esposa sozinha com o filho de cinco anos, o que a teria obrigado a cuidar do menino sem a ajuda dele. No trabalho, alguém deixou escapar: “Sério? Ela está grávida de novo? Meu Deus! Parece uma coelha!”. Quem se meteu na minha vida disse coisa muito mais séria sobre mim mesma e que precisava saber, confesso. Só que a tal “insinuação”, ou “declaração”, ou sei-lá-o-que-realmente-é, não tinha muitos dados. Parecia especulação, confesso, embora eu torcesse, veementemente, para que fosse verdade. A mais pura, a mais real, sem nenhum detalhe falso. Só que não era. E, mesmo assim, ouvir aquilo, mexeu comigo. Entristeci, engasguei, chorei, briguei.
Até que entendi. Só entendi.
É o vermezinho da intromissão. É o demoninho que não se contenta em viver. E, com “viver”, entenda trabalhar, comer, namorar, tomar banho, dormir, passear, conversar, ter amigos, comprar um carro, quitar uma conta, gargalhar, permitir-se ficar sem fazer nada, dissecar a própria rede social ou deixá-la esquecida por meses só porque pode fazer isso, estudar, conquistar, amar, arranjar um filho, tomar um porre, curtir uma noite vendo filmes e comendo pipoca, fazer um exercício, dedicar-se a si mesmo, ser feliz, ou triste. Ou qualquer outra coisa. Não, isso tudo aí pode parecer muito, ou suficiente, mas não é. Pra muitos, é nada. Falta tomar conta da vida dos outros na lista. Falta expor a própria opinião, especialmente se for pra depreciar.
É, porque pra mim, se a intromissão não depreciar, não tem motivação. Quem se mete, nunca se mete pra elogiar ou pra falar bem da mãe do outro. Duvida? Então preste atenção ao redor e passe a ouvir com mais cuidado aquilo que as pessoas dizem, quando estão se metendo na vida das outras. E, não se espante se ouvir algo como “questão de honra”, “eu digo isso a ele mesmo” ou outra coisa parecida. Os que se metem são sempre os que juram que são perfeitos, que têm vidas perfeitas, relacionamentos perfeitos,
Se encontrarem algo diferente disso, intromissões com razões nobres ou motivações importantes, que não o próprio umbigo de quem as faz, por favor me aponte.
Serei feliz. Mas esquecerei. Prefiro ter a minha vida. Minha. Só minha e de mais ninguém.


quinta-feira, outubro 23, 2014

Eleições X Redes Sociais

Que saco! Ta muito chato.
Sei que falei aqui há pouco tempo sobre esse negócio de reclamar. E não, esta não é a função deste texto, só que, confesso, não consegui arranjar um outro desabafo para dar início ao meu "caso".
Com o "advento das redes sociais", as campanhas eleitorais tomaram grande força na internet. Pode ser um fenômeno temporário, mas quem se importa? A mim, o que realmente importa é que todas as timelines do mundo, a minha inclusive, estão repletas de opiniões adversas.
É claro que eu não faço parte do grupo de pessoas que não gostam das opiniões dos outros ou que acha que só o que elas pensam importa. O caso é que não tem como ser feliz zapeando pelo Facebook, por exemplo, com tanta gente chata por aí. Se fossem opiniões, pura e simplesmente, não seria tão chato assim. O problema é que a maioria das pessoas encontrou formas de ataque a outras, sempre usando exemplos de corrupção e desalinho do candidato da oposição, para ilustrar seus próprios ideais.

"Fora Dilma! no adesivo do carro comprado com IPI reduzido"; "Voto Aécio!, dito pelo rico cujo filho perdeu a vaga na universidade para um negro"; "Dilma promete e não cumpre"; "Aeroporto de Cláudio na terra dos Neves"; "Professores mineiros reclamam do governo Aécio"; "Dilma está na frente segundo DataFolha"; "A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise"; "FHC desmente Aécio"... e por aí vai. Um monte de blá-blá-blá. Histórias que todo mundo ouviu a vida inteira, casos de corrupção claros e que já foram, inclusive, julgados, listas de obras que nunca sairam do papel e mais um monte de coisa que nós, brasileiros, estamos carecas de ver, ouvir, ler, viver....
Essa semana, Pedro Doria escreveu sobre isso no Jornal O Globo. O advento das redes sociais e blogs que, nos Estados Unidos, mostram relevância no debate político desde 2004 e, como aqui, são profundamente partidários. Confira aqui.
Pra mim, é este o exato problema. As pessoas serem partidárias. E eu explico: tanta campanha, tanta defesa, tanto amor por este ou aquele candidato, em quase todos os casos, não tem a ver com o que um ou outro fez ou não na vida política, mas com a visão política de cada usuário do Facebook ou escritor deste ou daquele blog. E quando falo em "visão política", não incluo a menor visão real do candidato e de sua vida política pregressa.
Não é hora de anular o voto. Não é hora de justificar. Infelizmente, não é hora de trocar o voto por uma ida à praia (sim, andei dizendo que faria isso, mas era brincadeira). É hora de tentar escolher um dos dois candidatos que temos e votar. Se mudança ou não (se é que há mesmo mudança), se pra continuar com o que está aí ou não, não importa. É hora de mostrar que o povo, independente do lado da maioria, está, deveras preocupado com o que o país está vivendo.
Deixemos as opiniões dos usuários de redes sociais pros que têm paciência e estômago e decidamos pelo que vemos no meio político durante toda a vida, nas mudanças que já aconteceram e nas que foram muito propagadas, mas nunca chegaram a ocorrer. Nos casos de corrupção, sim. Nos erros de português e de administração também. Na falta de compostura, de vergonha na cara e de tato pra tratar assuntos que mexem com as pessoas, que comovem. Decidamos pelo que os veículos sérios divulgaram até um ano atrás (porque nos últimos 12 meses, tudo o que foi veiculado teve o claro objetivo de promover alguém). Pesquise. Priorize planos de governo, história política, trajetória limpa (não que isso exista com muita clareza e precisão entre os nossos candidatos).
E vamos ver o que está reservado ao país para os próximos quatro anos.


segunda-feira, outubro 13, 2014

Reclamar pra que?

Há muito tempo eu parei de reclamar. E, cá entre nós, não foi difícil. Melhor que isso, foi bom.
Hoje, poucas coisas me incomodam. Não porque há poucas coisas chatas na minha vida ou no mundo, mas porque reclamar é ruim. Tanto pra quem está por perto e, muitas vezes, é obrigado a conviver com as reclamações dos outros, quanto pra quem reclama. Chateia, faz doer a cabeça, traz armagura e duvido que não envelhece.
Parei de reclamar, primeiro, do que todo mundo reclama. Todos os dias, o tempo todo.
Parei de reclamar das estações. Pra começo de conversa, dizer por aí "ai que calor" ou "vou morrer de frio" não vai esfriar o sol nem esquentar os dias mais frios. Se está chovendo, ótimo. Se não está, ótimo também. É claro que não foi fácil dar um basta nos meus chororôs. Precisei, antes de tudo, pensar no porquê de tanta reclamação e concluí que, além de não mudar em nada, as estações estão por aí, não há como mudar e, mais importante, cada uma tem seu charme.
O frio, mais deliciosa de todas as época, é bom pra dormir agarrado, pra comer um monte de coisa gostosa (e muito mais calórica, mas isso também faz parte), andar com roupas muito mais bonitas, cabelos presos por causa dos agasalhos, acessórios escuros. As viagens do inverno são deliciosas, pra onde quer que sejam. Isso sem falar que é muito mais gostoso dormir  nas noites mais frias.
O verão, é mais claro, mais bonito. Dormir, nessa estação, deixou de ser a coisa mais gostosa a se fazer e, em compensação, é muito melhor ficar acordado olhando as madrugadas lindas, que quase sempre surgem após as chuvas. E os dias dos melhores passatempos naturais do mundo? Piscina, praia, cachoeira... pra cada gosto, pra cada grupo. Bebidas geladas, comidas leves, as mais diversas dietas. Chuva, pra que te quero! Sorvetes do mundo, sejam todos bem vindos aos meses mais aguardados! Saladas, queridas, fiquem por aqui até que o último alto grau diminua, até o próximo período frio. Cabelos lisos, maquiagens e botas, esperem mais um pouco para voltarem a ser queridas como antes. 
E horário de verão, tão amado e odiado, seja também bem vindo. O verão seria muito mais sem graça se os dias não terminassem lá pelas 8 da noite. Seria chato viver mais noite e menos dia no verão, a estação mais dia que existe. E o horário de verão, vilão de todas as reclamações, um dos campeões de audiência nessa época de chateações via redes sociais, pessoalmente, em bilhetes, de todo tipo de gente, que acha que "quem odeia compartilha". Ô chateação... haja paciência pra tanta reclamação!
Se o horário de verão não economiza energia elétrica no país, como deveria, pelo menos me deixa mais tempo na rua curtindo a luz do sol, pelo menos deixa as pessoas mais divertidas, corpos mais expostos... e, mais uma vez: de nada, absolutamente nada vai adiantar tantos pedidos de "curte aí" essa chatice.
Política é outro tempo que traz reclamações. Se não do que está no poder, tentando permanecer, do que não está, tentando entrar. Se não disso tudo, do contato do Facebook, fazendo campanha pra um ou pra outro. Sejamos sinceros: independentemente do pensamento de cada um, ler, o dia inteiro, postagens, compartilhamentos, piadas e uma pá de mentiras sobre os candidatos, não acrescenta em nada a ninguém. A não ser raiva, irritação e, claro, reclamação. Só que mais legal é não ligar. Está muito chato checar a timeline do Facebook ou do Twitter? Simples: não faça isso. Ah, não dá conta de ficar sem olhar de duas em duas horas? Duas opções então: atenha-se às suas notificações ou conforme-se. É, é simples demais. Vai doer muito menos em todo mundo. Eu garanto.
Ta cansado da corrupção que assola 9 em cada 10 políticos ELEITOS POR GENTE COMO EU? Ta, então, aproveite para mudar o seu voto, para procurar por candidatos que ofereçam um passado ilibado, que tenham histórias que não os desabonem. Não encontrou? Talvez seja a hora de oferecer os seus serviços à política. Filie-se, candidate-se, lute por um país sem corrupção. Você não estar lá ajuda a disseminar essa prática execrável. Ficar lamentando nas redes sociais, nas conversas de bar ou em qualquer lugar não adianta, não ajuda. Ao contrário, enche o saco, irrita e estimula reclamações. E o fim de tanto "reclame" é o que eu imploro.
A TV aberta é chata, podre, abominável? Pra quem pode pagar pelo serviço de emissoras fechadas, ótimo. Pra quem não tem, tantas reclamações no mundo não vão melhorar o nível da programação oferecida e nem vai tirar dos grandes empresários o direito de transmitir no canal concedido pelo governo. E mesmo assim, tem solução: livros e jornais, faxinas, plantações, tricô, culinária, assistência social e trabalho voluntário, contação de histórias, trabalho. Tudo isso ocupa melhor o tempo que novelas, programas insuportáveis de mau humor, gente mesquinha entrevistando e se deixando entrevistar, apresentador dando tudo a pobre e mirando o Palácio do Planalto, enfim. Há um monte de coisa que pode ser feita para ocupar o tempo e, melhor ainda, para mudar a vida de pessoas, para mudar o mundo.
Não estou vindo contra as lutas que muita gente trava todos os dias, contra atendimentos mal feitos, discriminação racial em diversos níveis, serviços oferecidos sem o mínimo de qualidade por um governo de (des)serviços. Apóio essas atitudes nesta época em que colocar a boca no trombone pelas redes sociais, por telefone, cartas e outros meios surte efeito imediato. Pra mim, porém, reclamar do que está aí, seja por culpa nossa ou porque não pode ser mudado, não vai resolver.
Reclame daquilo que pode ser modificado, aquilo pelo que valha realmente a pena.
Se não, conviva. Vai doer menos a cabeça de todo mundo. Experimente parar de reclamar!


sexta-feira, outubro 03, 2014

Ô simpatia!

Duvido que alguém duvide ou discorde. Não há como. Os simpáticos são, de longe, o melhor tipo de gente. Quem não acha isso, por certo ainda não parou pra pensar no assunto. Monte de gente tem várias características: uns são bonitos, outros agradáveis, há os inteligentes, os divertidos, os amáveis, os educados, os respeitadores. Todos são admiráveis, mas nada como o simpático.
O bonito pode ser chato. O inteligente pode ter mau hálito. Os divertidos podem ser ranzinzas. Os amáveis, vai ver, são senhores de si. Os educados podem ser, sei lá, feios. Os respeitadores podem ser vaidosos... e por aí vamos.
Os simpáticos podem ser qualquer coisa, eles são sempre simpáticos. Eu relevaria o fato de ele ter mau hálito, ser ranzinza, vaidoso, feio, senhor de si..... pelo simples fato de ele ser simpático.
Pra mim, os simpáticos são agradáveis, é bom estar perto dele. Se ele não for inteligente, não faz mal! Ele é simpático. Se for vaidoso, eu relevo, afinal de contas, ele é simpático. Tem o simpático ranzinza, claro, mas dá pra deixar isso pra lá, simplesmente porque ele é simpático.
E não to me referindo ao simpático forçado. To falando do cara que é simpático por natureza, sem precisar se esforçar pra parecer mais simpático.
O simpático tem sorriso fácil e gargalhada comum. Tem conselho e, quase sempre, boa conversa. Com o simpático, a gente se sente à vontade. Quer contar novidades, compartilhar experiências.
De vez em quando eu me sinto “íntima” de alguém e, quando me dou conta de que não é bem assim, justifico a minha confusão pela simpatia dele. É... os simpáticos têm esse poder. Todo mundo se acha no direito de conversar, cumprimentar, falar sobre qualquer assunto. Ah, a pessoa é simpática, poxa!
E não tem nada a ver com beleza, que fique claro. Há quem confunda. Nem com bom humor. Há os bem humorados não simpáticos, embora os simpáticos sejam, quase sempre, bem humorados.
É bom, é agradável, é bonito. É gostoso conversar com o simpático, dar bom dia pra ele na rua, é bom acordar ao lado do simpático (no meu caso, é um fato).

Ô simpatia!

terça-feira, setembro 23, 2014

Cuidado: ‘por conta de’ é o novo ‘a nível de’*

A locução prepositiva “por conta de” não é um novo animal na floresta da língua. Faz alguns anos que professores de português, conselheiros gramaticais e outros profissionais encarregados de zelar por uma versão limpa e correta do português falado no Brasil vêm advertindo o público dos seus riscos. Não adiantou. A novidade que se anuncia aqui é que esse modismo besta está vencendo o jogo – e de goleada. Se “a nível de” é uma praga que, de tão ridicularizada, entrou em declínio, “por conta de” está em alta. Quem separar uns poucos minutos para folhear com atenção revistas e jornais, navegar na internet ou ouvir TV e rádio – sobretudo este – encontrará uma impressionante variedade de frases sintaticamente mancas, construções rebarbativas e outras bobagens com “por conta de” no meio.

Com esta manchete, que deveria trazer "por causa de", 
o Jornal O Globo virou notícia

Uma complicação adicional é que nem sempre essa locução agride a gramática e o bom senso, embora o desgaste provocado pela repetição excessiva torne cada vez mais difícil acomodá-la num texto de estilo apurado. Como costuma ocorrer com modismos linguísticos bem-sucedidos demais, os casos mais graves são aqueles em que a expressão fetichista, julgando-se todo-poderosa, transborda do nicho gramatical que lhe foi reservado e passa a atuar como predadora de outras espécies ao seu redor. Mais do que empobrecer o vocabulário em circulação na sociedade, esse espalhamento instaura um vale-tudo em que a muleta linguística faz o papel de curinga chamado a remendar às pressas raciocínios esfarrapados. É o momento em que a inteligência coletiva paga a conta.
Não se trata de exagero. Talvez os danos fossem menores, computados apenas no placar da elegância, se os ataques se restringissem às preposições simples e curtas – como com, contra, pore de – que são as primeiras vítimas de “por conta de”:
● “Corintianos fazem piada por conta da derrota do Santos” (com);
● “Atriz Y. está deprimida por conta de separação” (com);
● “Moradores protestam por conta da situação da estrada” (contra);
● “Escritor X. é processado por conta de plágio” (por);
● “Morreu por conta de câncer” (de).
Nos casos acima, a locução do momento comete um crime típico do bacharelismo brasileiro, a enrolação palavrosa – a mesma que já levou muita gente a acreditar que soava sofisticada ao proferir tolices como “passar mal a nível de estômago”. Diante do que vem depois, porém, isso pode ser considerado secundário. Fortalecido pelas primeiras vitórias, “por conta de” logo se aventura em regiões distantes de seu habitat natural, passando a exterminar e substituir espécies linguísticas com as quais não tem a mais pálida semelhança. É o caso da preposição “sobre”:
● “O craque analisou a equipe adversária, mas por conta da queda do treinador preferiu não fazer comentários.”
E de repente atingimos o ponto culminante na escala da falta de noção: “por conta de” aparece ocupando o lugar de um advérbio como “apesar”, numa construção concessiva como esta:
● “Mesmo por conta da epidemia de dengue, as pessoas continuam deixando recipientes com água no quintal.”
Onde estarão errando os opositores de “por conta de” para serem ignorados de tal forma, inclusive por falantes que, para todos os efeitos, incluem-se entre os praticantes da variedade culta da língua? Curiosamente, seu equívoco parece residir no excesso de rigor e não na leniência – extremos que, como bem sabe quem educa ou já educou filhos, podem produzir resultados igualmente negativos. Ao condenar indiscriminadamente como erro o uso dessa locução prepositiva com o sentido causal que dicionários de qualidade como Houaiss e Aulete (embora não o Aurélio) já reconhecem como um brasileirismo legítimo, tais críticos abrem o flanco a uma desmoralizante acusação de ultraconservadorismo. Qualquer um que, a esta altura dos estudos linguísticos, seja visto como defensor de um impossível imobilismo de idiomas vivos é excluído do jogo com facilidade.
O fato é que o sentido causal de “por conta de” está além da polêmica. Sua origem clara – e castiça – deve ser buscada em “à conta de”, locução prepositiva à prova de controvérsia, embora pouco usada hoje. “À conta de” quer dizer “por causa de, a pretexto de”, informa o Aurélio, dando como exemplo uma frase de Frei Vicente do Salvador (1564-1635), autor do clássico História do Brasil: “…à conta de defenderem a jurisdição de el-rei, totalmente extinguiam a da Igreja”. Para transformar “à conta de” em “por conta de”, basta uma troca de preposição tão simples quanto a que levou o para do início desta frase a suplantar por como indicador de efeito a atingir, numa das evoluções marcantes do português antigo para o moderno analisadas por Said Ali em seus estudos pioneiros de gramática histórica.
No entanto, isso passa longe de esgotar a questão. Enquanto a expressão “por conta de” puder ser trocada por “em razão de”, “em decorrência de” ou “devido a” (que também já foi malvista, mas hoje goza de boa reputação), estaremos diante de uma defensável escolha de estilo, ainda que irreverente se observada por um prisma tradicional. Mas quando, numa língua de cultura como o português, filha legítima do latim, uma peça polivalente qualquer começa a substituir grosseiramente mecanismos programados para estabelecer entre palavras uma malha intrincada de relações lógicas, espaciais e temporais, como são as preposições, vemo-nos no terreno daquele círculo vicioso para o qual o escritor inglês George Orwell chamava atenção ao afirmar que “se o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem também pode corromper o pensamento”. A epidemia do “por conta de” é um sintoma da falência educacional brasileira.

segunda-feira, setembro 22, 2014

Dia de Combate ao Mau Hálito

Ah, sim, isso existe. E é hoje.
Pode parecer irônico, mas não é. É necessário. Importante. Fundamental, eu diria.
Não pra mexer com as pessoas que simplesmente não percebem que sofrem deste mal, mas pra chamar a atenção para o fato.



Saber de onde vem e a razão do mau hálito é um passo muito importante para se livrar desse problema. Um dos erros comuns que muita gente comete é acreditar no boato popular de que o mau hálito vem do estômago. Segundo a Associação Brasileira de Halitose, apenas 1% das causas do problema vem de problemas estomacais. Isso significa que 90% têm origem na boca. Exceções são o arroto e o refluxo associado à hérnia de hiato, que ocorre quando o esôfago se alarga e o estômago, que deveria ficar no abdômen, sobe para o tórax. 
O que levou muita gente ao erro de achar que o mau hálito vinha do estômago, é que ao comer, elas percebiam que o problema diminuía ou desaparecia. Mas isso é facilmente explicado. Ao ingerir alimentos, nosso corpo equilibra a glicemia e elimina o mau hálito. Além disso, o sistema nervoso central faz com que as glândulas salivares aumentem a produção de saliva e, dessa forma, a saburra lingual, que é a placa bacteriana esbranquiçada que se forma na língua, seja eliminada. 
Portanto, a menos que sua situação seja uma das raras exceções, o cuidado com a boca é a solução para o problema. 

quinta-feira, setembro 18, 2014

Essa coisa de racismo...

A primeira palavra que me vem à mente é "cansei". E é isso mesmo. Cansaço. Não tem outra pra definir... mas isso me deixa preocupada, quando me lembro que a novela é recente. Vinte anos atrás, isso não existia. O crime, sim, existia e, é claro, não era passível de pena. E essa criminalização, de fato, inibe a prática. Mas não só.
Esse negócio de transformar tudo em crime deu uma problematizada na questão. E acho que eu atraio essas confusões.... acontecem comigo pelo menos uma vez por dia.
Dia desses, uma menininha de 13 anos que eu conheço posto no facebook a seguinte frase:
"Como tem gente chata neste mundo!".
Eu, que sempre me preocupo com o que um simples comentário pode gerar, acabei falando demais (ou não).  Eu escrevi: "Ah, sim, mas neste mundo existe gente bonita, feia, gorda, magra, preta, branca e até gente engraçada".
Exatamente assim e até colocaria um print da página aqui, se não tivesse apagado, depois da "guerra" que se seguiu.
Uma mocinha, pouco mais velha que a dona do perfil me chamou de racista, preconceituosa e disse que eu tinha que ser processada, porque falei de "gente preta". Eu demorei a entender o que tinha acontecido e, querendo uma explicação, ainda questionei: "mas por que você (a mocinha que me exortou) falou de preto e não falou do branco, do gordo ou do feio? Falei tudo na mesma frase". Ao que ela respondeu: "Mas falou do preto com preconceito".
Outro dia, falei entre várias pessoas que, se eu tiver uma filha, ela vai ter cabelo crespo. Na verdade, falei que seria cabelo "ruim". É assim que eu me refiro a cabelo crespo. Como o meu era antes de inventarem a progressiva. Do mesmo jeito que acho "ruim" jiló, que amarga, e um monte de gente acha "bom". Da mesma forma que acho "ruim" ouvir funk e um monte de gente acha "bom". Da mesma forma que eu acho "bom" ler, e um monte de gente acha "ruim". Da mesma forma que eu "adoro" verão (e inverno) e um monte de gente "odeia". Da mesma forma que eu penso que casamento é "bom" e todo mundo devia experimentar e uma galera "acha péssimo" e me chama de louca quando digo isso. Do mesmo jeito que gente chata me irrita e faz um monte de gente feliz. É questão de visão pessoal. Perfumes, pratos, bairros para morar, trabalhos e profissão, cores de roupas, prestação de serviços e mais um monte de coisa. O que é "bom" ou "ruim" pra mim, pode não ser pro resto da humanidade. E é exatamente assim quando me refiro ao meu tipo de cabelo até cinco anos atrás. Ruim. Apesar de um monte de gente achar que ele era simplesmente crespo, encaracolado ou enrolado.... Isso aí. Do mesmo jeito.
E quando eu falo no "meu negão"? Tem gente que não fala mais comigo, desde que me ouviu falar assim. Eu até questionei: "Você prefere que eu chame o meu marido de louro do olho azul ou ariano?". A pessoa ficou brava e me chamou de preconceituosa.
Pronto. Bastou pra eu me cansar da ignorância de todo mundo que anda fazendo essa papagaiada absurda por aí. Apaguei o meu comentário no facebook pra evitar a fadiga e quase pulei do terceiro andar!
E isso aconteceu comigo. Não estou falando do que todo mundo vem compartilhando pelas redes sociais sobre o assunto. Não estou falando de um goleiro sem noção que se sentiu ofendido por uma branquela tê-lo chamado de Macaco e antes que os ânimos se exaltem, não não é certo, achei preconceituoso, mas também não vi necessidade de tanto estardalhaço. Até a casa da garota já foi incendiada, depois que ela forçou um choro em frente às câmeras de TV, pedindo perdão e um encontro com o negão (que, cá entre nós, é bonitão). Negão que, aliás, nem quer conhecê-la.
E to falando de coisas que acontecem comigo, não to falando de uma propaganda da Fiat, que precisou ser tirada do ar, porque usou um gato preto como sinônimo de azar. Não to falando de cotas raciais (sim, sou contra. Não acho necessário. Pra mim, o programa de cotas do governo é um desserviço, uma forma de legalizar o preconceito. Pronto, podem me processar). Não to falando do cara do alto escalão de  algum tribunal do Brasil que colocou o rótulo da Pepsi em uma criança negra e postou no Facebook.
To falando de coisas que aconteceram e acontecem comigo e me irritam profundamente. Aliás, que me cansaram.
Ta doendo em gente por aí, ouvir que sou "crente" ou "evangélica", porque um cara ignorante como o Silas Malafaia, embora pregue o que diz a Bíblia, anda falando demais? Sinto muito informar que sim, sou filha de Deus, já O reconheci como o autor e consumador da minha fé e creio em tudo o que a  Bíblia diz. Isso não significa, porém, que eu seja das que dão moral a um pastor sem noção, que anda misturando Deus com política e, pior, com uma pitada de ignorância e intolerância. Aprendi criancinha sobre Deus e não O largo, nem aos seus ensinamentos. Mas também não saio por aí criando polêmica. Pelo menos tento não fazer isso. E isso tem, sim, a ver com a homofobia (que eu NÃO vejo nos discursos do Malafaia) que todo mundo anda dizendo. Tenho amigos gays, vários, os amo e não tenho preconceito. Mas sim, sou crente.
Tem gente ficando doída porque o meu marido é preto e eu o trato por "preto", "negão"? Porque falo que a perna dele fica mais russa que a minha porque é preta? Tem gente se doendo porque afirmo todos os dias que se eu tiver um filho menino, vai viver com a cabeça raspada, pra dar menos trabalho, e que se for menina vai ter cabelo encaracolado até os 15 anos e vai decidir por si mesma se quer virar "alisada"? (Embora eu ache, sim, que ela vai ter cabelo "ruim"). Tem gente se doendo mesmo. E eu sinto muito. É assim que eu penso. E, ao contrário de traficantes, assassinos e ladrões, não acho que estou cometendo um crime.
As pessoas precisam parar de se preocupar com tanta pequenez, com tanta atitude de cabeça minúscula e parar pra pensar no momento delicado desse país, na gravidade de tudo o que anda acontecendo no mundo, nas pessoas que nos cercam, que perderam o amor ao próximo e até à própria vida...
Todo mundo precisa viver o momento, deixar essas coisinhas pra lá.
Garanto, com toda a certeza do mundo, que uma galera vai ser muito mais feliz!