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terça-feira, setembro 23, 2014

Cuidado: ‘por conta de’ é o novo ‘a nível de’*

A locução prepositiva “por conta de” não é um novo animal na floresta da língua. Faz alguns anos que professores de português, conselheiros gramaticais e outros profissionais encarregados de zelar por uma versão limpa e correta do português falado no Brasil vêm advertindo o público dos seus riscos. Não adiantou. A novidade que se anuncia aqui é que esse modismo besta está vencendo o jogo – e de goleada. Se “a nível de” é uma praga que, de tão ridicularizada, entrou em declínio, “por conta de” está em alta. Quem separar uns poucos minutos para folhear com atenção revistas e jornais, navegar na internet ou ouvir TV e rádio – sobretudo este – encontrará uma impressionante variedade de frases sintaticamente mancas, construções rebarbativas e outras bobagens com “por conta de” no meio.

Com esta manchete, que deveria trazer "por causa de", 
o Jornal O Globo virou notícia

Uma complicação adicional é que nem sempre essa locução agride a gramática e o bom senso, embora o desgaste provocado pela repetição excessiva torne cada vez mais difícil acomodá-la num texto de estilo apurado. Como costuma ocorrer com modismos linguísticos bem-sucedidos demais, os casos mais graves são aqueles em que a expressão fetichista, julgando-se todo-poderosa, transborda do nicho gramatical que lhe foi reservado e passa a atuar como predadora de outras espécies ao seu redor. Mais do que empobrecer o vocabulário em circulação na sociedade, esse espalhamento instaura um vale-tudo em que a muleta linguística faz o papel de curinga chamado a remendar às pressas raciocínios esfarrapados. É o momento em que a inteligência coletiva paga a conta.
Não se trata de exagero. Talvez os danos fossem menores, computados apenas no placar da elegância, se os ataques se restringissem às preposições simples e curtas – como com, contra, pore de – que são as primeiras vítimas de “por conta de”:
● “Corintianos fazem piada por conta da derrota do Santos” (com);
● “Atriz Y. está deprimida por conta de separação” (com);
● “Moradores protestam por conta da situação da estrada” (contra);
● “Escritor X. é processado por conta de plágio” (por);
● “Morreu por conta de câncer” (de).
Nos casos acima, a locução do momento comete um crime típico do bacharelismo brasileiro, a enrolação palavrosa – a mesma que já levou muita gente a acreditar que soava sofisticada ao proferir tolices como “passar mal a nível de estômago”. Diante do que vem depois, porém, isso pode ser considerado secundário. Fortalecido pelas primeiras vitórias, “por conta de” logo se aventura em regiões distantes de seu habitat natural, passando a exterminar e substituir espécies linguísticas com as quais não tem a mais pálida semelhança. É o caso da preposição “sobre”:
● “O craque analisou a equipe adversária, mas por conta da queda do treinador preferiu não fazer comentários.”
E de repente atingimos o ponto culminante na escala da falta de noção: “por conta de” aparece ocupando o lugar de um advérbio como “apesar”, numa construção concessiva como esta:
● “Mesmo por conta da epidemia de dengue, as pessoas continuam deixando recipientes com água no quintal.”
Onde estarão errando os opositores de “por conta de” para serem ignorados de tal forma, inclusive por falantes que, para todos os efeitos, incluem-se entre os praticantes da variedade culta da língua? Curiosamente, seu equívoco parece residir no excesso de rigor e não na leniência – extremos que, como bem sabe quem educa ou já educou filhos, podem produzir resultados igualmente negativos. Ao condenar indiscriminadamente como erro o uso dessa locução prepositiva com o sentido causal que dicionários de qualidade como Houaiss e Aulete (embora não o Aurélio) já reconhecem como um brasileirismo legítimo, tais críticos abrem o flanco a uma desmoralizante acusação de ultraconservadorismo. Qualquer um que, a esta altura dos estudos linguísticos, seja visto como defensor de um impossível imobilismo de idiomas vivos é excluído do jogo com facilidade.
O fato é que o sentido causal de “por conta de” está além da polêmica. Sua origem clara – e castiça – deve ser buscada em “à conta de”, locução prepositiva à prova de controvérsia, embora pouco usada hoje. “À conta de” quer dizer “por causa de, a pretexto de”, informa o Aurélio, dando como exemplo uma frase de Frei Vicente do Salvador (1564-1635), autor do clássico História do Brasil: “…à conta de defenderem a jurisdição de el-rei, totalmente extinguiam a da Igreja”. Para transformar “à conta de” em “por conta de”, basta uma troca de preposição tão simples quanto a que levou o para do início desta frase a suplantar por como indicador de efeito a atingir, numa das evoluções marcantes do português antigo para o moderno analisadas por Said Ali em seus estudos pioneiros de gramática histórica.
No entanto, isso passa longe de esgotar a questão. Enquanto a expressão “por conta de” puder ser trocada por “em razão de”, “em decorrência de” ou “devido a” (que também já foi malvista, mas hoje goza de boa reputação), estaremos diante de uma defensável escolha de estilo, ainda que irreverente se observada por um prisma tradicional. Mas quando, numa língua de cultura como o português, filha legítima do latim, uma peça polivalente qualquer começa a substituir grosseiramente mecanismos programados para estabelecer entre palavras uma malha intrincada de relações lógicas, espaciais e temporais, como são as preposições, vemo-nos no terreno daquele círculo vicioso para o qual o escritor inglês George Orwell chamava atenção ao afirmar que “se o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem também pode corromper o pensamento”. A epidemia do “por conta de” é um sintoma da falência educacional brasileira.

terça-feira, setembro 16, 2014

Quando tudo parece mal...

Sempre que tudo parece que vai mal, alguma coisa acontece e te anima.
Comigo, pelo menos, é assim.
E hoje eu nem to desanimada.... mas acabei me animando ainda mais, ao encontrar o aplicativo do Vocabulário da Língua Portuguesa, lançado pela Associação Brasileira de Letras, para nos fazer mais felizes:
A Academia Brasileira de Letras acaba de lançar, com acesso gratuito, o aplicativo do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), que contém a ortografia oficial do Português, para tablets e celulares. O usuário poderá fazer a consulta utilizando a internet  apenas  uma única vez, quando baixar o aplicativo ou quando for necessária a atualização da base de dados.
Para isso, basta acessar o link para iOS (aqui) para download na App Store da Apple, ou (aqui) para download no Google Play, para o Sistema Android.
Um dos recursos mais interessantes do aplicativo é o de auto-completar-se (o que facilita a digitação em telas pequenas). Outro é a regulagem do tamanho da fonte (para telas pequenas e pessoas com dificuldade na leitura). De acordo com os técnicos responsáveis pelo aplicativo, quando um consulente começar a digitar parte da palavra cuja grafia precisa consultar, uma listagem de possíveis resultados aparecerá  na tela, e ele poderá encontrar a exibição do vocábulo antes mesmo de terminar a redação de tal termo.  O aplicativo dispõe também de  um ajuste que pode ampliar ou reduzir o tamanho da fonte, facilitando a leitura.


domingo, julho 13, 2014

quarta-feira, março 12, 2014

Você sabe a diferença entre prosa, conto, poema, poesia e soneto?*

Prosa: É o texto corrido (o que se diz ou escreve sem métrica; o que se diz ou escreve sem ser em verso), que se dá por meio de narrativas longas ou curtas. A prosa é importante pois nos deixa com uma visão clara dos movimentos literários (Dom Casmurro, por exemplo, é uma narrativa em que percebemos claramente a passagem do romantismo para o realismo). A prosa pode ter dois tipos de narradores: o onisciente seletivo e o onisciente seletivo múltiplo. O onisciente seletivo acontece quando o narrador está apenas contando a história como um simples e puro fato, como quem vê de fora. O onisciente seletivo múltiplo é quando, além de contar a história, o narrador consegue entrar na mente de seu personagem (um ou mais).

conto (narração falada ou escrita; história ou historieta imaginadas; fábula) é uma história curta com ínicio, meio e fim muito bem demarcados. Existem até "minicontos" e "microcontos", às vezes com apenas uma frase.

No sentido etimológico, poesia (arte de escrever em verso; caráter do que desperta o sentimento do belo; inspiração) vem do grego poiesis, que pode ser traduzido como a atividade de produção artística ou a de criar ou fazer. Com base nisso, a poesia pode não estar só no poema, mas também em paisagens e objetos. Trata-se, enfim, de uma definição mais ampla, que abarca outras formas de expressão, além da escrita.

Já o poema também é uma obra de poesia, mas que usa palavras como matéria-prima. Na prática, porém, convencionou-se dizer que tanto o poema quanto a poesia são textos feitos em versos, que são as linhas que constituem uma obra desse gênero.

Por fim, o soneto é um poema de forma fixa. Tem quatro estrofes, sendo que as duas primeiras se constituem de quatro versos cada, os quartetos, e as duas últimas, de três versos cada, os tercetos. Todos eles têm dez sílabas poéticas, classificando-se como decassílabos. Os sonetos costumam ter uma estrutura semelhante. O texto começa com uma introdução, que apresenta o tema, seguida de um desenvolvimento das ideias e termina com uma conclusão, que aparece no último terceto. Essa é, em geral, a estrofe decodificadora de seu significado.

quinta-feira, setembro 06, 2012

Paralímpico? Haja bobagem e submissão!*


O meu querido amigo, vizinho, filho e irmão Márcio Ribeiro me pergunta, com o seu falar italianado e com influência do linguajar da Casa Verde, bairro paulistano em que passou boa parte da vida: "Ma que história é essa de 'paralímpico'? Emburreci, emburrecemos todos?". E não foi só o Márcio. Vários leitores escreveram diretamente para o jornal ou para mim para pedir explicações.
Não, meu caro Márcio, não emburreceste. Nem tu nem os leitores que se manifestaram. E, é bom que se diga logo, a Folha não embarcou nessa canoa furadésima, furadissíssima.
Parece que o Comitê Paralímpico Brasileiro adotou a forma "paralímpico" para se aproximar da grafia do nome do comitê internacional ("paralympic"). Por sinal, o de Portugal também emprega essa aberração --o deles se chama "Comité Paralímpico de Portugal" (com acento agudo mesmo em "comité").
É bom lembrar que o "par(a)-" da legítima forma portuguesa "paraolímpico" vem do grego, em que, de acordo com o "Houaiss", tem o sentido de "junto; ao lado de; ao longo de; para além de". Na nossa língua, ainda de acordo com o "Houaiss", esse prefixo ocorre com o sentido de "proximidade" ("paratireoide", "parágrafo"), de "oposição" ("paradoxo"), de "para além de" ("parapsicologia"), de "distúrbio" ("paraplegia", "paralexia") ou de "semelhança" ("parastêmone"). Os jogos são paraolímpicos porque são disputados à semelhança dos olímpicos.
Talvez seja desnecessário lembrar que esse "par(a)-" nada tem que ver com o "para" de "paraquedas" ou "para-raios", que é do verbo "parar" (não esqueçamos que o infame "Des/Acordo Ortográfico" eliminou o acento agudo da forma verbal "para").
Pois bem. A formação de "paraolímpico" é semelhante à de termos como "gastroenterologista", "gastroenterite", "hidroelétrico/a", "socioeconômico", das quais existem formas variantes, em que se suprime a vogal/fonema final do primeiro elemento (mas nunca a vogal/fonema inicial do segundo elemento): "gastrenterologia", "gastrenterite", "hidrelétrico/a", "socieconômico". O uso não registra preferência por um determinado tipo de processo: se tomarmos a dupla "hidroelétrico/hidrelétrico", por exemplo, veremos que a mais usada sem dúvida é a segunda; se tomarmos "socioeconômico/socieconômico", veremos que a vitória é da primeira.
O fato é que em português poderíamos perfeitamente ter também a forma "parolímpico", mas nunca "paralímpico", que, pelo jeito, não passa de macaquice, explicitação do invencível complexo de vira-lata (como dizia o grande Nélson Rodrigues). Pelo que sei, em inglês... Bem, dane-se o inglês. Danem-se os Estados Unidos, a Inglaterra e a língua inglesa.
Alta fonte de uma das nossas mais importantes emissoras de rádio me disse que o Comitê Paralímpico Brasileiro fez pressão para que a emissora adotasse a bobagem, digo, a forma americanoide, anglicoide ou seja lá o que for. A farsa é tão grande que, em algumas emissoras de rádio e de TV, os repórteres (que seguem ordens superiores) se esforçam para pronunciar a aberração, mas os atletas paraolímpicos logo se encarregam de pôr as coisas nos devidos lugares, já que, quando entrevistados, dão de ombros para a bobagem recém-pronunciada pelo entrevistador e dizem "paraolímpico", "paraolimpíada/s".

Por professor Pasquale, Folha de São Paulo

terça-feira, maio 29, 2012

Essa língua portuguesa...

To ensaiando há um tempão passar por aqui pra falar sobre a dúvida que há na cabeça de 8 entre 10 brasileiros: afinal de contas, é "ter pego" ou "ter pegado"? Como é que se diz?
Não é nada complicado....
Essa dúvida ocorre porque na nossa querida língua, há os verbos chamados abundantes. E eles são chamados assim porque, de fato, abundam. Eles apresentam mais de uma forma de conjugação.
São os regulares e os irregulares.
Os regulares são aqueles que têm a terminação -ado e -ido e devem regidos pelos verbos ter e haver (ter amado, haver desejado, ter aconselhado).
Os irregulares são os outros, cuja terminação é diferente da dos reglares. Estes são usados com os verbos ser e estar.
Olha só alguns exemplos de verbos abundantes, com suas formas regulares e irregulares:


Verbo: aceitar 
Regular (ter e haver): aceitado 
Irregular (ser e estar): aceito

Verbo: acender
Regular (ter e haver): acendido
Irregular (ser e estar): aceso

Verbo: defender
Regular (ter e haver): defendido
Irregular (ser e estar): defeso

Verbo: eleger
Regular (ter e haver): elegido
Irregular (ser e estar): eleito

Verbo: entregar
Regular (ter e haver): entregado
Irregular (ser e estar): entregue

Verbo: enxugar
Regular (ter e haver): enxugado
Irregular (ser e estar): enxuto

Verbo: expressar
Regular (ter e haver): expressado
Irregular (ser e estar): expresso

Verbo: fritar
Regular (ter e haver): fritado
Irregular (ser e estar): frito

Verbo: imprimir
Regular (ter e haver): imprimido
Irregular (ser e estar): impresso

Verbo: isentar
Regular (ter e haver): isentado
Irregular (ser e estar): isento

Verbo: limpar
Regular (ter e haver): limpado
Irregular (ser e estar): limpo

Verbo: matar
Regular (ter e haver): matado
Irregular (ser e estar): morto

Verbo: pegar
Regular (ter e haver): pegado
Irregular (ser e estar): pego

Verbo: prender
Regular (ter e haver): prendido
Irregular (ser e estar): preso

Verbo: salvar
Regular (ter e haver): salvado
Irregular (ser e estar): salvo

Verbo: segurar
Regular (ter e haver): segurado
Irregular (ser e estar): seguro

Verbo: soltar
Regular (ter e haver): soltado
Irregular (ser e estar): solto

Verbo: sujeitar
Regular (ter e haver): sujeitado
Irregular (ser e estar): sujeito

Boa técnica pra não esquecer é ter sempre em mente um exemplo: "ser" e "estar" pego / "ter" e "haver" pegado.

quinta-feira, junho 30, 2011

sábado, junho 25, 2011

Mudaram os verbos!

Não, não é porque eu me dou bem com a língua portuguesa que fico encontrando erros por onde eu ando, pelo que estou lendo ou ouvindo. De jeito nenhum. O que eu acho que acontece é que, por me dar tão bem com ela, por considerá-la uma amiga - traiçoeira, muitas vezes, mas amiga - é que os erros que os outros comentem quando escrevem ou falam praticamente gritam por socorro. Bem, ao menos aos meus ouvidos. Eu os ouço claramente. Tão inexplicavelmente claro... um verdadeiro absurdo.
Sei e sou até parcialmente adepta àquela ideia do vernáculo, que as pessoas trazem na cultura de sua criação - e aqui leia-se família, amigos, localização geográfica e tudo o mais que as cerca - a forma correta de comunicação. Concordo com isso. Pra mim, assim como pra muitos linguistas do país, as pessoas podem conversar da forma que aprenderam. Erros só são erros se a consequência deles foram a não-concretização do processo de comunicação. Se a comunicação foi efetivada, se a mensagem foi passada, entendida ou percebida, não há problemas. Os erros são perfeitamente aceitáveis.
O que acontece, porém, é que esses erros deveria ser cometidos, comumente, no dia a dia, nas conversas informais, no bate papo entre amigos, em família... exatamente como aceitamos a linguagem coloquial.
A figura muda, por exemplo, quando se trata de um texto científico, um discurso formal ou um texto jornalístico. E é nos textos jornalísticos que as coisas tomaram um rumo diferente. Pra não dizer errado.
Não é de hoje que ouço, por exemplo, que o verbo "estar" já virou 'tar". Ih, faz tempo! Talvez baseados naquelas modificações linguísticas que são feitas de tempos em tempos, os editores e repórteres andam se esquecendo que, se as mudanças ainda não foram feitas, elas não existem.
É... Vossa Mercê virou vosmecê que virou você e está muito perto de virar "cê". Exemplo claro de uma mudança que ocorreu dentro da língua portuguesa. Mas se o verbo estar ainda é estar, não o façamos virar "tar".
Hoje eu ouvi "o programa tal ta começando e se você ta aí, continue". Doeu os ouvidos. Sério...
E este nem foi o único exemplo...
Já ouvi em novela pérolas como "vamos se arrumar"...
Sem falar nas concordâncias dos percentuais (50% "prefere"), do particípio (ter querido, pago, trazido) e daquele eterno gerundismo, que povoa os textos de tantas tantas pessoas.
É ou não é de doer?
Se não "ta" doendo aí, aqui "ta". Pelo menos aqui é o meu espaço e eu posso falar como quiser. Ta bom?

sábado, junho 18, 2011

Língua Portuguesa

De vez em quando to eu aqui falando alguma coisa relacionada à Língua Portuguesa. Seja o curso de Complementação que fiz no ano passado e que me tornou apta a lecionar o assunto em escolas secundárias, seja algum erro que vi, fotografei ou ouvi, seja pra uma curiosidade... enfim.
Só que hoje um telefone da minha irmã pra me perguntar sobre alguns adjetivos pátrios me deu a ideia de criar um marcador aqui no brog pra separar essas postagens que, mesmo sendo esporádicas, eu faço.
E, pra começar, nada melhor que a própria dúvida da Mônica. Qual o adjetivo pátrio par quem nasce em Mato Grosso do Sul, em Roraima e em Tocantins?
Mato-grossense-do sul e tocantinense eu sabia e disse a ela, até porque estive nestes dois estados e, curiosa que sou, procurei saber (quem disser que se lembra de todos daquela lista que a gente estuda na escola, ta mentindo. Certeza!). Para os nascidos em Roraima, não me lembrei. Até pensei em "roraimense", mas achei que era meio estranho e recorri à gramática minha de todas as vezes, que sempre está a postos, num local de facílimo acesso.
Pronto. Quem nasce em Roraima é roraimense mesmo. Mas e quem nasce em Aracaju? É aracajuano ou aracajuense? E em Belém do Pará? E na Guatemala?
Por essas e outras é que preparei uma listinha, pesquisando por aí e vou colocá-la aqui...
Sim, eu sou dessas...
Primeiro, os nascidos nos estados e capitais do Brasil: 

   Estado
Adjetivo pátrio
Capital
Adjetivo pátrio
Acre
acreano
Rio Branco
rio-branquense
Alagoas
alagoano
Maceió
maceioense
Amapá
amapaense
Macapá
macapaense
Amazonas
amazonense
Manaus
manauense
Bahia
baiano
Salvador
soteropolitano ou salvadorense
Ceará
cearense
Fortaleza
fortalezense
Espírito Santo
espírito-santense ou capixaba
Vitória
vitoriense
Goiás
goiano
Goiânia
goianiense
Maranhão
maranhense
São Luís
são-luisense
Mato Grosso
mato-grossense
Cuiabá
cuiabano
Mato Grosso do Sul
mato-grossense-do-sul
Campo Grande
campo-grandense
Minas Gerais
mineiro
Belo Horizonte
belo-horizontino
Pará
paraense
Belém
belenense
Paraíba
paraibano
João Pessoa
pessoense
Paraná
paranaense
Curitiba
curitibano
Pernambuco
pernambucano
Recife
recifense
Piauí
piauiense
Teresina
teresinense
Rio de Janeiro
fluminense
Rio de Janeiro
carioca
Rio Grande do Norte
rio-grandense-do-norte, norte-rio-grandense, potiguar
Natal
natalense
Rio Grande do Sul
rio-grandense-do-sul, sul-rio-grandense, gaúcho
Porto Alegre
porto-alegrense
Rondônia
rondoniense
Porto Velho
porto-velhense
Roraima
roraimense
Boa Vista
boa-vistense
Santa Catarina
catarinense
Florianópolis
florianopolitano
São Paulo
paulista
São Paulo
paulistano
Sergipe
sergipano
Aracaju
Aracajuense ou aracajuano
Tocantins
tocantinense
Palmas
palmense




Agora, alguns países. A lista é grande, mas vale a pena... a gente sempre aprende os adjetivos de alguns deles:

Afeganistão – afegão ou afegane
África do Sul – sul-africano
Alemanha – alemão
Angola – angolano
Arábia Saudita – saudita
Argélia – argelino
Argentina – argentino
Armênia – armênio
Austrália – australiano
Áustria – austríaco
Bélgica – belga
Bolívia – boliviano
Brasil – brasileiro
Bulgária – búlgaro
Cabo Verde – cabo-verdiano
Canadá – canadense
Chile – chileno
China – chinês
Chipre – cipriota
Colômbia – colombiano
Coréia do Norte – norte-coreano
Coréia do Sul – sul-coreano
Costa Rica – costarriquenho
Croácia – croata
Cuba – cubano
Dinamarca – dinamarquês
Egito – egípcio
El Salvador – salvadorenho
Emirados Árabes Unidos – árabe
Equador – equatoriano
Espanha – espanhol
Estados Unidos – norte-americano, estadunidense
Etiópia – etíope
Filipinas – filipino
Finlândia – finlandês
França – francês
Grécia – grego
Guatemala – guatemalteco
Hungria – húngaro
Índia – indiano
Indonésia – indonésio
Irã – iraniano
Iraque – iraquiano
Irlanda – irlandês
Israel – israelense
Itália – italiano
Iugoslávia – iugoslavo
Jamaica – jamaicano
Japão – japonês
Jordânia – jordaniano
Kuwait – kuwaitiano
Líbano – libanês
Líbia – líbio
Lituânia – lituano
Marrocos – marroquino
México – mexicano
Moçambique moçambicano
Mônaco – monegasco
Nicarágua – nicaragüense
Nigéria – nigeriano
Noruega – norueguês
Nova Zelândia – neozelandês
Panamá – panamenho
Paquistão – paquistanês
Paraguai – paraguaio
Peru – peruano
Polônia – polonês
Porto Rico – porto-riquenho
Portugal – português
Reino Unido – britânico ou irlandês e, se for o caso, inglês, galês, escocês
Romênia – romeno
Rússia – russo
Senegal – senegalês
Síria – sírio
Somália – somali
Suécia – sueco
Suíça – suíço
Turquia – turco
Uruguai – uruguaio
Vaticano – vaticano
Venezuela – venezuelano
Vietnã – vietnamita